The Secret Behind Your Eyes
44 Aviso de tempestade.
Notas iniciais
– — — — — POV do Cross — — — — -- -
Olhei pra cima ainda sem acreditar em como a vida dá voltas.
Quem diria que algum dia eu estaria fazendo algo tão romântico como virar monogâmico e ainda por cima assistir o pôr do sol com a pessoa com quem eu estou saindo deitada no meu colo e mexendo no cabelo dela? Puta que o pariu, devem ter colocado uma bruxaria muito pesada no corpo dessa criatura, algo como " se alguém comê-lo, nunca mais vai largar."
– Cross... – Começou com uma vozinha manhosa...
Por falar em voz, o coelhinho mal falava desde a tarde e noite de ontem. Motivo? A criatura gemeu tanto, e tão alto, que quando acordou estava quase sem voz. Eu sou foda cara, apenas isso.
– Não invente de pedir algo que você não vai aguentar... – Alertei, mas sem conseguir não ficar excitado só de imaginá-lo de quatro na minha frente praticamente gritando meu nome daquela maneira tão adoravelmente devassa...
– Outra parte de você diz o contrário... – Começou com um sorriso sacana.
Ah, coelho filho da puta...
– Eu tento ter bom senso, mas você fode tudo... Depois não reclame. – Falei já puxando aquele traseiro delicioso para meu colo e afundando o nariz naquela pele viciante.
– Pode ter certeza que não vou. – Riu baixinho mordiscando minha orelha.
Puta que pariu... Minha orelha não... Eu fico mais puto do que já sou quando mexem na minha orelha...
Subi minhas mãos pelas suas coxas, agarrando-o pelo quadril e o puxando bruscamente para o meu corpo, subindo meus lábios por toda aquela pele deliciosa do seu pescoço, onde seu cheiro — que pra mim, era um potente afrodisíaco — parecia mais forte, me deixando mais louco pra repetir em dose triplicada a noite passada...
– Nossa Lavi, quem era muito seme pra ser uke? — Uma vozinha quase infantil soou de repente, e eu quis enfiar a minha bota na garganta daquele moleque.
Sim, na garganta. Por que pela cara bem humorada do revoltadinho e pelo tempo que eles demoraram para voltar, se eu fosse meter lá atrás, entrava fácil.
Olhei para o ruivinho e... Oh, espere. Eu estou vendo um coelhinho completamente vermelho ou é miragem?!
– Vai se foder Allen. – Resmungou emburrado, se ajeitando melhor no meu colo. – Mas com o seu homem, por que esse é meu. – Complementou com um olhar enfezado.
Mas o que diabos...?! De novo essa coisa de eu ter comido o pirralho!
– Oe, Usagi... – O moreno que parecia a sombra do pirralho tentou falar, mas foi ignorado.
– Engraçado você dizer isso Lavi, quando estava no colo do meu namorado ontem. – O garoto devolveu com um olhar gélido na direção do ruivinho que até eu me arrepiei.
Mas, espera ai, como assim o coelho e o revoltadinho...
– Mas que história é essa? – Indaguei finalmente interessado no que diabos tinha acontecido.
Acontece que ontem, ao final da tarde, eu me distraia pensando em coisas ruivas que não interessam a mais ninguém e exercitando um braço de cada vez, quando ouço um alvoroço vindo mais ou menos debaixo da minha janela. Vou verificar e encontro, um pirralho e o revoltadinho sem a porra do disfarce, saindo na porrada, e o coelho só olhando para a cena sem fazer merda nenhuma para impedir.
E quando eu desço lá para colocar ordem no ring de vale tudo, tomo uma porrada em um local bem perigoso e o meu ruivo putinho começa a surtar pra cima de mim e ainda fica fazendo doce. Desde quando aquela porra louca faz cu doce pra mim?! E agora ouço mais essa de que ele estava no colo do revoltadinho.
No. Colo.
– E tem coragem de dizer isso depois de gemer loucamente na cama do meu general ontem! Allen, eu nunca imaginei que você fosse tão... Tão promíscuo assim! Eu te daria outra surra se fosse já não estivesse tão fodido. – O coelhinho parecia indignado, quase tão irado quanto ontem.
E putamerda, se tinha uma coisa que eu definitivamente não queria ver, era o ruivinho irritado. Meu pau não sobreviveria a outro ataque de raiva.
– Tá maluco Lavi?! Eu morreria antes de ir pra cama com esse ai. – O pirralho respondeu com um tom... Hey, como assim com "esse ai"?! Esse moleque anda muito abusado.
Os dois já tinham se levantado e discutiam frente a frente. O revoltadinho até tentava se meter no meio dos dois, mas a atmosfera estava tão pesada que nem a aura negra do japa endiabrado podia competir.
