The Spetacular Spider-Man
3 Grande poder

Acordei em um quarto de hospital, atordoado.
Assustei-me ao perceber que conseguia enxergar, mesmo estando sem os meus óculos. Não me lembrava de como eu havia ido parar ali. Minha última lembrança era de ter desmaiado após ser picado pela aranha.
– Senhor Parker? — Falou uma mulher alta e magra de cabelos negros. Pelas roupas que ela usava, deduzi que era uma das enfermeiras. — Está se sentindo bem?
– Minha cabeça ainda dói, mas estou melhor. — Respondi. — Hã... Eu já posso ir para casa?
– Nós ligamos para o seu tio. Ele estará aqui em poucos minutos. — Disse o médico.
Assim como ele havia dito, o tio Ben não demorou para chegar. Em menos de dez minutos, nós já estávamos no carro, indo para casa. Mas aquele ambiente fechado me fez sentir a tontura novamente. Eu precisava sair daquele carro e respirar um pouco de ar fresco.
– Tio Ben? — Chamei-o.
– Sim? — Ele me encarou, com certa preocupação.
– Eu posso ir caminhando? — Pedi. — Não estou me sentindo muito bem aqui dentro...
– Tudo bem... — Concordou. — Mas tome cuidado. — Advertiu-me logo em seguida. — E se acontecer alguma coisa, pode me ligar que eu venho buscar você...
– Pode deixar! — Abri um largo sorriso para ele, que devolveu-me um maior ainda.
Agradeci a ele, enquanto descia do carro. Um pouco de ar puro realmente me fez bem... Em pouco tempo, minha dor de cabeça parou e a tontura desapareceu. Após isso, pude finalmente ir para casa.
No meio do caminho, senti um súbito e estranho formigamento na cabeça. Era uma comichão incômoda, que me dava a sensação de urgência. A única coisa que eu sabia é que precisava reagir.
Olhei imediatamente para o lado e vi que estava prestes a ser atropelado por um táxi. O formigamento aumentava cada vez mais, me dando a sensação de que precisava fazer alguma coisa.
E eu fiz...
De alguma forma, consegui saltar a tempo e acabei grudando em uma parede.
Por algum tempo, eu tive certeza que estava sonhando. Eu não podia estar escalando uma parede... Ninguém poderia fazer aquilo!
Quando cheguei ao telhado, segurei em um tubo de chaminé e o esmaguei! Ninguém poderia ser tão forte assim...
Senti então o formigamento novamente. Desta vez, senti uma estranha vontade de saltar, e por incrível que pareça, eu o fiz. Saltei de um telhado para o outro, várias e várias vezes...
E, quando resolvi voltar para a rua, a mesma estranha sensação me indicou que o modo mais fácil era descer por um fio.
Eu devo ter ficado uns vinte minutos olhando para mim mesmo, maravilhado. Não tinha a menor ideia de como aquilo poderia estar acontecendo, mas eu sabia que era incrível!
Foi então que me lembrei da aranha... O experimento com radiação a havia afetado... E quando ela me picou, transferiu suas habilidades para mim!
Aquele era, sem dúvidas, o melhor dia da minha vida!
Quando voltei ao meu caminho para casa, ainda atordoado, um cartaz de luta livre chamou a minha atenção: era a chance de testar minhas recém-descobertas habilidades e também a forma perfeita para ganhar algum dinheiro.
– Isso vai ser incrível! — Exclamei para mim mesmo, animado.
Eu então corri para casa. Fiz uma máscara usando uma camisa velha que eu não usaria mais, para que a tia May não descobrisse que eu me "arriscaria" enfrentando lutadores profissionais. Após isso, fui direto para o ringue.
– Qual o seu nome? — O apresentador perguntou para mim.
– Hã... Aranha humana! — Respondi a primeira coisa que veio na cabeça.
– Esse é péssimo, garoto! — Criticou. — Pense em algo melhor!
– O que acha de Homem-Aranha? — Sugeri.
– Gostei desse! — Aceitou, abrindo um sorriso enorme.
Subimos então até o ringue. Eu estava pronto para testar meus poderes contra Hogan, o Esmagador. Quando desafiei-o, todos deram risada. Eu não os culpo, afinal, aquele era o campeão nacional, enquanto eu era apenas um magrelo.
– Senhoras e senhores! Preparem-se para uma luta épica! — Dizia o apresentador. — Vejam esse corajoso rapaz enfrentar o nosso grande campeão! — Ele falava extremamente alto, mesmo estando com um microfone nas mãos. — Estejam prontos ou não, aí vem o Homem-Aranha!
Quando o homem terminou de falar, o Esmagador deu risada. Mas assim que começamos a luta, o fanfarrão de deu conta de que cometera um grande erro ao rir de mim. Minha força era bem maior do que a dele, apesar de eu aparentar ser extremamente fraco. Minha agilidade também havia sido aumentada.
E sem falar do formigamento que me avisava do perigo, que eu havia decidido chamar de "sentido-aranha".
Eu fui muito bem pago por minha vitória. O dono da arena até perguntou se eu queria aparecer na TV. Finalmente as coisas pareciam estar dando certo pra mim!
Além disso, eu tinha minha tia May e meu tio Ben em casa. Eles faziam de tudo para me ver feliz. E ao chegar em casa naquela noite, tive uma grande surpresa...
Meu tio Ben havia economizado e conseguido comprar o Kit de Química que eu queria há muito tempo. Com aqueles equipamentos, minhas experiências ficariam ainda melhores. Talvez eu nunca chegasse ao nível daqueles que trabalham para Norman Osborn, mas conseguiria avançar muito em minhas "pesquisas".
– Lembre-se Peter, você é um rapaz muito inteligente! — Dizia o tio Ben. — Mas sua inteligência e seu conhecimento significam poder. E, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.
Mal ele sabia, que aquela seria a frase que marcaria para sempre a minha vida...
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