The Secret Behind Your Eyes
40 Broken.
Notas iniciais
Podem me xingar porque eu to merecendo. Já fazia um século que eu tinha esse capítulo pronto no meu caderno. Só não postei logo por que ele passou por uma longa fase de reforma junto com o final da fanfic.
Acontece que eu queria encontrar uma forma de fazer os dois amadurecerem tanto como pessoa, como quanto casal. Meu objetivo com esse e com o próximo capítulo é fortalecer o relacionamento deles ao máximo, para que se torne algo bem difícil de se romper. Por que acredite, ele vão precisar dessa força para o que vem por ai...
Espero que curtam o cap~
Kissus
Entrei no quarto pouco me fudendo se iria assustar o convento inteiro com o estrondo da porta e me livrei da porcaria daquele disfarce, jogando aquele vestido irritante para qualquer fim de mundo e indo tomar um longo banho para esfriar a cabeça. Ou eu juro que meu cérebro iria acabar explodindo.
Vesti uma roupa normal, prendi a Mugen nas costas e sai ligando menos ainda se ia estragar o disfarce ou não, eu queria mesmo é que todo mundo morresse naquela desgraça e faria questão de assistir de camarote, mas os corredores pareciam estranhamente vazios naquela tarde.
Fui para os jardins tomar um ar puro e pensar no que iria fazer a seguir. Eu deveria ter comido algo que me fez mal no jantar ou tinha alguma coisa no chá de hoje de manhã por que meu peito parecia inacreditavelmente pesado, minhas mãos tremiam e meus olhos estavam ardendo.
Mas que macumba é essa?
Respirei fundo algumas vezes, me deitando na grama macia que ficava na beira de um pequeno lago perto do bosque, sentindo o sol bater irritantemente no meu rosto e aquele maldito peso no peito apenas piorar enquanto eu pensava em maneiras dolorosas de matar o Moyashi.
Continuei na mesma posição até ouvir uns murmúrios vindos de uma árvore um pouco distante de onde eu estava. Me levantei e fui ate lá encontrando algo que me deu uma idéia brilhante.
--------------------------- POV do Lavi ---------------------------------------
Eu. Sou. Um. Idiota.
Ou melhor, o maior idiota de todos os idiotas que existem no planeta terra.
Como diabos eu fui me apaixonar por Cross Cafajeste Marian??
Ok, ok, admito que já esperava que Cross estivesse pegando alguém alem de mim mas... O Allen?
Aquele pequeno é como se fosse um irmão para mim, e vê-lo na mesma cama com o homem que o próprio tentou me convencer que amava era demais para suportar.
E também havia o Yuu...
Me lembrei do pedido de desculpa que sussurrei quando o encontrei no caminho. Eu queria que ele me perdoasse por não te-lo impedido de seguir em frente, por permitir que ele visse aquilo e tivesse seu coração fatalmente quebrado pela segunda vez.
Antes eu me perguntava se o Yuu tinha algum tipo de maldição para sempre ser traído do pior jeito pelas pessoas que mais confiava. Mas dessa vez havia sido bem pior, Yuu kanda definitivamente amava Allen Walker.
E sinceramente eu não sei se quero saber como ele esta agora.
Por ironia do destino, eu ouço passos vindo na minha direção, e quando ouvi aquela voz fria e rouca quase desacreditei que ela pertencesse a seu dono.
- Tudo bem com você, Usagi? – O Yuu perguntou com um meio sorriso enquanto se abaixava pra ficar da minha altura.
E foi quando mirei seus olhos que eu entendi a sua aparente calma.
O amor conseguia transformar uma pessoa de duas formas diferentes, despertando seu “lado bom”, nesse caso desenterrando lado tsundere e carinhoso do Yuu, ou seu “lado mau”, nesse caso transformando-o em um bastardo psicótico que eu nem sei se conheço o suficiente para chamá-lo pelo primeiro nome.
