Dois dias se passaram e Blaine havia pego um resfriado e eu estava cuidando dele.

-Não chega perto de mim! — gritou ele de dentro do quarto, quando girei a maçaneta.

-Meu amor, eu não ligo.

-Kurt, não quero que fique doente.

-Já disse que não ligo. Eu trouxe chá para você.

-Awn querido. Você não precisa ficar perto de mim, assim você também fica doente.

Entrei no quarto e vi Blaine embaixo das cobertas com o rosto amassado e o cabelo bagunçado. Coloquei a caneca na cômoda e me deitei sobre ele, colocando uma perna em cada lado de sua cintura, me incline e o beijei.

-Beba todo o seu chá, ok?

-Ok.

-Que coisa hein. Vai ficar resfriado justo essa semana, não vai poder nadar comigo.

-K, eu pego uma pneumonia, mas não deixo de me divertir com você.

-Ok –respondi sorrindo.

Sai do quarto e passei pela sala para desligar a TV que Rachel e Mercedes tinham deixado ligada. Eu já estava indo para a cozinha quando o celular de Blaine começou a tocar, era uma mensagem. Já que eu tinha liberdade para mexer no celular dele, resolvi ler a mensagem.

'Quando podemos nos encontrar novamente?

Ainda não esqueci sua última visita

-Beijos do seu Sam '

-Como é que é? -resmunguei. Tentei me acalmar, para conversar civilizadamente com Blaine.

Fui até o quarto, abri a porta e fiquei o encarando dali.

-O que foi Kurt? -perguntou ele ainda deitado.

-O que significa isso? -joguei o celular nele.

-Kurt, eu posso explicar –disse ele logo após ter terminado de verificar o celular.

-Então vamos lá. Comece.

-Sabe aquele dia em que vi você e Sebastian se...- ele gesticulou com a mão -então, eu sai da sua casa perturbado, pensando que você havia me traído. Fui pedir um conselho para o Sam -ele abaixou a cabeça e continuou -Bebi um pouco, bem, acho que um pouco não é a medida certa.

-Não enrola!

-Eu meio que ... fiquei com ele.

-Você o quê? –não acreditei no que eu ouvi.

-Kur, me desculpa -ele se levantou e veio até mim.

-NÃO ME TOCA BLAINE! -ele ergueu as mãos em uma forma de rendição.

-Kurt, entenda.

-Preciso pensar!

-Eu te amo...-ele abaixou a cabeça -não quero que se afaste de mim –sussurrou.

-Se coloca no meu lugar Blaine! Quer dizer que toda vez que brigarmos, você vai me trair?

-Não Kurt!

-Pois é o que parece!

-Eu estava bêbado.

-Isso não serve com desculpa. Você... você me traiu, não consigo nem raciocinar direito.

-Kurt, já pedi desculpas, foi sem pensar, estava confuso e... –ergui meu dedo indicador como forma de dizer que não queria mais ouvir.

-Acho que já ouvi o bastante por hoje.

-Me entenda...

-Me entenda você Anderson -bufei e sai do quarto. Ele saiu atrás de mim e me segurou pelo pulso.

-Nunca se esqueça, ou duvide do quanto eu te amo! -seus olhos estavam marejados e olhavam profundamente nos meus.

-Apenas... apenas me solte -Blaine tirou sua mão de meu pulso e voltou para o quarto cabisbaixo.

Eu sai do chalé meio atordoado e fui para a beira do lago, aproveitar da luz da lua, e pensar um pouco. Sentei-me e envolvi meus braços em minhas pernas e enterrei meu rosto nos joelhos.

P. O. V Blaine

Eu sei que estou errado... sei lá, estou tão confuso.

Levantei-me e fui até o quarto de Mercedes e Rachel para pedir um conselho.

-Cara, você pisou na bola com ele — disse Rachel, depois de eu ter contado o que havia acontecido.

-Me fala uma coisa que eu não sei — resmunguei.

-O peso estimado da terra é de seis centilhões de toneladas.

-Não estou no clima Mercedes!

-Sorry.

-O que eu devo fazer?

-O deixe pensar um pouco. Dê-lhe meia hora, ai você tenta conversar.

-Ok, vou para o meu quarto. Valeu.

-De nada.

-Se precisar, é só ligar! -sai do quarto deles e decidi ligar para Sam, iria dar um fim nisso.

-Alô, Sam?

-Oi querido!

-Olha... eu não quero ser rude, mas... eu ter ficado com você aquele dia, não me significou nada. Eu estava triste, carente e... bêbado.

-Você pensa que é o que?

-Eu estava frágil... e eu amo o Kurt não queria ter feito isso com você nem com ele. Não está sendo fácil pra mim.

-Se não queria por que me procurou? Qual o seu problema Blaine?

-Eu estava confuso, não me julgue mal.

-Não me procure mais.

-Não precisa nem pedir -desliguei e me joguei na cama.

Fim do P. O. V Blaine

Ainda estava daquele mesmo jeito só que agora, meu rosto estava molhado de lágrimas.Ouvi alguns ruídos, mas imaginei que fosse o vento.

Senti uma mão no meu ombro, me virei e vi Blaine, então logo voltei a esconder meu rosto. Ele se sentou ao meu lado e encarou o horizonte. Limpei meu rosto e o encarei.

-Eu...-suspirei -Eu não duvido -falei quase em um sussurro. Blaine voltou a olhar para mim, só que dessa vez com um sorriso torto.

-Kurt...- não o deixei terminar, apenas o abracei fortemente.

-Meu pequeno... eu te amo tanto.

-Eu também, fui um tolo em duvidar disso. -sorri e o beijei.

Quando nos separamos, eu abri um sorriso bobo, assim como ele.

-Desculpe. Eu juro que nunca mais faço isso.

-Tudo bem. Eu confio em você -o beijei novamente. Ele levantou e estendeu a mão para mim.

-Vamos? -eu o olhei desconfiado, mas sorri e dei a mão para ele.

-Vamos para onde?

-Para o quarto, ué.

-Mas já? Vamos dar uma volta primeiro.

-Mas está escuro!

-Vai me dizer que está com medo?

-Eu? Imagina! -ele riu amarelo.

-Você está com medo! -afirmei.

-Não!

-Isso não foi uma pergunta!

-Está bem, você ganhou, eu estou com medo.

-Medo de que? Eu te protejo -envolvi meus braços em seu pescoço e o beijei.

-E se aparecer um lobisomem, ou até o maníaco da serra elétrica -eu não aguentei e comecei a gargalhar.

-Blaine, por favor, isso não existe.

-Você não sabe...

-Meu Deus. Abençoe esse menino!

-Paraa. Eu tenho medo. Respeita!

-Vaaaaamos –choraminguei.

-Ok,ok , mas se um lobisomem me atacar, a culpa é sua!

-Reclamão.

Perto de lá, havia uma trilha bem iluminada, Blaine e eu caminhamos por uma hora. Depois de muita insistência dele, sentamos em um toco de madeira branca que havia ali.

-Meu pé vai cair!

-Como reclama esse meu namorado! –o moreno passou o braço pelo meu ombro e recostou a cabeça na curva do meu pescoço.

-Daqui dá para ver bem as estrelas, diferente da cidade.

-Verdade -eu virei meu rosto e o encarei por um tempo.

-Que foi? Porque você está me encarando?

-Você é lindo, sabia?

-Obrigado -ele me beijou. Passamos um bom tempo ali, nos beijando, trocando caricias e palavras bonitas.