The Secret Behind Your Eyes
33 Especial: Desordeiros.
Notas iniciais
GOMENAAASAAAAIIIII!!!!!!! *leva predrada de tudo quanto é lado* Mas esse hiato foi necessário ou então eu ia acabar ficando de recuperação em física no segundo trimestre, mas graças a kira deu tudo certo.
#IMPORTANTE#
Esse cap ne verdade é um especial em comemoração as 14 recomendações e os mais de 400 reviews que a história recebeu.
É minha maneira de agradecer a todos vocês pelo apoio, pelas palavras gentis e por me fazerem com essa história que tanto amo até o fim, de fato, eu não teria postado mais do que 3 caps de não fossem vocês.
Não sei se todos que começaram a ler chegaram até aqui, ou se todo mundo vai parar para ler essa dedicatória, mas gostaria ue todos que leem The Secret Behind Your Eyes se sintam homenageados com essa nota e saibam do meu carinho enorme por vocês.
E de todo o coração, espero que gostem!
*Link 1: A música que eles cantam no karaokê.
*Link 2: A música que eles estão dançando.
– Kanda seu doido! – Ralhei rindo enquanto falava no momento em que conseguimos sair dos domínios da ordem.
– Relaxe, fujo desse hospício desde pirralho e nunca me pegaram. – Murmurou vestindo um sobretudo e colocando um capuz.
– Que é isso? Tá trabalhando pro serviço secreto agora? – Zoei quando, pra completar o visual, ele colocou uns óculos de grau retangulares que o deixava muito... Sexy.
– Você vai entender... – Respondeu obliquamente virando-se, e me puxando em direção a cidade.
Parecia até estar havendo um festival, já que as todas as ruas eram decoradas com flores, haviam barracas por todo lado e muitas pessoas, em grande parte estrangeiros, transitavam pelo local. Mas pelo que Kanda havia me dito, toda aquela produção era normal, tendo em vista que era uma cidade turística.
No primeiro momento, o passeio transcorreu tranqüilo, nós apenas andávamos na rua de mãos dadas, parando um momento para observar algumas flores ou tentar colocar alguma no cabelo do Kanda (quase consigo), ou então pra perguntar pela milésima vez para onde exatamente nós estávamos indos e ele me responder que era surpresa. Bem, isso até começar uns gritos.
– PAAAARRRRAAADÊÊÊNHOO AIIIII!! KANDAAAA EU SEI QUE ME OUVIUUUU!!!!
Olhei discretamente pra trás vendo um cara loiro, alto, vestindo um terno branco correndo na nossa direção (*¹).
– Kanda. O que. É. Isso? – Sussurrei vendo o maluco vir na nossa direção.
– Somente ignore.
– KANDA-KUN!!! – Gritou chegando até nós, virando o moreno pelo ombro para ficarem frente a frente.
– Eu conheço o senhor? – Perguntou em um tom de voz educado e polido, totalmente oposto do usual, me deixando pasmo.
Serio, não sei que bruxaria fizeram para o Kanda aprender a mentir tão bem, mas ele deveria virar ator.
– Ah... er... Com licença... – Começou o outro visivelmente desconcertado. – Como se chama?
– Sebastian. – Mentiu na maior cara de pau.
Eu não tava entendendo nada, mas que estava hilário estava.
– Ah... Perdão, é que eu sou colecionador sabe? Meu sonho é juntar todas as coisas bonitas em um só lugar, no caso minha mansão, para protegê-las desse mundo cruel em que vivemos. – Falou o maluco com os olhos brilhando.
– Entendo... – Respondeu o moreno ajeitando os óculos.
– Er... Não seria errado colecionar pessoas? – Perguntei me pronunciando pela primeira vez e me arrependendo instantâneamente quando aquele maluco começou a me secar.
– Ahh... Mas por um exemplar como o Kanda-kun eu iria pro inferno feliz. – Espiei o samurai pelo canto de olhos vendo-o arrumar os óculos tranquilamente. Esses estalos que eu ouvi agora vindos da sua direção foram veias estourando? – Mas então... – O outro se aproximou ficando cara a cara comigo – Você não gostaria de se juntar a minha... AAAAAAARRRHHHH!!!!
Kanda pegou o cara pelo casaco e o jogou a uns seis metros de distância.
Nossa.
– K-Kand...
– Shhiiiiiiu. Saia discretamente antes que... – Começou já me arrastando para fora dali e sendo interrompido pela voz estridente do arremessado.