- Desculpe. – Foi tudo que eu consegui dizer.
- Não é você que tem culpa nisso. – Respondeu em um tom assustadoramente calmo, desatando o nó do meu tapa olho, deixando-o cair, e limpando as lágrimas que se acumulavam em meu olho com os lábios.
E foi ai que eu percebi por que ele estava fazendo aquilo: Ele queria que eu percebesse o seu plano.
E eu não poderia ficar mais animado com isso.
- Yuu-chan vingativo... – Sussurrei com um sorriso de canto, percebendo vagamente um vulto albino passando pelas janelas do prédio que tinham uma vista perfeita para onde nos estávamos.
- Vingativo? Mas eu ainda nem fiz nada. – Respondeu completamente cretino, mordendo meu lábio inferior.
- Você sabe que só isso não vai convencê-lo, não sabe? – Sussurrei de volta sentindo meus lábios formigarem.
Sem nenhuma palavra mais, senti meu corpo ser empurrado contra o chão e o Yuu, ou seja lá quem aquele fosse, subindo em cima de mim, tomando meus lábios em um beijo selvagem, furioso e arrebatador, me fazendo suspirar de excitação.
Há pessoas que afogam seu sentimento no jogo, nas drogas, em um porre de bebida... Já o Yuu costumava tomar um porre de algo mais forte que álcool, se embebedava no próprio ódio. E eu não era muito diferente, me afogando em luxúria... E fazer isso com ele deixava tudo mais delicioso ainda quando eu olhava a situação.
Seu beijo era intenso e dominador como imaginei, á, e coloque intenso nisso... Sua raiva deveria se manifestar dessa maneira mais vezes.
Entrelacei meus dedos no seu cabelo intensificando a carícia enquanto suas mãos desciam pelo meu peito, agarrando minha cintura com força.
- Acha que isso convence? – Sussurrou separando seus lábios dos meus brevemente depois do beijo de tirar o fôlego.
- Me convenceu até... – Respondi empurrando-o e subindo sensualmente no seu colo, voltando a beijá-lo com desejo mesmo que não fosse recíproco.
Eu sempre fui um verdadeiro puto mesmo, admito numa boa. Até por que desejar alguém é algo extremamente simples, já sentir algo por outra pessoa era de uma complexidade brutal.
Desejo...
Provavelmente era somente isso que Cross sentia por mim esse tempo todo.
Fora apenas sexo e nada mais.
Isso é tão obvio... Mas por que mesmo assim ainda dói?
Me agarrei mais fortemente ao Yuu, praticamente devorando seus lábios, me obrigando momentaneamente a esquecer aquela dor.
- MAS QUE PORRA É ESSA?! – A voz do Allen soou em um tom, tão, mas tão puto que eu me arrepiei dos pés a cabeça, me separando bruscamente dos lábios do moreno.
- Disse alguma coisa Walker? — Yuu perguntou cinicamente.
Vish... O Allen falando palavrão e o Yuu chamando ele pelo sobrenome... A coisa ta feia.
- Ou você explica o que eu tô vendo AGORA, ou eu arranco a sua cabeça Kanda! — Berrou o pequeno em um estado de fúria que eu nunca imaginei que ele fosse capaz de atingir.
- O quê? Só bateu uma vontade repentina de dar uns pegas no Usagi. Algum problema?
Yuu, você tem coragem.
Sai de cima do moreno, deixando-o se levantar. Eu deixaria o casal se resolver primeiro, para depois ter a minha conversa com o britânico.
E pelo modo que os dois se encaravam, a coisa ia ser sangrenta.
- PERDEU O JUÍZO, BASTARDO?! – Indagou Allen insano de ódio e ao mesmo tempo confuso pelo comportamento do moreno.
Claro, Cross é bom de cama demais para deixar alguém perceber que esta sendo observado.
- Acabei de achá-lo na verdade, vadiazinha de merda. – Respondeu ácido e não deu outra: O albino avançou para cima dele irado.
