The Secret Behind Your Eyes

29 Uma história sobre confiança.


Notas iniciais
Yo pessoal!
Vou deixar pra comentar esse cap no final para não estragar a emoção.
Sobre o título... Bem, leiam.
#-#Recomendo a leitura do flashback cap 9 para ajudar a entrar no clima e sacar umas coisas.#-#
Espero que gostem!

Fiquei apenas parado observando o Lavi passar algumas páginas do álbum com o olhar nostálgico e perdido ao mesmo tempo.

– Entendo... Então ele descobriu sobre as ordens do Bookman e acabou achando que você estava fingindo o tempo todo? – Arrisquei.

De fato, deve ser horrível confiar em alguém e ser traído dessa maneira.

– Quem dera fosse só isso... – Suspirou pousando a mão sobre o tapa-olho.

– Ainda foi pior? – Perguntei pasmo tentando imaginar um cenário onde aquela situação já prevista pudesse ser piorada.

– Depois dessa missão, passamos mais três anos juntos até os acontecimentos daquela manhã na biblioteca... Quando o Yu começou a me odiar. Mas durante esse tempo muita coisa aconteceu. Olha, esse aqui era o obliterador.

Ele me mostrou uma foto do Kanda dormindo embaixo de uma cerejeira enquanto um pequeno coelhinho preto de olhos vermelhos roia uma mecha do seu cabelo.

– Agora entendo o que quis dizer quando falou que o bicho era uma praga. – Comentei vendo outras fotos da criaturinha aprontando e uma do Kanda escondido de tudo e de todos fazendo carinho na cabeça do coelho.

Humpf, era mesmo um tsudere...

– Como conseguiu essas fotos? – Perguntei vendo umas realmente engraçadas onde toda a ordem parecia estar numa espécie de gincana.

– Eu tinha um golém com câmera – Respondeu piscando pra mim.

– Tinha...?

– O Yu destruiu quando descobriu.

Suspirei aliviado. Já bastava Timcamppy com sua galeria de momentos constrangedores.

– Lavi, isso aqui é você?! – Perguntei totalmente pasmo com uma foto do Lavi e do Daisya se engalfinhando numa poça de lama.

– Essa doidera toda foi nas olimpíadas da Ordem Negra. Isso ai foi na corrida de obstáculos, a puta da Lenalee ganhou por causa das Dark Boots.

Céus, se uma simples corrida acabou assim, tenho medo de imaginar as outras provas.

Passei outra página vendo agora as fotos de um piquenique com toda a “família Tiedoll” reunida onde em uma delas o Kanda e o Marie travavam uma queda de braço e Lavi, Daisya e o general torciam ao fundo. Mas tinha algo estranho ai...

– O que diabos o Kanda faz com a sua bandana e você com a pulseira dele? – Apontei para o pulso do ruivo onde estava aquela familiar pulseira de contas que nunca saia do braço do samurai.

– É o contrário na verdade, acredite se quiser mas originalmente a pulseira era minha, nela esta gravado o meu nome de nascença, que por algum motivo estúpido eu não quis esquecer, e a bandana era do Yu.

– O Kanda, de bandana? – Se eu não tivesse vendo, não estaria acreditando.

– Mesmo que nós fossemos próximos, por assim dizer, o Yu sempre foi muito fechado em si mesmo e quando estava com problemas fazia o máximo para que ninguém notasse. Então teve uma época em que o Yu, calorento do jeito que ele é, começou a usar coisas como bandanas, cachecóis... E essa época coincide justamente com a volta de um certo inspetor a ordem...

Tava demorando...

– LeVerrier?

– Exato.

Suspirei pesadamente, eu sabia que aquele inspetor maldito estava diretamente ligado a muita coisa do passado do Kanda que o pertubava até hoje, e que eu estava determinado a me intrometer. Não é a toa que eu já esperava que nada de bom saísse daquela história.

– O Yu sempre estava com umas marcas roxas, principalmente no pescoço e nas costas, ele sempre escondeu, mas um dia eu entrei no seu quarto quando ele estava dormindo e acabei vendo. Desnecessário dizer que ele quase me matou depois.

– Q-Que tipo de marcas? – Perguntei com medo da resposta.

– Pareciam ser de armas de choque. Mas sempre sumiam em alguns dias por causa da capacidade dele de se curar. E não era só isso, também tinham umas “missões especiais” na cidade em que aquele filho da puta sempre mandava o Yu, ele sempre voltava com um humor horrível, mas nunca chegou a voltar ferido, afinal mesmo quando era mais novo ele botava medo e batia forte, exceto daquela vez... Quando a gente fez aquela promessa...

–------------------------- Flashback POV do Lavi on -------------------------------

Já fazia algum tempo desde que o Yu tinha chegado de “missão” e eu ainda não tinha visto a criatura em lugar algum, nem enfornado no quarto, nem comendo sobá. E isso já estava me preocupando.

