The Secret Weapon

80 One Step At A Time


Notas iniciais
Eu descobri, depois de 3 meses, que eu tinha um capítulo pronto, mas como escrevi sem sinal de internet, esqueci de postar. Eu sinto muito. Boa leitura.

Descanso era uma coisa ficando cada dia mais difícil. Nunca dava para dormir completamente, sempre atento ao menor barulho possível mesmo quando se tentava relaxar. Fora a consciência de Elrohir, também sempre em alerta.

Não demorou para as olheiras começarem a aparecer sob meus olhos, os evidentes sinais da exaustão. O primeiro a evidenciar isso foi o homem-gato que chegou após a batalha de Belatona. Grimrr vinha com um exército de homens-gato, prontos para nos prestar auxílio. A presença deles mostrava que Solembum não era o único cheio de particularidades.

— Cansada? – Ele tinha acabado de falar com Nasuada e ela mal tinha lhe dado as costas quando ele falou comigo. Demorei um pouco para entender a pergunta.

— Descanso anda sendo um luxo atualmente. – Dei de ombros, imaginando que meu rosto deveria estar horrível. Ele deu um daqueles sorrisos misteriosos dele antes de se retirar.

“Deveria tomar o conselho e descansar” Elrohir disse, grunhindo. Eu sabia que meu cansaço o afetava também.

“Um Cavaleiro cansado só está se pondo em risco.” Glaedr dessa vez. Suspirei, concordando.

“Eu sei disso, mas não é como se eu não estivesse tentando.” Resmunguei. Quanto mais perto de Galbatorix eu chegava, parecia que mais eu teria dificuldade. Era cada vez mais evidente que eu ainda estava ligada a ele, só não se sabia até qual ponto.

Nasuada percebeu também e me deu ordens de descansar até eu me sentir melhor. No meio tempo, meu melhor amigo anão tomaria conta das minhas tarefas. Eu odiava deixar minhas responsabilidades no colo dos outros, mas eu não tive escolha.

Eu demorei algumas horas para conseguir dormir plenamente, mas depois disso eu apaguei. Pela primeira vez eu tive um sono extremamente vazio. E foi realmente necessário. Acordei quase um dia depois, mas muito mais descansada.

E acordei com o berro de Elain, num susto. Quase cai do catre onde descansava, até finalmente conseguir ficar de pé e calçar as botas. Elrohir estava atento a algo. E aí, quando sai da tenda, ouvi o choro.

Finalmente Elain teve sua filha. Sorri, sentindo o contato de Elrohir. Finalmente me espreguicei, sentindo meu corpo voltar em cada ossinho de volta pro lugar ideal. Respirei fundo. Agora sim eu teria energia para continuar os dias.

Deixei para visitar Elain depois que todo mundo já tivesse ido dar seus cumprimentos. Eu ouvi o burburinho por todo o acampamento sobre a garotinha, mas não entendi bem o assunto. Provavelmente, era só a alegria de se ter um bebê no campo.

Quando finalmente fui, Elain me recebeu com todo o carinho. Sorri, finalmente observando a pequenina. Não era difícil perceber o lábio fendido. Elain percebeu a mudança sutil na minha expressão, mas não toquei no assunto e coloquei meu dedo em uma das mãozinhas minúsculas.

— Bem vinda, querida. Espero poder deixar esse mundo muito melhor para você. – Sorri, tentando acreditar no que eu mesma disse. Elain sorriu também, com um olhar de gratidão.

— Eragon está com medo. – Ela falou de repente, chamando minha atenção. Joguei a cabeça para trás, tentando ajeitar o cabelo, enquanto ficava de pé. – Sobre curá-la. Por causa da outra criança.

— Elva. Ela foi realmente um caso...desagradável. – Eu não gostava de culpar Eragon por ter cometido aquele erro, mas era inegável que o preço tinha sido bem alto. – É normal ele estar assustado, a última coisa que ele quer é fazer mal para alguém, ainda mais de Carvahall.

— Silbena, ela não vai sobreviver se ele não curá-la.

— Ele sabe disso, Elain. Olha, ele só precisa de um incentivo. Um pouco de conforto e de confiança e então ele vai se decidir.

— Você acha?

— Acho. No lugar dele, eu estaria nessa mesma situação, sabe? Até hoje, mesmo depois de tanto tempo na liderança de tantos homens, eu ainda tenho medo de tomar decisões erradas e causar sofrimento. A diferença é que o dragão que vive na minha cabeça o tempo todo não gosta muito do meu humor quando eu fico hesitante.

Ela deu uma risada, concordando. Sorri para ela, sentindo que ela parecia pensar no que eu tinha dito. Ainda tentando soar leve, coloquei uma mão no ombro dela.

— Não precisa ter medo. No fim do dia, o carinho dele é maior do que o medo. Ele só precisa de um tempinho para perceber.

Ela concordou de novo, dessa vez um pouco menos tensa. Eu entendia o ponto dela. Aquela criança dependia daquilo para ter uma vida longa e feliz. Depois de desejar boa sorte mais uma vez, deixei ela descansar e fui retomar minhas funções.

Não demorou para descobrir que eu estava certa. Eragon finalmente aceitou correr o risco e curar a garota. Sano chegou a me perguntar o que havia de errado com ela, em seguida me perguntando se eu saberia curá-la no lugar de Eragon.