Mas diferentemente das brigas anteriores, dessa vez a coisa era séria.
Não eram mais dois exorcistas que possuíam uma suposta inimizade em uma briga infantil. Agora eram duas pessoas magoadas querendo se matar no estado de ira mais animalesco possível.
Yuu desviou do ataque, acertando-lhe um soco no estômago que fez Allen cambalear para trás e cair sem fôlego com o impacto.
Nunca eu havia visto o Yuu usar tanta força em um golpe contra alguém que não fosse Noah ou akuma.
Ele realmente machucaria Allen dessa vez.
E este parecia tão surpreso quanto eu com a reação do moreno.
Mas como uma coisa que não falta para esses dois é disposição para sair no cacete, o albino se recuperou mais do que depressa, avançando com outro soco em direção ao moreno que também desviou, mas foi surpreendido com um chute que foi forte o suficiente para fazê-lo cuspir sangue.
Ai, acho que ouvi as costelas estalando daqui.
E ai já viu, depois desse breve “aquecimento”, os dois se atracaram igual a dois cães de briga de uma maneira tão violenta que não dava para identificar quem estava acertando quem.
E no meio do quebra pau todo, eis que aparece o filho da puta do Cross ao longe, berrando algo sobre sermos um bando de irresponsáveis e... Eu simplesmente não sei o que é que me deu, apenas comecei a enxergar tudo vermelho e no mais puro impulso, avancei na direção do ruivo e lhe atingi com o cabo do martelo bem no meio das suas pernas, e com toda a minha força.
- Game over General.
-------------------- POV do Allen ---------------------------
Não sei ao certo há quanto tempo estávamos lutando, mas sei que minha raiva não estava 1% mais branda, meu corpo estava 90% destruído, e minha mente 100% confusa.
Primeiro o Kanda me trai com meu melhor amigo, e depois começa a agir como um perfeito idiota, como se eu tivesse feito alguma coisa.
E não era só isso, além de irado em um nível anormal ele parecia visivelmente magoado.
Mas com o que??!
Ah, quer saber...? Dane-se!
De qualquer forma, eu estava com raiva demais para pensar sobre qualquer coisa que não fosse uma maneira bem dolorosa de surrá-lo até desmaiar.
Me livrei da porcaria daquele vestido que me deixava mais lento que uma lesma (agradecendo mentalmente por estar usando uma calça por baixo e meus sapatos normais), conseguindo chegar perto de lhe acertar um chute bem no nariz, só que o maldito desviou tão rápido que eu mal acompanhei, me acertando A Joelhada na minha coluna e me fazendo ficar imóvel por um momento. Ele voltou a atacar, mas logo quando se aproximou eu consegui prender uma das minhas mãos no seu cabelo, puxando-o com força e lhe dando um merecido soco no rosto.
Acho que foi o golpe mais épico que eu já acertei no BaKanda.
Sorri de canto com a cara de fúria que ele fez naquele momento, mas meu sorriso mal durou três segundos pois logo senti uma de suas mãos alcançar o meu pescoço.
Ferrou.
- Eu iria dizendo adeus de fosse você... – Rosnou completamente fora de si, me prensando na parede com força o suficiente para fazer a parede rachar.
- Me larga agora... cof ... Ou eu juro que arranco seu braço.- Retruquei enfiando as garras da Crown Clown em seu ombro até sentir o osso sob as minhas garras, mas sua mão não se moveu um milímetro, mantendo o perto de aço no meu pescoço.
- Se quer tentar vai em frente maldito... Você não tem coragem. – Respondeu me encarando impassível.
Meu corpo se movia sendo controlado pelo ódio que me consumia, me fazendo perfurar vagarosamente a sua clavícula, mas ainda assim algo em mim me impedia de continuar.
Talvez o mesmo que impedisse Kanda de me enforcar completamente.
