The Secret Behind Your Eyes
45 Lágrimas no escuro.
Notas iniciais
Estávamos sentados na beira de um lago que ficava no final do bosque, um tanto distante do que sobrou do convento. Era de senso comum que não podíamos voltar para a Ordem naquele momento, não comigo andando torto, Lavi mancando e Kanda com uma aura psicótica que assustou até os bichinhos do bosque. Como a outra equipe já tinha saído, nós só tínhamos mais um dia pra voltar, no caso hoje ou amanhã bem cedinho.
Eu e Kanda estávamos deitados de bobeira na areia da beira do lado, eu até arriscaria dormir em algum dos quartos do convento, mas sabe como é, para não passar a noite ouvindo coisas (vale lembrar que Cross e Lavi não são nada silenciosos e que o lugar estava deserto e tinha eco) nós decidimos acampar aqui.
Haviamos passado um tempo nadando no lago, e agora nos esquentávamos perto da fogueira, seus braços me abraçavam daquela maneira possessiva e protetora que eu simplesmente amava, e sua respiração lenta no meu pescoço me acalmava e me inquietava ao mesmo tempo.
– Vai ser tão ruim assim amanhã com o inspetor cretino? – Dei voz ao que estava me incomodando há algum tempo.
– Tenho um péssimo pressentimento. – Murmurou com o rosto escondido no meu pescoço, colando mais seu peito nas minhas costas. – Mas eu não pretendo fugir disso.
Ri internamente. Era tão a cara dele dizer uma coisa dessas...
– Sabe, o Lavi me contou que as vezes ele mandava você fazer alguns trabalhos... – Comecei me virando de frente para si. – Ele não me contou do que se tratava, disse que você deveria me contar quando achasse que era certo. – Falei brincando com uma mecha do seu cabelo, não queria encará-lo, temia que ele pensasse que eu o estava pressionando ou algo assim.
– Você precisa mesmo saber do que se tratava? – Indagou em um tom contrariado, mas calmo. Um tom de quem, mesmo não gostando da pergunta, responderia.
– Eu preciso mesmo saber por que você deixa ele fazer isso com você. – Respondi dando voz a minha duvida mais urgente, e a que não saia da minha cabeça desde que eu tinha ouvido aquela historia pela primeira vez.
– Tch. Eu não deixo porra nenhuma, é só que... Eu tenho alguém me esperando. — Concluiu em um tom que fez meu coração apertar. — Alguém que eu não posso decepcionar outra vez. — Sussurrou mais para si mesmo do que pra mim.
– É "aquela pessoa" de quem você fala? — Indaguei com medo da resposta.
Mana uma vez me disse que o ser humano tende a temer o desconhecido, e era exatamente isso que o passado de Kanda era pra mim, completamente desconhecido.
– E eu falo dela? — Murmurou confuso.
– Ás vezes, e nem percebe. Como na missão de Mattel. — Respondi virando de frente para si, para olhar nos seus olhos.- Sempre que está em um momento crítico, seus olhos ficam distantes, e eu sei que é nela que está pensando...
Ele continuou olhando pra mim com cara de paisagem, até que do nada, o canto esquerdo dos seus lábios subiu em um meio sorriso sacana.
– Isso foi ciúmes, Moyashi? – Indagou com um olhar que fez meu rosto esquentar de imediato.
Como a conversa foi acabar assim?! Me diz?
– Q-Quê?? Não... Não mude de assunto! – Protestei saindo do seu abraço antes que acabasse mais desconcertado do que já estava.
– Você fica tão comestível com essa cara... – Sussurrou vindo pra cima de mim.
– C-Como você diz uma coisa dessas?! Hey, tira a mão da minha perna seu pervertido! Kanda! Sai de cima de mim! – Protestei me debatendo enquanto já sentia o chão novamente contra as minhas costas e o seu corpo quente cobrindo o meu... Era tão tentador que...
Pelo amor, Allen! Você não quer acabar de muletas que nem o Lavi, quer?!
– E se eu não quiser sair...? – Sussurrou no meu ouvido, passando a língua lentamente pela minha orelha logo em seguida.
Esse maldito joga sujo.
– Vai apanhar! Eu vou arrancar seu cabelo! Agora sa... Nh... P-Para com isso... – Tentei protestar socando suas costas, mas ele continuou marcando meu pescoço, descendo pela minha clavícula daquele jeito... Daquele jeito que... O que eu estava pensando antes, mesmo?