Fui até a nossa arvore, onde nós deixávamos bilhetes quando nos desencontrávamos por causa de alguma missão, nela estavam gravadas as nossas iniciais “ Y & L” que eu tinha gravado com um canivete numa tarde em que nós fugimos juntos da enfermaria, deixando o Yu puto por ter escrito a inicial do seu primeiro nome.

Adentrei no bosque seguindo aquele mesmo caminho de sempre, sentindo ate uma certa nostalgia já que também fora ali que nos conhecemos.

Mas o que eu encontrei ali fez um arrepio percorrer minha espinha e meu sangue gelar.

– Yuuu!!!! – Corri até o garoto que estava desmaiado no chão, pálido como nunca e com algumas marcas visíveis graças a camisa aberta. – YU! Fala comigo! Se você morrer eu juro que eu te mato tá me ouvindo?! – Gritei chacoalhando seu corpo freneticamente.

– Rá, como se você fosse mesmo capaz disso... – Sussurrou com a voz fraca.

E foi ai que eu percebi um objeto esquecido no chão ao seu lado.

Era um potinho de comprimidos.

Vazio.

– YU KANDA O QUE SIGNIFICA ISSO???!!! – Berrei completamente surtado.

– Tch, eu estava com dor e ela não passava. – Explicou como se fosse a coisa mais normal do mundo tentar se matar.

– O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA IDIOTAA???? E SE VOCÊ TIVESSE MESMO MORRIDO?! POR QUE DIABOS VOCÊ FEZ ISSO CONSIGO MESMO? PORQ...

Plaft.

Senti meu rosto queimando com o tapa que ele me acertou.

– Por que fez isso...? – perguntei mais calmo encarando o frasco.

– Por que dizem que acertar um tapa numa pessoa histérica faz ela voltar ao normal.

– Eu perguntei por que tentou se matar. – Falei o olhando seriamente.

Ele somente arregalou os olhos perplexo e depois olhou de mim para o vidrinho e dele de volta pra mim.

– Idiota, eu não tentei me matar...

– Então o q...

– isso são analgésicos sua besta retardada! – Esclareceu por fim apontando o rótulo para que eu lesse. – E olha que só tinha uns três ai dentro.

...

Lembrei do escândalo de cinco minutos atrás.

...

Já se sentiu muito idiota alguma vez na sua vida?

– Er... Nunca mais me de um susto desses. – Comentei suspirando aliviado.

– As vezes você parece uma mãe, credo. – Murmurou erguendo uma sobrancelha.

Apenas ri da situação me sentando ao seu lado e puxando sua cabeça para ele deitar no meu colo.

– Outra missão na cidade? – Perguntei vendo uma de suas mãos que tinha os dedos esfolados em processo de cura.

– Tch. Infelizmente. Era só pra buscar um pacote e eu acabei fazendo merda.

– E o que aconteceu?

– Uns cinco idiotas me cercaram e... – adicione umu extremamente corado nesse trecho – Ficaram falando coisas...

Sorri de canto. Não custa provocar não é?

– hm... Que tipo de “coisas”? – Perguntei me segurando pra não rir.

Eu sabia exatamente do que se tratava, já tínhamos quinze anos e o Yu já não era mais nenhum garotinho emburrado... Ele bem que havia crescido. E levando em consideração o quanto um moreno alto com uma katana nas costas chama atenção era praticamente possível para ele passar desapercebido pelos olhos cobiçosos, o que gerava cenas muito hilárias já que o Yu recebia todo tipo de cantada, de homens e mulheres, das mais fofinhas até as mais depravadas.

Pobres pessoas que não conheciam o temperamento do samurai...

– Você sabe bem que tipo de coisas seu pervo. – Respondeu irritado. – Foi o suficiente pra me deixar puto.

– Você deveria escutar o que eu digo, em caso de inimigo em maioria numérica corra como se sua vida dependesse disso. — O lembrei vendo-o erguer a um sobrancelha questionadora.

– Eu? Correr? Eu estou assim por que eu bati naqueles bastardos até não ter mais forçar pra isso e acabei perdendo o pacote.

– Eles sobreviveram? – Perguntei com medo da áurea negra em volta dele.

– Aposto que seus corpos ainda devem estar ensopados de sangue no meio da rua... hehehehehe... – Insira um sorriso maligno de orelha a orelha acompanhado de uma áurea assassina aqui e tente dormir a noite depois.

– Obviamente não foram eles que fizeram isso. – Afirmei tocando levemente uma marca roxa em seu ombro. – Quem foi? – Questionei sério.

– Ninguém que te importe. – Respondeu arredio se afastando do meu toque e se sentando ficando de costas pra mim.

– Mas foi em alguém que eu me importo.

– Não quero falar sobre isso.

– Kanda... O que foi isso? – Insisti.

– Não foi nada.

– Claro, nunca é alguma coisa pra você, não é? – Indaguei irritado com essa maldita mania do Yu de achar que nada que acontece com ele é grave.

Dez minutos de silêncio.

– Lavi... – Murmurou me espiando de canto olho através do cabelo que estava solto.

Tradução: Ainda esta irritado?

– hn? – Respondi monossílabo.