Isso é o que eu chamo de um maldito impasse.
- Ah, então você também é incapaz de sentir dor desgraçado? – Ironizei em um tom colérico, mesmo que um lado de mim estivesse completamente agoniado com aquela situação.
E pelo jeito, algum lado dele também estava, já que aquela mascara de frieza insuportável logo começou a rachar e ele começou a... Rir.
Acho que o último neurônio dele entrou em colapso.
- Hahaha... E você jura que esta me machucando com isso? – Falou movendo o ombro bruscamente de propósito, fazendo minhas garras atravessarem seu ombro de uma vez só consegui observar a cena chocado, sentindo toda a raiva que queimava cada célula do meu corpo sumir, dando lugar a um frio agonizante, me fazendo lembrar de um pesadelo que tive quando voltamos da ultima missão, onde Kanda aparecia morto pelas minhas mãos.(*)
Senti uma lágrima escapar por meus olhos vidrados.
Isso estava passando dos limites...
- Se você acha que perder um braço realmente machuca alguém, com certeza não sabe nada sobre dor. – Murmurou entredentes, me fuzilando com o olhar.
Não respondi, minha mente parecia bagunçada demais para pensar numa resposta.
- Se pretende continuar, vá em frente e termine o serviço. – Continuou, falando em um tom baixo, soltando meu pescoço e me deixando respirar.
- K-Kanda...
- Você e eu sabemos que mesmo eu querendo tingir essa parede com o seu sangue, eu não consigo... – Sussurrou baixo, se apoiando na parede atrás de mim.
Droga! Ele estava tão perto... Tão malditamente perto...
Eu não queria, não mesmo. Pelo menos não dessa vez.
Mas era absolutamente involuntário.
O que eu sentia por Kanda ia muito além de uma simples “paixonite aguda” ou do que a frase “eu te amo” poderia expressar.
Mesmo sem querer, nossos corpos se atraiam, nossos olhos se conectavam, seus lábios frios pareciam clamar para que os meus os esquentassem.
Era disso que eu tinha raiva.
Eu deveria estar matando esse bastardo de porrada e não beijando-o tão apaixonadamente dessa maneira, tomando cuidado para manter minha mão esquerda imóvel para não machucá-lo ainda mais.
E de repente eu queria esquecer tudo aquilo e apenas te-lo em meus braços me chamando de “Moyashi” com aquela voz rouca e sonolenta por causa do carinho que eu fazia no seu cabelo...
Mais imagens daquele pesadelo me vieram a cabeça, me angustiando. Nos continuávamos presos naquele beijo recheado de mágoa e desejo , e eu sentia seu sangue escorrendo pelo meu braço, ensopando o chão, seus ossos em torno das minhas garras... E tudo isso nossos lábios se encaixavam de um maneira tão inacreditavelmente perfeita.
Por que a linha entre o ódio e o amor tinha que ser tão fina?
- Isso... Já foi longe demais. – Sussurrei ofegante, desativando minha inocência e tirando minhas garras do ombro de Kanda.
- Você é um maldito filho da mãe, por que não podia ter simplesmente escolhido um dos dois? – Resmungou baixo, ainda se apoiando na parede atrás de mim.
- Do que diabos você esta falando?- Indaguei realmente confuso
- Não importa mais.
- Mas é claro que importa! O que foi que eu te fiz?! É disso que esta falando, não é? –Pressionei, mas ele apenas abaixou a cabeça. – Olhe nos meus olhos e responda! – Insisti levantando seu rosto com uma mão e seu olhar me doeu naquele momento.
- Não me faça... – Começou desviando o rosto, mas eu o puxei de volta, forçando-o a me encarar.
- O que aconteceu? – Perguntei sério, não dando nenhuma brecha para ele fugir do assunto.
- Eu vi você e o Cross hoje à tarde. – Falou com uma cara de enterro.
- Tá, e daí? – Questionei entendo menos ainda.
