The Señso - A Busca

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Um

A

Fracasso na frente de todos

Todos os fatos desse livro são reais, podem acreditar em mim. Os Likars existem. Os Semideuses também. E muitos monstros conhecidos e desconhecidos.

Mas você deve estar se perguntando “O que é Likar?”, são pessoas que podem ver coisas mágicas (monstros, elementos da natureza, também são pessoas que tem uma energia muito poderosa chamada Shi, entre outras coisas sobrenaturais) assim como os semideuses ou também chamados de meio-sangue. Se você pode vê-los tente ignorar, mas se os monstroste atacarem, peça ajuda de um meio-sangue ou de um Likar, mas nunca, nunca mesmo peça ajuda de pessoas normais, elas vão achar que você é louco, pois elas não podem ver através da nevoa (que antigamente era chamada de sombra). A sombra é ilusão que não permite que os mortais vejam as criaturas mágicas do jeito que são, ou seja, ela produz uma visão distorcida do mundo “mágico”.

A historia que vou contar agora se passa a muito tempo atrás, para ser mais exato na época medieval.

Meu nome é Acûs Gaia tenho quinze anos de idade. Até uns seis meses atrás eu estava estudando na escola para guerreiros, ela ficava na área comandada pelo exercito em Esparta.

Hoje é o dia em que eu e a minha turma estamos se formando. Para ser sincero, não aprendi nada. Eu só servi para ser saco de pancadas do Jacks e seus amigos. Jacks era um garoto que morava na mesma vila que eu, ele tinha cabelos pretos e espetados – parecia um porco espinho –, era magro como qualquer garoto da minha idade, usava uma camisa gola V, uma jaqueta preta, uma calça e tênis pretos também – parecia um gótico ao meu ver.

Eu só tinha dois amigos de verdade um deles era Will Rick. Um garoto de dezessete anos que tinha cabelo igual de velho porque era marrom só que estava ficando esbranquiçados, usava uma roupa toda azul com um sobretudo branco com ombreiras de ferro nos dois ombros, ele não sabia lutar muito. Will também não queria saber de lutar pois queria ser um mago. O outro era Felipe Craver que era outro que não sabia lutar muito, mas ele não era igual ao Will, ele queria ser Curandeiro, tinha olhos azuis e cabelos loiros, ele usava uma camisa bege com um desenho de um dragão nela, e sempre andava com a sua mochila de alça transversal de couro.

Nessas formaturas sempre tinham a luta do melhor aluno contra o desafiante que ele escolhe-se.

– Vamos anuncia o melhor aluno – disse a professora Brigs. Ela só era uma velha que falava bastante.

– O melhor aluno é... Jacks.

Logo quando ela terminou de falar Jacks me lançou um olhar mortífero que me deu calafrios.

– Quem será seu desafiante? – perguntou a professora Brigs.

– Acûs, Acûs Gaia – disse Jacks com uma voz debochada parecendo que já tivesse ganhado a luta.

Pegamos espadas de madeira em cima de um balcão.

– Boa sorte – disse Will.

– Tente não morrer – disse Felipe rindo.

– Vou tentar – acho que eles não ouviram, pois estava muito nervoso e acabei gaguejando.

Eu estava tremendo muito, mas entrei no campo de batalha assim mesmo. O campo era um circulo de mais de trinta metros de circunferência, era todo de barro e todo mundo da escola e a metade da vila estava lá em volta do circulo.

Eu estava tentando parecer confiante, mas estava difícil de controlar minhas mãos.

– O nenémzinho está com medinho? – zombou Jacks.

Não dei atenção e fui correndo em sua direção, mas tropecei e cai no chão. Levantei rapidamente e todos estavam rindo de mim, não me controlei e tive um ataque de fúria. Sai gritando e correndo na direção dele – eu estava patético. Ele simplesmente segurou a minha espada e me golpeou na cabeça, logo cai no chão quase desmaiando.

– Patético – disse Jack rindo de mim.

Tentei pegar a minha espada que estava no chão perto de mim, mas Jacks pisou na minha mão.

– Jacks ganhou – disse a professora interrompendo a luta, pois vira que já tinha perdido.

Levantei-me e Will e Felipe vieram até mim.