Tradução: Irritado? To puto.

– Nada não.

Tradução: Nem pense que vou te pedir desculpas por isso.

Mais dez minutos de silêncio esmagador e clima estranho.

– Esta tarde. Você deveria dormir. – Comentou mexendo em algumas folhas aleatórias.

Tradução: Não vai mesmo falar nada? (Expressão: Completamente culpado)

– Não to com sono.

Tradução: Não enquanto você não deixar de ser idiota (Expressão: Não to nem ai pra sua carinha de culpa mesmo que ela seja muito fofa).

– Mesmo assim.

Tradução: Então vai ficar mudo pra sempre. (Expressão culpada + Voz levemente melancólica = Golpe baixo).

Simplesmente não dá pra passar mais de vinte minutos irritado com o Yu...

– Não vou deixar você aqui sozinho. – Murmurei finalmente o encarando e reparando que tinha um moreno ao meu lado quase sem camisa, com os cabelos voando levemente junto com a brisa constante da floresta e com um olhar pensativo. – Imagina só se algum tarado aparece e te vê assim... – Sussurrei maliciosamente vendo-o me encara divertido.

– Um tarado é?

– Uhum.

– Tarde demais. Tô olhando pra ele.

Começamos a rir da situação boba descontraindo o ambiente e acabando com o clima tenso.

Mas isso não quer dizer que eu ainda não vá perturbá-lo muito sobre aquele assunto.

Me joguei para trás o puxando junto comigo espalhando um monte de folhas mortas que sempre estavam ali pelo chão (dã, era um bosque) ainda rindo só do fato de estar rindo de algo tão sem noção.

Em todo esse tempo em que eu convivi com o Yu, já havia conseguido acalmar muita coisa na minha cabeça e no meu coração também, mesmo que eu ainda continuasse acreditando que ele com certeza tinha alguns parafusos trocados, sempre que eu estava com algum dilema ele sempre me dava conselhos assustadoramente sábios e um ombro pra afogar as mágoas.

Desde o momento em que eu comecei a confiar no moreno, decidi que me tornaria digno de confiança também, me “livrei”, por assim dizer, do trabalho do Bookman com uma história sobre o Yu ter tido algum forte trauma durante a tragédia do sexto laboratório e ter perdido a memória, portanto, não havia nenhuma informação a ser apurada.

Qualquer segredo que o Yu quisesse partilhar ficaria somente entre nós até a minha morte.

Afinal, é para os nossos amigos que nos mostramos nossa verdadeira face e a quem confiamos nossas costas, não é?

– Usagi... – Começou como se não quisesse continuar. – O que você faria se soubesse que eu fiz uma coisa horrível? – Perguntou desviando o olhar aparentemente desconfortável.

– Ah, qual é, todos nós temos uma dessas no currículo. – Comentei tentando animá-lo.

E não era verdade de qualquer maneira?

– Mas... E se fosse algo excepcionalmente ruim? – Insistiu se levantando e sentando ao meu lado.

– Eu encobriria você. – Respondi normalmente me sentando também ganhando um olhar levemente surpreso em troca – Por que essa cara? Temos algum corpo pra esconder ou algo assim?

– Quem me dera... – Sussurrou baixinho com um ar melancólico totalmente incomum da sua pessoa.

Isso já estava me preocupando.

– Yu... Me promete uma coisa?

– O quê?

– Promete que vai me deixar proteger você.

–...?

– Você sempre guarda seus problemas só pra você e nunca deixa ninguém te ajudar nem um pouco que seja e... – Comecei a ladainha de sempre vendo-o suspirar.

– Taaaa taaa ok, eu prometo. Mas com uma condição.

– Manda.

– Que você me deixe fazer o mesmo, e que não fique puto comigo depois.

– Não vou me irritar se eu puder te proteger também.

Trocamos um olhar significativo por alguns segundos até ele se pronunciar.

– Ok, então feito.

– Feito. – Confirmei puxando a bandana do seu pescoço e amarrando na cabeça.

– Oe, me dá isso aqui.

– Não.

– Usagi...

– Não vai mais precisar esconder que está machucado de ninguém, já que não vou mais deixar você se machucar.

Ele apenas bufou, tirou uma fita do bolso e começou a prender o cabelo.

– Yu... Não vai mesmo me contar quem foi?

Ele parou o que estava fazendo e me mandou um olhar de advertência.

– Você esta especialmente irritante hoje... – Sibilou me olhando de canto.

– Se você me contar eu te conto algo em troca. – Sussurrei no seu ouvido atingindo seu ponto fraco. A curiosidade.

– Não estou interessado. – Respondeu aparentemente indiferente.

Uhum... Sei...

– Nem mesmo se for algo que ninguém na ordem ou fora dela saiba e nem nunca vai saber? – Fiz suspense.

Ele devia estar se mordendo de curiosidade e não queria dar o braço a torcer.

– Façamos assim, se a informação lhe parecer boa o suficiente você me diz, ok? – Sugeri puxando seu braço e colocando minha pulseira nele.