– Coelho, eu já disse que não comi o pirralho. Vai começar com isso de novo?! – Me levantei também, já de saco cheio da situação.
Não que o pirralho não fosse comestível, mas duvido que ele duraria muito na minha mão...
– Você acha mesmo que me engana com essa cara de santo?! – O ruivinho me ignorou, continuando a gritar com o moleque.
– O quê?! Você que é um depravado maldito! Não me coloque na mesma classificação que você. – O albino devolveu ácido.
Porra, eles vão sair no tapa.
– Dá pra vocês calarem a boca e me escutar?! – O revoltadinho parecia a beira de um ataque. E continuava sendo ignorado que nem eu.
– Pelo menos eu sou sincero comigo mesmo, e não uma putinha incubada como você. – O coelhinho continuou discutindo com um Allen roxo de raiva.
Ah cara, eu bem que queria ver eles se matando no tapa.
– Pelo menos eu não sou uma vadia que não pode ver um pau dando sopa... – o Albino devolveu cinicamente e eu me engasguei com a saliva enquanto o revoltadinho tinha o queixo no chão.
Onde diabos o pirralho tinha aprendido a falar assim?!
Cacete, esqueço o moleque uns meses na ordem, e quando chego o garoto já virou uke de um mal elemento, já virou boca suja, já teve amnésia alcoólica, já passou o caralho a quatro e agora tá perdendo a vergonha na cara também.
Se Mana visse isso, iria querer minha cabeça.
– CALEM A BOCA! – O revoltadinho já tinha uma expressão monstruosa de frustração e raiva.
Era realmente irônico ver Yuu Kanda tentando separar uma briga.
No fim das contas, fiquei apenas prestando atenção. Se desse qualquer merda mais séria, eu parava a brincadeira.
Enquanto isso, eu fiquei reparando no pirralho... Era bem óbvio o que tinha acontecido, mas ele estava andando realmente muito estranho, e isso sem contar que tinha o corpo todo marcado. Certo, eu sabia que ele o revoltadinho tinha lutado feio ontem e ainda enfrentado akumas, mas aquelas marcas não eram de briga de jeito nenhum...
Ah, eu conheço muito bem esse tipo de marca. Chupões, arranhões, marcas de dedos... Só que, não sei é por que o garoto é muito branco, mas as marcas estava (ita)bem fortes.
Continuei analisando a situação enquanto as crianças discutiam. Olhei para o revoltadinho, que já estava em um estado bem melhor. Era de se esperar, com o tipo de corpo que ele tinha, que não houvessem marcas. Mas quando ele virou de costas... Nossa senhora da putaria! Fiquei em dúvida se o moreninho tinha pegado um "Moyashi" ou um leão.
Nem nas fodas mais loucas da minha vida eu vi, fiquei ou deixei alguém arranhado daquele jeito. Pelo jeito a noite foi mais do que boa...
– Vai se ferrar! Você traiu a Lena com quase todo mundo! – O pirralho quase gritava.
E a discussão continuava...
– Nosso envolvimento não passava de sexo, seu retardado! Eu não saio pisando no coração dos outros que nem você! – O ruivinho parecia sério nas acusações.
– Eu vou fazer vocês pararem por mal... – O japonês rosnou parecendo puto. Ou melhor, muito, extremamente puto.
Podia ser coisa da minha cabeça, ou um número grande de horas sem sexo, mas eu quase podia vez um par de chifres na cabeça dele.
Ah, se ele não fosse tão... Revoltadinho, fosse ruivo, ninfomaníaco e bem safado, nós bem que poderíamos passar o tempo melhor do que assistindo o bate boca alheio.
– MAS QUE MERDA! EU NÃO FIZ NADA! JÁ DISSE! – O pirralho gritou exasperado, com os olhinhos ficando úmidos (golpe baixo), fazendo todo mundo, finalmente, graças aos céus, calar a boca.
Aproveitei o silêncio momentâneo que logo sumiria para dar lugar a uma nova discussão e resolvi afirmar minhas suspeitas.
– Meus parabéns, vocês dois finalmente transaram. – Apontei para o revoltadinho e para o pirralho que começaram a ficar vermelhos que nem duas pimentas. — Já estava quase apostando que o moleque ia virar padre e o revoltadinho ia morrer na seca.
Pelo visto Timcamppy teria coisas realmente interessantes para me mostrar mais tarde...
– — — — — — — — POV do Allen — — — — — — — — — -
As coisas só ficavam cada vez mais estranhas a cada segundo. Depois do Cross quase matar a mim e ao Kanda de vergonha com vários comentários descarados, acabamos deixando nossos problemas pessoais de lado e indo investigar o "convento".