– Você está bem? – Perguntou Felipe.

– Mais ou Menos – disse.

Ele abriu sua mochila e me deu um frasco de vidro com um liquido vermelho dentro.

– O que é isso?

– Remédio, para ser direto isso é uma poção de restauração de energia.

Eu bebi a poção e já me senti melhor.

A professora começou a chamar os nomes dos formandos para receber uma espada de ferro. Eu, Will e Felipe marcamos de ir a um bar para comemorar, nós marcamos ás seis horas dentro do bar.

Fiquei conversando um pouco com eles depois fui para casa. Chegando lá, meu velho e meu irmão estavam na porta. A minha casa era uma casa de tijolos com a parte da frente como uma loja, o Josef era o ferreiro da vila e também meu pai adotivo. Ele me contou que meu pai e minha mãe de verdade me deixaram com ele para ir para a guerra que estava acontecendo entre Esparta e Atenas, mas nenhum dos dois voltaram, meu irmão Netsu na época tinha quatro anos e eu um ano de idade.

– Acûs – disse Netsu logo quando me viu. Netsu era meu irmão mais velho. Tinha cabelos vermelhos em um tamanho médio e olhos cinza, usava uma camisa preta e uma calça jeans.

– Oi – disse.

– Como foi lá?

– Jacks me desafio, e eu perdi.

– Até os perdedores tem sua hora de ganhar. Guarde bem essa frase.

– Acûs, Netsu venham cá – disse meu velho.

Ele nos levou para o meu quarto, que era o mesmo do Netsu. Era bem pequeno, tinha uma cama beliche e um armário de um metro e meio de madeira.

– Quero dar um presente do pai de vocês.

Ele tirou duas caixas de madeira de cima do armário, uma era pequena do tamanho de uma caixa de sapatos e a outra era media do tamanho de uma espada.

– Qual é a minha? – perguntou Netsu.

– Não sei qual é a de quem, podem escolher – disse o velho.

Netsu correu e pegou a caixa grande e eu tive que ficar com a pequena. Nós abrimos as caixas ao mesmo tempo, na minha tinham três facas normais e uma estava escrito “GAIA” no cabo e também tinha um bracelete que pegava uma parte do cotovelo e do antebraço e junto tinha um papel escrito:

Hiper Mode

Bracelete

Eu não tinha a mínima ideia do que essas palavras significavam e de quem era aquela letra, poderia ser talvez do meu pai ou da minha mãe.

Na caixa do Netsu tinha o mesmo bracelete que o meu só que o dele era vermelho e também vinha com o mesmo papel, mas não era só isso também tinha uma espada que no lugar da tsuba normal tinha a cara de um dragão vermelho.

– Oh! Que maneiro – disse o Netsu todo sorridente.

– Está feliz por quê? – eu não sabia de quem era aquela voz, mas eu sabia que não era de nenhum de nós três.

– Quem disse isso? – perguntou Netsu já armando a guarda.

– Eu, Leo sua espada seu bobão.

– Como assim você recebe uma espada que fala e eu recebo quatro facas – comecei a ficar estressado – poxa o Netsu sempre fica com as coisas boas, desde quando eu nasci é isso.

– Um dia sua vez vai chegar, lembre-se da frase que eu te disse – Sem briga garotos – quando o velho falo para nós parássemos de brigar, eu abaixei a cabeça e sai e sentei do lado de fora da casa.

– Desculpa – disse Netsu.

– Está tudo bem – menti porque eu não estava nada bem.

– Você já arranjou o seu grupo para ir até o quartel general para se alistar?

– Não. E você vai com quem?

– Eu vou com o Jacks e o Tom. Nós vamos parti amanhã de manhã, você quer vim com a gente? – ele estava com um sorriso no rosto e eu não queria deixá-lo decepcionado, mas eu queria ser independente e ir com os meus amigos.

– Se não quiser responde agora tudo bem – disse ele desmanchando o sorriso.

– Netsu quero ver quem chega mais rápido no QG, quer aposta uma corrida?

– Eu saio uma hora depois de você e ainda chego primeiro –

Nós olhamos um para o outro e começamos a rir.

– Irmão, você está pensando em seguir os mesmos passos do papai que nem eu? – disse Netsu

– Com certeza. Eu quero me torna um Espada e lutar pela paz, igualzinho o nosso pai.

