The Scientist
26 Roma I- "Hoje não"
Notas iniciais
30 de abril.
Pencione Speranza, Travestere.
Vaticano. Biblioteca Del centro storico.
Roma, Itália.
Annabeth estava dormindo confortavelmente em algum lugar. Ela se remexeu um pouco e se deu conta de que estava dormindo no colo de alguém. Abriu os olhos lentamente e descobriu que estava no colo de Percy. A respiração dela rente ao pescoço dele, não parecia incomodá-lo, já que, pelo visto, ela estava dormindo a algumas horas desse modo. Percy estava acordado, como sempre. Ela o olhou atentamente. Ele possuía olheiras abaixo dos olhos, sem falar nos próprios que estavam muito vermelhos devido ao cansaço. Ele olhava para a sua caderneta, seus olhos passavam depressa pelos números, formulas químicas e qualquer outra coisa que estivesse escrita.
Annabeth se remexeu e nada dele perceber que ela acordou. Ela revirou os olhos e bufou, cutucando o ombro de Percy. Mais uma vez ele não se deu conta. Ela queria que ele parasse de ficar fissurado por aquelas anotações, mas também não poderia impedi-lo. Ele estava perto das respostas e aquilo era importante. Ela aproveitou o abraço dele. Era confortável dormir ali e com um sorriso de lado ela percebeu que fazia a mesma coisa com o seu pai quando era pequena. Quando ele não dava atenção a Annabeth, ela simplesmente se esgueirava para o colo dele e colocava um de seus ao redor dela dormindo tranquilamente logo em seguida, ou apenas esperando um pouco de atenção.
Ela cansou de meditar nos próprios pensamentos e o chamou.
–Percy?
–Hum? -ele retrucou.
–Você vai mesmo ficar namorando essa caderneta e me esquecer?
–Claro que não, Annabeth. -ele disse com convicção, mas sem tirar os olhos do papel. -Eu não poderia dispensar você. Ainda mais com esses olhos cheios de remela, o bafo de uma pessoa que acaba de acordar e esse cabelo parecendo uma juba de leão adolescente.
Annabeth fez a sua melhor cara de ofendida e Percy riu, ainda sem olhá-la nos olhos. Aquilo irritou Annabeth, que pegou a caderneta das mãos e escondeu atrás de si. Percy suspirou e a encarou com um pequeno sorriso. Ela deu um selinho nele e segurou o rosto dele entre as mãos.
–Você precisa dormir, Percy. -ela disse enquanto beijava o rosto dele. -Seu cérebro não vai funcionar normalmente se você não descansar.
–Meu cérebro não consegue desligar e me fazer dormir enquanto eu não resolver isso. -ele respondeu afastando o rosto dos beijos molhados dela, que resmungou, mas logo foi imobilizada pelo abraço forte dele. Annabeth podia ouvir o coração dele batendo através do peito desnudo. -Queria que pudéssemos ser adolescentes de novo. Não ter nenhuma preocupação ao não ser parecer legal pras pessoas do colegial.
–Ir pra festas, beber até ficar tonta, andar de skate... -Annabeth também imaginou um possível retorno a adolescência.
–Ver os DVDs de Star Wars, jogar videogame até tarde da madrugada, assistir as minhas séries favoritas. -Percy suspirou, nostálgico.
Annabeth o olhou com uma careta.
–Que é? -ele perguntou.
–Era isso que você fazia quando não estávamos juntos ou sem estarmos nos falando por telefone?
–Sim, era. -Percy respondeu.
–Credo! Sua vida era muito chata.
Percy semicerrou os olhos e balançou a cabeça em negação. Annabeth sorriu se inclinando para beijá-lo com mais afinco. Percy correspondeu na mesma precisão. Ele começou a passar as mãos pelas costas dela, como se procurasse algo. Annabeth sorriu entre o beijo, adorava o toque das mãos dele. Percy interrompeu o beijo e deu aquele costumeiro sorriso sem mostrar os dentes, típico de um hábito que só ele tinha.
