Notas iniciais
Pode se dizer que era um dia normal, pelo menos para as garotas que não haviam sido selecionadas. Os funcionários do governo estavam começando a visitar as selecionadas naquele começo de sexta, o seu único objetivo era: Preparação para a Seleção. Mesmo que ainda falte dois dias, todos tinham que ser pontuais, até porque a Seleção estava querendo começar rápido. E daqui a poucos dias, o aniversário do Príncipe Christopher estava chegando. Então, toda ajuda era muita.
Suzanne era a responsável das garotas acima da Casta 4, enquanto Octávio visitava as garotas das Casta 2, 3 e 4. Sendo que a maioria era da Casta 5, Suzanne conta com a ajuda de Enzo – um renomado estilista irresistível -, o trabalho era apenas certificar as fichas das garotas, e avisar sobre alguns métodos de saúde, que a maioria não precisa.
Silvia também ajudava, ligava para cada uma para se certificar se não precisava de alguma coisa. No dia seguinte, as garotas receberam a visita de Enzo, que foi designado a pegar as medidas para as suas novas roupas. Depois que ele saia das casas, outro visitante chegava. Dessa vez, era Klaus, que tinha como função passar as regras oficiais.
Ele havia entrado na bela casa de Hilda Campbell . Que por sua vez, já havia se preparado para suas perguntas. Ela não estava nervosa, sabia exatamente o que responder. Klaus havia entrado pouco hesitante, ele não ouvia barulho algum ali, isso havia deixado ele intrigado.
– Boa Tarde, sou Klaus. Deve saber que estou aqui para passar as regras… Algum parente presente? – Ele perguntou curioso e Hilda negou com a cabeça. – Ótimo!
Eles se sentaram na sala de estar. Que por sinal, era linda. As paredes tinham cores claras, havia três sofás confortáveis, havia uma mesa de centro e um lustre cheio de pedras brilhantes.
Klaus carregava vários papéis e havia os deixados em cima da mesa em perfeita ordem. Depois se virou e viu Hilda sorrir fraco.
– Senhorita Campbell, depois de quinta-feira passada a senhorita é considerada propriedade de Illéa. Portanto, deve tomar devidos cuidados com seu corpo. Tenho vários formulários que a senhorita deve assinar enquanto vou passando as informações necessárias. É dever meu informa-la que qualquer falha de sua parte em cumprir nossas exigências implica sua exclusão imediata na Seleção. A senhorita compreende?
– Sim – Hilda responde firme.
– Muito bem. Começamos pela parte fácil, creio eu e Octávio de que não precisará de algum remédio ou medicamento por ser da Casta 2 e seu médico nos disse que estava tudo certo. Mas, é sempre bom se prevenir com alguns calmantes se não conseguir dormir.
– Acho que não vou precisar – Hilda disse e Klaus assentiu passando para o seguinte passo.
– É um tema pessoal, mas ainda terei que tratar do assunto com todas as participantes. Por favor, tente não ficar tímida.
Hilda se manteve calada, esperando que ele perguntasse. Ela já havia a resposta na ponta da língua e já havia tomado as decisões precisas.
– Preciso que confirme se é virgem.
– Sou sim – Hilda falou, mesmo que seu “sim” havia saído falhado no final, e isso demonstrava da sua parte certo nervosismo.
Klaus olhou para ela curioso. Hilda se manteve em postura e sorriu docemente para ele.
– Certo. Preciso que assine esse formulário para confirmar sua resposta.
Ele estendeu e a garota assinou engolindo seco. Klaus permaneceu em dúvida, mas fez o que foi designado a fazer. Depois de terminar tudo com a senhorita Campbell, foi para a próxima participante que morava perto dali.
Brenda Villalba era uma garota da Casta 5. Sua situação era diferente da de Hilda, pois a garota havia três irmãos, enquanto Hilda não tinha parentes... Klaus havia conversado com a garota e sua mãe, Beatriz. Brenda assinava os formulários que Klaus havia entregado com tamanha paciência e prestando bastante atenção para não escrever nada de errado. Ela estava ansiosa e ao mesmo tempo espantada, ela tinha quase certeza de que não iria ser selecionada. Seus pais sempre a apoiaram, e por também estar em uma situação financeira um tanto crítica, ela decidiu se inscrever, mesmo que não queira um marido tão cedo.
