The Secret Behind Your Eyes
28 Um conto de muito tempo atrás...
Notas iniciais
Hoje como eu já enchi demais o saco de vocês nem vou falar mais nada.
Deixarei que o cap fale por si só... (UI..)
Mas para não deixar ninguem confuso, o capítulo está na POV do Allen, mas os flashbacks na POV do Lavi (que também estão em itálico).
~Aproveitem!
Depois de fazer alguns curativos no Lavi, que mal se aguentava em pé e ainda se recusava a ir a enfermaria, nos estávamos em seu quarto e eu o ajudava a pegar uns livros na estante. Eram álbuns de fotos.
Nos jogamos na cama junto com a pilha de livros e ele suspirou pesadamente pegando o primeiro .
– Vamos começar a desenterrar o “Dossiê Yu Kanda”, preparado?
Olhei para ele com cara de “o que é que você acha?”, fazendo-o sorrir sacana.
– Hmm... Vejamos... Então vamos começar aos 13 anos... – Falou abrindo um dos álbuns e passando umas páginas.
– Essa... Foi nossa primeira missão juntos. Quando tudo começou.
–--------------- Flashback POV do Lavi on -----------------------------
Havia um mês que eu havia o conhecido, e acho que nunca cheguei tão perto de morrer tantas vezes em tão pouco tempo. Que criaturinha enfezada... Mas ok, ele era tão fofo que dava pra perdoar.
“Lembre-se Junior, ele é seu trabalho, trate-o como tal.”
As palavra cruéis, porém verdadeiras, do Panda, ditas minutos antes de eu sair da base da ordem, soaram na minha mente.
Há dois meses, o velhote havia me designado uma missão, que por mais que eu não concordasse totalmente, era necessária. Eu tinha que arrancar toda e qualquer informação sobre o lado obscuro dessa organização chamada Ordem Negra e sobre o projeto Segundo Exorcista do garoto a minha frente que havia sido, não só resultado do projeto, mas o único sobrevivente da trajédia do sexto laboratório que havia sido a sede da pesquisa.
O problema era que eu precisava conquistar sua confiança primeiro, e isso parecia impossível.
– Yu... Você tá bem? – Perguntei achando estranho o jeito como ele olhava os flocos de neve cairem na sua mão.
– Já disse pra não me chamar assim. – Reclamou automaticamente sem me dar atenção, ainda cutucando um dos floquinhos como se esperasse que ele se mexesse.
– Gosta de neve? Podemos fazer um boneco se quiser. – Sugeri me sentando ao seu lado e ele me olhou com a cara mais surpresa que já o vi fazendo.
– É possível fazer um boneco usando isso? – Perguntou confuso observando um floco na ponta do dedo.
Como alguem consegue ser tão comestível e adorável ao mesmo tempo?
– Não sabia? – Perguntei tentando me aproximar para tirar a neve do seu cabelo (que ele tinha deixado solto por causa do frio) mas ele se afastou.
– Nem sabia que isso era neve. – Respondeu (milagre!) com um sorrisinho quase inexistente, pegando um punhado de neve e fazendo um bolinha bem compacta, a ponto de ficar dura que nem gelo, ainda admirado com as propriedades do material, e... A atirou na minha cara.
– Acabei de achar uma serventia pra ela. – Comentou sério já com outra bolinha na mão.
– DROGA YU! Você congelou meu cerébro! – Reclamei tirando a neve do cabelo e tentando descongelar meu rosto.
– Sério? E desde quando você tem um?
Ok, retiro o que eu disse sobre ele ser adorável.
Peguei um punhado de neve, sem me preocupar em modelar o projétil, e atirei contra ele deixando-o povilhado.
– Vingança! – Sai correndo antes que ele me matasse, mas levei um tiro certeiro na cabeça que me derrubou de cara na neve.
– CARALHO ISSO DOI! – Reclamei me levantando, só que antes que eu conseguisse , senti seu corpo sobre o meu.
Assim já é tortura...
– Fica abaixado! – Mal sua voz soou no ambiente e um som alto de tiros foi ouvido assustadoramente próximo.
Akumas?!
Assim que o barulho de rajadas deu uma pausa, eu me levantei rapidamente debaixo do Yu já ativando minha inocência e acabando com o grupo de akumas a nosssa frente, enquanto ele acabava com o grupo de trás.
O que, por mais impossível que pareça, não aconteceu.
Me virei para trás vendo que ainda havia metade dos akumas da linha traseira e estranhando o fato que de o Yu estava somente parado ao invés de atacando.
Que porra foi essa? Fui obsorvido para uma dimensão reversa?(*)
Destrui todos os akumas restantes e depois me virei para o Yu pra perguntar o que tinha acontecido e foi ai que eu percebi a poça de sangue ao seus pés e o buraco nas suas costas.