–Bem, você tem razão. Apesar de agora eu ter uma questão politicamente mundial pra resolver, eu tenho uma loira peituda pra fazer a minha vida ser muito melhor do que a chata que eu tinha. -Percy falou, recebendo um tapinha de Annabeth no braço. Percy se levantou e ficou em pé no centro do quarto -E além de ter a melhor, mais inteligente e mais gata, namorada do universo... Eu ainda tenho a minha caderneta de estudos!
Ele levantou a caderneta acima da cabeça e com um sorriso vitorioso. Annabeth abriu a boca em surpresa. Afinal, ele não estava passando as mãos nas costas dela para fazer algum carinho, ele estava pegando a caderneta.
–Você me paga, Jackson! -Annabeth se levantou e se jogou sem cima dele.
Percy se limitou a abraçá-la e levantá-la do chão. Ele jogou a caderneta em cima da cama, sem nem mesmo checar seu destino. Ele novamente beijou Annabeth, eles tinham desenvolvido o hábito de apenas fazer isso nas poucas semanas de namoro. O fato é que tirando a primeira vez que disseram se amar, eles não tinham repetido o feito. Afinal, era muito mais fácil e mais bonito disser essas coisas com um olhar, ou com um beijo, como eles estavam fazendo agora.
Annabeth não teve mais tempo de refletir em o quanto eles eram um casal estranho, pois alguém bateu na porta.
–Eu atendo. -falou Percy.
Quando ele abriu a porta, teve uma surpresa. Annabeth espiou por detrás dele e viu que era aquele cientista que era amigo de Percy desde os tempos de universidade e claro, como não podia deixar de esquecer, era o irmão do cara que queria transformar o mundo em um caos.
–Bob. -Percy o abraçou rapidamente com um sorriso no rosto. -Que surpresa boa vê-lo aqui.
–Olá, Percy. -Bob sorriu, ele tirou o chapéu que cobria seus cabelos prateados. -Hã, posso entrar?
Percy olhou rapidamente para Annabeth e ela assentiu, dizendo que podia sim. Bob colocou todo o seu corpo para dentro do quarto, com o topo da cabeça quase batendo na viga superior da porta, ele era realmente alto. Tão alto que fazia Percy, e seus modestos um metro e oitenta e cinco, parecer um garotinho ao lado dele. Bob parou em frente à Annabeth e arqueou as sobrancelhas.
–Sem querer ser rude, senhorita Chase. Mas a maioria das pessoas penteiam os cabelos. -disse Bob com um vestígio de sorriso brincalhão no rosto.
–Eu sei. -Annabeth revirou os olhos e apertou a mão estendida dele. -Sente-se aí. -ela apontou para a poltrona em que Percy e ela estavam.
Bob assentiu e se sentou lá. Enquanto Percy e Annabeth se sentaram na beirada da cama.
–Esperava vê-lo em Berlim. -Percy disse a ele. -Já que Reyna também estava por lá.
–E eu estava mesmo em Berlim, só que trancafiado com agentes da CIA se certificando de que eu era do bem mesmo. -Bob respondeu. -Percy, você fez uma tatuagem?
Percy sorriu de lado e olhou para o seu braço direito, onde o desenho do tridente era banhado pela luz tênue que entrava pela janela do quarto.
–Sim, Annabeth me levou pra fazer quando ainda estávamos em Madrid.
–Você teve a ideia, senhorita Chase?- Bob perguntou e Annabeth assentiu. -Isso é perigoso, garota.
Annabeth finalmente se deu conta da burrada que fez. Aquilo era um modo de identificação, agora não teria como ninguém se passar por Percy, os vermelhos tinham uma forma de saber quem era ele sem erro. Annabeth fechou os olhos por um momento e depois voltou a abri-los. O olhar de Percy pediu alguma explicação e o olhar dela respondeu que mais tarde daria.
–Bem, eu não vim aqui falar de tatuagens, apesar de ter achado a sua bonita, rapaz. -Bob brincou com o chapéu entre seus dedos e levantou o olhar para encará-los. -Eu quase descobri onde fica a peça-chave aqui em Roma. Mas, infelizmente, o portador das informações não quis falar comigo.