– Não posso parar com você gemendo desse jeito... – Falou com a boca colada na minha orelha, me fazendo sentir na pele as vibrações que a voz grave emitia.
Ah, então é assim?
Desistindo de protestar por enquanto, puxei-o mais para cima de mim, encaixando minha coxa no meio das suas pernas, fazendo sua respiração descompassar completamente.
– Quem está gemendo aqui, BaKanda? – Sussurrei de volta com um sorriso malicioso.
– Que Moyashi abusado... – Sua voz sempre ficava mais rouca nesses momentos, o que fazia um calafrio de excitação percorrer o meu corpo.
Seus lábios subiram calmamente pelo meu pescoço, percorrendo meu maxilar carinhosamente enquanto suas mãos subiam por baixo da minha camisa, segurando minha cintura com força e possessividade, me puxando para mais perto logo que seus lábios tocaram os meus, iniciando um beijo intenso e selvagem que me tirava completamente do ar.
Isso era tão delicioso e estranho ao mesmo tempo... Nunca imaginei que fosse sentir essa necessidade tão desesperada de ter alguém mais perto, extremamente perto, tão perto que as roupas incomodavam. Qualquer mínimo toque, eu já desejava ardentemente sentir sua pela na minha, seu coração batendo contra o meu, seus lábios nos meus, nossos corpos unidos como um só.
Eu não entendia como tinha ficado tão insano daquele jeito, mas por um lado, eu não precisava entender. Para quê ficar pensando nos "porquês" quando podia estar fazendo coisas bem mais interessantes?
Minhas mãos desceram até a sua camisa, que já tinha os primeiros botões abertos, e eu puxei com tudo, estourando todos os botões, e podendo finalmente percorrer minha mãos pelo peito e abdômen, sentindo sua pele arrepiar e todos aqueles músculos esculpidos por anos de treinamento duro se contraírem ao meu toque.
– Quanto desespero Moyashi... – Murmurou ofegante, quebrando o beijo enlouquecedor por um segundo, o que me lembrou também que eu precisava respirar.
– C-Culpa sua... – Respondi sem um pingo de fôlego, o que só piorou quando ele começou a abrir minha camisa com os dentes.
Se tinha uma coisa que Kanda fazia com perfeição, era me tirar do serio. Seja me irritando ou me excitando, ele tinha o dom de me fazer perder totalmente o controle das minhas ações. Eu ainda queria ter uma conversa descente com ele (conversa que ele vinha adiando há um bom tempo...) mas nem se eu juntasse toda a minha força de vontade, eu conseguiria agora.
Joguei a cabeça pra trás, afundando meu cabelo no chão de terra, não conseguindo segurar os sons que fugia pela minha garganta quando seus lábios tocaram meu abdômen, subindo devagar, ora apenas encostando na minha pele que parecia assustadoramente em brasa, e outras vezes me mordendo sem força, só para me arrepiar mais.
– K-Kanda... – Implorei puxando-o pelo cabelo, queria-o mais perto, me tocando mais, mais intensamente.
Ele continuou deslizando os lábios pelo meu torax, beijando carinhosamente alguns hematomas ainda recorrentes da nossa briga, até alcançar um de meus mamilos. Quase morri com o olhar que ele me lançou antes de abocanhá-lo, passando a língua em torno daquela região sensível e me fazendo arquear as costas involuntariamente.
Por todos os deuses, como alguém conseguia ser tão bom com a boca?!
Senti suas mãos subindo pelas minhas coxas e alcançando a barra da minha calça, puxando-a devagar e fazendo questão de tocar cada centímetro das minhas pernas no processo, arranhado deliciosamente o interior da minha coxa, me arrepiando. Minha pele estava tão quente que fazia suas mãos parecerem geladas, mesmo que seu toque fizesse exatamente o inverso de me esfriar.
– Y-Yuu... Nh... – Mordi meu lábio quando senti uma de suas mãos alcançar meu membro e a outra apertar meu traseiro com gosto, me puxando para mais perto do seu corpo que chamava pelo meu.
Puxei-o para mim, atacando seu pescoço com toda a sede que eu tinha, sugando sua pele com força, fazendo-o suspirar pesadamente, sua respiração quente parecendo derreter minha pele já em chamas. Desci uma das minhas mãos pelo seu corpo enquanto mordicava sua orelha, e que corpo... Minha nossa, não dava vontade de parar de jeito nenhum, queria tocá-lo por completo, e não apenas com as minhas mãos.