Era de fato uma espécie de fábrica de akumas, encontramos pouquíssimas sobreviventes perdidas correndo pela floresta, as "freiras" que trabalhavam para o Conde do Milênio foram mortas no meio da confusão, o local foi quase completamente destruído e depois de encaminharmos todas as moças de volta as suas casas, voltamos a nos encontrar naquele mesmo local.
Haviamos nos dividido para proteger cada uma das garotas que escaparam daquele inferno, por sorte, elas não tinham conhecimento de nada, apenas das explosões. E como poderiam ter? Uma vez que estavam todas fazendo coisas pervertidas na floresta... OK, todos nós estávamos fazendo coisas na floresta, mas isso não vem ao caso.
Acho que depois da discussão de hoje de manhã, nem preciso mencionar que o clima estava péssimo. Devido a noite passada, eu já tinha me entendido bem com Kanda, mas ainda queria arrancar a cabeça do Lavi! Quem aquele maldito pensa que é para falar desse jeito comigo?! E eu nem fiz nada! Bom, pelo menos o Cross e o Kanda acreditavam em mim.
Falando naqueles dois, o General não gostou nada de saber que aqueles dois andaram de esfregando por aí, e claro, sobrou para o outro ruivo. Enquanto isso Kanda parecia absurdamente inquieto, e por mais incrível que pareça, era o único que estava impedindo todo mundo de se matar ali mesmo. E também era o único que parecia entender alguma coisa daquela situação.
Quando todos nos encontramos, fomos FINALMENTE comer alguma coisa!!! Por tudo que é mais sagrado, eu quase morri! Já estava a ver miragens, e a não sentir todos os membros do corpo... O que até era uma boa, por que devido ao fato de meu namorado ser um animal, eu estava todo dolorido.
– Calem a boca todos vocês que eu só vou explicar uma vez. – A voz de Kanda soava mais séria do que o normal, ou seja, definitivamente era importante.
Fazia um tempo que havíamos acabado de jantar, já era tarde da noite e mesmo com a missão concluída, ainda estávamos em uma das únicas mesas inteiras do refeitório do convento discutindo. Até por que, era melhor voltamos para o hospici... Digo, para a Ordem, quando pelo menos fosse possível estar num mesmo espaço sem gerar uma aura negra por todo o lugar.
– Tch, Usagi para inicio de conversa, o General e o pirralho não fizeram nada. Então pare de perturbar o Moyashi antes que eu quebre essa sua cara de pau. – Sentenciou com um olhar assassino que só me fazia pensar o quanto Kanda era agarrável até sendo assustador.
– Mas Yuu! Você também viu! – Lavi exclamou parecendo não acreditar no que ouvia.
– Foi a Ângela. A vadia consegue criar ilusões usando coisas que você tem medo que aconteça. Ou seja, o fato de eu, que cheguei depois, ter visto esses dois se comendo, foi por que você teme que isso aconteça. – Kanda explicava olhando significadamente para o ruivo que parecia processar a idéia.
– Entendo... Se a ilusão fosse para você...
– Eu nunca teria visto nada desse tipo, já que eu não tenho uma mente doente como a sua, e... Eu confio no Moyashi. – Falou distraidamente, fazendo meu coração acelerar sem nem ao menos perceber. – Percebi isso no meio da luta contra os akumas, quando a filha da puta pensou que eu cairia no mesmo truque duas vezes. – Concluiu voltando a beber seu chá.
– E o que você viu? – Indagou Lavi num impulso.
– Você morrendo é que não foi... – Devolveu o moreno, com suas clássicas patadas com peso de coice.
Ouvi alguém fungando e quando olhei para o lado de Kanda, vi Lavi com uma cara de cachorro abandonado na chuva. Eu pensava que era pelo que o Kanda disse, mas...
– A-Allen-chan... Eu te disse coisas tão horríveis... – Sem aviso prévio, a criatura pulou por cima da mesa, caindo em cima de mim em um abraço sufocante que eu retribuí de imediato.
– Eu também, me desculpa? – Indaguei sentindo um peso sair dos meus ombros quando ele afirmou com a cabeça, apertando o abraço. Não gostava de ficar brigado com aquele ruivo destrambelhado. – Mas você e Kanda bem que mereceram ouvir boa parte de tudo o que eu falei. – Completei voltando a me sentar direito, e rindo da cara de cachorrinho abanando o rabo do Lavi.
– Desculpa mesmo Allen, é que eu realmente pensei que você era uma má pessoa e... – Começou incerto.
– Eu entendo você. Sem ressentimentos. – Puxei para perto, beijando sua bochecha e sentindo um olhar fulminante nas minhas costas.
Ele que ficasse quietinho e calado, por que não está em posição de falar de mim.
– A idéia foi minha. Não deveria ter feito aquilo. – Uma voz baixinha soou do meu lado, e eu me virei dando de cara com um Kanda emburrado e desconcertado.
O BaKanda andava uma caixinha de surpresa esses dias....
