Notas iniciais
Espero que gostem!

—Crucio! –Eu ouvi pelo que parecia a milésima vez essa noite, ao que parece eu teria um fim similar ao dos Longbottom, talvez até pior, já que o próprio lorde das trevas “agraciou-me” com sua presença.

Ele poderia me oferecer quantas vezes fosse, Bellatrix poderia me torturar o quanto quisesse, poderiam me matar, o que não duvido que farão, mas sou Amélia Bones, prefiro morrer a cometer traição e desde que Susan fique bem, não temo a morte. Afinal de contas, sou uma Bones da Hufflepuff.

A primeira vez que o vi eu buscava apenas um assento bem longe dos meus irmãos irritantes, mal sabia eu que aquelas crianças que se reuniram naquele vagão seriam partes tão importantes da minha vida.

Se fosse bem honesta comigo mesma, eu diria que me encantei com ele já no primeiro encontro, afinal ele era tão fofo que era impossível qualquer garota resistir aos seus encantos.

Na cerimônia de classificação eu continuei o legado da família Bones, mas uma pequena parte de mim gostaria de ter estado na casa vermelho e dourado para estar ao seu lado, não vou negar ao dizer que senti um pouquinho de ciúmes ao ver que ele e Pandora serem classificados na mesma casa.

No primeiro ano Pan, Ella e eu nos tornamos amigas inseparáveis, quem poderia dizer que haveria amizade entre leões, serpentes e texugos? A amizade com ambas as garotas me deixava em contato constante com ele, mas lógico que eu não agiria como uma menina apaixonada boba, afinal eu era Amélia Bones, filha de Edgar Bones Sr, o ministro de aplicação da lei mágica e eu aspirava um dia ser igual a meu pai, portanto garotos não ficariam no meu caminho. Bem, mais fácil dizer do que fazer.

No segundo ano fomos parceiros em poções, nem um de nós dois era muito bom, isso acabou com reuniões ao longo do ano na biblioteca, lembro-me bem de uma dessas vezes:

Eu estava encarando um livro pelo que parecia anos, quando algo atinge minha cabeça, a bolinha de papel que ele fez cai em meu colo e eu o encaro com uma expressão não muito satisfeita. Ele me observa divertido e eu o adverti:

—Precisamos estudar.

Ele rola os olhos, eu já havia percebido ser um hábito comum dele e da irmã.

—Já estudamos bastante Me.

Eu bufei:

—Eu posso até ter estudado o suficiente, mas você não.

Ele riu:

—Só por que você não vê, não significa que eu não faço.

Eu o encaro e ele se levanta, movendo-se para se sentar ao meu lado, ao sentar ele diz:

—Você tem que relaxar mais Mel.

—Se um dos meus irmãos ouvir você usando esse apelido, eles poderiam pensar...

Fui interrompida por sua risada:

—Deixe que pensem, você se importa muito com a opinião dos outros.

—Eu não me importo.

Ele ergueu a sobrancelha para mim:

—Então eu te desafio a me chamar pelo meu primeiro nome perto dos outros, durante todo o ano.

Eu o encaro seriamente.

—Está com medo Amélia?

Eu não sou de fugir assim:

—Eu aceito seu desafio.

E a partir desse dia eu não usei Dumbledore novamente, pelo menos até alguns anos depois.

No terceiro ano o Grande Salão mais uma vez estava em choque quando a professora McGonagall chama outro Dumbledore para experimentar o chapéu, da minha mesa eu observava um garoto alto, mas um pouco franzino com os olhos de Alberth e o cabelo de Arabella. O chapéu não demorou muito para gritar “Ravenclaw” e assim o garoto correu em direção aos seus colegas de classes. Mais tarde eu iria conhecer mais a fundo o jovem Percival e descobriria o quão ele podia ser ao mesmo tempo tão diferente e tão igual aos irmãos mais velhos, ele era tão observador quanto Arabella e tão brincalhão como Alberth, lógico que a primeiro momento ele era extremamente quieto, mas a medida que fui ganhando sua confiança descobri nele um bom amigo, ele parecia sempre entender os irmãos e as vezes se comportava como um mediador entre eles, embora com seus próprios amigos, por vezes ele se permitia juntar-se a nós.

No quarto ano foi quando eu descobri o quão bom em mediar os irmãos ele era, após um confronto entre leões e serpentes que acabou reunindo um grande número de pessoas na detenção, o que incluía eu e a primeira carta de reclamação enviada aos meus pais, Percy me ajudou a colocar um pouco de juízo na cabeça de Alberth e Arabella e eles selaram uma trégua.

No quinto ano eu e ele estávamos mais distantes, enquanto eu estava focada em meus livros, ele estava mais envolvido com as coisas de meninos como quadribol e garotas. E foi aí que eu percebi que eu poderia estar com ciúmes de todas aquelas garotas que o rodeavam, desde quando ele ganhava tanta atenção feminina? Esse foi o ano em que eu passei a detestar Rita Skeeter.

O sexto ano, ah o sexto ano, foi aí que o nosso relacionamento tomou forma. Foi um dos meus melhores anos em Hogwarts com certeza. Esse foi o ano em que começamos a namorar, graças a um empurrãozinho da minha melhor amiga, que por coincidência é a irmã dele. Se no sexto assumimos nossos sentimentos, no sétimo as garotas poderiam lutar por sua atenção, mas ele não parecia notar nenhuma além de mim e isso me deixava nas nuvens, eu era, ou melhor ainda sou completamente apaixonada por aquele garoto de olhos esmeraldas.

Sinto a vida se esvair de meu corpo à medida que sou torturada, fica cada vez mais difícil respirar e nem mesmo as memórias mais felizes são capazes de me manter sã. Ouço barulhos que parecem distantes, parece haver uma briga e posso distinguir a voz de Bellatrix berrando insultos, a dor para por alguns momentos e fecho os olhos.

Sinto meu corpo ser carregado, ouço palavras de “Vai ficar tudo bem Mel” parecem ser reais, mas também podem ser lembranças de outro tempo.

“Vai ficar tudo bem Mel” ele me abraça tão forte quanto pode “Só prometa que você não vai me deixar” digo entre soluços “Eu não vou te deixar, nunca.”

Seria esse meu fim? Morreria em paz?

Não mais suportando a dor, entrego-me a escuridão, mas não sem antes uma lágrima me escapar, não pela dor, não pelo fim, mas sim de arrependimentos, de coisas que deveria ter feito, mas nunca fiz.

Afinal de contas poderia ter sido uma mãe melhor, poderia ter acredito que o mal estava de volta mais cedo do que pensava, poderia ter cometido menos erros e amado mais.

No fim não importa quantas vezes brigamos, o último pensamento sempre será o que poderia ter sido, mas não foi.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.