Seus lábios voltaram aos meus em mais um beijo de tirar o fôlego... Como ficamos tão desesperados assim em tão pouco tempo?! Eu até poderia pensar em alguma explicação estúpida envolvendo a nossa idade e hormônios, mas só de olhar no fundo daqueles olhos assustadoramente profundos eu poderia ver claramente o motivo.
Estávamos assim por éramos Allen e Kanda. Simplesmente.
Eu não pensava direito perto dele, e ele, bom, ele não pensava direito hora nenhuma, mas, eu podia sentir no modo como me olhava que me tocar também fazia o sangue correr mais rápido nas suas veias. Ele me tirava a razão e eu o enlouquecia, éramos como fogo e gasolina, nos odiando ou nos amando, não conseguia imaginar eu e Kanda juntos sem nenhuma explosão acontecendo.
– Eu quero fazer algo com você... – Sussurrou contra meus lábios, lambendo-os como se fosse um gatinho manso.
Pedindo desse jeito... Eu topava até ficar de cabeça pra baixo!
Acenei com a cabeça, me desfazendo do resto da sua camisa e vendo-o se afastar. Seu rosto estava completamente corado e eu até arriscaria dizer que ele estava um tanto embaraçado se não fosse a forma como me olhava...
Se olhar arrancasse pedaço eu não teria mais nem meus ossinhos pra contar a história.
– Da ultima vez que eu fiz isso... –Falava enquanto lambia o interior da minha coxa, me deixando totalmente exposto ao seu olhar, de uma forma que me enlouquecia e me deixava sem jeito. – Você estava desacordado, então não pude ver seus olhos naquela hora...
Lembrei de quando ele e Lavi haviam praticamente destruído o refeitório e depois Kanda tinha ficado distante comigo... Sim, naquela noite que eu acordei cheio de marcas estranhas e depois descobri que ele tinha abusado de mim, me recordo que ele iria me mostrar o que tinha feito, mas fomos interrompidos naquela altura...
– O q-que vai fa... Ahhh! Mas o q... Nhmmm, Yuu... Nh... – Para minha completa surpresa, ele tomou meu membro em uma das mãos e o lambeu despudoradamente, quase me fazendo chegar ao meu máximo só com aquela visão de tirar o fôlego.
E como se não bastasse, mal me recuperei do ataque a minha quase inexistente sanidade e ele resolveu colocar toda a ponta na boca, chupando vagarosamente, fazendo minha garganta reclamar de tão alto que eu gemi.
Eu não podia acreditar que Kanda estava fazendo... Er... Aquilo. Na verdade, eu nem sabia que aquilo era possível, quer dizer... Não imaginava que se podia usar a boca para tal coisa, mas... Era tão incrivelmente delicioso.
Suas mãos apertavam minhas coxas, marcando-as deliciosamente, e sua língua se esfregava no meu membro me tirando por completo a capacidade de pensar de forma coerente, que só piorou quando ele resolveu ir mais... Fundo.
Por todos os deuses e os demônios também... Como alguém era tão enlouquecedoramente bom com a boca desse jeito?!
Era com certeza uma das coisas mais intensas que já senti na vida. Ele começou a mover a cabeça em movimentos de sobe e desce que faziam calafrios deliciosos subirem pela minha espinha e meus dedos dos pés se torcerem do mais insano e puro prazer. E observar seu rosto vermelho e seu olhar selvagem e necessitado que não se desviava do meu nenhum segundo só me deixava mais louco, tanto que eu só conseguia pensar que realmente morreria de tão bom que aquilo era.
Seus ombros e sua nuca já estavam completamente vermelhos e até um tanto ensanguentados de tanto que eu arranhava. Meu corpo vibrava e se torcia de prazer embaixo das suas mãos e lábios.
– M-Mais... Yuu... Por... F-Fav... or... Eu... – Não me importava mais de gemer, ou até mesmo gritar. Era impossível me controlar quando estava tão na margem do penhasco da loucura.
Senti um dedo se juntando ao meu membro na boca de Kanda, e de certa forma isso só me deixou ainda mais... Oh nossa...
Mordi uma das minhas mãos com força, tentando manter pelo menos um pouco a minha noção da realidade.