Klaus havia passado os remédios necessários. E já havia feito a pergunta assustadoramente vergonhosa.
– Preciso passar as regras para a senhorita. São claras e não terá dificuldade em cumpri-las. Se tiver alguma dúvida, basta falar.
Brenda assentiu e prestou atenção enquanto sua mãe segurava sua mão.
– A senhorita não poderá sair por vontade própria, a menos que o Príncipe deixe. Nem mesmo o rei e a rainha tem esse direito. Eles até podem dizer que não aprovam, mas é dele quem parte a decisão de quem fica ou sai. – Klaus suspirou e continuou – Não há um cronograma predeterminado para a Seleção. Pode durar dias ou anos.
– Anos?! – Brenda ficou abalada pensando no quanto sentiria falta da sua família.
– Sim, mas não se preocupe, é improvável que o Príncipe demore tanto. Deixar a Seleção correr por muito tempo não é um bom sinal. Entretanto, se ele decidir fazer as coisas desse modo, a senhorita terá que permanecer no palácio enquanto o Príncipe julga necessário para tomar essa decisão.
Depois de terminar tudo o que tinha que falar, Klaus foi para a próxima casa. Era Taylor Elgort Nevierk , também uma Cinco. Ele havia falado, dado os formulários e a garota assinava ao lado de sua mãe enquanto ele passava as regras que ele havia decorado em um mês.
– A senhorita não determina seus horários com o Príncipe. Quando julgar necessário, ele virá até você para um encontro a sós. Os grandes eventos sociais são outra história. Mas a senhorita não pode se aproximar dele sem ser convidada.
– Nossa… — Taylor revirou os olhos. Klaus ficou curioso, enquanto a garota bufava enquanto escrevia um de seus formulários. Ele continuou um tanto hesitante.
– Embora ninguém espere que seja amiga das outras vinte e cinco garotas, são proibidas as brigas e sabotagens. Caso a senhorita seja flagrada agredindo outra participante, subtraindo-lhe algo ou fazendo qualquer coisa que possa prejudicar sua relação com o Príncipe, o mesmo terá que decidir se a senhorita será dispensada ou ficará. Todos os seus pensamentos românticos devem ser dirigidos a ele. Se a senhorita for pega escrevendo cartas românticas ou iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa ali, será culpada de traição e pode ser punida com pena de morte.
Taylor arregalou os olhos. Não só ela mas todas as garotas que Klaus havia falado. Depois de terminar com a senhorita Nevierk, era a vez de conversar com Lowenna Smillth da Casta 6 que já havia terminado de assinar os formulários enquanto Klaus continuava sua explicação.
– Caso a senhorita quebrar qualquer uma das leis de Illéa, será punida de acordo. Sua condição de Selecionada não a põe acima da lei. A senhorita não poderá usar roupas ou consumir alimentos que não lhe tenham sido oferecidos diretamente pelo pessoal do palácio. Trata-se de uma medida de segurança que será rigorosamente aplicada.
Lowenna assentiu mordendo o lábio inferior e bebendo um pouco da sua água.
– Todas as sextas-feiras a senhorita estará presente ao longo da transmissão do Jornal Oficial. Haverá momentos, sempre previamente informados, em que cineastas e fotógrafos iram ao palácio. A senhorita deverá ser gentil com eles e permitir que filmem seu dia-a-dia com o Príncipe. Sua família será recompensada por cada semana que passar no palácio.
– Não tenho família… — Lowenna ficou tensa. Não gostava de contar sobre a morte de seus pais.
Klaus fez uma expressão triste.
– Então os cheques serão distribuídos para você, quando sair vou entregar o primeiro. Se a senhorita for dispensada, no entanto, haverá assistentes para lhe ajudar a se adaptar à vida após a Seleção. Sua assistente pessoal vai auxiliá-la com os preparativos de sua saída, bem como conseguir uma nova moradia e um novo emprego. Caso a senhorita fique entre as dez melhores candidatas, será considerada da Elite. Só após atingir esse status lhe informaremos os deveres antes da hora. De agora em diante, a senhorita é uma Três.