–Por que não? E quem é essa fonte de informações? -Annabeth perguntou.
–O nome dele é Enzo, nunca descobri o sobrenome. Era um amigo próximo meu de quando eu morava em Veneza . Ele se tornou Padre, o que eu acho que na verdade foi só um disfarce, já que ele sempre participou de tráfico de tudo quanto é tipo. -Bob fez uma pausa e juntos as sobrancelhas, como em uma tentativa de se lembrar de algo. -Bem, eu tentei entrar em contato com ele. A única coisa que ele disse foi que o meu irmão estava envolvido nisso.
–Ah, disso nós já sabemos. -Percy interviu.
–Não estou falando desse irmão, Percy. Dessa vez Cronos não tem o domínio sobre algo, apesar dessa alguma coisa ajudar ele e o pequeno exército dele. Estou falando de Crios, meu outro irmão. Que também é louco, mas que não chega a ameaçar o mundo.
–Todos vocês tem nomes estranhos de titãs gregos? -Annabeth perguntou, sarcástica.
–Sim. -Bob gargalhou da pergunta. -Em fim, Vocês vão ter que procurá-lo, o Enzo, quero dizer.
–Percy tem que ir junto? -indagou Annabeth. -Porque, pelo o que sei, coisas assim são de exclusividades a agentes.
Percy a olhou feio, era óbvio que ele queria ir também.
–Sim, eu odiaria mandar o nosso gênio em alguma missão rápida, mas essa não apresenta perigo e além do mais, a peça-chave dessa vez é a documentação. -Bob se inclinou para frente e deu um olhar sugestivo a Annabeth. -Eu e você sabemos por que ele precisa ir, mocinha.
–Ele pode encontrar a fórmula completa do vírus e a composição do vírus em si, já que está tudo arquivado. E só ele pode achar, já que foi ele mesmo que o fez -ela disse.
–Isso mesmo. -Bob concordou. -Mas isso é tudo o que eu sei. Vocês precisam arrancar mais informações do Enzo em relação a isso.
–Onde podemos encontrá-lo? -Percy perguntou.
–Ele vai ir rezar todos os dias na Praça do Vaticano, não é um ato religioso. Ele está apenas esperando algum de seus contatos irem falar com ele. Dei a descrição dele para Reyna e ela e o Joey irão acompanhá-los.
–Perfeito. -Annabeth concluiu. -Espero não profanar nenhum local sagrado.
[...]
A Praça do Vaticano estava lotada de turistas, desde aqueles que se preocupavam com sua espiritualidade a aqueles que se limitavam a tirar fotos para recordações da viagem. Annabeth e Percy andavam de forma serena sobre as ruas, de mãos dadas e com sorrisos mais que felizes no rosto. Claro que não era apenas pura atuação, eles realmente estavam felizes por estarem juntos, mas queriam na verdade se passar por um casal perfeito que estavam em uma viagem de lua de mel, por exemplo.
Havia um velho em meio à multidão. O homem se apresentava de forma curiosa, vestia calça social preta, uma camisa preta de botões e batina. Seus cabelos eram todo branco e rugas estavam em seu rosto, aparentava ter de cinquenta anos acima. Ela estava de costas para o estado do Vaticano, e de frente para a rua. Então, não fora difícil eles o encontrarem, nem mesmo precisaram das descrições de Reyna e Joey. Que por sinal, estavam logo atrás deles. Vestidos como turistas comuns também.
–Vamos até ele. -ordenou Annabeth.
–Não acha que seria um pouco suspeito abordar um padre na Praça do Vaticano com um público desses? -Percy contestou.
–Vamos pedir orações. Só isso.