Seu dedo deslizou pelo meio das minhas pernas, tocando em lugares que nunca imaginei que fossem me enlouquecer tanto, fazendo eu me contorcer no chão de terra, e gemer alto quando seu dedo alcançou minha entrada, invadindo-a lentamente. Na medida em que eu ia me acostumando, mais dedos se juntavam àquele, e mesmo me incomodando um pouco no começo, só me dava um prazer ainda maior.
N-Não conseguia suportar mais... Meu corpo queimava de um prazer insuportável. Eu queria mais, mais loucura, mais de Kanda, queria que ele viesse bem forte dentro de mim, queria realmente me entregar a ele até não poder me levantar amanhã, queria que essa noite durasse pra sempre, queria...
– E-Eu... V... Nhm... Yuu...! — Gemi alto, me desfazendo em sua boca, mas ele não reclamou, muito pelo contrário, continuou me lambendo enquanto os espasmos ainda percorriam meu corpo, me deixando completamente fora do ar.
Senti sua língua subindo pelo meu corpo, minha respiração ainda completamente descontrolada, suas mãos tocando minha pele, meu coração acelerado, minha pulsação insana, meus olhos um tanto marejados, meus lábios molhados e ansiando pelos seus.
Ele me beijou calmamente, me deixando respirar e recuperar um pouco. Seus lábios sugavam os meus de forma gentil, mas mesmo assim, qualquer toque seu parecia acordar novamente aquele fogo que mesmo depois do orgasmo intenso, não tinha se ido por completo.
– Definitivamente... Precisamos fazer isso mais vezes. – Sussurrou com a boca colada na minha orelha, mordiscando-a em seguida.
Não consegui dizer nada, lhe respondi com um gemido arrastado. Minha pele se arrepiava a qualquer aproximação sua, e tê-lo assim tão perto, tão quente perto do meu corpo, só me fazia querer ainda mais.
Passei as pernas em volta da sua cintura, praticamente me roçando no seu corpo forte, voltei a beijar seu pescoço, sentindo suas mãos me segurarem com mais força e alguns gemidos escaparem pelos seus lábios. Arranhei levemente suas costas, movendo meu quadril contra o seu, sentindo sua ereção enorme e latejante e me perguntando sinceramente como ele conseguia se controlar daquele jeito.
– Yuu... – Mordi sua orelha, aproveitando para enterrar meu nariz no seu pescoço, sentindo aquele cheiro delicioso que seus cabelos macios emanavam.
– Moyashi... – Sua voz parecia ainda mais profunda do que já era. – Eu preciso... De você.
Seus olhos refletiam tantas coisas... E eu me sentia zonzo demais para pensar em qualquer uma delas, não conseguia me concentrar naquela situação, mas meu coração podia sentir que o significado daquelas palavras ia muito além...
Não era um "Preciso de você agora", era um "Preciso de você para sempre".
Quando finalmente pude senti-lo dentro de mim, foi como se nada mais pudesse nos separar, seu olhar me marcava como seu, me reivindicava, me tomava, me possuía... E eu cedia, até mesmo por que não queria lutar, e mesmo se quisesse, era uma causa perdida. Já éramos um do outro há muito mais tempo do que tínhamos percebido.
Já fazia mais de um ano desde quando nos vimos pela primeira vez... Quando fizemos nossa primeira missão, na cidade de Mattel, quando eu percebi que mesmo agindo friamente, Kanda sente muito mais do que deixa parecer e mesmo dizendo que não, ele iria me salvar até que eu me virasse sozinho. Me lembrei de todas brigas tolas no refeitório, que mesmo me irritando, me tiravam qualquer pensamento depressivo, de como meu coração se despedaçou quando nos separamos na Arca, como se um pedaço de mim tivesse ficado para trás; de quando lutamos contra o Nivel 4 dentro da Ordem, do que eu senti quando suas mãos se colocaram sobre a minha para me ajudar a segurar a espada, do momento em que nossos olhos ficaram conectados até Lavi vir ajudar também.
Era um sentimento tão antigo... Era algo que só foi crescendo até que fosse impossível segurar.
– Te... Amo... Tanto... – Murmurei entre gemidos enquanto ele ia e vinha dentro de mim, em uma velocidade mediana ainda. Parecia que hoje ele queria testar o quanto eu demoro para perder a cabeça.
Um meio sorriso surgiu em seus lábios, que logo estavam nos meus, como pudessem tocar minhas palavras.
Nossos corpos colados moviam-se numa sincronia perfeita e enlouquecedora, eu sentia a pele da sua cintura deslizando entre minhas coxas, seu abdômen no meu, seus músculos imponentes embaixo dos meus dedos, seu olhar dominante e ao mesmo tempo totalmente rendido.
