The Secret Weapon

82 One Last Time


Notas iniciais
Mais um pra hoje, aproveitando o ritmo. Boa leitura.

Eu tremia quando chegamos ao palácio. Meus olhos estavam vermelhos pelo choro, mas agora eu só conseguia sentir raiva. Elrohir pousou atrás de Thorn, calado. Quando Galbatorix se aproximou, ele rugiu.

“Não adianta, Grande.”

— Bem vinda de volta. — Ele respondeu, o sorriso falso no rosto. Elrohir parecia sentir o mesmo nojo que eu. — É um prazer, finalmente conhecê-lo, Elrohir.

— Não ouse tentar fazer com ele o que você fez com Thorn. — O dragão vermelho e seu dono me lançaram um olhar ao ouvir o nome, enquanto eu descia do dragão.

— Oh, ele já é bem grande. — Ele contestou, analisando meu dragão com o cenho franzido.

— Eu também não sei. — Respondi antes que ele pudesse pensar em perguntar algo sobre sua raça.

— Murtagh, tome conta dela. Resolverei isso mais tarde. Elrohir pode acompanhar Thorn, eles ficarão à vontade. Eleanor, seus aposentos continuam como antes.

— Não se preocupe tanto, não pretendo me demorar. — Sorri da mesma forma falsa em resposta. Dessa forma, nos separamos em grupos. Eu sabia que Murtagh estava levando Nasuada para a masmorra.

Eu sentia como se parte da culpa fosse minha. Quando eu estava presa, eu praticamente comprei minha liberdade, que agora eu sabia que era falsa, por informações de Nasuada. A vantagem era que dessa vez eu podia sentir Elrohir ali perto.

“Se tentarem te fazer alguma coisa, revide” Falei antes de perdê-lo de vista.

Eu não entendia aquele teatro todo, de verdade. Ele, mais uma vez, fez Murtagh se sentar conosco para o jantar, porém dessa vez eu não tinha me vestido conforme o cenário. Vi o olhar de Galbatorix mais uma vez nas marcas nas minhas mãos.

— Elrohir é extraordinário.

— Para dizer o mínimo. — Comentei, tomando um gole de vinho. — O que você quer?

— Você já sabe muito bem. — Murtagh sequer fazia esforço para comer, simplesmente prestando atenção na conversa. Galbatorix parecia perceber a presença dele como perceberia a de um rato.

— Não, não sei. Eu não compro essa conversa de herdeira. Eu sei que eu fui levada e tudo mais, mas você sempre teve a capacidade de resolver isso muito antes. E se fosse só isso você não ligaria minha vida à sua, afinal, como é que eu herdaria alguma coisa estando morta também?

O olhar de Murtagh parecia procurar algum sinal de blefe no meu rosto, mas eu simplesmente continuei encarando Galbatorix. O imperador sorriu, mais uma vez.

— Nunca foi meu intuito realmente te entregar o trono, apenas acender uma esperança nova nos corações. Sabe, Eleanor, nos últimos tempos, seus amigos têm feito crescer a dúvida pelo nosso reino, e isso dificulta tudo.

— Então você só quer que eu apareça do seu lado quando você quiser? — Olhei para ele, incrédula.

— Ora, uma vida de conforto e luxo para ser o rosto de uma nova era, não parece tão ruim.

— Discutível. Quero ver por quanto tempo pretende me enrolar.

— Ainda assim não acredita em mim?

— Deveria? Por favor, eu posso ser nova, mas não sou idiota. Um desses selos é trabalho demais para simplesmente ter um novo rosto com você. Murtagh faria esse serviço muito bem. Aliás, já faz.

Foi nesse momento que me ocorreu. Murtagh. Ele abandonou os Varden e se uniu a Galbatorix por obrigação. O maldito descobriu seu verdadeiro nome e o usou contra ele. Nome. Ele não sabia o meu. Por isso todos aqueles selos.