– O q...

– Olhe embaixo.

Ele virou as contas da pulseira lendo o que estava escrito e depois olhou confuso pra mim e de volta pra ela.

– Isso é...

– Meu nome. Não um pseudônimo como Lavi, meu nome mesmo.

– Ah. – Sussurrou parecendo surpreso e depois começou a encarar o chão.

– Vai proteger esse segredo pra mim, não vai? – Perguntei com um sorriso maroto cutucando sua bochecha fazendo-o olhar pra mim para então confirmar com um aceno de cabeça.

– O inspetor. – Falou de repente.

– O que?

– Você venceu. Foi o filho da puta. – Respondeu desviando o olhar.

Parei pra pensar por um momento juntando todas as peças daquela história. O Yu não deixaria simplesmente que alguém fizesse aquilo com ele assim tão fácil, e como o LeVerrier não era nenhum super homem a única conclusão que eu conseguia chegar era que o Yu estava sendo chantageado, e depois daquela conversa estranha dele sobre ter feito algo especialmente ruim...

– Yu... Sobre o que você fez. Você acha que seria preso por isso?

Ele franziu o cenho rapidamente mas depois suspirou se encostando em uma arvore.

– Você é rápido pra essas coisas.

– Você esta falando com o sucessor de bookman meu caro. – Sorri convencido antes de continuar. – Mas se for este o problema n...

– Já fui preso por isso. – murmurou.

E a cada vez a coisa fazia mais sentido, o nome do Yuu na lista dos prisioneiros pela inquisição, a tragédia do sexto laboratório... Meu Deus.

– Mas se não é isso então...

– Já chega. – Respondeu com um tom sério de dar arrepios.

– Yu...?

– Se você continuar com esse assunto eu vou te amarrar em cima de um formigueiro. Falo sério. – Na verdade ele já tinha me feito ameaças bem piores, mas pelo olhar dele dessa vez eu tinha certeza que a coisa era séria.

– O-Ok... – Respondi cauteloso. Gosto muito da minha cabeça no pescoço pra continuar insistindo com essa história. Por enquanto.

Depois de um tempo de bico calado outro assunto “curioso” de se discutir me veio à cabeça e eu não resisti.

– Yuuu-chaaan...

– Fala praga.

– Me promete outra coisa...?

– Depende. – Respondeu me olhando de canto como se quisesse advinhar o que eu estava pensando. Dei um sorriso maligno.

– Quando você se apaixonar eu quero ser a primeira pessoa a saber. – Mandei de vez vendo-o ficar levemente corado.

– P-P-Pra que isso?

– Pra juntar você dois oras!

– Tch, desista. Eu nunca vou sentir esse tipo de afeto por ninguém.

– Ahaaamm... Sei... – Ironizei o olhando de canto também.

– É sério. – Insistiu emburrado.

– Ah ta, e como você sabe?

– Por que eu odeio pessoas.

– hmm... Então quer apostar quanto que você vai cair de amores pela pessoa que você mais odeia?

– Aposte quanto quiser. Vai perder de qualquer jeito.

–------------- flashback POV do Lavi off --------------------------------------------------------

Me lembrei da ultima missão quando eu estava preso de cabeça pra baixo numa arvore e o Lavi empurrou o Kanda pra cima de mim.

– Hey, então quer dizer que desde aquela época...

– Nah, ali nem você sabia que gostava do Yu e nem ele que era doidinho por você. É só que desde a primeira vez que vi os dois juntos já deu pra sentir o clima entre vocês.

Me deu uma piscadela me deixando mais vermelho ainda. Entendo por que ninguem ficou surpreso quando descobriu que nos estávamos juntos, provavelmente achavam que nos já namorávamos a muito tempo... Tenso isso.

– Poréééém... – Continuou Lavi. – Por ironia do destino talvez, há um tempo atrás eu deixei um bilhete na nossa arvore perguntando se a minha profecia tinha se cumprido, só pra zoar, nunca imaginei que ele fosse mesmo responder.

Ele tirou um papel de dentro de um dos álbuns e me entregou.



Para: Quem mais além da porra louca caolha?

Baka usagi, você é um maldito boca de praga.

Sim, você venceu a filha da puta da aposta, a pessoa é o moyashi.

P.S.: Uma única palavra sobre isso, e eu juro que te arrebento a ponto de seus restos mortais serem suficientes para encher uma caixa de fósforos.


Não consegui não rir lendo o bilhete, eu nunca tinha visto uma declaração tão... Kandástica.

– Você não imagina o quanto eu teria zoado se tivesse descoberto esse bilhete antes, mas quando eu fui achar o Yu você estava algemado nele, então eu deixei quieto.

Ri um pouco imaginando como seria se o Lavi tivesse realmente feito aquilo.

– Vocês pareciam tão próximos... – Sussurrei vendo mais umas fotos. – Não consigo entender, se você disse que não foi só aquilo... O que mais poderia ter acontecido?

Ele suspirou desamarrando o tapa-olho.