– MATEM ELE E ME TRAGAM O BAIXINHOO!
H-Heeyy, como é que é?!
Do mais absoluto nada, uma tropa de ninjas se materializou em cima de telhados e muros, atrás de arvores e casas, saindo de becos, bueiros, debaixo de tendas...
– Estamos ferrados. – Comentei vendo Kanda tirar a mugen do sobretudo.
– Tch. Que foda-se essa merda. – Ele jogou os óculos longe, tirando o capuz, e encarando os guerreiros com um olhar de fazer um akuma nível 4 ter pesadelos.
– Toquem um dedo no baixinho e eu quebro vocês. – Praticamente rosnou fazendo os ninjas darem um passo pra trás e alguns se esconderem nas sombras.
Espertos.
– Hey! Que preconceito é esse com a minha altura?! – Protestei. — E meu nome é ALLEN!
Sério, meu nome é tão complicado assim de lembrar?
– KANNNDAAAA-KUN!!!! Era você o tempo todo? – O lunático veio correndo na nossa direção com os olhinhos brilhando novamente.
– Não... Era a puta da sua mãe, ai eu expulsei a vadia e ela foi bater ponto em outro lugar.
Uii...Cruel.
– Não fala assim da mamãe!
– Tch, foda-se.
– Peguem-nos!
O maluco gritou e todos os ninjas entraram em posição de ataque, Kanda desembainhou a espada e eu ativei minha inocência.
O cenário era perfeito para desgraça, até que...
– Já chega! – Uma voz soou alta fazendo todos nos virarmos na direção da mulher idosa.(*²) – Seu bando de moleque! Toda vez que esse garoto aparece na cidade na cidade é a mesma coisa! Essa bicha loira contrata nosso clã pra vir atrás dele e ser quebrado na porrada. Dessa vez não, vão já pra casa! Estão de castigo.
Vocês não imaginam o que é ver um bando de ninjas fazendo manha pra não ficar de castigo e depois ir embora de cabeça baixa. Sério, é mais bizarro que imaginar o Kanda com vestido de fadinha.
– E você seu maldito desgraçado... – Ela se virou na direção do maluco, começando a lhe dar O Sermão fazendo o cara tremer dos pés a cabeça.
– Oe... – Kanda sussurrou pra mim, indicando com a cabeça para nos aproveitarmos da confusão para sumir antes que o stalker* viesse atrás da gente de novo.
– De onde você conhece aquela figura? – Perguntei quando nos afastamos a uma distância segura, lhe mandando um olhar desconfiado.
– Na verdade, nem eu sei. – Respondeu dando de ombros. – Desde que eu era pirralho e fugia pra cá junto com a porra louca ruiva que aquele desgraçado me persegue. – Continuou displicente.
– O Lavi me contou que vocês aprontavam bastante quando eram menores... – Comentei vendo o moreno parar de repente com se tivesse ficado colado no chão.
– Já faz um tempo que eu quero te perguntar isso... O quê , exatamente, aquele idiota te disse? – Indagou me encarando sério.
Suspirei pesadamente andando mais alguns passos à frente, chegando numa praça pouco movimentada onde havia uma bela fonte, que era cercada por roseiras rubras, no centro dela.
– Ele me disse o que aconteceu entre vocês. – Respondi me sentando na beirada da fonte, assustando alguns peixes.
– Hn. – Murmurou simplesmente.
– Você é um idiota. Ou melhor, vocês dois são. Na verdade, não sei dizer qual é o pior! – Ralhei repentinamente, vendo-o me encarar surpreso.
– Putamerda, o que foi que eu fiz? – Perguntou indignado.
– Kanda, o Lavi sempre amou você como se fosse um irmão! Será que não percebe que todas aquelas palavras que você ouviu na biblioteca não passavam de uma mentira deslavada? – Terminei ofegante, observando-o virar o rosto e começar a brincar distraidamente de fazer ondulações na água.
– Tch, eu sei que era mentira, baka. – Murmurou muito baixo, me dando um pouco de trabalho para escutar, mas não me impedindo de quase cair na fonte com o que ouvi.
– Como é que é? – Perguntei sem saber se ficava surpreso ou revoltado.
– Admito que na hora eu nem parei pra raciocinar, mas é obvio que depois eu percebi, por causa do modo como ele tava agindo antes mesmo de me ver. Parecia agoniado.
Continuei encarando-o completamente perplexo.
