The Story Of The Witch
3 Capítulo 3 - O Ataque
Notas iniciais
Cap III – O Ataque
Lydia
Eu não posso acreditar no que ouvi. Estávamos sendo atacados por Sombras Demoníacas? Isso não pode acontecer. Os alunos entraram em pânico. Alguns começam a correr em direção à saída, mas são impedidos pelo Prof. Miguel. Seus olhos estavam afiados.
– Fiquem parados e calem a boca! – Grita com sua voz rouca.
Os alunos param imediatamente. Prof. Miguel era nosso professor de magias elementais. Sempre muito sério e assustador. A arrogância em sua voz predominava, e não só com alunos.
– Precisamos que fiquem calmos. Nós vamos para o abrigo. – A mulher de antes começou a falar ao lado do Prof. Miguel.
Não é simples nos acalmar sabendo que bestas como essas estão em Tworn. Onde está Guilherme? E se ele estiver em perigo? Nesse momento meu corpo amolece. Uma sombra horrível quebra uma das enormes janelas do refeitório. Igor, eu e alguns alunos caímos sentados. Aquilo era uma Sombra Demoníaca? Era assustador.
Uma sombra, com presas e garras enormes. Tinha asas com chifres. E um único chifre enorme em sua nuca envergado para frente. Os alunos que estavam de pé começam a correr para a saída, pois o Prof. Miguel não estava mais ali. O que vi a seguir foi uma das coisas mais horríveis que presenciei. A sombra enfiou sua garra no pescoço de uma aluna, voou alto e depois da garganta estar toda destruída, a joga na parede.
Me levanto, agarro o braço de Igor e o ajudo a levantar. Começamos a correr para a saída, mas somos surpreendidos por duas sombras que saem das paredes. Uma delas vem em nossa direção, paraliso na hora, mas não sou a única. Igor estava na mesma situação.
A sombra estava muito perto, mas ao olhar pro lado vejo Prof. Miguel, com suas mãos em chamas. Ele rapidamente aponta para a sombra e lança duas bolas de fogo que a acertam. A sombra começa a ficar em chamas, e então solta um barulho agonizante, me fazendo tampar os ouvidos. Em pouco tempo a sombra vira fumaça, literalmente.
– Lydia, nós não vamos morrer aqui. – Igor me olha sério, ele parecia estar recuperado do choque, pois estava determinado. – Vamos sair daqui agora!
– Acho que não vai dar. – Digo ao olhar assustada para a saída.
Três sombras tinham acabado de entrar por lá. O que faziam era totalmente horrível. Todos que viam pela frente, elas simplesmente enfiavam suas garras nas barrigas e gargantas. Ao olhar pro lado, um pouco afastado da gente, tinha uma sombra devorando um garoto. O refeitório estava um caos. Foi quando alguns alunos começaram a usar magias. Fogo e luz começaram a voar pelo salão. Os alunos mais experientes atingiram as sombras, porém o dano não era tão grande.
Ao olhar mais atentamente vejo que a maioria dos alunos experientes não estão no refeitório. Cerca de 30 dos melhores alunos estavam em uma expedição. Foi quando vejo um garoto indo em direção a sombra que devorava um dos alunos.
Ele era alto, branco e seus cabelos eram pretos. Seus olhos eram verdes bem claros. Suas mãos se encheram de luz e então ele lança um raio brilhante na sombra, que em pouco tempo vira fumaça. Seu poder era impressionante.
– Rafael, ele é um dos alunos mais experientes daqui de Tworn. – Diz Igor animado. – Ele não quis ir a expedição.
– Sorte a nossa! – Digo nervosa.
Ao olhar em volta vejo que mais sombras apareceram. Quando olho novamente para Rafael, o vejo lançando bolas de luz em algumas sombras, mas uma delas estavam indo em suas costas. Ela chegou bem rápido e o agarrou na camisa. O garoto grita de dor. As garras com certeza entraram em suas costas. Pego minha varinha e miro em direção a maldita sombra.
– Ignis Spiritus! – Grito o mais alto possível, com a varinha apontada.