— Eu não faço ideia. Talvez. – Dei de ombros. Ele parecia esperar que eu desse alguma explicação mais lógica. – Eu nunca foquei muito no aprendizado de magia, mesmo sabendo que eu consigo fazer.

— Você nunca quis aprender?

— Algumas vezes sim, outra nem tanto. Eu consigo me virar bem sem encantos, mas com certeza seria uma grande ajuda. E a sensação quando eu sinto a energia para recitar algo, é estranha.

— Estranha como? – Ele perguntou, mas eu não sabia se tinha como ele entender.

— Não sei. Brom me ensinou que todos nós temos uma energia dentro de nós, e quando focamos nela conseguimos chegar lá, sabe? É como um grande lago de energia dentro da gente. Só que eu sinto muito mais coisa. Vários pontos de energia, todos focados em um. Como um grande mar de energia que nunca acaba.

— E não tem ideia do porque. – Ele concluiu para mim. Era verdade que depois de Brom, eu me empenhei muito pouco em aprender mais. Eu lia algumas coisas, mas acabava por ai. Nunca fui de treinar muito aquilo. – Qual sua teoria?

— Tecnicamente, a gente concluiu que eu consigo sentir a energia de tudo vivo ao meu redor, mas tem algo além. Uma energia que eu não identifico de onde vem.

— Você pode tentar me mostrar uma? – Ele perguntou depois de alguns instantes, com os olhos curiosos. Às vezes dava para esquecer que Sano era mais velho que eu.

— Tudo bem, deixa eu ver… – Apanhei um cascalho ali perto e pronunciei o encanto para fazê-lo levitar. Acertei de primeira, mas ela flutuou pouco antes de começar a tremer. – Normalmente isso cansa alguém sem prática, mas eu estou bem.

— E Elrohir?

— O que tem ele? – Questionei, jogando o cascalho no chão de novo. Ele deu de ombros.

— Não dizem que um dragão escolhe seu Cavaleiro muito antes de eclodir? Pois então, pode ser isso.

— Eu conheço a sensação da energia dele. Pode ser que eu só não identificasse na época, mas não sei. Pode ter algo a ver com Galbatorix.

Ele deixou aquilo encerrar o assunto e voltar às suas tarefas. Aproveitei e fui conferir com Elain se tinha dado tudo certo. Abri um sorriso vendo o lábio perfeito no bebê e a satisfação da mãe. Ela sorriu para mim, como quem agradece. Dei de ombros.

— Eu disse que ele só precisava de um empurrãozinho. – Ela me ofereceu para pegar o bebê no colo, mas eu fiquei com medo de machucá-la. Depois de tantos anos encabeçando um grupo militar, eu duvidava ter a delicadeza necessária para embalar um bebê.

Depois disso, o respeito de todos por Eragon crescia sem parar, até mesmo entre os elfos. Eu ficava feliz em ver que o moral dos nossos guerreiros ia subindo junto com a popularidade do nosso Cavaleiro.

Bem, Elrohir também ganhou espaço. Ele não precisava mais ficar escondido, então agora ele ocupava um lugar próximo ao nosso acampamento. Eu me sentia melhor em tê-lo por perto.

Para mim foram dias sem grandes acontecimentos, apesar de tudo estar acontecendo ao meu redor. Roran foi enviado para tomar Aroughs e conseguiu sem muitas dificuldades, exceto a morte de Carn. Apesar disso, ele aceitou seu papel como capitão. Eu apreciava ter Roran como um amigo na mesma posição que eu.

Isso tudo tomou vários dias do nosso tempo, mas tudo tinha que ser calculado, ser precipitado podia estragar tudo. Aproveitei esse meio tempo para revisar tudo de magia que eu sabia, com a ajuda de Aidan.

— Como anda se sentindo, querida? Sua aura parece ansiosa. – Ele comentou depois que eu comecei a perder a paciência com um dos encantos.

— Ansiosa. Eu sei que temos que ter cautela, mas eu queria fazer tudo logo e terminar de uma vez essa guerra. – Dei de ombros. Ele concordou, sem muita energia.

— É, não podemos por a carroça na frente dos bois, muito menos num momento como esses. E a ligação? – Ele questionou, finalmente sentando-se no chão. Eu o imitei, suspirando.

— Não sei. Muitas vezes eu tive dificuldades em dormir, mas era só uma sensação. É quase como se ele estivesse quieto demais. Isso me deixa mais tensa do que se ele invadisse meus sonhos.

— Não duvido que seja o intuito dele. Aquele homem é ardiloso, ele sabe exatamente o que fazer para manipular todos ao seu redor. Eu sei bem disso.

— Eu sinto muito que você tenha que ter passado por tudo que passou, Aidan, mas fico feliz que pelo menos isso me deu a chance de te conhecer. Você é um grande amigo. – Sorri, dando um tapinha leve em suas costas. Ele sorriu.

— Pode soar como um exagero, mas eu acredito que foi nosso encontro que mudou tudo dentro de mim e me permitiu me libertar. Obrigado. Foi um prazer te conhecer.

Aquela conversa toda soou como uma despedida, mas não me incomodei em apontar aquele detalhe. Aidan provavelmente também o sentira. Talvez fosse, dependendo de como as coisas caminhassem a partir de agora.

Num momento desses era preciso se preparar para o pior, mas esperar pelo melhor. E eu certamente esperava pelo melhor possível quando tudo terminasse.

Notas finais
Obrigada!