– Então, por qual motivo, razão, pretexto ou causa você ficou com raiva dele?
– Por que depois daquilo, aquela praga começou a testar minha paciência de todas as formas possíveis e impossíveis. – Só de lembrar ele já tinha umas duas veias estouradas na testa. – A gota d’água foi quando eu quase fui estuprado enquanto dormia por um perseguidor tarado que ele deixou entrar no meu quarto. Aquele coelho bastardo filho da puta cretino! – Esbravejou quase rosnando, com uma áurea maligna a sua volta, assuntando as criancinhas e os animais que brincavam nas proximidades. – Não foi a toa que eu mandei aquele imbecil virar picolé na Sibéria.. – Falou a última parte com um sorriso sádico de arrepiar.
– Mas você sabe que ele fez isso porque estava sendo ignorado, não sabe? – Insisti observando seu olhar assassino se acalmar aos poucos, dando lugar a um perdido em pensamentos.
– você é muito ingênuo, moyashi. – Comentou de repente, em um tom ameno bem incomum de sua pessoa.
– O que quer dizer? – Indaguei preocupado.
– Não odeio o usagi. Tenho feito tudo isso de propósito o tempo todo.
... What?
– Mas por quê? – Questionei me sentindo perdido naquela conversa.
– Aquilo que aconteceu na biblioteca foi o melhor, acredite em mim.
Sério, minha mão tava coçando para acertar na cara dele.
– Com você pode dizer isso? – Perguntei o puxando pelo braço, virando-o na minha direção.
Sua expressão continuava fria, mas seus olhos estavam tristes.
– O usagi já escolheu o caminho que quer seguir, ele tem um objetivo importante e eu não quero estar no seu caminho.
– M-Mas... — Tentei argumentar mas fui interrompido.
– Quando tudo isso acabar, “Lavi” vai desaparecer, assim como os quarenta e oito antes dele. E quando a hora chegar, ele terá que se esquecer de todos nós e de tudo que viveu ao nosso lado, você entende isso? A cada novo laço criado, ele fica um passo mais longe do seu objetivo.
Fiquei apenas estático, processando toda aquela informação enquanto o encarava fixamente.
É verdade, eu realmente não sei absolutamente nada sobre você Kanda.
Afinal, nesse tempo todo em que eu te julgava totalmente ignorante aos sentimentos do ruivo, você os compreendia melhor até do que ele mesmo.
No fim das contas, mesmo agindo como se não se importasse com ninguém, é sempre você que tenta carregar o fardo do outros para que esses se mantenham de pé.
Você é verdadeiramente forte, Yuu.
– Desculpe.
– uh? – Ergueu a sobrancelha me olhando sem entender.
– Você não é idiota. – murmurei quase como um outro pedido de desculpas.
– Tch, não dou cinco minutos pra você dizer o contrário. – Comentou com um sorriso de canto antes de se virar e sair andando.
– Hey, esper... AAAAHHHH! – Tentei me levantar rapidamente, mas acabei escorregando na borda molhada e caindo dentro da fonte, jogando água pra todo lado.
– Moyashi, se era pequeno demais pra descer, era só ter pedido ajuda. – Falou com aquela expressão cínica de quem esta se divertindo muito com a desgraça alheia.
Filho. Da. Mãe.
– BaKanda idiota... – Quase rosnei lhe lançando um olhar fulminante.
– Ih, foi em menos de cinco minutos. – comentou displicentemente enquanto eu tentava sair da fonte que escorregava mais que gelo ensaboado. – Cuidado para não encolher na água fria, heim? Quer dizer, se é que é humanamente possível você ficar ainda menor.
Eu ainda mato esse cretino.
– Cala já a boca e me tira daqui! – Esbravejei fazendo-o vir me ajudar.
O que ele não contava era que eu fosse puxá-lo para dentro da água junto comigo.
Doce vingança...
– Grr... Moyashi idiooota! – Se irritou jogando água em mim.
– Olha só quem fala, Samara Morgan. – Joguei mais água zoando o seu cabelo que estava todo no rosto agora.
– Vou te matar meio metro! – Rosnou me empurrando embaixo da água.
– Tá querendo me afogar, bastardo?! – Empurrei-o de volta, mas dessa vez fui surpreendido quando ele me puxou junto, selando nossos lábios embaixo da água.
– Ora... Se eu fosse te matar faria de um jeito mais interessante. -Sussurrou em meu ouvido com um tom malicioso – E também, afogamentos são entediantes.