Percy pareceu desconfortável ao lado dela. Mas ainda sim segurou sua mão e andou calmamente ao seu lado. Annabeth o olhou e sorriu minimamente. Ele vestia uma camisa de manga longa branca, se chegasse bem perto ela era um pouco transparente, dava pra ver as pintinhas pretas no peito de Percy. Ele estava com seus óculos de grau também e ficava escondendo a mão que não segurava a dela no bolso da calça marrom escura. Parecia nervoso, como se um velho guardador de segredos disfarçado de padre, fosse se transformar num deus grego do mal e mandá-lo para o hades.
Annabeth se limitou a vestir a comum calça jeans, uma blusa roxa justa. Ela estava com o mesmo espírito debochado de sempre. Os inimigos que ela enfrentava nas missões da CIA costumam ter medo dela, porque ela justamente não tinha medo deles. Claro que as coisas mudaram depois da missão fracassada na Argélia, mas uma parte dela ainda ficava indiferente diante de uma situação de risco. Ela devorava um sorvete de casquinha. E deu um sorriso galante para o velho-padre-traficante-religioso.
–E aí, Enzo? -Annabeth o cumprimentou.
–Que a paz de... -começou a dizer o homem.
–Ei, ei, não vem profanar o nome de Deus, qualquer que seja. -Percy o interrompeu. Annabeth sorriu sem jeito, ele tinha um lado ativista na adolescência, que ainda estava vivo. Defendia com afinco a liberdade de expressão e todas as religiões possíveis. -Sabemos que você. Se não percebeu ela o chamou pelo nome.
–Ah, inferno! -Enzo exclamou. -Suponho que não podemos ter a conversa aqui, não é? -Percy e Annabeth assentiram. -Vamos tomar um café.
Quando chegaram à pequena cafeteria na periferia de Roma, o falso padre, Enzo, desatou a fumar. E fumava com prazer, fechando os olhos e soprando a fumaça. Joey e Reyna se sentaram numa mesa afastada, mas ainda a vista. Annabeth desconfiava que eles estavam desenvolvendo relações além das de trabalho. Reyna não ria muito com a boca, mas seus olhos pareciam sempre sorrir quando estava com Joey. Ele por sua vez tocava nas mãos dela e falava-lhe baixo e gentilmente, quase com carinho. Annabeth aprovou o casal, mas estava começando a desenvolver um ódio repentino pelo velho a sua frente.
–Então vocês estão querendo informações sobre o velho Crios? -Enzo perguntou.
–Você fala como se fosse bastante jovem. -Annabeth disse baixo, quase inaudível.
–Sim, queremos informações sobre ele. -Percy respondeu a pergunta. -Acho que você já sabe de todos os detalhes do que está acontecendo. A segurança do mundo está ameaçada. Tudo isso porque o louco do Cronos quer atingir o nosso país e eu nem mesmo sei por que. Você precisa nos dizer onde está a peça-chave aqui em Roma.
–Meça sua palavras, rapaz. Primeiro: quem começou todo esse problema foi você, a partir de um erro seu. Segundo: eu não preciso dizer onde está a peça chave, você precisa. -Enzo bateu no cigarro se livrando as cinzas.
–Tudo bem.Deixe-me esclarecer as coisas. -Annabeth pôs as mãos em cima da mesa, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e sorriu docilmente. -Eu não queria estar aqui, meu namorado não me dá mais atenção, eu estou há quatro meses nessa missão ridícula sem resultados eficazes e o meu sorvete acabou. Ou seja, você vai dizer o que precisamos saber!
Percy a olhou como se dissesse: "não, estou te dando atenção, sério?"; e Enzo deu um sorriso frio, tragou a fumaça do cigarro e depois a soltou no rosto de Annabeth, coroando as suas coletivas ofensas. Annabeth devolveu o sorriso, mas logo segurou a gola da camisa do homem. Ela o tirou da mesa e o arrastou até a cozinha.
–Ele está engasgado! Estou indo ajudá-lo! -ela gritou em italiano para as pouquíssimas pessoas no local, que depois das explicações dela voltaram a fazer seja lá o que estavam fazendo.