– Yu? – Chamei-o desesperado vendo ele tentar se virar e acabar caindo de frente, mas por sorte consegui correr e segurá-lo bem a tempo de impedir que ele desse de cara no chão.
– YU? YU!! Ei cara! Fala comigo! – Gritei quase chorando.
– N-Não me chame... Pelo... Primeiro nome... Baka. – Sussurrou com a voz fraca antes de perder a consciência.
–------------------- Flashback POV do Lavi Off --------------------------------------
O ruivo suspirou olhando pro nada e continuou.
– Na hora que ele me jogou no chão, ele tomou os tiros no meu lugar e...
– Espera um segundo – Interrompi com a foto na mão – E como foi que vocês acabaram assim? – perguntei totalmente pasmo.
Até por que, na foto o Lavi estava vestido igual a uma dançarina de can can, segurando um leque e com penas no cabelo; e o Kanda estava com uma maquiagem forte, o cabelo desgrenhado, calça rasgada e um colar de espinhos no pescoço.
Sério que esses dois eram assim aos treze anos?
Sinceramente, se eu não tivesse tão surpreso teria desmontado de rir. Ou achado trágico o fato de que não é de hoje que a juventude esta perdida.
– Você não me deixa explicar! Enfim, continuando...
–---------------------- Flashback POV do Lavi on ----------------------------------------
Depois de muito desespero, eu havia conseguido trazer o Yu para uma caverna próxima e dar um jeito no seu ferimento que fechava assustadoramente rápido.
Ok, o Panda havia me informado sobre isso, mas mesmo que eu soubesse que ele ia ficar bem, nada me impedia de ficar louco de preocupação.
Pus mais uma coberta sobre seu corpo febril e o puxei para deitar a cabeça no meu colo enquanto mexia no seu cabelo. Mal se passaram alguns minutos e ouvi um familiar som de espada sendo desembainhada.
– Eu me soltaria nesse exato momento se fosse você. – Sua “doce e delicada” voz soou baixa, porem constante e eu pulei em cima dele emocionado.
– YU! Você ta de voltaaaaaaa!
– Arrrgh! Mandei me soltar idiota! – Ele reclamou se debatendo e eu o abracei mais forte ainda.
– Eu quase morri de preocupação, sabia? – Ralhei soltando-o e o deixando respirar um pouco.
– Por quê? – Perguntou me olhando com uma carinha confusa. Que fofo.
Pensamentos pervertidos, por favor, não venham...
Não agora.
– Por que o quê?
– Por que se preocupa comigo? – Perguntou de novo desviando o olhar.
– Por que é isso que os amigos fazem. Dãã. – Respondi me aproximando pra bagunçar seu cabelo, mas ele desviou me fazendo cair de cara no chão.
– Você não é meu amigo, então também não me considere como tal. — Respondeu se levantando apoiado na parede.
Ownnn.... O Yu-chan é tão frio....
– Então por que me salvou naquela hora? – Perguntei o encarando e ele virou o rosto para o lado corando quase imperceptivelmente.
Autocontrole me socorra, ou juro que vou fazer uma grande besteira se essa criatura continuar agindo assim...
– Não haja como se eu tivesse dado minha vida por você, eu sabia que ia me curar. – Respondeu emburrado. E foi ai que eu descobri uma coisa sobre o Yu, ele definitivamete não sabe mentir.
– Mas você poderia apenas ter me deixado morrer, não poderia? – Perguntei desafiadoramente enquanto ele vestia o casaco da ordem.
– É poderia. – Respondeu com um meio sorriso que eu nunca havia visto – Porém admito que alguém louco o suficiente para passar um mês na minha cola e ainda jogar neve na minha cara sem estar procurando uma morte lenta de dolorosa merece o devido respeito.
– Yu... – Sussurrei com um sorriso que mal cabia no rosto.
Então... Poderíamos ser amigos?
– Hey baka usagi, vai passar a noite ai ou esqueceu que temos uma missão pra completar? –Gritou já saindo da caverna.
– Já vai! – Corri ate ele pulando nos seus ombros e por pouco não levando uma cotovelada certeira no estômago.
– Alguma idéia de onde procurar os akumas que fugiram? – Perguntei caminhando ao seu lado.
– Tch, não seja estúpido. É muito mais fácil eles acharem a gente. – Murmurou colocando o cachecol – Onde eu encontro álcool nessa porra? – Resmungou irritado.
– Álcool?
– É, aquele troço que você bebe e fica com a cabeça leve.
Olhei pra ele surpreso sem saber se ria ou se ficava impressionado.
– Yu! Quantos anos você tem pelo amor de Deus?
– Mentalmente, fisicamente ou cronologicamente? – Perguntou monotonamente.
De fato... Eu havia esquecido que o nascimento do Yu não foi, digamos assim, normal.
