Notas iniciais
OLÁ EU VOLTEI COM UMA ONE NOVINHA EM FOLHA PRA VOCêS!
ESPERO QUE GOSTEM :)

Haviam se passado dois anos. Dois anos em que se encontrava só. Dois malditos anos sem seu melhor amigo.

Desde o dia D, John se arrependia a cada momento. Se arrependia por não ter contado a verdade, por não ter dito as coisas que queria dizer. Sim, ele queria. Sempre quis, mas por uma série de motivos deixou seu amor por Sherlock ficar somente na admiração de perto, um amor platônico. Hoje ele se arrependia. Sabia que nada iria voltar a ser como era antes.

Ele não estava preparado. Nem para perder seu amigo e nem para deixá-lo ir daquela maneira. As lembranças ainda lhe perturbavam a mente, mesmo após tanto tempo ainda ouvia a voz de Sherlock no telefone, suas últimas palavras. Tentou seguir em frente, se mudou para um apartamento menor longe de Baker Street, voltou ao consultório, dava plantões quase todos os dias, se enchia com o trabalho para que não houvesse um segundo sequer restante para pensar em outra coisa, ou melhor, em uma certa pessoa.

Vim para te encontrar, dizer que sinto muito
Você não sabe como é amável
Tinha que te ver, lhe dizer que preciso de você
Dizer que te escolhi
Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas
Oh, vamos voltar para o começo
Correndo em círculos, perseguindo a cauda
Cabeças numa ciência à parte

Porém, naquele bendito dia, o sol brilhou sobre Londres trazendo uma aura diferente para John. A cidade, sempre barulhenta, lhe parecia vazia. As pessoas se movimentavam como vultos. O médico reuniu sua coragem, pegou seu casaco e foi à Baker Street. Ainda tinha a chave do apartamento, afinal não tinha como deixar aquela pequena lembrança longe de si. Foi recebido por Mrs Hudson que logo começou a lhe encher a mente.

— John — disse serena servindo chá, porém o capitão percebeu o tom de irritação em sua voz — nem um mísero telefonema, um email que seja! Me faz sentir como se não fosse importante para você, eu sei que Sher... — a senhoria não completou, observou a face constrangida do loiro, fez uma pausa e simplesmente perguntou — como você está?

— Indo — suspirou — às vezes só queria que tudo voltasse a ser como era antes.

— O amor é complicado — Mrs Hudson refletiu em voz alta — nem a morte pode afastá-lo de nós.

John pensou em retrucar, em dizer a frase clássica que já havia cansado de repetir "eu não sou gay", mas deixou a senhoria em seus pensamentos e ateve-se aos seus. Queria subir aquelas escadas uma última vez, dizer seu adeus final e partir de Londres para outros ares. Os Estados Unidos não pareciam má ideia, afinal.

— Posso subir? — perguntou finalmente.

— Claro querido, não ligue para a poeira. Quis deixar tudo em seu lugar — sorriu gentilmente.

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também não disseram que seria tão difícil
Oh, me leve de volta ao começo

John acenou com a cabeça e subiu as escadas. A madeira rangia sobre seus pés, sentia falta disso. Abriu a porta se deparando com um mar de poeira. Tossiu algumas vezes, abriu as cortinas e analisou alguns detalhes de sua antiga vida.

Passou os dedos pela faca encravada na parede onde segurava o tabuleiro de "detetive" e pela caveira que Sherlock lhe dissera, no dia em que lhe mostrara o apartamento, ser seu melhor amigo. Voltou-se para a sua poltrona. Parecia mais surrada e menos vermelha do que se lembrava. Tudo tinha cores mais escuras, a alegria se esvaíra daquele lugar.

Sentou-se na poltrona de Sherlock. O tom verde-musgo ainda estava ali, as marcas dos cotovelos. Riu de si mesmo quando tentou imitá-lo em sua posição "estou pensando" com as mãos unidas, os dedos colados à boca e os olhos fechados em uma expressão séria. Podia ouvi-lo falar que não era para ser interrompido, que estava ocupado com algum caso importante. John não conseguia parar de se perguntar se em alguma parte daquela mente brilhante, ou daquele maldito palácio mental, haveria uma parte só dele. Uma sala que merecia ser só de John Watson.

Cada detalhe era uma fisgada em seu coração, mas tinha que se permitir sentir aquilo mais uma vez. Olhou algumas de suas anotações sobre os últimos casos resolvidos que pairavam sobre a mesa. Riu lembrando-se do "smiley" pichado na parede e dos buracos de bala ao seu redor.

Tudo estava do mesmo jeito, mas ao mesmo tempo não estava. Não havia mais Sherlock Holmes. Não havia mais John Watson. Não haviam mais o detetive e o blogueiro. Havia apenas a sombra do que os dois foram um dia.

Diga-me que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu corro para o começo
Correndo em círculos, perseguindo a cauda
Voltando a ser como éramos
Ninguém disse que era fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também não disseram que seria tão difícil
Eu estou voltando para o começo
Notas finais
UHUL!
ESPERO QUE TENHAM GOSTADO!
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!