– Ok… — Lowenna assentiu bebendo mais da sua água.
– Muitas garotas não conseguem voltar à sua vida antiga, garotas de castas inferiores. Elas costumam sofrer. Creio que uma dama como você não sirva para isso – Klaus comentou, mas não no seu modo sério. Um lado mais acolhedor. Ele tossiu um pouco e voltou a falar enquanto Lowenna se permitia um pouco corada diante da situação. – Por último, caso permaneça na final da Seleção, a senhorita vai se casar com o Príncipe Christopher e ser coroada Princesa de Illéa, assumindo qualquer responsabilidade e direitos do título. Compreende?
– Sim – Lowenna assentiu e formou um sorriso fraco.
– Preciso que assine esse comprovante de que ouviu todas as regras oficiais, e assinar o recibo do cheque.
Klaus passou os papéis e Lowenna assinou pensando em como sua vida teria mudado completamente, mas era preciso. Seu maior sonho era poder abrir seu próprio restaurante, era uma cozinheira muito boa e com a morte de seus pais passou a ser maltratada psicologicamente no lugar em que trabalha. E também, achar alguém que a ame e que ela sinta o mesmo, pois estava ali na Seleção para ter uma oportunidade.
– Mais uma coisa… — Lowenna olhou para Klaus com curiosidade – Quando o Príncipe Christopher convida-la para fazer alguma coisa… A senhorita não deve recusar, coisas como: jantar, beijo, mais que beijar… qualquer coisa!
Lowenna ficou perplexa mas assentiu depois. Klaus se despediu e foi visitar uma outra garota, ainda em mente de que essa Seleção poderia ser uma das mais difícil, até porque, estava estudando para ser um dos coordenadores do palácio. E essa era sua primeira vez em campo, e também a primeira vez que pensou que poderia ter achado alguém especial. Mas, era impossível e ele deveria esquece-la imediatamente!
Enquanto isso no palácio…
O Príncipe Christopher reunia suas forças, estava cansado e gostaria de ficar um tempo sozinho. No começo de sexta, vários funcionários do Governo estavam ali, todos perguntando e planejando várias coisas. Christopher, Maxon e America estavam na sala de reuniões, tendo intervalo só para a refeição. Não era só a Seleção que parecia começar a complicar, mas alguns eventos que estavam ocorrendo na Província de Summer. Basicamente, se dava o nome de “Evento Fantasma”. Isso ocorria quando alguém agia estranhamente e parava de trabalhar. Poderia ser algum tipo de nova ameaça e isso fazia todos ficarem angustiados. Eles haviam discutido sobre isso nesses dois dias, sendo que o Príncipe Christopher sempre quis se manter por perto. Até porque, ele sempre gostou do trabalho de governar e tinha várias ideias que gostaria de pôr em pratica quando se tornar um Rei.
A Seleção havia deixado o príncipe empolgado, ele havia gravado cada foto e cada nome em um diário, onde fazia algumas anotações das suas meninas. Ele não via a hora de mostrar para elas uma música composta por ele mesmo para todas elas. E isto o fez pensar que deveria treinar mais.
– Com licença, posso me retirar? – Ele perguntou sorrindo fraco deixando a sala em pleno silêncio.
– Claro que sim – America sorriu e todos voltaram a falar sobre o Evento enquanto Christopher saia e ia de encontro ao seu piano.
Ele conseguia se acalmar ao ouvir o som que o piano fazia. Era como um remédio no qual ele não poderia viver sem ter um. Ele sorria ao saber que, se não fosse um Príncipe, ele seria nesse momento uma pessoa da Casta 5. E isso o lembrava da sua mãe, que sempre a amou não importasse o jeito ciumento e impulsivo da garota ser. Ele gostaria de achar alguém que o fizesse completamente feliz assim como America faz ao seu pai, ele ansiava por isso, na verdade… Ele acreditava.
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