The Selection
16 Capítulo 16
Notas iniciais
O jantar decorreu normalmente, e pela primeira vez prestei atenção no sabor das comidas, por que pra mim, era algo automático. Ela tinha razão. Era tudo tão divino que me pergunto como não tinha percebido antes, e que tipo de comida ela consumia que fez parecer uma diferença gritante.
Olhei pra ela e ela estava se deliciando com um pedaço de bolo... ela devia realmente gostar de doces. Eu estava ansioso pra mais um encontro e felizmente seria ainda essa noite, eu não sei dizer se aguentaria muito tempo longe de sua companhia.
Terminei rapidamente o jantar e fui em direção ao quarto dela, mas vejo meu caminho boqueado por alguém.
–Precisamos conversar.
–O senhor precisa mesmo usar a coroa dentro do castelo?
–Lógico que sim. Me deixa imponente — disse meu pai estufando o peito. Senti vontade de dizer que ele parecia um retardado, mas achei melhor não irrita-lo tão cedo.
–Certo, certo. Então o que quer?
–Quero que expulse a Selecionada que se comportou de forma tão ultrajante na presença de um membro da família real.
–Você não tem autoridade pra expulsar nenhuma Selecionada e sabe disso!
–Eu sou o rei! — Ele gritou.
–E daí! A Seleção é minha, e apenas eu posso manda-las embora.
–Eu sou seu pai e exijo que me obedeça!
–Se comporte como um pai antes de exigir alguma coisa! -Dessa vez eu estava gritando. — Você não tem o direito de me pedir nada, você nunca terá o meu amor ou o meu respeito Lucius.
Dizendo isso saí em direção ao quarto de Hermione, só ela pra me acalmar numa situação como essa. Eu sabia que ia pagar pelas minhas palavras, mas antes eu do que ela.
–Volte Draco! Ainda não terminamos essa conversa!
Mas eu não voltei, meu destino era um só e eu não pararia enquanto não chegasse.
Toc Toc Toc
Eu mal pude ouvir um entre.
Ao abrir a porta me surpreendi com o que me esperava, ela estava sozinha. Ela viu o nosso último ataque e fica sozinha? Ela é louca?
–Por que você está sozinha?
–Não consigo dormir se estiver alguém me olhando. — ela respondeu se arrepiando.
–Você não deveria ficar sozinha, pode haver algum ataque durante a noite. — Será que ela não percebia o quanto era importante?
–Eu estou bem assim, por favor, não me dê uma babá sim?
–Mas...
–O que veio fazer aqui certamente, não pra brigar comigo. — Ahhh como ela é insuportavelmente teimosa!
–Não, vim pra te levar pra um passeio.
–Outro? As garotas vão sentir ciúmes. — disse ela com ar de riso.
–Nenhum de nós está se importando com isso agora. — respondi abrindo a porta.
Descemos as escadas de braços dados, como um casal. Como eu queria que isso fosse verdade.
Passamos por três senhoritas, uma até que poderia chamar minha atenção, mas Hermione irradiava chame em cada passo. Ela era única.
Chegamos aos jardins. Acho que é seu lugar favorito no castelo.
–Por falar em ataque, e as garotas que pediram pra sair? Vão mesmo embora?
–Não graças a Deus que ficaram! — respondi aliviado.
–Por que? Achei que seria mais fácil se elas voluntariamente...
–Fácil? Hermione não tem a menor forma que isso seja fácil. Eu estou procurando aqui a mulher que vai ser a minha esposa e estar ao meu lado pelo resto da minha vida! E se ela fosse alguma das que eu mandei pra casa? Eu posso á ter perdido a minha única chance de felicidade!
Até pra mim isso parecia como um desabafo desesperado, mas era como eu estava me sentindo. Era óbvio pra mim que Hermione era a mulher da minha vida, mas aparentemente o homem da vida dela não era eu. E eu não podia concorrer contra isso.
–Não se preocupe Draco, você vai encontrar o amor da sua vida aqui. Eu tenho certeza.
E ao que tudo indica ela estava certa. Eu tinha encontrado o amor da minha vida, eu estava conversando com ele agora mesmo.
–Como você pode ter tanta certeza?
–Pela minha experiência, se sua vida está tão bagunçada assim é porque o amor da sua vida está aqui, o amor verdadeiro geralmente é o mais inconveniente.
Sorri com isso, ela não podia saber como estava tão certa.
–Que tipo de experiência você teve Hermione? O que você deixou fora desses muros?
E no mesmo momento que fiz essas perguntas quis pega-las de volta. Seu semblante ficou triste. Pela primeira vez a vi dessa forma.
–Me desculpe, eu...
–Tudo bem, não tenho vergonha de falar de uma das partes mais bonitas da minha vida... — Ela respirou fundo e continuou, seria bom conhecer mais uma história de amor, mesmo que seja da mulher que eu amo com outra pessoa. — O nome dele era Rony, era o melhor amigo do meu irmão mais velho, Leonard, acho que você ouviu falar dele...
–Leonard Granger... sim o artista que fez uma escultura de metal, valiosíssima.