– Acho melhor você ir procurar um grupo, eu vou sair amanhã cedo.

– Estou indo agora.

Antes de sair de casa vi a hora, faltavam trinta minutos para as seis e da minha casa até o bar eram dez minutos.

O bar era praticamente uma casa de madeira de dois andares, tinha mesas de madeira redondas por toda a parte. Tinha duas bancadas, uma no primeiro andar e outra no segundo, onde ficavam os balconistas servindo bebidas.

Cheguei no bar e sentei em uma mesa no canto perto da parede, no primeiro andar. Já estava começando a ficar inquieto por não ter ninguém para conversa e por não compra nada para beber, pois tinha esquecido meu dinheiro em casa.

Vi três caras implicando com uma criança que deveria ter quatro anos de idade. Um deles era alto e magro, usava uma calça bege e um casaco de couro, o outro era da quase da minha altura e usava o mesmo tipo de roupa. Mas o outro me era familiar. Logo percebi que era o Jacks.

O mais alto acertou um tapa no rosto da criança, quando ele fez isso me irritei e levantei batendo na mesa com as mãos.

– Ei vocês – para o meu azar eles olharam, mas olhando pelo lado positivo, a criança conseguiu correr para fora do bar.

– Galera! Se preocupem não, só é o fracassado do Gaia – disse Jacks.

– Já que você acabou com a nossa diversão vamos te dar uma surra – disse o mais alto.

Corri para a porta do bar, mas acho que tropecei ou me empurraram e acabei caindo do lado de fora. Pensei em fugir, só que a criança chorava e me olhava tão fixamente que não consegui sair dali. Ergui a espada e encarei Jacks e seus amigos.

– Acha que pode me ganha depois da surra que você levou hoje?! – ele riu sarcasticamente – Acho que não.

Fiz um sinal com a mão chamando ele para a luta. Jacks desbainhou a espada e veio para o primeiro ataque, que não foi bem o que ele queria, pois me joguei para trás e a espada passou rente ao meu peito. Fui rápido e consegui abaixar do chute e logo em seguida levantei com o cabo da espada batendo no queixo dele. Acho que eu estava começando a pegar o jeito da coisa, pois cortei o peito dele descendo com a minha espada na vertical.

– AHAAA!!! – Jacks gritou tão alto que acho que toda a vila ouviu – Peguem ele – disse ele se recolhendo para trás deles.

O que era mais alto veio atacar primeiro. Ele me acertou um soco no rosto, consegui virar e dar um chute em seu torso. Nesse exato momento o outro acertou uma voadora em meu ombro esquerdo. Ainda com o pé em meu ombro e no alto, ele ergueu meu braço, lançando sua perna direta por cima dele e descendo em uma chave de braço.

Nós fomos ao chão e mesmo caído ele continuava puxando meu braço, que fez um estalo e pela dor que sentia deveria ter quebrado em mil pedacinhos.

Ele levantou e me olhava chorando de dor no chão, mas não desisti e me levantei aos cacos. A criança agarrou em minha perna e eu não tive reação novamente. Não conseguia desistir mesmo todo acabado, aquele garoto tinha um olhar penetrante. Eu queria ir embora, desistir, fugir. Mas naquele momento meu corpo não me obedecia mais, ele estava agindo por conta própria e pela minha vontade oculta de ainda estar ali protegendo aquele garoto.

Depois de receber mais de uma dúzia de socos ou talvez mais de vinte minutos apanhando. Vi uma bola de fogo passar na frente dos meus olhos e indo para onde Jacks e seus amigos estavam. Com um salto eles desviaram do ataque.

Entre as chamas vi Will e Felipe um de costas para o outro segurando seus livros.

– Vocês não vão tocar mais nenhum dedo nele – disse Will.

– Vamos sair daqui – Felipe me pegou pelo ombro.

– Vamos, mas antes temos que levar esse garoto para casa – disse já me apoiando no ombro do Felipe.

Jacks e os seus amigos não esboçaram nenhuma atitude para tentar nos impedir – acho que ele estava com medo.