- E daí que eu nunca imaginei que você gostava de agir como uma prostituta entre quatro paredes.
Encarei-o completamente pasmo por alguns segundos.
- Como é? – Indaguei incrédulo.
- E eu não fui o único que assistiu ao showzinho de vocês. – Comentou com total desprezo.
- Como você pode ter visto algo que nunca aconteceu??
Sério, eu morreria antes de fazer qualquer coisa pervertido com o Cross.
- Pode continuar mentindo se quiser, não importa mais. – Respondeu com o olhar fixo no chão, como se tivesse algo de muito importante ali... Ou como se simplesmente não conseguisse olhar para mim.
- Será que dá pra me encarar de frente?! – Falei puxando novamente seu rosto na minha direção, percebendo algo que me impressionou.
Os olhos de Kanda estavam vermelhos, como se estivessem irritados.
E com certeza não era nenhum cisco ou alergia.
- Você... – Comecei, mas ele virou o rosto afastando minha mão com um tapa que fez meu pulso estalar.
- Não entendeu ainda?! Eu to dizendo que não ligo! – Resmungou parecendo prestes a perder a paciência.
E de repente aquele monte de “não importa” começou a fazer sentido.
- Você esta dizendo que...
- Tch.
Kanda estava mesmo dizendo que “aceitaria” se eu tivesse um caso com Cross?
Quero dizer, Yuu Possessivo e Ciumento Kanda?
Por essa eu realmente não esperava.
- Por que? – Indaguei sem pensar.
- Por que as coisas não fazem sentido sem você aqui. Não faziam antes de você aparecer. E se você se for... É como se tudo fizesse menos sentido ainda. E depois é preciso manter as coisas importantes mesmo que... er... – Tentou explicar, mas mesmo ele se enroscando nas próprias palavras, seus olhos diziam tudo que eu precisava saber.
Kanda realmente havia amadurecido quanto a personalidade desde que eu o havia conhecido.
- Yuu eu... – Comecei a falar, mas meu olho esquerdo ativou de repente e logo o som de alguém batendo palmas se espalhou pelo recinto.
- Wow Kanda, estou impressionada! – A garota que batia palmas começou a falar parecendo entusiasmada. – Eu aqui achando que depois de ter levado uma galha deste tamanho, ter saído todo psicótico do prédio e se aproveitado do ruivinho chorão você ia mesmo matar o pirralho de cabelo branco. Que decepção. – Continuou enquanto uma quantidade assustadora de novos akumas invadia a sala, nos deixando sem saída.
- Então quer dizer que acabou perdendo no próprio jogo, não é vadia? – Respondeu Kanda com seu habitual ar superior, só que com um tom ainda mais arrogante.
- Quem imaginaria que você iria tão baixo por causa do amaldiçoado? – Respondeu ela com um ar tão petulante quanto o do moreno.
- Quem é essa ai? – Perguntei percebendo o quão perturbada sua alma parecia.
- Ângela. – Kanda respondeu com uma expressão assassina. – Mas logo não será mais...
Respirei fundo sentindo cada pequena parte do meu corpo doer por causa da briga anterior.
Oh droga.
- Eu fico com os trezentos da direita, você com os trezentos da esquerda, e a gente racha a tal da Ângela, o que acha? – Comentei invocando minha espada.
- Não, quem vai retalhar a vadia sou eu. – Respondeu com uma aura assassina, partindo para cima no estilo mais Kanda de ser.
Acho que vou sentir pena dessa Ângela quando o moreno por as mãos nela.
----------------- POV do Kanda ---------------------------
Me joguei no meio da multidão de monstros, já ativando a segunda ilusão e acabando com os desgraçados da primeira fileira.
Por que eu não usei a Mugen antes contra o Moyashi?
Simples, pura vontade de encher o moleque de porrada até sentir todos os ossos do seu corpo se quebrando com as minhas próprias mãos.
