The Seven Laws of Demons

4 Estrada Para As Sete Portas


Era uma longa caminhada da pequena cidade até os caminhos da colina; Will e Caroline não tinham a menor pressa. Haviam acabado de deixar a carroça para trás, agora Caroline seguia o seguia montada de lado atrás de Will.

Porém, ao passarem proximo ao caminho para o topo da colina era possível ouvir uma confusão formando o ambiente. A primeira coisa, foi uma carruagem descendo a colina as pressas, a segundo foi algo distante como gritos e choros de forma simultânea mas ao mesmo tempo distantes.

—Oque...Aconteceu?- Questionou Caroline, pronunciando cada palavra cuidadosamente.

—Eu não sei...-Respondeu Will, de forma incerta- Mas não vou demorar para descobrir; se segure.

Caroline atravessou as pernas para ambos os lados e se prendeu a cintura de Will; na mesma hora em que ele forçou as rédeas para cima, o cavalo empinou e em seguida começaram a cavalgar e não demoraram muito para conseguir subir a colina, embora o cavalo já estivesse mais do que exausto.

—Vá em frente- Disse Caroline ao descerem. Ela apanhou as rédeas do cavalo- Eu levo ele de volta para o estabulo, isso é trabalho para um Senhor agora.

William tentou fazer uma especie de lembrete mental para agradece-la depois. Embora não tivesse muito tempo; os gritos haviam parado de certa forma, mas Will podia sentir algo muito pior que parecia aguarda-lo.

Sem muito tempo, ajeitou os cabelos castanhos e bagunçados por baixo da cartola e manteve o passo firme até entrar na casa. Comparado aos gritos que eram possíveis ouvir para debaixo da colina, o silêncio era de alguma forma assustador. Sem muito tempo, vozes começaram a surgir do escritório, a porta estava aberta.

A senhora Edith estava sentada em uma poltrona, aos prantos com duas criadas ao seu lado que tentavam acalma-la. Emily estava encolhida em um canto, agora tão pálida que parecia refletir uma aparência doentia de medo. Victor andava de um lado para o outro de forma impaciente como se estivesse a ponto de explodir; William não pode deixar de notar que suas mãos e roupas estavam manchadas de sangue, e sangue este que ainda estava fresco.

—Oque aconteceu?- Perguntou Will. Todos os olhares cairam sobre ele como se nem mesmo eles soubessem.

—Meu filho foi morto...-Disse Edith, com uma voz fina e tremula- O mataram diante dos meus olhos! Ah meu Deus...

—Mamãe por favor- Suplicou Emily, com uma expressão retorcida como se não quisesse chorar- Não diga isso! Ele não está morto, mas foi ferido...Gravemente. Está lá em cima, mas não sabemos oque vai acontecer.

—Elliot?- Murmurou Will, logo apos notar os sentidos das palavras sua voz se encheu de odio- Quem? Quem fez isso?!

—Reginald Whitehill- Respondeu Victor por fim interrompendo os passos- Veio negociar as terras e não ficou satisfeito com o resultado.

—Mas deram a ele mais da metade do dinheiro!- Protestou Will- Ele não tem o direito de vir até aqui e ferir alguém. Não é justo!

—Ao que parece ele vai acabar levando esse assunto para a policia de Londres- Disse Victor sobriamente- Se ele conseguir oque quer vamos perder as nossas também. Se a lei não for favorável a ele, vai manipula-la até que seja. Disso não tenho duvida.

A coisa mais proxima de Will agora era uma mesa de centro, a qual ele socou com tanta força que mesmo o som pareciam ter assustado Edith e Emily; Will não se importou nem um pouco com a dor.

—Aquele filho da puta é esperto- Xingou em voz baixa, mas não tão baixa para que os outros em volta não escutassem- Precisamos de um plano.

Victor fez um gesto para as criadas que retiraram Edith e Emily do escritorio, ainda que a passos lentos e em seguida trancaram a porta. Quando o barulho do clique de metal ecoou, Victor desabou na cadeira mais proxima a grande mesa de carvalho que ocupava o fim do escritorio. William puxou uma das cadeiras e se sentou ao lado oposto.

—Acha mesmo que podemos planejar algo assim?- Victor questionou, com um certo tom de ironia na voz.

—E oque quer que façamos? Não me diga que vamos deixa-lo sair impune por isso.

—De forma alguma. Só estou lhe dando uma chance; improvise alguma coisa, qualquer coisa por mais arriscada e idiota que seja, não nos deram tempo para pensar.

Will se encostou na cadeira. Parecia até mesmo uma especie de sonho, Victor lhe dar autoridade para bolar uma vingança ou mesmo plano de sabotagem. O pensamento quase o fez abrir um sorriso maldoso com tamanhas possibilidades.

