The Secret Garden
1 Prólogo
Notas iniciais
The Secret Garden
Introdução.
Hearts call, hearts fall,
Swallowed in the rain.
Who knows, life grows,
hollow and so vain.
Senti meu nariz coçar, fazendo com que uma vontade de espirrar enorme tomasse minhas vias nasais e eu não pude controlar. Quase no mesmo instante, percebi as portas do armário de vassouras serem abertos, me fazendo dar de cara com Takanori.
_ Eu vou contar pro meu pai!
_ Taka-san,por favor... Não!
_ Otou...- No mesmo instante levei uma de minhas mãos a boca do menor, o interrompendo e com a outra, rapidamente o puxei para dentro do armário. Eu não sabia o que estava fazendo -é claro- somente agi por impulso.
Fechei as portas do armário correndo ,mantendo a mão sobre a boca de Takanori e me apoiei sobre a parede ao fundo do armário de vassouras. Céus, eu já tinha problemas o suficiente com meu tio. Por algum motivo, aquela parte da família não fazia muita questão de mim e é claro que eu desconhecia os motivos.
Takanori sempre implicara comigo e eu — do contrário — sempre cuidava dele, porque seu pai sempre nos esquecia por causa das viagens que fazia a trabalho e quando estava em casa, sua atenção se desviava únicamente para suas empregadas, de preferência para suas nádegas. Exceto por uma delas, a senhorita Suzuki que deveria estar por volta de seus cinqüenta e poucos anos e eu acho que é por este motivo que meu tio nem cogitava tocá-la.
O menor mordeu a palma de minha mão com força e se empurrou contra as portas do armário onde nos encontravamos, caindo ao pé do jovem loiro e de faixa que já se encontrava prestes a abrir o armário, provavelmente ouvira os resmungos do menor. Urrei de dor, balançando minha mão direita antes de abri-la e observar a marcas dos dentes pequenos de Takanori que já se levanta em pânico e corria para fora do pequeno quartinho abandonado onde eu me escondia quase sempre. Talvez tivesse ido procurar o que fazer, mas era estranho porque quase sempre, segundo Akira, ele sempre corria ao encontrá-lo.
Akira Suzuki era filho da senhorita Suzuki, a mais velha das empregadas e por consequência, a governanta da casa. Chamo ela de senhorita por respeito, afinal, hoje em dia ninguém mais gosta de ser chamada de senhora. Ele sorriu para mim, por detrás daquela faixa estranha que eu nunca entendi porque ele a usava desde que eu havia ido morar ali e estendeu-me a sua mão, me ajudando a sair do meio daquele armário velho e cheio de tralhas.
_ Ai, valeu Aki-chan. Nem sei o que faria se fosse meu tio.
_ Pode ficar tranquilo, o senhor Matsumoto saiu hoje de manhã e acho que só volta a noite. — Retribuí o sorriso, ainda massageando a palma de minha mão e então nos dirigimos para fora dali, indo para o lugar no qual eu mais gostava já que naquela mansão não se tinha muito o que fazer além de conversar algumas coisas com as empregadas ou ser pertubado pelo meu primo.
_ Eu realmente não sei o porquê de eu tanto ser implicado pelo Takanori, pode ter certeza, Aki-chan que, por mim, eu não permanecia nesta mansão, morando com meu tio e meu primo mais nenhum segundo sequer.
_ Não esquenta, Kou. Takanori é muito mal acostumado, acompanho a criação dele desde que ele nasceu. Sei como é e se eu não impusesse nenhuma autoridade sobre aquele anão, concerteza estaria sofrendo em suas mãos. Ele é filhinho de papai.
_ Hm, nem me fala. Até parece que não percebi.
Sempre no caminho para o jardim, observava o quanto a casa de meu tio era escura, ventosa, com muitas janelas, o que indicava que havia -no mínimo- uns 1OO quartos e era construída na borda de ancoragens.
Mas algo também me intrigava naquele jardim, notara há alguns dias atrás que certa parte da área era envolvida com um muro de pedras muito grandes e sem portas. Mas não perguntei nada a Akira.
Aquela casa -certamente- tinha muito mais coisas escondidas.
