The Snow Queen

5 Broken Promess


Notas iniciais
Ola meus belos e queridos leitores, peço perdão pela minha ausência, ela se deve a inúmeros fatos, incluindo a volta das minhas aulas, ja que meus professores estavam em uma longa greve, e também uma enorme falta de tempo considerando que não tive nem ao menos o tempo que gostaria para escrever o Epílogo da fic... Realmente espero que não tenham desistido da fic, já que ela esta em seus momentos finais e seria uma pena que perdessem o final... Estou pensando em escrever um capitulo bônus para a fic... O que acham?

The Snow Queen

~LightB

Capitulo 5 – Broken Promess

Suas palavras ainda estavam intactas em minha mente, ressoando todo o tempo entre um pensamento e outro, seus olhos de gelo gravados tão profundamente em minhas memorias que, mesmo depois de séculos eu tenho certeza de que ainda me recordaria perfeitamente deles, da maneira como refletiam a luz, como as pupilas se dilatavam quando ria.

Depois de dizer tudo o que disse Jack parecia confuso, como se sua reação e suas palavras o confundissem, era quase como se ele estivesse vivendo um conflito interno ali, bem diante dos meus olhos, como se em uma discussão mental consigo mesmo, quase esquecendo de minha existência.

–Tenho que levar neve a algum lugar – Jack falou, seus olhos ainda estavam meio fora de foco, preso nos próprios pensamentos.

E ele simplesmente saiu voando sem nenhuma palavra a mais, nem um tipo de explicação a mais, o que por um lado foi bom, por que eu não sabia como responder a ele, quer dizer, como responder a algo como aquilo? A sinceridade em suas palavras me deixaram sem reação.

E isso havia acontecido a mais de 48 horas atrás.

E bem, eu fui pega totalmente de surpresa, nunca, nem ao menos por um segundo, passou pela minha cabeça que Jack Frost, o espírito mais livre já conheci em minha vida, poderia sentir algo por mim a ponto de dizer aquilo.

Eu realmente mereci essa chance de sentar e analisar tudo o que havia acontecido, exatamente por isso agradeci por ele ter saído e não ter se dado ao trabalho de me chamar para ir, eu precisava pensar e acho que ele também precisava, por que ele parecia tão confuso quanto eu.

Mas passar mais de um dia sem aparecer, sem dar nenhum tipo de notícias? Isso me deixava louca.

Me joguei de costas na cama fofa encarando o teto cristalino e me fiz a pergunta que eu não havia me permitido nem ao menos pensar durante todo o tempo.

O que exatamente eu sinto por ele? Por que, eu sei que sinto algo, mas não o que.

Meu coração acelera todas as vezes em ele está perto de mim, fica difícil manter a respiração normal e sinto essa vontade louca de olhar em seus olhos o tempo todo, mas sempre quando ele me olha eu desvio o olhar quase instantaneamente, envergonhada.

Me sinto segura, como se nada de ruim jamais fosse me acontecer enquanto ele estiver por perto, sinto essa paz que nunca senti com mais ninguém, também há essa sensação de aceitação, de que ele sabe quem sou, de praticamente tudo o que passei, e mesmo assim não se afasta, pelo contrário, se aproxima ainda mais.

E o mais importante de tudo, quando estou com o Jack é como se tudo fosse possível, como se não houvesse mal que não conseguisse superar, como se não houvesse barreiras que não pudesse ultrapassar, estar com ele me dá a coragem que eu sempre quis ter para enfrentar de frente meus medos, eu me sentia livre.

E eu estava, sem nenhum vestígio de dúvida, me apaixonando por ele.

Segurei minha respiração por breves segundos para depois soltar de uma única vez com essa constatação, não, não é possível, quer dizer, eu não posso estar me apaixonando por alguém que, praticamente, acabei de conhecer, isso não é possível, não pode ser possível.

Mas no fundo eu sabia, era sim possível.

As palavras de Anna no baile da coroação ecoaram pela minha mente. Amor Verdadeiro ela havia dito, quanta ironia, eu que havia dito tantas vezes em nossa infância e com tanta convicção que “amor verdadeiro” não existia, agora estava me questionando se isso seria realmente possível.

Quando era pequena ouvia meus pais falando sobre como haviam se apaixonado com apenas um único olhar, que não foi necessário mais do que isso para saberem que ficariam juntos para sempre, eles diziam que todos possuem um amor verdadeiro, mas que nem todos tinham a sorte de encontra-lo.