– Você não presta. – Comentei vendo-o apenas dar um sorrisinho travesso enquanto me erguia em seus braços e nos tirava de dentro da fonte.
– Sério? Não me diga... – Ironizou me pondo de volta no chão.
Apenas sorri bobamente entrelaçando nossos dedos, andando tranquilamente pela rua em um dia ensolarado. Parecia até uma cena de mangá shoujo, mas isso me deixava extremamente feliz. Hoje nós não éramos exorcistas, nem o garoto amaldiçoado ou o demônio da ordem negra... Éramos apenas nós.
– Acho que estou começando a entender o objetivo de me trazer aqui. – Comentei ainda pensativo.
– Não é só isso. – Respondeu com um olhar presunçoso.
– Ah sim... A surpresa... Sério Kanda, até quando vai ficar enrolando? – Questionei me corroendo de curiosidade.
– Ainda não tá na hora. – Respondeu simplesmente. – Mas, ainda temos resto do dia pela frente. – Continuou me dando uma piscadela e me puxando para algum lugar que eu nem prestei atenção por onde era.
Afinal, quem pensa quando se tem um Kanda molhado e bem humorado na sua frente?
Só percebi quando paramos em frente ao que parecia um bar Punk e o Kanda foi entrando com tudo.
– Hey!Está fechado! – Alertei apontando para a placa (enorme por sinal) em frente ao estabelecimento.
– Não para mim. – Respondeu entrando de vez e eu até discutiria sobre como ele era simplesmente a pessoa mais arrogante que eu conheço, se eu não tivesse ficado tão pasmo com o quanto o lugar era maior por dentro do que aparentava por fora.
– SETH! Você tá ai desgraça?! – Chamou “educadamente” se sentando no balcão sem a mínima cerimônia.
– CARAALHO! Mas que é vivo sempre aparece! – Quase enfartei quando, debaixo de uma pilha de mangas e HQs que estava atrás do balcão, saiu um cara de cabelo moicano rosa (*³), óculos de aviador e uma jaqueta cheia de espinhos. Era um daqueles “tiozinhos do rock” que chega aos 40 com alma (e principalmente rosto) de 18.
– Nem me venha com essa. Não sumi tanto tempo assim. – Resmungou Kanda enquanto o outro já abria uma garrafa.
– O que?! Pensei até que tu tinha entrado no AA *¹ vey.
– Pfff... Só se fosse pra matar alguns hipócritas. – Comentou com desdém.
– Yeah! Tamo junto parceiro! – Os dois fizeram um brinde com algo que me pareceu extremamente alcoólico e que o Kanda bebeu como se fosse água.
– Tenho uma missão pra você. – Falou o moreno para o cara (que se empolgou de imediato) fazendo sinal pra que eu me aproximasse.
– Queria saber mais sobre mim, não? – Sussurrou em meu ouvido de repente. – Só espero que sobreviva a essa. – Comentou pra lá de azedo fazendo parecer que falava aquilo também para si mesmo.
– E o que isso tem a ver? – Perguntei sem entender a situação.
– Eu sei que vou me arrepender, mas... Seth, abre o dossiê pra ele. – Ordenou para o cara que abriu o sorriso mais realizado que eu já vi.
– E quem é o sortudo? – Indagou apontando pra mim.
– Meu moyashi. – Respondeu passando um braço pela minha cintura, me fazendo sorrir satisfeito.
– Meu nome é Allen, baka.
–----- POV do Kanda --------------------
Seth Sturluson... você me paga.
Todos esses anos, todas as insanidades cometidas ficaram bem enterradas no fundo do baú, e as únicas pessoas vivas que sabiam de parte delas eram o usagi (por ter cometido várias delas junto comigo) e Seth (já que várias dela foram cometidas aqui).
E agora eu procurava deseperadamente um lugar pra enfiar a cara enquanto aquele moyashi maldito me perguntava de cinco em cinco minutos detalhes sobre algo extremamente constrangedor que o miserável de cabelo rosa tinha falado.
Sério, ele já tinha falado umas que nem eu sabia. Aliás, ele tinha mesmo que falar TUDO?
Putamerda...
– Aaahhh! Allen! Sabia que o Lavi é muito fodão na guitarra? – Começou o puto com ar de quem vai aprontar.
– Ahaaam! Ele me mostrou umas fotos uma vez.
Espera ai, como assim fotos?
Eu realmente deveria ter matado aquele maldito.