– Não olhe diretamente. – Falou e eu apenas assenti com a cabeça. – Foi isso que aconteceu.

Ele abriu seu olho normalmente oculto, revelando uma orbe vermelha, diferentemente da outra, cor de esmeralda, e com a pupila em forma de fenda.

– O que...

– Allen, tem algo que você deveria saber sobre o passado do Yu. – Momecei a falar mas ele gesticulou para que eu esperasse. – E esse algo é: Você não quer saber. Por mais que você pense que quer descobrir, acredite, você não quer. E também é cruel e egoísta fazer o Yu lembrar de tudo aquilo.

– Fala como se soubesse exatamente o que aconteceu... – Observei curioso.

– Eu não sei. Eu vi.

–--------------------- Flashback POV do Lavi on ----------------------------------------

Eu estava animado, afinal esse ano foi especialmente corrido. Quando não estávamos em missão, estávamos na enfermaria e só agora havíamos tido uma folga. E iríamos aproveitá-la .

Como se fosse por sugestão do Kanda, nós teríamos passado o dia treinando, eu resolvi trapacear: Filmes sangrentos.

Siiiiim, se tem uma coisa que faz aquele samurai largar a espada uma tarde inteira é um bom filme de massacre bem violento daqueles onde morre uma pessoa por minuto e de maneira bem dolorosa.

E o engraçado é que ele assiste como se tivesse vendo uma comédia romântica.

É nessas horas que o Yuu-chan me dá medo.

Ajeitei o projetor e me larguei na cama pegando uma tigela de pipoca e sentando ao lado do Yu no colchão com almofadas que a gente tinha colocado no chão.

Meio filme depois eu já tinha desistido das pipocas e me sentia prestes a vomitar enquanto o moreno assistia uma cena em que uma garota era brutalmente torturada com um meio sorriso sádico no rosto.

– Desisto – Murmurei me deitando na cama com um travesseiro na cara.

– Já amarelou usagi? – Perguntou sem nem tirar os olhos do filme.

– Amarelar? Eu me esverdeei, meu estômago ta revirando já. – Resmunguei enjoado.

– Só com isso?

– Boa noite. – Cortei –o ouvindo uma risadinha sacana.

Me virei de costas pra ele como se fosse dormir, mas ao invés disso eu fiquei pensando sobre algumas coisas que andavam me perturbando.

Esse tempo todo o Panda estava acreditando que a minha relação com o Yu tinha apenas a finalidade de conquistar sua confiança para arrancar informações, e que estas, assim que descobertas, seriam lhe informadas para que ele as registrasse. Mas devido ao fato de ele também estar acreditando que o Yu era desmemoriado eu não estava esquentando a cabeça com isso. Mas hoje a tarde eu soube que os dois tinham ido juntos numa missão e quando voltaram o velhote tava estranho comigo.

Droga, será que ele descobriu?

Tirei o tapa-olho e o joguei por cima da mesa de cabeceira me afundando mais no travesseiro.

Aquele olho... Graças a ele , desde que nasci eu me sentia deslocado. Uma aberração sem lugar nesse mundo, onde cada um parece possuir uma função vital e única por menor e mais insignificante que pareça.

Bem isso até um velhinho de cabelo estranho e maquiagem descobrir sobre minha “habilidade” ocular e me mostrar uma função onde aquele meu olho seria muito bem utilizado, até essencial em algumas partes.

E de repente, eu tinha uma utilidade para mim mesmo, não era mais uma aberração e sim uma pessoa que podia se considerar sortuda.

E de repende ... Eu tinha um objetivo a seguir...

... Um motivo para me orgulhar da minha existência.

– Usaaaaagi. – A voz do Yu interrompeu meus pensamentos num tom anormalmente dengoso.

– hn? – Abri os olhos vendo um samurai desmaiando de sono subindo na cama.

– Sai pra lá que eu quero dormir. – Resmungou capotando que nem uma pedra do meu lado.

– Já acabou o filme? – Perguntei alarmado. Quanto tempo eu tinha passado viajando?

– Há séculos. Ainda assisti outro depois. Agora sai.

– Ownnn... Me deixa dormir com você – murmurei fazendo carinha de cão sem dono.

A cama do Yu era tão quentinha e aquele colchão tão frio e solitário...

– Nem fodendo.

– Por quêê yuuu-chann?

– Pra você abusar de mim a noite? Já disse, não.

– Então eu não vou te deixar dormir. – Cantarolei com um sorriso sacana assoprando na orelha do Yu que estava quase dormindo fazendo-o dar um pulo.

– M-M-Malditoo! – Praguejou me puxando para me jogar no colchão do lado da cama, mas antes, eu me segurei nele, fazendo nos dois cairmos no colchão.

Aquela noite tinha tudo para ser apenas uma noite do pijamam normal, onde o Yu ficava morcegando até tarde com aqueles filmes sangrentos e eu ficava fazendo manha pra dormir na sua cama, se não fosse um detalhe, um minúsculo detalhe, que me fez ver tudo que eu queria descobrir; e que, por mais que estivesse curioso, eu não queria de fato ver aquilo.