Anna vivia dizendo que ela apenas se casaria quando encontrasse seu Amor Verdadeiro, que ela iria procurar por ele em cada mínimo cantinho do reino até encontra-lo e se ele não estivesse no reino ela sairia mundo a fora, buscando pelo seu “príncipe encantado”.

Será que ela o havia encontrado? Será que eu havia encontrado o meu?

Me sentei na cama, encarando o espelho, podia me ver refletida ali, o cabelo tão claro que dependendo da luz podia parecer branco, trançado como de costume e jogado no meu ombro direito, o moletom violeta e short de linho branco, os pés descalços. Eu estava tão diferente que mal me reconhecia.

Não estava diferente apenas na aparência, tudo pelo que passei me fez ver as coisas de uma maneira diferente, me fez pensar diferente, sentir diferente. Eu finalmente entendi que algumas coisas acontecem para forjar nosso caráter, trazer para fora nosso verdadeiro eu, tudo tem um motivo para acontecer e tentar impedir que aconteçam não vai adiantar de nada.

Me levantei da cama em um salto, o contato dos meus pés com o piso de gelo me fez arrepiar, ignorando aquilo corri até a varanda, segurando fortemente a grade de proteção encarei o horizonte enevoado, ao longe podia ver Arendell, brilhando no escuro, múltiplas luzes espalhadas por todos os lados, Anna havia trazido um pouco de tecnologia para o reino, finalmente alguém havia tomado essa atitude, já estava na hora de nos atualizarmos com o mundo lá fora.

Respirei fundo o ar frio da noite, fechei os olhos sentindo a brisa atingir meu rosto e bagunçar um pouco meu cabelo, eu podia sentir o frio por todos os lados, o inverno se aproximava e eu podia senti-lo como se fosse parte de mim, com todas as células do meu corpo, fluindo como o sangue em minhas veias.

Sorri abertamente percebendo que pela primeira vez eu conseguia realmente entender meus poderes, conseguia senti-los e domina-los, pela primeira vez eu sabia que não precisava mais temer perder o controle, por que eu estava no controle, não por estar sozinha ou por que era imortal agora.

Mas por que eu finalmente estava totalmente livre, não apenas das responsabilidades e tradições que ser uma princesa se preparando para se tornar rainha tem, eu estava livre dos medos, das dores, da culpa, eu estava livre das amarras do passado que me impediam de seguir em frente, que me prendiam a dias que jamais voltariam e a medos estúpidos que me assombravam quando simplesmente pensava em dar um passo fora da linha de planos que tinha.

Eu havia finalmente me libertado do passado e estava pronta para dar uma chance para o futuro, nada de dias planejados e monótonos como sempre, dessa vez tinha a chance de realmente viver, seguir aproveitando ao máximo cada dia, ter a coragem que nunca tive de buscar a minha felicidade, se no fim eu sofresse, bem, ao menos eu ia saber que tentei, que vivi o que pude e que tinha de passar por isso de qualquer maneira.

Nada de ficar chorando pelos cantos mais, ou me entregar ao medo.

Abri os olhos ao sentir a brisa se tornar vento, e aquele cheiro, vento e neve misturado, tão normal para mim agora, olhei para cima, onde a lua brilhava imponente no céu, já não estava mais totalmente cheia como na noite anterior, mas ainda sim brilhava clareando onde quer que tocasse, expulsando as sombras e dando um ar mágico a tudo que estivesse sendo iluminado por seu brilho prateado.

–Obrigado – sussurrei para o céu, sabendo que o Homem da Lua ouviria e entenderia o que eu queria dizer, que estava grata por ter mais uma chance de viver, e de fazer as coisas que devia ter feito antes, de seguir aquilo que me faz feliz.

–De nada, mas por que está me agradecendo mesmo? – Jack disse atrás de mim, assim que me virei para vê-lo percebi que estava sentado no telhado do castelo, pouco mais de um metro a cima de mim, sustentava esse sorriso brincalhão, mas seus olhos eram sérios, o que não combinavam em nada.

–Não estou agradecendo a você, mas eu devia mesmo agradecer – falei ainda olhando para ele, tentando entender por que seus olhos não brilhavam como antes – Obrigada!

–Sem problemas, desculpe sair daquele jeito, precisava pensar um pouco – seu sorriso se apagou um pouco e enquanto ele descia, flutuando até parar ao meu lado, o tom sério tomou conta dele, o sorriso sumiu completamente e meu coração apertou – sobre tudo o que eu disse mais cedo, eu...