Olhei para trás vendo o Moyashi ralar para acabar com um grupo de akumas que não lhe dariam metade do trabalho que estão dando agora se ele estivesse em seu estado normal. Eram akumas nível 1 e 2 da nova geração, com certeza não eram tão fáceis de matar quanto os akumas da geração antiga. Mas na última missão o pirralho esteve em situação bem pior e não parecia assim tão mal (digo, até ser sequestrado).
Talvez eu devesse ficar preocupado.
Talvez não.
Talvez eu devesse deixá-lo morrer...
Talvez não.
Porra de mente sacana, tanta hora para ficar divagando sobre esses tipo de coisa e vem me ocupar justo quando eu tô lutando! Cacete.
A medida que a multidão de akumas a minha volta ia diminuindo, eu me aproximava da vadia. E a infeliz ainda fazia questão de ficar me esperando com um sorrisinho cínico que com certeza ia sumir quando eu a transformasse em pó.
Senti uma fisgada forte no ombro e só consegui ficar mais puto ainda. Cacete, e eu ainda tinha que ter pagado de masoquista pro pirralho...
O número de akumas a minha volta ia diminuindo em uma velocidade admirável. Mesmo quando eu os partia ao meio e eles se levantam e eu tinha que fatiá-los de novo. Sinceramente esse havia sido o momento perfeito para eles aparecerem, eu estava necessitando matar alguma coisa.
O pior de tudo é que toda vez que eu olhava nos olhos dele, eu via que ele não estava mentindo. Porra, até minha intuição dizia isso.
Mas como podia ser verdade se eu vi ?
Eu estava a um mísero passo da vagabunda. Só que quando eu estava prestes a arrancar a cabeça da miserável, um maldito nível três da antiga geração se mete na minha frente. Filho de uma puta.
Apenas respirei fundo, perdendo o resto da minha paciência enquanto acabava o mais rápido possível com o akuma. Mesmo eu tendo destroçando o infeliz, articulação por articulação antes que ele explodisse ela nem se mexeu. Nem fugiu. Só ficou me encarando e sorrindo com aquela cara de demente.
Por um segundo achei que ela fosse suicida ou algo do tipo.
Tch, vai ser mais fácil desmembrar a vadia do que eu pensei.
Bem, era nisso que eu acreditava ate o cenário mudar drasticamente e eu acabar na Sucursal Asiática.
Ou melhor, na antiga Surcursal Asiática.
Mais especificamente no Sexto Laboratório.
O inferno onde eu nasci.
- Mas que porra é essa...? – Sussurrei pasmo com aquilo tudo.
Andei cuidadosamente mais alguns passos e virei no primeiro corredor, encontrando alguém realmente inesperado na sala onde ficavam os tanques.
- Yuu, faz tantos anos, não é? – Mesmo que seus olhos não estivessem voltados minha direção e eu não conseguir me manter indiferente de forma alguma.
Esse tinha sido um dos motivos de eu querer tanta distancia do Moyashi no começo. Ele e Aquela Pessoa tinham os mesmos olhos, tanto na intensidade como na cor.
- Sabe, todos seguiram em frente depois daquilo... Mas eu não. – Continuou ela, com o olhar fixo em algo que tinha em mãos. Permaneci sem reação. Apenas admirando incansavelmente cada detalhe do seu rosto. – Eu nunca vou cansar de te esperar, para cumprir nossa última promessa... – Sussurrou por fim, levando o objeto aos lábios. Era uma foto.
Me aproximei rapidamente, queria gritar seu nome, mas minha voz não saia. Continuei correndo até estar perto o suficiente para tocá-la, mas quando reparei melhor na cena meu corpo inteiro se petrificou por um momento.
Ela estava sentada em cima de um caixão.
Do meu caixão.
- Não... Isso é impossível...
Eu passei a minha vida inteira lutando para cumprir nossa promessa. Eu não morreria antes disso. Eu jamais me permitiria morrer antes disso, custe o que custar.