– Agora olhe para o lado e veja quem manda muito bem no vocal. – Concluiu o infeliz e futuro cadáver fazendo o moyashi me olhar empolgado.
– Filho de uma rapariga... – Xinguei entre dentes começando a beber logo da garrafa.
Por que eu tinha que ter uma adolescência tão fudidamente vergonhosa?
– Kandaaaa você nunca cantou nada pra mim! – Protestou o pequeno.
– Nem nunca vou. – Respondi direto.
– Uuiii, essa doeu. – Comentou o desgraçado de cabelo rosa.
– É o que veremos. – Desafiou o desgraçado de cabelo branco me mandando um sorriso sexy.
Cacete... Eu realmente não posso beber perto do moyashi.
Mas se bem que, lembrar de como sua voz gemia meu nome naquela noite me fazia pensar que na verdade eu deveria fazer isso mais vezes.
Senti um sorriso perverso surgindo involuntariamente.
Eu correria se fosse você pequeno...
– Wow! Estou vendo uma “bad wolf face” ai samurai?- Comentou Seth engraçadinho.
É melhor nem imaginar a minha cara no momento.
– Quieto barbatana. – Respondi usando o codinome que inventamos pra ele no passado por causa do seu cabelo.
– Visshhh vey, esse apelido foi do tempo da M.A.! – Riu-se lembrando da época em que eu era freqüentador assíduo do lugar.
– Nem fodendo, o nome da banda era Bloodshed.*² – Retruquei.
– Mas apelidara de M.A. – Insistiu.
– Fodam-se eles então. – Respondi sem paciência.
– Estão falando do que? – O moyashi perguntou totalmente perdido.
– Do nome da banda do samurai com o isqueiro. – Esclareceu Seth me fazendo segurar a risada. Realmente acertaram no apelido do caolho.
– Isqueiro...? – O moyashi indagou ainda sem entender. E haja inocência.
– Pense comigo, tem muita coisa naquele idiota que dá pra associar com fogo, e não falo do cabelo. – Mandei a “indireta” fazendo-o rir adoravelmente.
– Então o apelido do Cross seria lança-chamas. — Brincou entre risos me fazendo ficar igual a um retardado admirando cada movimento dos seus lábios rosados.
Nivel de álcool no sangue:
||||| ||||||||||||40%
Nível de autocontrole:
|||||||||||||||||||||||||||||||||| 70%
Nível de vontade incontrolável de agarrar o moyashi:
|||||||||||||||||||||||||||||||||| 70%
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 80%
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||85%
– Ah, a propósito, se o nome da banda era Bloodshed, de onde saiu esse apelido de “M.A”? – Retomou o assunto enquanto eu tentava retomar minha vergonha na cara.
– M.A. é de “Movido a Alcool”, que era a única maneira de fazer o vocalista subir no palco. – Explicou o cretino me fazendo quebrar o copo na mão de raiva, e o moyashi quase cair da cadeira de tanto rir.
– Pelo menos não sou eu que aproveitava a hora mais barulhenta do show para dar insanamente para o irmão gemendo que nem uma puta. – Zoei vendo-o engasgar com a bebida.
Ah, a vingança...
– P-Perai, quando foi que você descobriu? – Questionou assustado.
Agora que engasgou fui eu.
– Então era verdade?! – Indaguei ainda pasmo.
Putamerda....
– Er... né... Fazer o que... – Murmurou sem graça bagunçado o moicano.
– Isso foi tenso. – Comentou o moyashi levemente corado.
Aliás, ele ficava tão comestível assim...
Nível de vontade de agarrar o moyashi:
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 90%
Ok, controle-se....
– Er, então, mudando de pau pra cacete... – Começou Seth ainda sem graça – Eu tava guardando um desafio pra você samurai. – Continuou cavucando alguma coisa nas prateleiras.
– Tch, manda a ver. – Respondi observando-o colocar uma garrafa escura e um copo no balcão.
– Esse é o novo drink que eu desenvolvi, chama-se: Sossega Diabo. – Explicou servindo uma dose. – Essa coisinha levanta até defunto. Te desafio a tomar uma única dose e continuar com a cabeça no lugar. – Concluiu me empurrando o copo cheio.
Rá, só uma? Ele esperava mesmo que uma única dose fosse fazer efeito em mim? Devia estar muito bêbado mesmo...
– Desafio aceito. – Falei com um sorriso de canto pegando a bebida e virando tudo de uma vez só.