– Você sabe mesmo fazer isso? – Pergunta Igor com os olhos arregalados.
Eu aprendi esse feitiço há pouco tempo. Não estava na melhor forma possível, mas acho que dá para evaporar essa besta. Chamas começam a sair da minha varinha. A princípio era uma linha fina de fogo, mas ela foi crescendo e em sua ponta um tronco humano se formou. Seus braços eram fortes e os ombros também. O tronco se expandiu. O espirito estava quase completo. Seus cabelos em forma de fogo se formaram. Seu rosto era raivoso, o que me deu segurança. Impulsionei meu braço e o espirito abraçou a sombra explodindo em fogo. Assim que o espirito e a sombra somem eu caio de joelhos.
– Você está bem? – Igor envolve o braço no meu ombro.
– E-estou. – Minha respiração estava cansada. – Só estou cansada, esse feitiço ainda consome muito poder.
– Muito obrigado. – Quando levanto o olhar vejo Rafael em nossa frente. – Você salvou minha vida, seu feitiço foi muito forte.
– Não precisa agradecer. – Digo ainda com a respiração ofegante.
– E suas costas como estão? – Igor me ajuda a levantar.
– Doloridas. – Responde o rapaz. – Não foi tão fundo, então ficarei bem, eu acho.
Ao olhar em volta minhas pernas ficam bambas. Tinham alunos despedaçados pelo salão. O único alivio que sinto é quando o Prof. Miguel cria uma enorme explosão e quando tudo fica visível, percebo que não há mais nenhuma Sombra Demoníaca.
Os alunos que estavam escondidos debaixo dos escombros começam a aparecer. Sinto um aperto bem forte no coração. Muitos foram mortos. Ainda ouvíamos gritos. Ainda tinham sombras em Tworn.
– Precisamos ajuda-los. – Prof. Miguel nos chama a atenção. Eu podia jurar que ele estava assustado. – Precisamos reunir um grupo com boas habilidades.
Todos presentes trocam olhares. Cada olhar era diferente. Uns encorajados, outros assustados e alguns até mesmo indecisos. O que acabamos de presenciar nós mudará para sempre.
Guilherme
Acordo tonto, com o rosto um pouco babado. O que aconteceu? Só me lembro de uma dor forte na cabeça e a voz me perturbando. Simplesmente apaguei. O que me despertou foi o grito bem alto que vinha do corredor. Só depois de levantar, o receio me vem. Enquanto caminho lentamente até a porta do quarto, pego minha varinha na estante. O grito fica cada vez mais desesperador, até sumir totalmente, o que me fez paralisar um pouco.
Quando tomo coragem, abro a porta. Quase caio para trás com o que vejo. Um aluno estava aberto da garganta até o estômago. Ouço gritos, mas não consigo identificar de onde. Percebo os sinos batendo só agora, e isso significa que estamos sendo atacados. Engulo a seco. Não poderia ser Sombras Demoníacas, poderiam?
Corro pelo corredor, bem preocupado. Onde estariam Lydia e Igor? Por quanto tempo eu fiquei apagado? Ao passar por uma das portas, dou uma olhada rápida para o lado. Meu corpo todo gelou na hora. Uma menina estava no quarto, jogada na parede, machucada. O que vejo indo em sua direção era horrível. Uma sombra com chifre na nuca, e com asas. Começo a tremer quando vejo suas garras.
– Me ajude. – Chora a menina. – Eu não quero morrer.
Meu corpo tremia por inteiro. A sombra não parece ter percebido que ela falava comigo, ela nem ao menos tinha me visto. A menina parecia ter uns dezesseis anos. Seus olhos eram cor de mel, e seus cabelos tinha a tonalidade mais escura, sua pele era morena clara. O olhar que ela me lançou era de muito medo. Olhar para aquela sombra me deu raiva. Por ela existir, por ela estar fazendo isso. Apontei minha varinha em sua direção.
– Luz. – Digo baixo e friamente.