– Er... Esquece. – Respondi enquanto entravamos na cidade e o Yu dava uma conferida em busca de akumas e do seu “álcool”.
– Olha, ali deve ter. – Ele apontou em direção a um...
Oh god, ele não vai mesmo lá né? Ou vai?
– Yu-chan, você sabe que lugar é aquele?
– Um bordel. – Respondeu normalmente.
Hm... Tem algo errado ai.
– E você sabe o que se faz num bordel...? – Perguntei olhando-o de canto.
Ainda bem que ninguém poderia ler minha mente agora...
Ele pôs o dedo indicador sobre os lábios franzindo as sobrancelhas e fazendo uma expressão pensativa.
Tão kawaii... Isso com chocolate deve ser...
Ok, Lavi, controle-se.
– hm... Não tenho nem idéia. Nem me importo.
É nessas horas que eu percebo que inocência ainda existe...
Entramos no estabelecimento como se fosse a coisa mais normal do mundo dois garotos de treze anos freqüentarem aquele lugar... Mas de qualquer maneira, acho que os ali presentes estavam “ocupados” demais para reparar nesse detalhe.
Agora eu entendia como o Yu não percebia o que se desenrolava no recinto, ele apenas andava diretamente em direção ao balcão ignorando tudo a sua volta, todos os chamados, os assobios, as propostas pervertidas e os olhares de desejo que lhe eram direcionados, parecendo muito mais preocupado em tirar a neve de dentro das unhas do que em esbarrar em alguém no caminho (o que por milagre não aconteceu com ele, por que eu fui atropelado umas cem vezes).
– Uma dose de whisky – “Pediu” sentando no balcão, ainda se livrando da neve, sem nem ao menos se importar em olhar para a cara do barman.
Assim, o Yu nem é arrogante...
– Olha aqui garoto... – O cara que aparentava ter uns trinta anos começou a protestar, mas calou a boca na hora em que o Yu colocou a mugen em cima do balcão com a mão ligeiramente pousada no cabo da espada.
– Dupla. – Completou finalmente encarando o homem com uma expressão nada simpática.
Não demorou muito para o cara, com um certo receio, servir a dose dupla que ele tinha pedido e depois sumir para a ponta mais distante de onde nos estávamos.
– Nunca imaginei que você bebia assim... – Observei pasmo vendo-o acabar rapidamente com a bebida e pedir uma garrafa logo em seguida.
– É útil pra melhorar a dor de um ferimento e também whisky tem um gosto bom – Respondeu simplesmente servindo-se outra dose.
– hm, me deixe testar seu argumento – Me servi também uma dose e virei tudo de uma vez sentindo um calor no estômago que era mais do que bem vindo naquele frio.
– Acho que vou querer mais uma. – Murmurei surpreso descobrindo meu lado alcoólatra.
– Tch, manda a ver. Estamos aqui pra isso...
Duas garrafas depois, estávamos jogados em um sofá vermelho redondo sendo mimados por várias garotas bonitas que ficavam nos abraçando, apertando nossas bochechas, nos dando colinho, fazendo cafuné e nos chamando de fofos constantemente.
Oh paraíso... Você é real.
O Yu tava tão manso que parecia ate ter adotado uma personalidade oposta enquanto recebia cerejas na boquinha.
Ui, muito sexy...
Ah, e isso sem mencionar a “transformação” que as meninas realizaram no moreno quando chegaram a conclusão de que sua beleza natural não estava sendo devidamente aproveitada.
Na boa, o Yu sempre foi bonito, mas dessa vez meu queixo foi pro chão.
Mais uma garrafa depois, consegui fazer o yu concordar em ser meu uke quando a gente voltasse pra ordem (detalhe: só não tive a cabeça decepada por que ele não sabe o que é isso), e depois ainda arrasamos no karaokê com ele cantando “The good life” do Three Days Grace e eu mandando a ver nos solos de guitarra.
A medida que o tempo passava eu sentia meu corpo cada vez mais dormente até que uma explosão ao fundo me fez recobrar parte dos sentidos.
Akumas?
Olhei para o Yu e o vi comendo distraidamente uma rosa vermelha.
Serio isso?
– hm... Tem gosto de sobá.
É parceiro, estamos fodidos.
– Por Deus Yu, quanto você bebeu?
Ele apenas se deitou sensualmente para trás e começou a comer outra rosa enquanto apontava para uma pilha de garrafas.
– Cacete...
Ok, retiro o que disse.
Nos estamos MUITO fodidos cara.
– Yu estamos sendo atacados!
Gritei subindo em cima dele e o chacoalhando.
E haja autocontrole para SÓ chacoalhá-lo naquela posição...
– hm...? De onde?
– Por trás! Eles vão foder com a gente! Corre!