Nível de álcool no organismo:
De:
||||||||||||||||| 40%
Para:
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||87%
Puta que pariu... Isso era gasolina?!
Ok, que não bebe não vê o mundo girar... Mas eu podia jurar que senti o chão sumindo embaixo dos meus pés.
– E ai? – Alguém perguntou do além.
– Me disseram uma vez que a mente é dividida em três partes – Comecei – o Id, que são seus impulsos mais selvagens e primitivos – Mordi o lábio espiando o moyashi de canto – O Super ego que é a parte racional , por assim dizer, e o Ego, que é o que você mostra aos outros.
– Kanda você tá legal?
– Não, ele não está.
– Uma dose desse troço mandou meu Super ego dar um rolé na terra do nunca, deixou o Id fazer a festa e Ego tá mais louco do que nunca. – continuei, secando o pequeno des-ca-ra-da-men-te.
– Uuiiiiiiii! – Exclamou Seth sorrindo safado.
– Ah, eu quero! – Comentou o albino empolgado.
– Eu não faria isso se fosse você... – Alertei me segurando na cadeira para não atacá-lo.
De insano aqui já basta eu.
– Então vamos todos! – Concluiu Seth servindo três doses.
Isso não vai prestar...
– Mas antes... – Começou o porco espinho. – Temos que arranjar um nome de guerra pro Allen.
– nome de guerra? – questionou o outro confuso.
– Yeah, tipo o Lavi é o isqueiro, eu sou o barbatana, ele é o samurai e você será...
– Rabiscado. – Sugeri.
– Perfeito!
– O que?! – O moyashi exclamou revoltado – Você não cansa de me colocar apelidos não? – Perguntou me olhando puto. Que adorável.
– Nem um pouco. – Respondi simplesmente.
– Ok bagaça, vamo no três! – Anunciou o maluco começando a contagem para virarmos todos ao mesmo tempo.
30 minutos depois...
Níveis alcoólicos:
Allen:
||||||||||||||||||||70%
Seth:
Game over (capotou).
Kanda:
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||95%
(Sem condições de continuar a narrativa).
–--------------------- POV do Allen ------------------------------
Nunca ia cantar pra mim, é?
http://www.youtube.com/watch?v=tzRk5EIHAoI
Comentei mentalmente vendo o moreno cantar em cima de uma mesa de bilhar, usando uma garrafa vazia como microfone, e com uma voz sexy de morrer.
– The good life is what I need… Too many people stepping over me… The only thing that’s been on my mind… The one thing I need before I die!
– All I want is a little of the good life… All I needs to have a good time. – Cantei junto, tão loucamente quanto ele, subindo em cima da mesa também.
– Oooooh THE GOOD LIFE!- Cantamos em unissono.
–I don't really know who i am… — Continuou me puxando pela cintura.
–Its time for me to stake a stand… — Acompanhei rebolando sensualmente no ritmo da música.
–I need a change and i need it fast… — Cantou com aquela voz rouca e sedutora no meu ouvido me arrepiando por completo.
–I know that any day could be the last! – Cantamos, praticamente gritando, ao mesmo tempo, pulando por cima das mesas até chegar ao palco, onde ele pegou uma guitarra, começando a tocar enquanto balançava a cabeça e pulava pelo palco, fazendo um barulho estrondoso.
Yuu, por que você não faz isso mais vezes?
– All i want is a little of the good life, All i needs to have a good time! OOOOOH THE GOOD LIFE! – Cantamos juntos novamente, e não resisti em lhe roubar um beijo avassalador no final.
E que com certeza não seria só um beijo se umas batidas miseráveis na porta não tivessem interrompido.
– Seth-nii!
Olhei interrogativamente para o Kanda que ostentava o sorriso mais sacana que eu já vi.
– Seth-nii-san!!
Ele sorriu mais sacana ainda.
– Mo-ya-shi... – Sussurrou pausadamente na minha orelha mordiscando-a em seguida. – Pega papel e caneta pra mim? – Concluiu com uma voz manhosa.
Impossível resistir.
– O que vai fazer? – Perguntei encontrando um bloquinho e uma caneta atrás do balcão enquanto ele amarrava Seth em uma das pilastras, o prendendo com as mãos em acima da cabeça.
– Só um presentinho para o otouto do seth-nii. – Respondeu rindo malicioso ao mesmo tempo em que falava com um tom inocente que me assustou.