Havia um motivo para manter sempre aquele olho escondido.

Não sei dizer que maldição jogaram sobre mim quando eu nasci ou qualquer coisa do tipo, mas desde sempre meu olho direito, através do contato direto, foi capaz de vasculhar a memória das pessoas. Não é como se eu lesse pensamentos ou algo assim, era como uma espécie de hipnose, onde a pessoa lembrava todos os momentos mais marcantes da sua vida e eu podia vislumbrá-los como se estivessem refletidos em seus olhos.

E o que eu vi ali me deixou em choque um bocado de tempo.

E por mais que fosse tudo o que eu queria saber, preferia nunca ter visto.

Sentei-me lentamente me sentindo tonto e com uma dor de cabeça terrível reparando que o Yu estava encolhido no canto do quarto.

– Yu eu... – Comecei tentando me explicar, mas ele me interrompeu.

– O Bookman me contou sobre seu olho durante a missão. – Sussurrou com uma voz forçadamente calma – V-Você viu, não foi?

Apenas afirmei com a cabeça. Eu não sabia como minha voz ia sair naquele momento e a cada novo fato que meu cérebro assimilava eu me sentia mais apavorado.

– C-Como você teve coragem? – Perguntei com um fio de voz.

– De quê exatamente?

– DE TUDOO!!! – Gritei realmente nervoso.

Se tudo que eu vi fosse verdade. E era. O Yu era um verdadeiro monstro mas... Era impossível demais acreditar que ele...

– Não tive “coragem”, tive um motivo. – Respondeu friamente sem olhar pra mim.

Mas por um lado... Eu não tinha visto tudo. Eu sabia que o contato visual havia sido quebrado antes que eu visse e também eu não sabia o que ele estava sentindo no momento, não sabia o que tinha o levado a fazer aquilo...

– Se está com medo ou nojo de mim vá embora, é melhor fazer isso logo do que ficar me perguntando essas coisas sem sentido. – Sua voz soava agoniada como se sua garganta estivesse fechando.

Suspirei colocando meus pensamentos no lugar e me levantei.

Não... Não o Yu que eu conheço. Meu Yu não é esse tipo de pessoa. E isso é mais que suficiente.

– Eu prometi que ia te proteger não prometi? Eu posso ser um idiota, mas sou um idiota de palavra. – Respondi bem humorado indo na sua direção.

O Yu estava de uma maneira que eu nunca tinha visto antes, era visível o quanto seu passado mexia com ele normalmente, e revive-lo todo de uma vez havia sido um baque forte o suficiente para deixar o intimidador Yu Kanda encolhido num canto de parede abraçando os próprios joelhos com as mãos tremulas.

– Não precisa seguir com isso se não quiser. – Murmurou com a cabeça enterrada entre os braços.

– Eu mantenho promessas importantes se são para pessoas importantes para mim. – Sussurrei apoiando a mão na sua cabeça fazendo cafuné já que ele tremia como se estivesse em estado de hipotermia.

– Lavi...

– Eu só quero entender... – Puxei-o para um abraço sendo pela primeira vez correspondido enquanto um buscava apoio nos braços do outro.

– Por quê? – Perguntou apoiando o queixo no meu ombro.

– Por que confio em você. – Respondi sentindo-o relaxar e parar de tremer aos poucos.

– Não quer um copo de água? – Perguntei preocupado, finalmente caindo a ficha de que o Yu poderia ter entrado em choque ou algo do tipo.

– Você parece estar precisando mais que eu. – Murmurou de volta.

E o pior é que era verdade.

– Yu.

– hn?

– Você ficaria ofendido se eu dissesse que só de lembrar daquilo me sinto a ponto de colocar o estômago pra fora?

– Tch, desde que não seja em cima de mim pode colocar até o útero.

Apenas lhe lancei um olhar revoltado pela brincadeirinha antes de correr pro banheiro.

*~*~*~*~*~*

Sinceramente, não há nada melhor do que uma biblioteca depois de uma noite mal dormida.

Como dizer... Por um lado eu estava satisfeito por ter passado a noite conversando com o Yu e percebido que ele realmente confiava em mim tanto quanto eu confiava nele. Mas por outro lado, ele tinha que sair de missão pela manhã e eu tinha trabalho na biblioteca. Ou seja, nos ferramos.

Meu cochilo estava muito agradável até que algum desgraçado resolve bater na mesa...

– Filho da... – Comecei, mas para minha sorte, calei a boca a tempo. — Panda?! – Exclamei pulando da cadeira e tirando a cara amassada do livro quando o cotoquinho de gente se sentou a minha frente.

– Lavi, precisamos conversar. – Anunciou sério me encarando com uma cara nada boa.

Vishhhh.... Lá vem....

– Sobre..? – Perguntei me sentando como um ser civilizado.

– Acho que você esqueceu o propósito para o qual estamos aqui, e ainda arrisco dizer que o motivo do seu esquecimento tem nome e sobrenome.

É vey, fu-deu.

– O que diabos esta dizendo?!