— Quantos selos são?

— Por que quer saber?

— Queria ou não, você cumpriu exatamente o que cumpriu da última vez. É só uma curiosidade.

— Três, contando com o que eu removi. O de magia, o de ligação e o de sangue.

— Ligação?

— É um selo simples, mas imperceptível. É o que permite que eu faça o que eu fiz. — O que me desnorteou e me trouxe até aqui. Tomei mais vinho. – E o de sangue liga nossas vidas, mas você já citou isso, portanto imagino que já soubesse.

— Você acha que isso faz o que, exatamente? Que eu te defenda?

— Se não defender, você morre. Todos estão prontos pra um sacrifício, querida, até que chega a hora da morte. Então, ninguém mais tem tanta coragem.

— Eu só vou cair dura em algum lugar no campo de batalha mesmo, qual a diferença?

— Não é só isso, você vai sentir a minha morte. Se me decapitarem, será bem rápido, mas se algum deles decidir estender minha morte, me ferir e me deixar agonizando, então…

— Eu entendi. — Resmunguei, tomando mais um pouco do vinho. Eu não sabia se ele só estava omitindo a informação ou se ele não sabia que tinham modificado meu selo. Não que eu fosse comentar. — Então, qual seu plano?

— Perdão?

— Você tem algum plano para mim, senão não teria me feito vir até aqui. Aliás, Elrohir. É ele quem você quer. — Era a única explicação lógica para Galbatorix fazer tanta questão de me ter por perto. Ele deu de ombros.

— É lógico que quero seu apoio na guerra. Afinal, não vai demorar para vocês virem para Uru’baen, já tomaram Dras Leona.

— Você tem seu próprio dragão. Se parasse de se esconder atrás de pessoas mais fracas que você, não precisaria de mim.

— Suas tentativas de me ofender são comoventes.

— Eu não estou tentando te ofender, estou apontando um fato. Sua covardia não passa disso, um fato.— Ele continuava impassível no seu lugar, exceto pelo sorriso que começava a sumir. — Eu aposto que até mesmo nos últimos momentos, você vai mandar Murtagh lutar uma batalha que é sua.

— Só me dê uma resposta, Eleanor.

— É claro que não. Eu posso morrer, mas prefiro fazer isso bem longe de você. Não vou ser eu quem vai te defender de Eragon. Eu preciso continuar aqui?

— Você pode partir se quiser, mas ela fica.

— Nasuada? — Perguntei, só conferindo. Eu tinha visto nos olhos de Murtagh que o sequestro de Nasuada não era sua intenção, mas eu imagino que era o melhor que ele conseguira barganhar.— Ela não precisa de mim aqui.

— Muito bem. Então volte para lá. E mesmo que você morra há léguas de distância, saiba que ainda assim, eu vou estar com você. Mesmo que seja meu último suspiro, eu ainda vou invadir sua mente e te levar comigo.

Não respondi, simplesmente me levantando. Galbatorix mandou Murtagh me levar até Elrohir, voltando a sua refeição logo em seguida. Ele me encarava, ainda digerindo o que presenciara. Sorri para ele.

— Murtagh, cuide dela. Você é bom nisso. — Comentei, subindo as escadas com ele. Ele me fitou, suspeito. — Acredite, um simples gesto muda tudo.

Naquele momento, nós dois entendemos o peso daquela frase. Mudar tudo. Não seria só para um lado. Ele abriu a porta que dava para o abrigo, um lugar enorme e aberto, no alto de uma torre. Elrohir estava pronto para partir, enquanto Thorn estava enrolado num canto.

— Não vai demorar agora. Se cuidem. — Falei, percebendo um dos olhos de Thorn preso em mim.

— Obrigado. — Foi só o que ele conseguiu dizer, então eu montei meu dragão e, rumo ao céu estrelado, abandonei dois dos meus nas mãos daquele homem.

Notas finais
Obrigada!