No começo nada acontece, e é então que a sombra vira-se pra mim. Seu olhar era maligno. Uma luz muito forte sai da minha varinha. Uma claridade imensa preenche o quarto. A última coisa que vejo antes da luz preencher tudo é a menina cobrindo seu rosto.
– Você está bem? – A pergunto assim que a luz vai embora, garantindo o sumiço da sombra.
– E-eu acho que sim. – Gagueja assustada.
– O ferimento foi fundo? – Ajudo a levantar.
– Eu não sei dizer. – Levanta com a mão no ferimento. – Nem sei como agradecer.
– Não precisa. – Dou um sorriso. – Você participa da aula do Prof. Alfredo? Tem material da aula dele?
Só percebi agora que deveria ter falado “participava”.
– Sim, está naquela estante. – Aponta.
Pego os materiais. Fecho a porta e arrumo tudo no chão. Primeiro pego penas de harpias e ponho em um pote. Jogo pelos de centauro por cima. Amasso um pouco. Vou até o banheiro e coloco um pouco de água da pia. Misturo bastante até ver a consistência cremosa. Peço licença e passo o remédio devagar em sua barriga.
– Agradeço muito. – Diz prendendo para não mostrar a dor.
Ouço um barulho gigantesco. Seria uma explosão? Abro minha boca mas minha voz falha. Tudo está acontecendo muito rápido. Eu não estou acostumado com isso.
– Estou indo ver o que aconteceu. – Começo a falar devagar. – Fique no banheiro escondida.
– Tudo bem. – Diz ao me abraçar.
Me despedi e corri para a porta, que fiz questão de fechar quando saí. Continuo a correr pelo corredor até chegar no salão principal de Tworn. Só agora percebi que não perguntei o nome da garota, e nem ela o meu. Estávamos assustados, não é? Vejo o Prof. Miguel lançando fogo em duas sombras, junto com alguns alunos. Procuro ao redor e então vejo Lydia e Igor junto com um garoto de cabelos negros que não conhecia. Eles estavam enfrentando três sombras.
– Isso é loucura! – Grito para os três.
– Guilherme! – Os dois pareciam aliviados em me ver.
– Cuidado! – Grito ao ver uma das sombras atrás de Lydia.
Foi então que o garoto que os acompanhava lançou uma bola de luz, atordoando a besta.
– Obrigado. – Lydia se vira para o garoto.
Mais alunos aparecem juntos com outros professores. Todos começam atacar as Sombras Demoníacas presentes. Quando começo a correr em direção a Igor, um grupo de sombras entram pela entrada principal. Devia ter umas oito. Aponto minha varinha, mas o que sai dela é insignificante. Uma luz baixa e sem vida. Me sinto um imprestável.
– Se afastem! – Grita Prof. Miguel para os que o rodeavam antes de criar uma enorme explosão. As chamas eram impressionantes, e sumiu com pelo menos 3 sombras. Infelizmente o professor parecia cansado.
– Suma daqui! – Grita Igor para uma das bestas ao lançar com jato de fogo com sua varinha.
– Essa foi boa, bobão. – Lydia lhe dá um sorriso.
Eu estava me sentindo mal. Por tudo. Mas ainda mais por não estar ajudando, odeio ser patético. Olhando para todos, me fez sentir uma energia percorrendo pelo meu corpo. Apontei a varinha pra uma das sombras que pretendia atacar o Prof. Rodolpho pelas costas e lancei um raio de luz, fazendo-a evaporar.
– Igor, não! – Ouço Lydia gritar desesperada.
Uma sombra havia pegado Igor pela camisa. Ele estava desacordado, eu não havia visto isso acontecer. A sombra passa voando pela entrada principal. Eu, Lydia e o garoto, começamos a correr atrás da besta. Lydia e o garoto tentam acertar a besta enquanto corremos, mas não tiveram sucesso.
– Vamos mais rápido! – Digo correndo na frente dos dois.
Uma pontada vem em meu peito quando olho para onde a sombra estava indo. Ela voava em direção ao rio que separava Tworn da floresta. A frase “Rios podem ser perigosos” gritava em meus pensamentos. Isso não pode acontecer. Isso não pode ser com Igor!
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