Me levantei indo em direção a porta dos fundos do bordel e ele ficou me encarando vermelho que nem um morango e com uma pétala escarlate esquecida entre os lábios.
– S-S-S-Seu pervertido! – Exclamou revoltado.
Putamerda, quem diria que uma criatura tão inocente teria uma mente tão poluída.
– Yu, você entendeu errado.
– O que as palavras “fodeu” e “por trás” parecem pra você?
Oh god... Então ele fica pervo quando bebe?
Bom saber...
– E eu sou pervertido? – Cruzei os braços e lhe mandei um sorriso safado.
– Oe, não pense que... – O interrompi colocando um dedo sobre seus lábios.
– Me diga o que eu pensei então... – Aproximei meu rosto perigosamente do seu vendo-o ficar mais corado ainda.
– Usagi... – Ele sussurrou baixinho me deixando arrepiado com sua respiração contra meus lábios. Uma de suas mãos subia vagarosamente pelo meu pescoço deixando um rastro quente por onde passava.
– Sim...? – Me aproximei mais e quando estava prestes a provar aqueles lábios tentadores...
PRAFT!
... O Yu me dá um tapa que me fez cair de boca no chão.
– Isso foi pra ver se seus neurônios se ajeitam e você para de ser tarado! – Exclamou pegando a mugen e indo em direção aos akumas.
Lembrei do modo como ele sussurrou meu apelido e ainda mais subindo a mão pela minha nuca...
–E_Espera ai, Yu... Você fez de propósito? – Perguntei pasmo.
– Eu? Eu fiz o que? – Questionou com um sorriso de canto antes de desembainhar a espada e sair.
– Fui seduzido... Pelo Yu? – Puta que pariu que esse mundo dá voltas...
Esse garoto precisa beber mais vezes, isso é fato.
Peguei meu martelo e corri atrás dele, já acertando um nível um logo que sai enquanto o Yu se vingava do nível dois que tinha atirado na gente no começo da missão.
Deu peninha do akuma cara...
Nunca pensei que um garotinho de treze anos pudesse ser tão psicopata.
Mas por um lado, o Yu ainda tava muito bêbado, e mesmo conseguindo atacar com eficiência todos os akumas que apareciam na sua frente, ele não estava defendendo nenhum golpe. Se não tinha sido atingido ainda fora por pura sorte.
E como é só você pensar nela que a desgraça aparece, olhei para o lado e vi um akuma com a mira perfeita na sua direção.
Agora a porra ficou séria.
Sem pensar duas vezes, corri na direção do Yu me jogando por cima dele, derrubando nós dois no chão bem a tempo de desviar da bala.
– Kaichu Ichigen! – Ele atacou uma última vez destruindo os akumas restantes.
– Yu, você tá b...
– Você é idiota ou o quê usagi? – Berrou parecendo irritado.
– Mas se aquilo te acertasse você ia...
– Idiota, eu sou imune a sangue de akuma! Que porra é? Parou com a safadeza e começou com a burrice agora?
– Eu não pensei, só... Agi. – Tentei me explicar e ele me levantou pela gola da camisa.
– Pois da próxima vez pense, por que se aquele projétil tivesse te acertado, você seria um montinho de pó agora. Entendeu baka? – Falou com a mandíbula trincada para depois me soltar, me deixando de pé.
– Yuu-chan... É impressão minha ou você está preocupado comigo? – Perguntei vendo-o arregalar os olhos e virar a cara. Provavelmente pra disfarçar o quanto tinha corado ao ouvir aquilo. O que só comprovava que era verdade.
–D-de onde tirou essa idiotice? – Murmurou emburrado.
– Por que é isso que os amigos fazem, não é?
Eu sei, para qualquer observador isso iria parecer um golpe baixo.
Afinal, levando em consideração as circunstancias que me trouxeram até aqui, eu estava manipulando o emocional de uma pessoa bêbada e mentalmente instável, mas por outro lado...
Eu não podia dizer que o que eu lhe falei era mentira...
Qualquer coisa, eu iria apenas dizer ao bookman que eu havia pulado na frente do Yu somente por que seria conveniente para que o moreno começasse a confiar em mim.
Pelo menos pra mim mesmo eu podia admitir...
– Tch. Talvez você tenha um pouco de razão... – Respondeu minha pergunta passando meu braço pelso seus ombros e me ajudando a caminhar de volta para o estabelecimento (eu estava zonzo demais pra ficar de pé) sem se esquivar do meu toque pela primeira vez.
Que o Yu fora meu primeiro amigo.
Notas finais
Espero que tenham gostado, mas é no próximo cap que a parte tensa da história desses dois vai rolar... Então o cap será maior e com momentos mais tensos.
E então? Reviews? *O.O*
# Indo digitar o próximo!
Ja ne~
kiss
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