Percy a seguiu no encalço. Joey e Reyna continuaram sentados, com sorrisos no rosto. A expressão de Annabeth era furiosa. Ela abriu a porta da cozinha e os cozinheiros a olharam estupefatos. Ela encontrou um caldeirão de olho fervente que eles estavam fritando peixe. Como Enzo era velho, magro e pequeno, ela não teve dificuldades em imobilizá-lo e levar o rosto dele em direção ao caldeirão fervente.
–Annabeth... -Percy chamou a atenção dela.
Annabeth o olhou, e só com isso ele entendeu que ela não ia fazer nada, queria apenas assustar o homem. Quando entendeu a linha de raciocínio dela, Percy deu um sorriso singelo e fez a sua melhor cara de mal para o homem. Os cozinheiros saíram da cozinha quando Percy pediu com educação. Joey e Reyna ficaram com eles do lado de fora e pelo visto eles não iriam chamar a polícia.
–Vamos lá. Você vai começar a falar. -Annabeth disse a Enzo.
–Eu não sei de nada, menina. -ele retrucou.
Annabeth chegou a sua cabeça para mais perto do óleo quente.
–Tudo bem, tudo bem! -ele gritou. -O local de documentação é na biblioteca de história nacional.
–O que mais? -Annabeth exigiu.
–Eu não sei, eu não sei. -Enzo choramingou.
Annabeth levou o rosto dele tão próximo da panela com o liquido fervente que respingou no rosto do homem.
–Crios é o único que toma conta do local! Os documentos que vocês procuram estão em uma área específica. Corredor B, estante 3, fileira 5. -Enzo terminou de dizer, vulgo gritar, as informações. -Posso sair daqui a agora?
–Ainda não. Percy segura ele aqui. -Annabeth entregou o velho a Percy que gargalhava discretamente. Ela pegou um guardanapo e disse: — Percy, você ainda anda com a sua caneta no bolso?
–Contracorrete? -ele sorriu e assentiu. -Nunca saio de casa sem ela.
Annabeth pegou a caneta e escreveu todas as informações no guardanapo. Quando terminou, ela fez uma pequena e debochada reverência.
–Gratias ago tibi, pater. -Annabeth agradeceu em latim, a língua falada pelos padres. -Agora vamos ter que matar você para não liberar informações.
–Não! Não! -Enzo implorou. -Me examine, cientista. Você verá que eu tenho o vírus correndo nas veias. Cronos usou em mim e me deixou para morrer nas ruas de Veneza, mas eu sobrevivi.
–Não tem como sobreviver aquilo, é um veneno mortal. Pare de mentiras. -Percy disse a ele sem paciência.
–Eu devo ter alguma mutação genética. Isso pode te ajudar com suas pesquisas. -o velho deu um semi-sorriso e fez uma cara de choro.
–Ok. Será refém, então. -Annabeth decidiu. -Se começar a encher o saco eu atiro na sua cabeça, velho idiota.
–O que fazemos agora, Annie? -Percy perguntou, ainda com o velho pequenino em seus braços.
–Reyna e Joey levam o velho até os outros agentes e nós seguimos para a biblioteca. -ela respondeu.
[...]
Percy apertou a campainha da Biblioteca. Misteriosamente as portas se abriram. Annabeth logo ficou desconfiada, ainda mais que a equipe estava desfalcada. Ela estava armada e Percy também, já que tinha uma boa mira e sempre sabia o que fazer com uma arma. A biblioteca por dentro era enorme, no mesmo patamar das de Londres e Nova York. Com uma diferença: não havia pessoas. Os corredores estavam vazios e tão silenciosos que, quando eles caminham o eco era enorme, os denunciando.
–Percy, procure o lugar que tem de ir. -Annabeth ordenou. -Agora, cara.
Percy desatou a correr. Annabeth continuou andando até o grande salão da biblioteca e parou bem na recepção, em frente à mesa de atendimento. Aquilo estava muito fácil, porque terroristas super espertos e cruéis deixariam toda a sua fonte de informações nas mãos de um louco?
–Eu sei. Todos se perguntam a mesma coisa. –disse uma voz atrás dela.