Depois de escrever um bilhete (que ele não me deixou ler de jeito nenhum), abriu a porta dando passagem para um sujeito aparentemente normal, com ar sério, e que pelas cor dos olhos eu identifiquei como irmão mais novo do Seth.
Embora eu duvide que alguém que é seme do irmão mais velho (ainda mais do maluco do Seth), seja tão santinho quanto pareça.
– Aproveite. – Murmurou Kanda, me arrastando para fora e deixando os dois a sós.
– Nee Kanda... O que você escreveu? – Sussurrei com jeitinho me mordendo de curiosidade.
– Proibido para menores de dezoito. – Respondeu indiferente.
– Cretino. – Resmunguei mal humorado.
– E que você adora. – Falou convencido.
– Não adoro não. – Contrariei zoando a sua cara.
– Ah não? Ok, vou indo. – Se virou e saiu me deixando no vácuo.
Sério isso?
– Hey BaKanda! Era brincadeira! – Corri na sua direção, mas antes que eu o alcançasse, ele avançou me pegando em seus braços e me roubando um beijo de tirar o fôlego.
– Eu sei. – Respondeu na maior cara de pau possível.
– Que filho da puta. – Xinguei realmente emburrado agora, e ele apenas riu da minha cara.
Não é brincadeira quando dizem que quando a gente bebe, perde totalmente a noção.
– Oh, mil perdões moyashi-sama. – Falou com a voz aveludada, fazendo uma reverência.
Não é brincadeira mesmo.
– Wow... – exclamei impressionado. Quem diria que Yuu Kanda teria um lado cavalheiro.
http://www.youtube.com/watch?v=Qx4GY3yYePM
Uma melodia começou a tocar timidamente, vindo de algum lugar não identificado, parecendo entrar em sincronia com o canto dos pássaros no fim da tarde.
– Me daria a honra dessa dança? – Perguntou no mesmo tom, me puxando para uma parte mais espaçosa da rua, que estava praticamente deserta.
O sol havia acabado de se pôr, a luz dos lampiões que iluminavam as ruas contrastava lindamente com a penumbra que começava a tomar conta do céu, que só não havia escurecido ainda por causa dos raios laranjas remanescentes.
Apenas ri bobamente, imaginando como ficaria aquela cena em uma gravura. Um belo plano de fundo, um albino sorrindo como idiota dançando elegantemente uma valsa junto com um moreno impressionante atuando como um cavalheiro.
Timcamppy, cadê você?
– Não sabia que dançava. – Comentei encarando admirado sua expressão cortês.
– Tch, nem eu sabia.
– Você com certeza não existe... – Comentei sorrindo docemente. Sorriso este que logo se converteu em um especialmente maligno quando avistei algo muito interessante do outro lado da rua.
– Oe, que cara é essa moyashi? – Perguntou curioso.
– Será que a sorte no jogo realmente piora quando se tem sorte no amor?
–-------- POV do Kanda (um pouco — muito pouco mesmo – mais sóbrio)------
Deitei a cabeça no ombro do meu pequeno olhando distraidamente para o jogo que ele tinha em mãos sem nem ao menos conseguir distinguir o naipe das cartas.
Já fazia uma maldita hora desde que havíamos entrado na porcaria desse cassino, e desafiado uns idiotas metidos a fodões num jogo de poker.
– Moyashi... Termina logo isso. Tô entediado. – Murmurei assoprando uma mecha do seu cabelo.
– Só mais um pouquinho... – Respondeu com um sorriso diabólico.
– Sua peste, você já depenou os filhos da mãe. Tá querendo que eles vendam os órgãos para apostar também, por acaso?
– Se eles aceitarem... Hehehehe...
Porra... Quem é você e o que fez com o meu moyashi?!
– Tá achando que eu tenho medo de você pirralho? Aposto um rin e ¾ do fígado, dá quinhentos mil. Tudo ou nada. – O maior dos idiotas se pronunciou.
Eu ouvi mesmo isso?
Tem doido pra tudo nessa desgraça de mundo.
– Fechado. – Olhei descrente para o moyashi enquanto o povo continuava apostando...
... E perdendo.
Depois de uns minutos, já dava até pra montar um novo corpo com a quantidade que órgãos que os imbecis perderam.
– HHAHAHAHAHA! Vão todos se ferrar losers! Hehehehee...
Cacete, eu vou chamar um padre.
– EU VOU ARRANCAR SUA GARGANTA PIRRALHO! – Um dos idiotas se levantou sacando uma arma e apontando para o meu pequeno.
Tch... Diabo, tô mandando mais um pra você ai.