Céus! Quantas vezes é possível se apaixonar pela mesma pessoa?!
Vendo que eu não aguentava mais, ele acelerou os movimentos, acertando um ponto dentro de mim que me fazia gritar a ponto de arranhar a garganta. Eu precisava de mais, implorava por mais, e me impressionava como nenhuma dose de Kanda parecia suficiente para acalmar a necessidade que eu tinha dele.
Seus lábios percorriam minha nuca, me marcando com força, assim como suas mãos me seguravam, com aquela firmeza de quem jamais me soltaria, de quem jamais me deixaria ir.
Minhas pernas tremiam com o quão profundamente ele vinha dentro de mim, o ar me faltava... Mas eu não precisava de ar, precisava de Kanda...
– M-mais forte... Por... F-Fa... Ah!... Nh... – Seus lábios tomavam os meus e ele vinha mais forte, mais fundo, mais intenso... Me tirando de órbita.
Uma onda violenta de prazer percorreu meu corpo, parecendo ser transmitida dele para mim, arrepiando cada pelo do meu corpo, formigando cada centímetro da minha pele, aquecendo cada parte do meu ser. Por alguns segundos, a realidade não existia, o mundo não existia... Não havia nada além de nós dois.
Passamos algum tempo ainda conectados, as respirações descompassadas, os corações acelerados, e não demorou muito para que um cansaço sem precedentes se abatesse sobre mim.
Oh porra... Eu não vou levantar amanhã, tenho certeza disso.
Ele se deitou de lado, indo para mais perto da fogueira e me puxou para seus braços, me aninhando em seu peito e beijando carinhosamente a minha testa, depois meu nariz e então meus lábios, de forma cálida e gentil.
Me encolhi para mais perto do seu corpo quente, estava exausto, mas realmente feliz. Me sentia tão confortável ouvindo seu coração bater pertinho de mim, tão acolhido em seus braços e tão amado com o carinho que ele fazia nas minhas costas que sinceramente, eu desejava nunca mais precisar sair dali.
Depois de um tempo, eu já estava a beira do sono quando senti sua mão que estava nas minhas costas começar a brincar com meu cabelo e a outra se entrelaçar com uma das minhas e ficar em cima da sua tatuagem. Eu podia sentir como aquelas linhas escuras tinham uma temperatura diferente do resto da sua pele, e podia sentir seu coração batendo forte embaixo delas.
– Se eu pudesse te pedir para nunca ir embora... – Sussurrou baixinho, e foi ai que eu tive certeza que ele devia pensar que eu já deveria estar dormindo profundamente.
Me mantive imóvel, forçando minha mente acordar para ouvi-lo, até por que eu sabia que se ele soubesse que eu estava ouvindo, mudaria de assunto.
– A vida é uma vadia desgraça mesmo... – Riu amargamente, sua voz parecia estranha.
Senti seus lábios outra vez na minha testa e... Espera, eu senti algo molhado?
– Chega a ser irônico como você o fez bater outra vez... – Sua mão acariciava suavemente a minha, seu coração batia pesadamente, as vezes parecia que ia parar, e sua voz parecia sufocada. – Para leva-lo embora com você...
Seus lábios pararam na minha testa e eu fiquei sem reação por vários minutos.
Não sabia o que dizer, o que fazer, como agir... E quando finalmente reagi, ou melhor, tive coragem de reagir, ele já estava dormindo.
Seu rosto estava relaxado, talvez estivesse tendo um sonho bom, mas eu ainda podia perceber seus cílios meio úmidos.
Acho que nada no mundo podia descrever minha surpresa... E meu medo também.
Por que ele tinha tanta certeza de que eu iria embora?
– Pelo que depender de mim, seu coração vai ficar bem aqui. – Beijei sua testa. – Pra sempre.
Voltei a me deitar e não demorei muito a dormir. Mas enquanto estava acordado, fiquei aproveitando cada aspecto da sua companhia, o cheiro que me acalmava, o abraço que me envolvia por inteiro, sua respiração ritmada, seu calor...
Percebi que as nossas mãos que estavam juntas eram as que tinham os anéis... Da vez ele me pediu em... Como chamo aquilo? Pinguinamento?
Ri de leve.
Não importa. Não era a primeira tempestade que enfrentávamos, e mais uma vez, passaríamos por ela juntos.
Fale com o autor