Levamos a criança para sua casa e partimos para a casa do Will. Que ao meu ver era meio estranho, pois era o único adolescente que conhecia que morava sozinho – eu também não conhecia muitos adolescentes, na verdade só fui conhecer mais pessoas na escola de guerreiros.
Felipe fez uma de suas poções doidas, que tive que beber. Meu braço começou a formigar e a dor passou, mas ainda estava quebrado.

– Cara você se machuca muito, queria ver se não tivesse me conhecido – disse Felipe rindo.

– É, mas meu braço continua quebrado – disse de uma forma sarcástica e correspondendo seu sorriso.

– Minha vó antes de morrer me deu um creme, ela falou que só era para eu usar quando acontecesse algo muito grave comigo. Acho que essa é a hora certa para ver a eficiência dele. Felipe pegou um pote de vidro de dentro da sua mochila de alça transversal e começou a passar o creme em meu braço, já que tinha pouco infelizmente acabou, mas deu para passar no meu braço todo.

– Valeu – agradeci.

– Vocês vão dormi aqui? Se quiserem eu não ligo – perguntou Will.

A casa dele não era muito grande, mas já que morava sozinho não importava muito. Se cada um dormisse em um canto dava para ficar lá tranquilamente.

Balançamos a cabeça como um gesto positivo que iríamos ficar.

Naquele momento convidei eles para ir comigo em minha jornada, que para minha sorte eles aceitaram. Na mesma hora arrumamos duas mochilas com comida, água e um mapa.

Já de manhã vi que meu braço tinha sarado por completo e que o Will e Felipe já estavam de pé.

Felipe foi avisar seus pais, enquanto eu e o Will fomos até a minha casa.

Meu velho estava dormindo e o Netsu já tinha saído, escrevi um bilhete e colei na porta e partimos para o portão da vila.

E lá estava Felipe com três cavalos a nossa espera. Subimos nos cavalos e seguimos rumo ao quartel. Já estávamos quase uma hora cavalgando quando esbarrei em um garoto que deveria ter dezessete anos. Cabelos grandes e loiros, usava um capuz preto, tinha duas aljavas de flechas, uma no calcanhar e outra nas costas.

– Ei! – exclamou mirando em mim com seu arco-e-flecha.

– Desculpa, eu não te vi. Desculpa mesmo – disse

Ele continuou a olhar friamente para mim. Mas finalmente abaixou o arco.

– Keit, esse é meu nome – disse ele sem perder sua posse de serio.

– Prazer Acûs, Will e Felipe – disse.

– Você quer vim com a gente? – perguntou Felipe.

– Vocês então indo para onde?

– Para o Quartel General de Esparta, nós vamos nos alistar.

Ele assentiu com a cabeça e continuamos até chegar em uma ponte velha. A ponte tinha uns vinte metros de comprimento, estava em péssimas condições – ou melhor, estava caindo aos pedaços – e ninguém estava com cara de quem queria passar por ela.

– Quem vai primeiro – perguntei.

– Porque não você? – disse Keit, ainda com um jeito frio.

Concordei, mas por mim eu nem iria – e sim, eu estava tremendo. Mas era só um pouco tá – dei uma boa olhada na ponte até ter coragem.

Peguei impulso com meu cavalo e fui. No primeiro toque com a ponte, ela começou a desmoronar e corri com o cavalo. Já na metade, a corda que segurava a ponte arrebentou. Tive que saltar com o cavalo, mas não tive impulso o suficiente. Comecei a cair em um precipício, não tive outra escolha sem ser pular do cavalo e deixa-lo cair.

– NÃO – gritei, enquanto olhava o grande e bonito alazão cair penhasco abaixo.

Ficamos calados por algum tempo, mas resolvi falar.

– Desculpa Felipe – disse por ver que ele estava meio deprimido – Mas e agora como vocês vão conseguir passar?

– Mande os cavalos voltarem, eu tenho uma ideia – disse Keit tirando uma flecha com uma corrente pressa.

A corrente era grande o suficiente para o que ele planejava. Keit lançou a flecha para o meu lado. Eu acabei entendendo o plano e amarrei a corrente em uma arvore. Keit vez a mesma coisa do lado onde ele estava.

Eles conseguiram atravessar pela corrente sem muita dificuldade.

– Vamos – disse Felipe sem se quer olhar para trás.