– Eu corto seu braço antes que você tenha tempo de pensar em puxar o gatilho. – Insira um sorriso serial killer ao fim da frase.
– Ihhhh... A namoradinha do pirralho é nervosinha...
Pediu. Para. Morrer.
– Vô te rachar na porrada filho da puta!
Chutei a mesa para algum lugar desconhecido, puxando o infeliz pela gravata e quebrando seu nariz e mais uns três dentes nos dois primeiros socos.
– Kanda! Você vai matar o cara! – O moyashi berrou tentando me fazer soltar o miserável.
– Tch, esse merda acabou de perder os rins, o fígado e os dois pulmões numa rodada de poker, vai morrer de qualquer jeito. – Respondi terminando de desfigurar a cara do idiota.
– Mas se ele morrer agora não vai dar pra gente vender os órgãos no mercado negro. – Explicou.
– Hn, tem razão. – Larguei o corpo no chão e olhei para o lado vendo umas pessoas entrarem simplesmente não acreditando no que estava vendo.
– Eu tô bêbado assim, ou eu tô vendo mesmo os caras do tribunal da inquisição ali? – Perguntei para o moyashi ainda olhando para a porta com cara de retardado.
– Só se for alucinação coletiva. – Respondeu com a mesma cara que eu.
Isso não vai prestar...
Principalmente com todas as lembranças do tempo em que passei preso em poder daqueles desgraçados...
– Kanda, você tá bem? – O moyashi perguntou preocupado.
Apenas apertei com força o cabo da mugen, desembainhando a espada lentamente.
– Oe, seus viados... – Chamei-os me virando lentamente na direção dos filhos da mãe. – Lembram de mim? – Perguntei com um tom de voz que ficava entre o insano e o psicótico imaginando de que maneira eu começaria a cortá-los.
– É ele! O demônio! – Um deles gritou olhando assustado pra mim.
Demônio? Eu? Mas já...? Nem comecei a brincar de açougue ainda...
– Vou fazer justiça e acabar com a sua existência! – Anunciou o estúpido da frente puxando a espada também.
– Ah ta... Legal... Foda-se. – Peguei o idiota que estava no chão, o girei umas duas vezes no ar antes de acertá-lo no imbecil.
– Kanda o que você fez...? Enlouqueceu? – Protestou o moyashi preocupado com a situação.
– Ora, eu bati no filho da puta... Usando outro filho da puta. – Respondi indiferente vendo-o bater a mão na testa.
– Homens! Peguem-no! – Um dos retardados gritou, mas antes que eles avançassem um passo...
– SÓ SOBRE O MEU CADÁVER! – Gritou uma voz grossa de fazer tremer as paredes.
Nos viramos lentamente para trás, dando de cara com uma mulher gigante, musculosa que nem um cavalo, com um fuzil Hk-47*³ na mão.
E apontado pra mim.
Sério, estou começando a ficar indignado com o numero de pessoas querendo minha cabeça.
Vai dar muito trabalho matar todo mundo.
– Por terem subtraído todo o dinheiro da venda de entorpecentes na região, por terem ferido nossos homens e disseminado a desordem no nosso cassino, eles são oficialmente prisioneiros da máfia italiana.
– Acho que a gente se ferrou. – Cochichou o moyashi.
Ah, sério? Você acha?
Notas finais
(*¹)-> Sim, isso foi inspirado no manga, eu queria muito que o Allen estivesse lá naquela hora. E sim, o stalker do Kanda era o Visconde Druitt (kuroshitsuji) fazendo pontinha na fic.
(*²) -> Alguem aqui percebeu a "mãe" (amiga de Cross) dando uma pontinha no cap.
*Stalker = Perseguidor.
(*³) -> Yep, me inspirei no Jared Leto no clipe "Closer to the edge".
*¹ AA = Alcoolatras Anônimos.
*² Bloodshed = Derramamento de sangue.
*³ -> https://www.google.com/search?q=fuzil+hk+47&hl=pt-PT&rls=com.microsoft:pt-br:IE-ContextMenu&rlz=1I7ADSA_pt-BRBR441&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=Xy9NULmkHIPI9QSqNg&ved=0CB8QsAQ&biw=1280&bih=560
E então? Quero saber o que acharam!
O próximo cap será a conclusão desse (esperem muita cenas açucaradas) e tambem irá revelar meus planos malignos em relação a missão que vem por ai... hehehe
Até mais~
KISSUS
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