Ignorei -por algum momento- aquele muro, nem mesmo notando que havia parado para observar e voltei a caminhar com o outro pelo gramado verdinho que dava um ar "colorido" a casa, apesar de tamanha estranhesa.
Procuramos uma árvore com bastante galhos, pois o dia estava realmente ensolarado, nos sentamos então, em baixo de uma das árvores que tinha naquele jardim e, estranhamente, notei um corvo que muito me olhava de cima do muro esquisito. Quando ele tinha aparecido ali? Eu não sei.
Podia parecer esquisitisse de minha parte, mas eu tinha certeza de que aquele pássaro me olhava. Cutuquei Akira com o cotovelo, desviando sua atenção do formigueiro ali perto e levando até o corvo.
_ Akira, Akira...Olha! — Apontei o corvo que na mesma hora vôou contra minha cabeça, querendo, talvez, me atacar, encostando apenas suas patas em meus fios loiros e, logo depois, voando para longe.
_ Aaaaaaaah, aaaaaaah! — rapidamente me levantei , assustado só de pensar que aquele pássaro esquisito poderia ter me bicado e Akira, apenas ria da situação.
_ Calma! Calma! — O jovem me alertou, rindo. _ Acho que ele se sentiu intimidado.
_ Que mané intimidado, Aki-chan. Bah, eu não acredito. Esse é — definitivamente — o lugar mais estranho que já pude morar.
_ Ok, Kouyou. Ele já foi agora, sente-se aqui do meu lado. — O outro voltou-se a se sentar sobre o gramado verde, ainda em baixo da árvore e tapeou o chão ao seu lado para que eu viesse a me sentar alí e assim o fiz.
_ Eu to com saudades dos meus pais... Da minha Ayah... — Resmunguei. Já fazia seis meses que meus pais haviam morrido, e exatamente dois que eu havia ido morar com meu tio e meu primo. Akira me olhou por algum momento e então, voltou seu olhar ao formigueiro no qual tanto fuçava com um pedaço de graveto.
_ O quê é uma "Ayah"?
_ Ayah era minha criada. Quer dizer...Na Índia, as criadas são chamadas de Ayah. É um tipo de babá no qual te acompanha desde seu nascimento. — O loiro apenas sorriu e rápidamente largou o pedaço de graveto que tinha em uma das mãos ao perceber o ninho de formigas se revoltar e os pequenos insetos começarem a se espalhar pelo gramado, fazendo com que este viesse a gargalhar algumas vezes.
Eu nunca pude notar — até aquele minuto — o quanto Akira era belo e como seu sorriso era lindo, sua companhia agradável e mesmo que parecesse alguém de poucas palavras...Talvez fosse isso que o tornava tão especial.
_ Eu não sabia que morava na Índia.
_ Bom, eu nasci aqui no Japão e fui morar lá com apenas alguns anos, não me lembro muito bem. Eu era feliz lá até o surto de cólera começar. Foi por isso que... Meus pais faleceram. — Me recostei ao tronco da árvore e abaixei minha cabeça, observando algumas das formigas marcharem em fila pelo gramado.
Senti os dedos do outro acariciarem de leve o topo de minha cabeça por alguns minutos, talvez fosse um tipo de consolo já que até aquele momento, estava difícil de ele pronunciar algo. Me assustei ao ver este me erguer pelo braço rapidamente, me afastando do formigueiro que estava empesteado de formigas já do lado de fora.
_ Aki-chan, pra quê foi mexer com elas? Eu... -Ele me interrompeu, movendo sua mão em negação como se fosse para eu me manter em silêncio e então, apenas fiquei a observar as formigas que marchavam em direção ao muro estranho. Me aproximei um pouco para ver se eu realmente estava enxergando bem e as acompanhei, em passos lentos, até proximo ao muro para me certificar de que realmente estavam indo naquela direção.
Voltei meu olhar ao mais velho que me chamava de longe, apontando o céu que — de repente- pareceu querer se fechar e então voltei correndo, antes dando uma última olhada para o gramado, constatanto-me mais uma vez de que realmente as formigas marchavam para lá.
Esquisito...
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