Alem disso, tinha algo muito errado ai...
Ela nunca aceitaria as coisas assim tão fácil.
Não a pessoa que me ensinou a nunca desistir.
Simplesmente porque...
Aquela figura não tinha como ser ela.
Como se uma espécie de choque percorresse todo meu corpo, meus sentido que eu nem percebi que tinha perdido voltaram. Era como se eu tivesse me teletransportado de volta para a realidade.
Realidade...
Era isso!
Por isso Ângela sabia da minha suposta “galhada” e o Moyashi não parecia estar entendendo porra nenhuma.
Era só juntar dois mais dois.
As ilusões de Ângela podiam criar com perfeição sensações, texturas, a aparência, a voz... Mas não a personalidade.
Me virei para avançar meu último passo em direção a maldita... Só que ela não estava mais lá.
Oh merda... Não que diga que...
Olhei para trás vendo exatamente o que eu temia, o Moyashi ralando para matar todos os akumas que apareciam pela sua frente, e ela se esgueirando por trás, aproveitando que devido a concentração na luta a sua frente, ele tinha as costas desprotegidas.
É, agora fo-deu.
- Kinki Sangenshiki. — Sem pensar em mais porra nenhuma, ativei a terceira ilusão, dobrando minha velocidade e partindo para cima daquela filha da puta.
Porém, já era tarde demais para bloquear o golpe.
Apenas corri e fiz a primeira coisa que me veio em mente. Me joguei na frente da maldita arrancando um de seus braços, que haviam se transformados em garras imensas na sua forma de akuma, mas sendo perfurado em cheio pelo outro que passou perigosamente perto do meu coração.
- KANDA! – Ouvi-o gritar desesperado atrás de mim, contudo devido a grande perda de sangue (e a minha concentração em dar uma morte bem dolorosa a desgraçada) sua voz me parecia um murmúrio distante.
- Espero que apodreça no inferno. – Rosnei cortando seu braço restante inicialmente, para depois cortar parte do seu corpo na vertical, e só então arrancar sua cabeça, apenas para assistir a expressão de dor da maldita nos últimos momentos da sua vida miserável.
Me livrei da sua garra que estava presa em meu peito enquanto a filha da puta explodia, perdendo ainda mais sangue no processo. E... Putamerda, tinha uma poça tão monstruosa embaixo de mim que estava começando a acreditar que podia me afogar nela.
- Kanda! Hey Kanda! Fala comigo! – Senti as mãos quentes do pequeno me sacudindo pelos ombros.
Era ele que estava muito quente ou eu que estou ficando gelado?
- E-Eu to... Bem... Preocupa não... – Murmurei com a dicção digna de um bêbado, sentindo meu coração desacelerar vertiginosamente.
Mas que saco.
- Moyashi eu... – Tentei dizer alguma coisa sobre a situação, mas de repente tudo ficou escuro.
E as batidas no meu peito eram cada vez mais lentas.
Mas que droga de sensação horrível.
E mais lentas...
Não, não tô nem doido de morrer agora.
E ainda mais lentas...
Será que eu deveria ta vendo uma luz nesse momento?
Merda, acabei de lembrar que vou pro inferno.
Meu coração deu uma última batida vacilante.
Até que... Parou.
Notas finais
Bem antes que me matem, o Kanda teve uma parada cardiáca, ok? Não tem nada falando em morte definitiva ai... ( e para quem leu o mangá, ja sabe que não é a primeira ve que o moreno "morre")
Como eu disse nas notas inicias, eu andei relendo a fic e achei que a relação deles ainda estava muito frágil em alguns pontos, então eu fiz os dois passarem um belo desespero nesse cap. Mas podem aguardar A Reconciliação no próximo cap~
Por favor opiniões, espero ter acertado na descrição da reação dos dois, to morrendo de ansiedade aqui.
Kissus~
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