– Isso foi um pedido de desculpas...? – Comecei com um sorriso de canto.
– Cale a boca. – Respondeu "carinhosamente".
– Eu aceito seu pedido de perdão Yuu. – Continuei mexendo no seu cabelo, vendo-o franzir ainda mais a testa.
– Tch. – Resmungou se inclinando distraidamente na direção da minha mão por um momento, e depois voltando.
– Isso explica a presença que sentimos quando você desmaiou. – Cross se pronunciou, dirigindo-se a mim. – Provavelmente nós éramos o alvo, porém eu ativei a Grave of Maria e o Coelhinho apareceu... Cacete, que enrolação... – Resmungou com cara de tédio.
– Nem me fale... – Murmurei finalmente entendo como toda aquela confusão havia começado.
Olhei para Kanda, que olhava fixamente para a xícara a sua frente, finalmente entendo o motivo dele ter falado comigo daquele jeito e por que tinha agarrado o Lavi. Queria saber se eu me sentiria da mesma forma que ele sentiu quando o visse com outra pessoa (ainda bem, imagina se ele e Lavi realmente tivessem um caso?!).
Mas o que mais me surpreendeu foram suas palavras no dia anterior...
" – Pode continuar mentindo se quiser, não importa mais. – Respondeu com o olhar fixo no chão, como se tivesse algo de muito importante ali... Ou como se simplesmente não conseguisse olhar para mim.
– Será que dá pra me encarar de frente?! – Falei puxando novamente seu rosto na minha direção.
– Você... – Comecei, mas ele virou o rosto afastando minha mão com um tapa que fez meu pulso estalar.
– Não entendeu ainda?! Eu to dizendo que não ligo! – Resmungou parecendo prestes a perder a paciência.
E de repente aquele monte de "não importa" começou a fazer sentido.
– Você esta dizendo que...
– Tch.
Kanda estava mesmo dizendo que "aceitaria" se eu tivesse um caso com Cross?
Quero dizer, Yuu Possessivo e Ciumento Kanda?
Por essa eu realmente não esperava.
– Por que? – Indaguei sem pensar.
– Por que as coisas não fazem sentido sem você aqui. Não faziam antes de você aparecer. E se você se for... É como se tudo fizesse menos sentido ainda. E depois é preciso manter as coisas importantes mesmo que... er... – Tentou explicar, mas mesmo ele se enroscando nas próprias palavras, seus olhos diziam tudo que eu precisava saber."
Não deu pra impedir meu rosto de ficar completamente vermelho. Puxei a mão de Kanda e a segurei entre as minhas por baixo da mesa, entrelaçando nossos dedos e sentindo um calor no peito quando ele me puxou para mais perto de si.
– Não, vocês não eram o alvo. Tem mais coisa fedendo nessa história. – Continuou o meu moreno falando com Cross. – Ângela já sabia de nós desde o começo. Foi ela inclusive que me fez ir atrás do Moyashi naquele momento e...
"Kanda...?"
Uma voz feminina soou no recinto para total estranhamento de todos.
– Lenalee? – Ouvi ele responder e percebi que a voz vinha do gólem.
– Aconteceu alguma coisa? – Indaguei achando o tom dela meio angustiada.
" Kanda... Allen-kun... O LeVerrier acordou do coma. E parece que ele lembra muito bem como foi acabar daquele jeito..."
Senti Kanda enrijecer do meu lado. Todos da mesa mergulharam em um silêncio profundo.
Olhei para o moreno esperando alguma reação, mas ele nem se mexeu. Apenas seus olhos demonstravam o que sentia. Por algum motivo, Kanda estava com medo.
Sua mão que estava entre as minhas me segurou com mais força, me puxando sutilmente para que meu corpo se encostasse no seu.
– Ei, garoto... – Se pronunciou o general. – Se quiser sumir, eu finjo que não vi. – Completou com um olhar sério.
– Eu te ajudo. – Ditou Lavi com um olhar determinado.
Eu não sabia exatamente qual era a situação, só sabia que o LeVerrier era um cretino de marca maior, e que ele, de alguma forma, tinha algum controle sobre Kanda. Eu não tinha idéia de como, mas sabia que tinha algo a ver com o passado dele.
E pelo o modo como Cross e Lavi estavam sérios na decisão de ajudá-lo... Vem desgraça por ai.
– Tch, eu vou voltar para Ordem normalmente. Que coisa... – Respondeu o moreno bebendo tranquilamente um gole do seu chá, mas eu podia sentir que a última coisa que ele estava no momento era calmo.
– Mas Yuu... – Começou Lavi parecendo bem mais preocupado que o próprio Kanda.
– Eu tenho um bom motivo pra voltar. – Falou em um tom decidido, apertando minha mão com mais força e voltando o olhar pra mim.
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