–Jack – o interrompi me virando totalmente para ele, encarando seus olhos, assim como ele encarava os meus, queria que ele visse a sinceridade de minhas palavras – eu estive tanto tempo vivendo do passado, remoendo velhas dores e velhos medos, eu nunca parei para pensar que eu precisava deixar isso de lado para que eu pudesse ter uma vida de verdade. Eu fiz aquela promessa por medo, eu tinha medo de me deixar sentir e sofrer, de causar dor a alguém, de me importar com alguém simplesmente para perde-lo depois, mas eu nunca parei para pensar que a vida é isso, é ser feliz e também é sofrer, e tentar impedir a dor, apenas causa ainda mais dor...

Jack ficou em silêncio, o tempo todo mantendo seu olhar no meu, prestando atenção a cada palavra que saia da minha boca, a cada gesto que fazia, enquanto eu falava meu coração ia acelerando, batendo descompassado e fora de ritmo, aquela sensação de nervoso, quando está prestes a dizer algo importante e não sabe como a pessoa vai reagir, tomou conta de mim e eu pensei em desistir, mas seus olhos azuis esperando que eu continuasse, foi o que eu precisava para não pensar, simplesmente agir.

–Eu sofri muito na minha vida, eu sempre estive sozinha ou então me escondendo das pessoas, achando que seria mais fácil não estar próxima a ninguém, mas nunca é fácil. E eu percebi isso por sua causa, você me fez questionar a vida que eu estava vivendo, me faz sentir livre para ser quem sou verdadeiramente e, pela primeira vez, eu posso ser eu mesma sem ter medo, Jack, você me fez quebrar a única promessa que eu nunca pensei que iria quebrar.

E ele me beijou.

Jack acabou com a distância que havia entre nós, sem tirar os olhos dos meus, segurou meu rosto com uma mão e me beijou, e era como se não existisse mundo a nossa volta, tudo o que eu conseguia sentir eram seus lábios nos meus e sua pele tocando a minha, meu coração tão acelerado que poderia parar a qualquer segundo, a sensação de nervoso que sentia antes evaporou como água no sol.

Ele se afastou lentamente, uma mão no meu rosto e outra na minha cintura, me segurando próxima a seu corpo, encostou nossas testas e sorriu, e eu não consegui evitar em retribuir o sorriso, me sentia tão leve, tão viva, como se a eternidade não fosse nada comparada a esse único momento.

–Demorou em? – Jack soltou de repente, rindo, revirei os olhos ainda sorrindo, dei um tapa leve em seu peito tentando me afastar um pouco, mas ele simplesmente voltou a colar seu corpo no meu e me beijou mais uma vez, me fazendo perder os sentidos, perder a noção do tempo.

Se eu tivesse direito a um desejo, seria que durasse para sempre.

Quando o ar, infelizmente, faltou aos nossos pulmões voltamos a nos separar, dessa vez eu me afastei um pouco mais dele, conseguindo sair de seus braços, mesmo que eu não quisesse isso, mesmo que minha vontade fosse ficar ali para sempre, tinha algo que eu estava louca para fazer.

–Quero conhecer a fábrica do Norte, me leva?

Jack sorriu animado, me deu um beijo rápido antes de me pegar no colo, soltei um gritinho pela surpresa, não esperava por essa, ele sussurrou um “se segura” e de repente estávamos no ar, primeiro eu fechei meus olhos e enterrei o rosto em seu ombro, com medo da visão que teria, seria assustador? A que altura estávamos? Eu tenho medo de altura?

E então ouvindo a risada do Jack eu simplesmente deixei o medo de lado, abri os olhos e olhei para os lados, o céu azul, as nuvens brancas como neve, soltei o braço que estava agarrado ao pescoço dele e passeis os dedos por elas, vendo a névoa da qual eram feitas se espalhar pelo ar, meus dedos formigavam pelo contato com as nuvens e eu ri.

Eu simplesmente comecei a rir, a sensação de estar voando, mesmo que não fosse eu a voar, era algo indescritível, o vento roçando minha pele, passando por mim velozmente, mas ao mesmo tempo me rodeando, cercando completamente e fazendo meu cabelo balançar a minha volta, as vezes batendo contra meu rosto.

Eu tinha essa sensação de liberdade enquanto assistia as belezas da terra passando rapidamente em baixo de nós, era difícil focar em uma coisa só, mas no contexto completo, o verde das plantas, o cinza do cimento, o brilho da lua refletido em janelas, era tudo tão mágico que quase não parecia real.

O único motivo pelo qual eu tinha certeza de que não era tudo apenas algum sonho maluco era o Jack, era sentir seus braços me segurando fortemente, sua respiração quente e meu pescoço e suas ocasionais risadas das minhas risadas.

E então eu percebi, a eternidade pode não ser perfeita, mas com certeza vai valer a pena.