– Estou dizendo para arrumar as suas coisas, por que nós vamos embora da ordem na próxima missão.

– O QUÊ?! – Praticamente pulei em cima da mesa ao escutar aquele absurdo – M-Mas você não disse que tínhamos que acompanhar todos os acontecimentos da guerra santa de perto?- Tentei argumentar. Acho que era a primeira vez na minha vida em que eu estava disposto a lutar para permanecer num ligar.

– Não é problema, para isso podemos nos aliar ao Conde do Milênio.

– Enlouqueceu panda?!! Nos não podemos abandonar a ordem pra ficar do lado dos caras que querem acabar com a humanidade! – Protestei revoltado.

– Não era você que me disse que a humanidade só sabe guerrear e persistir sempre no mesmo erro há alguns anos atrás, Junior? – Perguntou me deixando sem palavras. Eu não podia negar que antes de vir pra cá e de passar todos esses anos ao lado do Yu a minha opinião era essa mesmo. — Me pergunto se esse é mesmo o motivo pelo qual você não quer ir embora. – Continuou me encarando sério.

– Tá falando do yu? – Perguntei começando a entender melhor a situação.

– Não me entenda mal Lavi, mas eu te alertei que não deveria se ligar a ninguém. Isso pode comprometer seu dever como bookman. – Respondeu com aquelas palavras que eu já tinha ouvido uma centena de vezes.

– Ah, então era isso? Relaxe, ele é insignificante pra mim. – Menti descaradamente.

– Ás vezes acho que preciso comprar óleo de peroba(*), para a sua cara de pau.

– ããnn? – Ferrou.

– Se ele é tão insignificante quanto diz, por que foi que o senhor andou mentindo pra mim? – Perguntou a ponto de me acertar uma na cara.

– Eu? Menti? – Perguntei me fazendo de desentendido. Morro, mas morro negando.

– Aquele garoto tem todas as memórias perfeitas Júnior, achou mesmo que eu não iria investigar? – Explicou por fim em olhando acusadoramente.

Putamerda... Lascou.

Por um lado eu não posso desistir do Yu assim tão fácil, protegeríamos um ao outro a vida inteira, certo?

Mas por outro, não seriam duas ou três palavras que fariam o bookman mudar de idéia.

– Ah, aquilo? – Ironizei ativando meu modo “bastardo cretino” – Era pra ganhar um pouco de terreno sabe? Você não tem idéia do quanto deu trabalho para o Yu acreditar que eu era mesmo amigo dele. Aquele garoto é muito desconfiado. – Comecei a tagarelar o mais cretinamente possível – Até agora eu não consegui nenhuma informação importante sobre o sexto laboratório ou sobre o projeto, só um monte de nhé nhé nhé sobre como é triste passar a infância num laboratório... Um draminha ridículo. – Senti um no na garganta e os olhos começando a arder. É melhor pausar um pouco.

– Er... Júnior.

– Eu sei o que vai dizer: Eu deveria ter pressionado mais. Porém haja paciência para conviver com aquela criatura. Nunca vi um temperamento tão estúpido e insuportável. Mesmo que isso seja bem divertido de se usar numa brincadeira às vezes.

– Júnior...

– Sinceramente, me arrependo do dia em que aceitei o trabalho de arrancar informações daquele traumatizado metido a rebelde. Mas no fim das contas é só um pobre coitado mesmo.

Já sentiu muito nojo de você mesmo? Pois bem, eu me vomitaria agora se pudesse.

Suspirei mantendo minha pose de “sou frio e calculista” e encarando o Panda que tinha o rosto enterrado na palma da mão.

Meeeeeerda, será que ele não acreditou?

– O que foi? – Perguntei sem me controlar em roer uma unha.

Putamerda, eu não falei isso tudo pra nada, não é?

– Eu não olharia pra trás se fosse você. – Ele murmurou se retirando.

Virei-me lentamente já sentindo um frio na espinha e me deparei com um Yu que me encarava completamente estático.

Preciso dizer o quanto esta tudo fodido nesse momento?

– Mesmo depois de ver tudo a-aquilo você... Você... Esquece. – Começou a falar mas acabou desistindo e se virou para ir embora.

– Yu espera! – Fui atrás dele e o puxei pelo braço, impedindo-o de ir embora, já esperando o pior soco da minha vida que... Simplesmente não veio.

Ao invés disso ele apenas me laçou um olhar que sinceramente me deixou devastado, mas sem palavras ao mesmo tempo.

Um olhar que eu nunca havia visto em alguém antes.

E que era complexo demais para ser definido apenas por palavras vagas como “magoado” ou “irritado”.

– Olha Yu, não é o que você está... – Tentei me explicar mais fui cortado.

– Não me chame pelo primeiro nome. – Falou frio como um geleira.

– Mas...

– Já conseguiu o que queria não é mesmo? – Continuou, me ignorando – Então saia do meu caminho, eu existo para matar akumas e não para divertimento pessoal. – Ele se desvencilhou da minha mão e saiu sem olhar pra trás.