—A mesma coisa que fazemos com tudo que não é humano-Disse ele- Vamos caça-lo. Não importa que seja na capital ou o mundo inteiro. Não há justificativa para isso, tampouco misericórdia.

—Ele vai colocar toda a Inglaterra contra nós- Advertiu Victor- Não importa se foi com ou sem justificativa; Nossas familias estão em jogo.

—Exatamente por isso!- Disse Will batendo contra a mesa-Não se trata diretamente de vingança, é uma questão de honra. Se todos souberem que podem pisar em nós assim todos irão faze-lo, ai sim a Inglaterra estará contra nós; Lembra-se das palavras do pai?

—"Somos melhores que eles, melhores do que todos eles."

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Durante o resto do dia, a casa pareceu estar completamente vazia. Desde o amanhecer, os irmãos estavam no escritorio a portas trancadas; pouco as empregadas ouviram do que havia sido realmente dito. As cozinhas eram palco de luto, não havia comida sendo feita, lenha sendo cortada, nem mesmo as largas janelas de vidro que eram lavadas todos os dias estavam agora cobertas com uma camada de poeira.

Ao fim da tarde, o medico que por sorte estava de visita no povoado havia interrompido todos os atendimentos e aceitado o pedido; embora muitos ainda se culpassem por serem passados adiante dos outros, mas a situação era de vida ou morte. Enquanto o corte era enfaixado e até mesmo costurado, Emily não havia saido do quarto do irmão, nem mesmo a dama de companhia que estava ao seu lado e de certa forma apavorada por presenciar o ferimento ser suturado e costurado; ambas bordavam para se distrair das cenas, mas cada vez que o sangue transparecia e ia de encontro ao chão, Emily não conseguia tirar os olhos do sangue.

—Eu fiz oque podia- Declarou o medico. Assim que a Senhora Van Dorst e os gêmeos Cormac haviam sido enfim chamados para o quarto.

—Qual o estado dele?- Perguntou Emily.

—Grave, eu suponho- Respondeu o medico com um longo suspiro- Ninguém gosta de entregar notícias como essas; ele contraiu uma infecção e perdeu muito sangue. Felizmente a faca não acertou qualquer área vital. Se sobreviver esta noite e acordar pela manhã estará fora de risco...Caso contrario.

Todos se entreolharam com o mesmo pensamento de que talvez o pior fosse acontecer. Quando a Senhora Van Dorst parecia novamente a beira das lagrimas, ela se aprumou e disse em uma voz que lutava para manter instável:

—Obrigado. Levarei o senhor até a porta, uma carruagem o espera para leva-lo de volta a cidade.

O medico lhe agradeceu com um aceno.

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Já era noite quando os irmãos se reuniram novamente no escritório; A mesa para o jantar havia sido posta, porém, estava quase intocada e então Edith lhes deu a ordem para se retirarem mais cedo naquele dia. Ela voltou para o quarto, mas Emily ainda estava sentada ao lado da cama de Elliot e provavelmente já havia chorado até adormecer.

William encarava o breu do lado de fora pela a janela. Pensava agora em Caroline, que provavelmente tinha que ter voltado a pé de volta para casa ou para a cidade; o dia já havia reunido culpa demais até aquela noite.

Victor andava em circulos em volta do lugar, ainda com as mesmas roupas manchadas de sangue, oque era de certa forma perturbador não só para os demais como para ele próprio. Os planos já haviam sido certados de certa forma, mais de uma vez. O fim do mês chegaria, quando tudo estivesse mais calmo, seja pelo período de luto ou pela retomada do susto, e eles partiriam em um trem para Londres; Reginald Whitehill deveria ser morto de qualquer forma.

Em meio ao escritório um estampido alto chamou a atenção dos gêmeos para fora dos pensamentos aleatórios. Uma figura usando uma longa capa preta estava em meio a eles agora; Lady Lís não havia envelhecido um ano sequer, mas desde a profecia parecia mais exausta do que o normal. Debaixo dos braços haviam dois pergaminhos e em uma das mãos uma pequena caixa de madeira.

—Como vão meus senhores está noite?- Ela perguntou, tentando soar alegre, mas em seguida sua voz se tornou densa- Soube oque aconteceu está manhã. Vocês tem minhas orações mas isso é tudo que eu posso oferecer. Sei que isso é a ultima coisa de que querem ouvir mas é de extrema importância.

—Algo sobre a profecia?- Perguntou Vicotr.

A bruxa assentiu e andou até o outro lado, colocando os pergaminhos ainda dobrados e a caixa sobre a mesa. Os gêmeos se aproximaram.

—Varias coisas- Disse ela- Passei um tempo fora da cidade; mantive contatos antigos com todas as coisas que vocês podem imaginar, até as quais não acreditam. Mas finalmente eu tenho uma teoria.

