The Soul
3 Três - Problemas no paraíso
Chorei tanto que fiquei inchada, antes eu tinha tanto no que me preocupar que nunca pude chorar desse jeito, hoje tenho Terra Branca e a segurança de um “lar”, então deixei as lágrimas caírem. Tedy deitou a cabeça em meu colo e ficou me observando, quando levantei a cabeça ele começou a lamber minhas lágrimas, não pude deixar de rir, fazia cócegas. Passei a tarde lendo, fazia tempo que tinha lido Eclipse, não me lembrava de quase nada do livro, mas isso não me impediu de suspirar enquanto lia.
A noite estava chegando, logo Terra Branca traria meu jantar. Tedy levantou a cabeça e começou a rosnar.
— Tedy? O que foi garoto? Shh – ele parou, e então eu pude ouvir. Passos e vozes.
— Está trilha é muito linda, Sol Poente. – disse uma voz feminina.
— Eu gosto da natureza, encontrei esta trilha por acaso. – essa voz era masculina.
Tedy começou a latir, não pude impedir.
— Não Tedy, fique quieto! – sussurrei, mas ele não se calou.
— O que foi isso? – perguntou a voz feminina lá em baixo.
— Um cachorro, veio daquela casa na árvore. – respondeu Sol Poente. – Olá? Tem alguém ai?
— Será que o cachorro está preso?
— Vamos lá ver.
Não!
— E se for um humano? – perguntou a voz da garota, apavorada.
— Então chamaremos os Buscadores.
Ouvi passos, então eles começaram a subir as escadas, tinha que pensar em algo, e rápido. Não tinha como fugir, então teria que me esconder com Tedy. E o único lugar era entrar dentro da porta embaixo da pia. Consegui entrar sem fazer nenhum ruído, assim que fechei a porta eles abriram a porta da casa na árvore. Estava muito apertado ali, o cano da pia estava gelado e machucava minhas costas, estava cheio de teia de aranha, e ainda por cima Tedy ameaçava latir a qualquer momento, segurei a boca dele fechada para que nenhum ruído saísse.
— Cadê o cachorro? – perguntou a garota.
— Não sei. Deve ter fugido por algum lugar.
— Nós teríamos visto ele.
— Milena, acho que este é o esconderijo de algum humano, olhe tem comida ali, e parece ser recente.
— Meu Deus! Temos que informar aos Buscadores!
— Vamos embora antes que ele volte.
Eles não podiam estragar a boa, ou no mínimo a melhor vida que eu consegui, quebrei o cano da pia, ele já estava enferrujado o que facilitou para tirar ele, os alienígenas param de falar e de andar para ouvir que barulho era esse, então Tedy latiu, eles se aproximaram da porta onde eu estava, pensando que provavelmente o cachorro estava preso ali e que eu tinha o prendido. Assim que eles chegaram perto abri a porta, passei por eles e parei de frente a única saída da casa, impedindo que eles saíssem.
— Ninguém vai a lugar nenhum. – disse.
— Ah meu Deus! – gritou Milena e começou a chorar.
— Cale a boca! Faça ela se calar!
— Milena, se acalme, tudo vai ficar bem. Deixe-nos ir embora, por favor. – as últimas palavras foram dirigidas a mim, mas eu não dei ouvidos.
Eu já tinha feito isso antes, não teria dificuldades em fazer agora, só queria terminar antes de Terra Branca chegar, e ele poderia chegar a qualquer minuto.
Ataquei o homem primeiro, bati nele com tanta força que ele caiu, Milena começou a gritar e tentou correr para a porta, mas joguei o cano contra sua perna e ela caiu, Sol Poente agarrou meu tornozelo e gritou para Milena correr, mas com o pé livre dei um chute em sua cabeça, com a maior força que pude reunir, ele largou minha perna e começou a gemer. Fui atrás de Milena que tentava descer pela escada, agarrei-a pelo cabelo e a puxei para cima, joguei-a ao lado de Sol Ponte que estava com a mão na cabeça, ainda gemendo.
— Não tentem fugir, porque será pior. – avisei.
Olhei ao redor da cabana, procurando alguma coisa que serviria de arma, encontrei uma faca, mas ela faria apenas pequenos estragos. Mas Jack guardava um taco de Beisebol em algum lugar. O armário em cima da pia. Fui até lá e abri a primeira porta, nada, a segunda e nada. Pense Zoey, pense! Em cima! Passei a mão em cima do armário e minha mão tocou em um relevo, algo em madeira e redondo. Sim, era o taco, tirei-o de lá e o agarrei com força, me virei para as duas pessoas que ameaçavam tirar a única coisa que restou para mim.
— De joelhos! – disse para Milena.
— Por favor...
— De joelhos agora! – ela não se mexeu.
Agarrei-a pelos cabelos e coloquei de joelhos, pensei em minha família, na dor que era não ter ela por perto, isso me deu força, bati com o taco na cabeça dela e Milena caiu desmaiada. Fiz o mesmo com Sol Poente.
Eles não estavam mortos, apenas desmaiados, isso quer dizer que eu ainda tinha um problema. E Terra Branca chegaria a qualquer momento. Tedy foi para a porta e começou a abanar o rabo. Ouvi passos. E só podiam ser de uma pessoa para fazer Tedy ficar feliz. Terra Branca.
Meus músculos travaram, eu paralisei. Terra Branca abriu a porta, e assim que viu duas Almas caídas no chão, deixou cair a bandeja que carregava.
— Meu Deus! – pensei que seria agora o momento em que ele cairia na real e chamaria os buscadores, estava tudo acabado – Zoey, você está bem? – não foram as palavras que eu imaginei.
— Você não vai... Chamar os Buscadores?
— Não! É claro que não!
— Nem vai me chamar de monstro?
— Não Zoey! Nunca! – ele me pegou em seus braços, e eu estava tão assustada que permiti.
— Eles não estão mortos. Bati com isso na cabeça deles. – levantei o taco para ele ver.
— Temos que fazer alguma coisa, quando eles acordarem vão se lembrar que uma humana os atacou.
— Terra Branca, deixe que eu cuide de tudo. Você não precisa ver isso, eu sei que as Almas são boas de mais, e tudo aquilo.
— Zoey, se eles simplesmente sumissem eles saberiam que tem um Humano por perto.
— Mas o que vamos fazer então?
— Temos que fazer parecer um acidente.
— Você realmente vai matar dois membros da sua espécie, por minha causa?
— Você não entende Zoey. Ainda não entende.
— Temos que fazer isso rápido, – sai dos braços dele – antes que eles acordem.
— Certo.
— Pensou em alguma coisa?
— Sim. Eles são meus vizinhos, eu os conheço, podemos colocá-los na casa e depois incendiá-la.
— Parece uma boa.
— Daqui à uma hora todos vão estar na festa de ano novo...
— Ano novo?
— Sim, comemoramos todas as festas que vocês comemoravam.
— Nossa, já é ano novo.
— Me ajude a levar os dois para minha casa, assim que todos saírem vamos levá-los para a casa deles, incendiar a casa e só chamar ajuda quando os corpos tiverem queimado e as Almas morrido.
— Certo, eu levo a garota.
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