Eu estava acordada, porem de olhos fechados. Passou-se um ano após a invasão, e ainda sinto falta dele. Me culpo todos os dias por não ter ido no lugar deles. Eu passei a mão lentamente em meus pulsos, passando pelas cicatrizes das minhas tentativas de suicídio, nenhuma deu realmente certo, por que uma parte de mim teme a morte.
Eu ainda me lembro do dia em que eles foram levados de mim...
“Era uma noite fria, nossos vizinhos convidaram nossa família para jantar, e eu convidei Jack. Achei estranho eles terem nos convidados, alguns messes a traz meu pai havia quebrado o nariz de Carlos. Fomos todos trados tão bem que suspeitei que alguma coisa estava errada, meus pais apenas achavam que eles queriam reconstruir a amizade. Fomos jantar, a comida era realmente atraente, eu mau comi. Depois de um tempo evitando a bebida decidi provar o suco. Foi quando tudo aconteceu...

O copo estava a poucos centímetros da minha boca, meus pais se levantaram de um salto da cadeira, Jack virou o rosto para mim, e uma lágrima escapava pelos seus olhos.
— Corra Zoey, corra agora!
Eu me levantei, olhei de Jack para meus pais, o que estava acontecendo? A bebida estava envenenada?
— Não vou sem vocês!
Pelo canto do olho vi Carlos e Ângela se levantarem.
— Filha vá! Salve-se! – disse meu pai, e então ele pulou em cima de Carlos, Ângela ficou olhando sem saber o que fazer.
Minha mãe tentou chegar perto de mim, mas caiu após alguns passos no chão.
— Mãe! – eu me agachei ao seu lado, ela repousou seu corpo sobre o meu.
— Nós te amamos filha, fique com sua tia.
— Mãe! – lágrimas escaparam de meus olhos.
As mão de Jack me puxaram do chão para um último beijo.
— Eu te amo Zoey. Não confie em ninguém, corra e se esconda.
Do que ele estava falando? Jack me empurrou porta a fora, e foi ajudar meu pai com Carlos, Ângela continuava parada, e minha mãe estava com os olhos fechados caída no chão, ela já teria partido?
Eu teria entrado novamente, mas a luz de um carro invadiu o gramado em frente a casa, e os olhos de Ângela brilhavam, literalmente, não eram olhos humanos.
— Eu amo vocês! – gritei para eles, sem saber se eles conseguiriam ouvir.
E então corri para a solidão.”

Desde então virei uma andarilha, ficando mais do que poucas semanas em um lugar. E depois partindo o mais longe possível.

Eu encontrei algumas pessoas durante esse longo ano, brincando de esconde-esconde com os alienígenas. Porem nunca fiquei com eles mais do que alguns dias, tempo suficiente para a troca de informação. Eu prefiro fugir sozinha, ter menos peso sobre os meus ombros, não colocar eu mesma e mais alguém em perigo.

Os primeiros dias de fugitiva não foram fáceis, demorou um tempo para eu entender o que as pessoas estavam se transformando. Alienígenas. Com o tempo eu comecei a compreender, e então comecei a viver uma nova vida. No inicio foi difícil acreditar que as pessoas que eu mais amavam foram mortas, e eu não estou entre eles por que não tomei um simples copo de suco.

Já se passaram 14 dias desde que cheguei aqui, meu esconderijo atual. Estava na hora de mudar de rumo. Eu poderia partir para uma cidade pequena agora, quem sabe Lake Stevens, ou Fairfild.

Ah Jack! Sempre íamos para Fairfield, tínhamos construído uma casa na árvore lá, ficava no meio da floresta, longe de qualquer trilha. Nosso cantinho secreto. Eu me levantei, ansiosa de mais para chegar lá.

Peguei os suprimentos que tinham sobrado e parti para uma viagem de 6 dias a pé.

A noite era mais fresca, então eu acelerava meu passo, o vento gritava em meus ouvidos quando eu corria. Dormia apenas 3 horas por dia. E então cheguei lá.

Estava tão alegre e ansiosa para saber se tudo continuava igual, que eu não notei que a porta estava entreaberta e a luz de um lampião banhava a noite ao meu redor.

Eu entrei.

— Jack! – não era meu Jack, era o corpo de Jack, sentado ali, olhando pra mim, surpreso.

Eu queria gritar, mas perdi minha voz. Ele se levantou surpreso, como se não esperasse visitas. E se ele fosse um Buscador? Teria chances eu de fugir? Estava cansada da viagem, eu não poderia dar um paço, ele já estaria em cima de mim.

— Zoey? Deus! Zoey!

Eu cambaleei para traz, meus pés não tocaram o chão, não tocaram nada! Eu compreendi assim que comecei a cair. Em poucos segundos meu corpo tocou o chão, fui invadida por uma dor imensa. Eu havia caído da casa na arvore.

O alienígena no corpo de Jack começou a gritar. Não era o grito que eu esperava. Pensei que ele gritaria chamando algum Buscador para acabar comigo. Mas os gritos dele eram de pavor, como os de uma criança que viu sua melhor amiga cair.

— Zoey! Você está bem? Por favor me diga alguma coisa!

Minha perna doía muito, minha cabeça latejava e girava. Ele desceu e se aproximou de mim.

— Saia de parto de mim seu monstro!

Ele se encolheu ao ouvir a palavra monstro. Lágrimas brotaram dos seus olhos, enquanto os meus se fechavam, eu estava desmaiando.

— Não morra Zoey! – sussurrou ele em meu ouvido.

Notas finais
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