Lady Lís fez um gesto com a mão por cima da mesa. Ambos os pergaminhos se abriram retos sobre a mesa, a caixa se moveu como uma peça de xadrez para o outro lado. Ela puxou um dos pergaminhos que continham varios símbolos e desenhos.

—Está é uma das coisas que eu consegui- Disse ela- Fala sobre os sete cavaleiros; ou nesse caso, os cavaleiros do apocalipse.

—Mas eles não são apenas quatro?- Questionou Will.

—Sim, eu também me questionei sobre isso. Acontece que o fim dos tempos está próximo, Lúcifer nomeou mais quatro cavaleiros. Passei dias procurando alguma informação, até mesmo cheguei a fazer uma viagem rápida para...O outro lado, mas não consegui nada sobre isso. Os demônios do alto escalão sabem sobre isso, embora estejam apenas aguardando ordens. Ainda temos uma vantagem.

—Porque até agora temos dois heróis?- Will perguntou de forma irônica.

—Cinco- Lady Lís corrigiu- Se pode chamar isso de vantagem.

—Quem são?- Perguntou Will.

Lady Lís não respondeu; colocou o pergaminho de volta sobre a mesa e fez a caixa de madeira deslisar até a sua mão, onde a colocou por cima.

—Afastem-se- Ela alertou.

Os gêmeos deram apenas alguns passos para trás enquanto a bruxa murmurava algum feitiço em uma língua desconhecida. A sala começou a ficar tão fria quando uma noite de inverno mas quando a caixa se abriu, ela praticamente saltou com uma explosão.

Sobre a caixa havia uma especie globo feito inteiramente com uma luz azul, tal como um reflexo. Mas era um mapa de toda a terra que até mesmo começou a girar em volta de sí próprio, como se ali houvesse uma atmosfera própria. Os países e lugares estavam perfeitamente desenhados e na ordem exata. O mapa aumentou de tamanho e focou em Londres; Exatos cinco pontos dourados se acenderam no mapa, quatro deles estavam juntos mais ao sul, mas o ultimo estava exilado na localização de Londres.

—Eu acho que vocês já se conhecem- Disse Lady Lís- Apesar da tragedia, tenho certeza de que os Anjos não deixaram um cavaleiro cair antes da batalha.

—Elliot?

Lady Lís assentiu com a cabeça.

—Também não esperava- Disse ela- Mas seu pai também tinha essa suspeita; acho que por isso aceitou receber os Van Dorst em sua casa. Era um homem impulsivo, admito, mas esperto de certa forma. A outra imagino que vocês já a conheçam; Eu a vi hoje na cidade, a filha dos fazendeiros perto da linha do trem.

—Caroline- Disse Will, estupefato-O pai também sabia disso?

—Eu não sei- Admitiu ela- Ele salvaria qualquer familia de uma tragedia como aquela, caso contrario todos teriam sido comidos vivos. Licantropos são diferentes dos lobisomens, mal costumam deixar os ossos.

—E quanto ao ultimo?

—Eu ouvi sobre a pequena vingança de vocês- Disse ela- Acho que vão gostar de saber que também descobri que Reginald Whitehill selou alguns pactos com demônios em Londres, não me refiro aos do terceiro escalão, digo os que tem poder até mesmo por trás da coroa. Farão um bem maior ao mata-los e ainda sim consequentemente a alma dele ira seguir pelo mesmo caminho, vivo ou não. Não cheguei a conhecer o ultimo, mas as visões são claras, uma das gangues de crime organizado, é tudo que pude ver.

—Agora temos dois bons motivos- Disse Will-Mas oque vai acontecer se a profecia for cumprida?

—O mundo estará a salvo- Disse ela- Pensem nisso; nada de guerras, fome ou doenças...Um próprio pedaço do paraíso ao alcance de todos.

—Essas coisas costumam vir com um preço caro- Disse Victor- Serão nossas vidas?

—Não, se não caírem em batalha- Disse Lady Lís, fazendo o outro pergaminho voar diretamente para uma das mãos- As pessoas precisam ser salvas. Anjos cuidam do seu próprio território e os demônios invadem o nosso, vocês precisam nós proteger disso; a busca é um preço baixo a se pagar.

No segundo pergaminho agora havia três nomes escritos; Os nomes dos gêmeos, o de Elliot e o de Caroline. Todos marcados a tinta vermelha da cor de sangue que ainda escorria pelo papel como se estivesse fresca.

Lady Lís o enrolou e o pós cuidadosamente sobre a mesa. Assim como a bruxa, o mapa da caixa e o outro pergaminho haviam desaparecido, deixando apenas os gêmeos novamente sozinhos sobre o leito escuro e silencioso do escritorio.