Annabeth se virou e deu de cara com um homem tão parecido com Bob, que até pensou que era o próprio ali. Só que diferente de Bob, esse tinha os olhos azuis céu e uma expressão cruel no rosto. Ah... não pode ser esquecido de ser citado que ele tinha uma AK-74 que servia como bengala para o lado direito de seu corpo e uma pistola na mão esquerda.
–Sabe, garota, as pessoas dizem que eu sou um pouco louco. Por isso me deram essa função. –Crios explicou. –Porque eu tenho a total capacidade de proteger esse lugar sozinho e usar as minhas armas pra isso.
–É... Só uma perguntinha. –Annabeth o interrompeu. –É agora que eu corro?
Crios levantou a arma e Annabeth se jogou atrás da mesa da recepção. Os tiros não paravam e desfolhavam a mesa de madeira. Annabeth continuou abaixada só que engatinhando até um Corredor de livros. E ficou ali, enquanto tentava da forma mais silenciosa possível carregar sua arma.
–Agora você já deve ter morrido, garota. –Crios disse. Annabeth ouviu passos e julgou que Crios estava andando até a mesa. –Droga! Você não morreu, garota. Isso é inadmissível.
De repente o barulho de um livro caindo no som soou. Annabeth até poderia fingir que era ela, mas o som veio de uma fileira muito distante.
–Tem outra pessoa aqui? E ainda por cima mexendo nos meus livros? –Crios se alterou no meu das perguntas. –Eu vou matar todos vocês.
Annabeth saiu do corredor de livros e atirou no homem. Pena que ela não tinha a mira tão boa quanto à de Percy e acabou acertando o chão antes de Crios, que por sua vez atirou repetidas vezes com a arma. Annabeth correu para o outro lado da fileira e viu qual era. Fileira “H”. Estava a cinco fileiras de Percy. Ela se preparou para correr rapidamente até a fileira que ele estava.
–Sabe, Crios, é sempre uma burrice deixar um homem só tomar conta de algo. –Annabeth disse calmamente. –Ainda mais um homem como você.
E então ela correu. Correu com tudo e na melhor velocidade que conseguiu. Ela pode sentir um estilhaço de bala atingir seu braço enquanto corria. Ela entrou no mesmo corredor que Percy e o encontrou lendo rapidamente um livro.
–Annabeth. –ela sorriu ao pronunciar o nome dela e lhe deu um abraço rápido. –Pensei que o cara tinha te matado.
–O que dizemos para morte, Perseu?
–Hoje não. –ele respondeu. –Achei as anotações, são muitas e de muita utilidade. Eu estou impressionado com os melhoramentos que eles fizeram no...
–Percy, depois você me fala sobre isso. -ela o interrompeu. –O cara tem uma AK-74. Vamos embora daqui.
Quando eles saíram do Corredor “B”, deram de cara com Crios, com a arma em ponto para atirar.
–Puta merda. –Annabeth murmurou.
–É agora que você morre, garota. –Crios retrucou com um sorriso doentio no rosto.
Ele apertou o gatilho. Mas aparentemente algo deu errado. Crios tentou de novo e nada conseguiu. Annabeth ergueu a arma lentamente com um sorriso vitorioso no rosto.
–Acho que não precisamos de mortes, garota. –Crios tentou conversar.
Annabeth pegou impulso e deu um chute nas mãos dele arrancando a pistola que ele sacou quase no mesmo tempo em que dizia as palavras. Ele ficou de joelhos e com as mãos estendidas acima da cabeça para mostrar redenção.
–Desculpa? –Crios perguntou.
–Percy, vamos até a Fileira “A” e me ajude. –Annabeth pediu a ele e deu uma forte coronhada na nuca de Crios, o deixando desacordado.
Eles foram até a Fileira “A”. Percy deixou o livro das fórmulas do vírus no chão por alguns segundos. Annabeth empurrou a fileira com toda a sua força e Percy fez o mesmo. E fazendo uma força sobrenatural sobre a fileira, ela desabou sobre as outras, como em efeito dominó. Logo todas as fileiras da biblioteca estavam no chão com seus livros espalhados.