–Depois que o Léo vendeu essa escultura decidiu mudar-se pra um lugar maior, no começo eu o apoiei, pensei que ele só queria independência, mas na verdade ele estava nos abandonando, e isso não se faz, não se abandona a família, estar junto é a única forma de sobreviver.
Do jeito que ela falava parecia que viver fora desses muros é um enorme esforço... o que será que ela já passou na vida?
–O Rony era da casta Seis — ela continuou, mas dessa vez deixando algumas lágrimas caírem, eu quis pedir pra que ela parasse, mas eu estava curioso sobre a história, e eu já não sabia o que fazer quando uma mulher comum chora, com o amor da minha vida fica dez mil vezes pior... — nossa família sempre chamava a mãe dele pra nos ajudar, nunca tivemos muito dinheiro, mas sempre que podíamos ajudávamos a sua família. Certo dia o Rony veio junto à mãe e, fiquei louca por ele, fiquei encarando ele durante todo o tempo. A casa dele era perto da minha então saía durante o dia pra ter a oportunidade de vê-lo. E ele sempre vinha com a mãe, mas só nos olhávamos, afinal, eu era uma Cinco e ele um Seis, com as leis fica impossível, e minha mãe jamais permitiria...
Eu a abracei e coloque sua cabeça em meu ombro, eu não sei de onde veio tanta coragem pra cometer tal ato, mas ela precisava. A essa altura ela já estava soluçando.
–Logo começaram a aparecer bilhetes do tipo “Você é linda” na janela do meu quarto, e isso me deixava besta de felicidade. Essas coisas aconteceram até o dia do meu aniversário. Nesse dia ele deixou escrito apenas “Meia-noite, casa da árvore”...
–Meia-Noite?! Hermione, você poderia ter sido presa!
–Você precisa saber que não sou muito boa com regras... e na época isso não importava, só queria vê-lo... E ele estava lá Draco, ele estava lá a minha espera, ele me abraçou, e como presente de aniversário me deu um beijo, ele confessou os seus sentimentos e eu os meus, estávamos tão felizes por sermos correspondido, de durante dois anos nos encontrávamos regularmente na casa da árvore, ignorando completamente o toque de recolher, eu sentia que ele me amava... e ele realmente me amava Draco.
Ela parou deixando mais lágrimas caírem, com soluços desesperados apertando o peito como se isso fosse amenizar a dor.
–Até que veio a carta da Seleção, e ele insistiu tanto pra que eu me inscrevesse.
–O que? — Eu não acredito que ele fez isso, como se pede pra mulher que se ama se inscrever pra se tornar noiva de outra pessoa?
–Ele não queria ter esse peso na consciência, de que eu perdesse a chance de subir de vida, imbecil, — ela se permitiu um leve sorriso — E então eu fiz um acordo com minha mãe, eu me inscrevia e em troca eu ficava com metade do meu dinheiro. Eu estava feliz, por que eu sabia que com tantas mulheres eu jamais seria escolhida. Quando fomos tirar a foto a mãe dele me disse que ele estava juntando dinheiro pra pedir alguém em casamento. Isso me deixou tão feliz, ele iria me pedir em casamento, eu estava radiante e então tiraram essa foto.
Então era por isso que ela parecia tão apaixonada, é por que ela realmente estava, mas não por mim...
–Eu preparei um banquete com minhas próprias mãos, esperei ele chegar... mas ele não gostou, disse que ele é quem deveria me mimar, que ele era quem deveria cuidar de mim, ele disse que não tinha futuro pra nós dois, e então ele foi embora. Ele me deixou sozinha incapaz de gritar e chama-lo de volta por conta de uma maldita lei. E incapaz de ficar com o amor da minha vida por conta de outra lei... E então eu fui Selecionada, na minha cerimônia de despedida ele estava lá abraçado com outra garota, uma Seis. Ele não terá problemas em se casar com ela, não precisará quebrar nenhuma regra pra vê-la... talvez estejam juntos nesse exato momento...
–O QUÊ?! Como ele pôde fazer isso com você?
–Eu não sei, e o pior é que eu não posso ir pra casa e assistir a tudo isso, eu simplesmente não consigo. Então por favor Draco, não me mande embora agora. Draco, espero que encontre uma pessoa sem a qual não possa viver. Espero muito. E desejo que nunca precise saber como é tentar viver sem ela.*
Após um silêncio em que nós dois permanecemos abraçados eu senti necessidade de conforta-la.
–Hermione, prometo mantê-la aqui até o último momento possível. Sei que eles querem que a Elite seja composta de três garotas, e então poderei escolher. Mas eu juro: vou deixar duas garotas na Elite só para manter você aqui. Não vou mandá-la embora até que seja necessário. Ou até que esteja pronta. O que vier primeiro*.
–Obrigada.
–Sei que nos conhecemos apouco tempo, mas não suporto ver você magoada, se ele estivesse aqui eu... eu...
–Tudo bem...
Eu sabia que não estava tudo bem, mas não quis argumentar, depois de mais um tempo a levei ao seu quarto, e já em meu quarto me permiti pensar direito em tudo que ela me disse. E pra mim está claro, o coração de Hermione Granger já tem dono, e agora eu devo me concentrar em conhecer as outras participantes...
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