A cada segundo em que eu assistia ele se afastar sentia mais ódio de mim mesmo.

E pela primeira vez, eu realmente me senti sozinho nesse mundo.

Essa sensação fria, angustiante e miserável... É isso que chamam de solidão, não é?

–-------------------- Flashback POV do Lavi off -----------------------------------------------

– Eu deveria te dar um soco, sabia? – Comentei vendo-o encarar o chão com uma expressão vazia e o olhar sem brilho. – Você teve dois anos para esclarecer isso, e por que não fez nada?

– Foi melhor assim. Era a única maneira de permanecer aqui.

– Mas você não queria ficar por causa do Kanda? – Perguntei sem entender.

– Sim.

– E de que adiantou?

– Se eu fosse embora nunca mais nos veríamos.

Ok... Eu já vi ser cego, mas isso é muita sacanagem...

– I-DI-O-TA! – Peguei um dos livros de cima da cama e batendo na sua testa despertando-o do transe apático. – Vocês não tinham prometido proteger um ao outro?! Acha mesmo que só porque você mudou de lugar o Kanda iria desistir de você? Por Deus! Você conviveu com aquele cabeça dura três anos ou três meses? – Praticamente gritei, vendo-o me encarar pasmo.

– M-Mas...

Bati a palma da mão na testa.

– Sinceramente, vocês são dois tapados. – Comentei suspirando pesadamente.

– Talvez você tenha razão... – Murmurou dando um riso fraco para então continuar — Só pra você ter um idéia, a gente só voltou a se “falar”, por assim dizer, um ano depois. E tudo por causa de uma idéia maluca que eu tive.

– Como assim? – Perguntei sem saber se ficava apreensivo ou curioso.

– O Komui acabou mandando a gente na mesma missão pra ver se acabava com todo aquele clima pesado que tinha ficado entre nós. Desnecessário dizer que ele agiu a missão inteira como se eu não existisse. Então eu, já cansado de tanto levar gelo, acabei tomando umas e comecei a encher o saco do Yu de todas as formas possíveis.

Tenho um mal pressentimento...

– O que você fez pelo amor de Deus? – Perguntei com medo de imaginar.

– Como o Sr.geleira foi embora na frente para o hotel, arrastei um cara que eu conhecia já de outras missões e que tinha uma mega queda pelo Yu até o quarto dele, dizendo que o moreno era louco pra ter uma noite de sexo selvagem com ele e tranquei os dois lá dentro.

O encarei de queixo caído por alguns instantes. Sério, como o Lavi ainda está vivo?

– E o Kanda?

– Jogou o cara pela janela, arrombou a porta e me nocauteou com uma cadeirada. – Respondeu fazendo um careta, provavelmente se lembrando da dor .

– Desculpe o comentário, mas você mereceu.

– E quem disse que foi só isso?

Oh... God.

– E tem como piorar?

– Eu acordei pelado numa caixa de madeira.

– Quêêê???!

– Na Sibéria.

Pu...

Eu sei que não deveria mas...

– HAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... – Comecei a rir que nem um doido histérico até que ouvi umas batidas na portas.

– Isso ai. Vai rindo por que não foi você que saiu no meio de uma nevasca só com uma folhinha no corpo. – Resmungou Lavi emburrado enquanto eu me levantava pra atender a porta.

Eu poderia facilmente dizer que pelo horário (bem tarde da noite) eu até já esperava que fosse aquela pessoa.

Mas não daquele jeito.

Lá estava Cross Marian vestido de médico, com o cabelo preso num rabo de cavalo e com uma maleta preta na mão.

– Tá de brincadeira né? – Murmurei embabascado dando espaço para o general entrar no cômodo.

– Exatamente! Já brincou de médico Allen? – Sussurrou excessivamente próximo.

– N-N-N-Não. – Respondi engolindo em seco.

– Sabe, eu vim pra “cuidar” do meu coelhinho. Maaas... Se você for um bom garoto eu te deixo ser meu enfermeiro pessoal... – Continuou se aproximando mais e mais à medida que eu recuava.

– Boa noite Lavi! – Me despedi rapidamente e fugi dali antes que o senhor “médico” quisesse me fazer uma “operação”.

Notas finais
(*) - oleo usado para lubrificar madeira
Vamos aos comentários,
Nesse cap eu meio que quis enfatizar o lado mais sentimental do Lavi o lado mais dócil do Kanda, e também meio que explicar como a relação dos dois acabou assim. Mas veja bem, ainda vai rolar um mano a mano desses dois ( o Allen não seria o Allen se não tentasse resolver essa história não é?). Então se preparem que o Yu e o Usagi ainda vão lavar mmuita roupa suja e saberemos um pouco mais sobre as motivações de cada um.
Eu sei o Bookman ficou meio malvado, mas olha, ele só disse para o Lavi não se ligar a ninguem, e não que ele tinha que magoar a pessoa...
E o que acharam sobre o mistério do tapa-olho do Lavi?
Enfim, quero opiniões!
Indo postar o extra.
KISSU~