–Não! Não! Não! –disse Crios acordando do desmaio e com uma das partes do corpo debaixo de uma fileira. –Vocês estragaram meus livros. Minha arrumação! Levei anos pra deixar tudo assim. Todos os arquivos dos vermelhos!
–Sem lamentos, velho. –Percy pediu.
Eles se dirigiram até as portas da biblioteca, mas diferente de quando entraram, a porta estava trancada. Eles olharam para Crios caído no chão.
–Sistema de controle. Tranquei a porta com eles –ele ergueu um controle remoto como de uma TV ao alto. –Acabei de acionar os explosivos, em três minutos essa biblioteca vai explodir. –ele gargalhou no chão. –Vamos todos morrer, garota.
Annabeth correu os olhos pelo lugar e viu a enorme janela de vidro atrás da mesa da recepção. Ela se deu quanta de que qualquer vermelho era burro, porque sempre tinha uma falha em seus planos. Aquela janela, era uma rota de fuga.
–Hoje não. –ela retrucou.
Ela correu até a janela e Percy a seguiu. Annabeth jogou uma caixa pesada de livros na janela, que se quebrou imediatamente. Percy chutou as pontas dos cacos de vidro restantes, para que eles não se machucassem ao pular.
–Vamos pular bem no rio Tibre. –Percy disse. –Não podemos pular em um rio, Annabeth. Vai molhar o livro com as anotações. –ele apontou para o livro.
Annabeth se deu conta de que aquilo era verdade. E seus olhos voltaram a percorrer o lugar. Ela começou a revirar todos os livros atrás da mesa, bem abaixo da janela quebrada.
–É melhor serem rápidos. Vocês só têm um minuto. –Crios lembrou.
Annabeth continuou revirando os livros, até que achou uma caixa. Ela sorriu, aquilo iria servir para por o livro.
–Aqui, Percy. Coloque aqui. –Annabeth estendeu a caixa e Percy colocou os livros lá.
–Vamos? –Percy perguntou e ela assentiu.
Quando pularam, a biblioteca inteira explodiu. Annabeth sentiu o empuxo lhe afundar, água entrou pelo seu nariz. A luz da explosão lá em cima fez o rio Tibre se iluminar em baixo também. A água fresca e agradável invadiu os pulmões de Annabeth, uma agonia a atingiu. Explosivos e água não pareceu uma boa combinação a ela.
Mas quando ela já estava desistindo de lutar pela vida, uma mão lhe puxou o pulso. Ela foi trazida para a superfície numa velocidade absurda.
–Aguenta aí. –era a voz de Percy lhe dizendo para continuar firme.
Ele colocou os braços dela ao redor do seu pescoço. Annabeth ainda estava naquele estado quase vegetativo. Ela o ouvia dar as braçadas e seus olhos se abriam de vez em quando para visualizar a caixa que ainda estava sendo carregada por Percy, usando a sua mão esquerda.
Ele chegou à margem do rio e deitou Annabeth no chão. Os óculos de grau já não estavam mais no seu rosto. Ela ainda sentia seus pulmões nadarem na água. Percy pressionou o peito dela para expulsar o líquido e fez respirações boca-a-boca. Ele repetiu os gestos mais algumas vezes, até que Annabeth cuspiu toda a água, tossindo.
–Ah, graças a Deus. –Percy a embalou nos braços.
–Você não acredita em nenhum Deus, Percy. –Annabeth o lembrou.
–Eu sei. –ele retrucou. –Estou tão feliz que você não morreu.
–Eu também. Mas o quê é que se diz para morte?
–Hoje não. –ele respondeu sorrindo abertamente.
Annabeth aproveitou o abraço dele e eles ficaram ali, na margem do rio, ouvindo as sirenes dos carros de bombeiros. Eles iriam passar sem problemas por qualquer interrogatório, aquela era uma das vantagens de um dos dois ser agente da CIA. Annabeth olhou para o lado e viu a caixa ali. Ela estendeu o braço e colocou a caixa no seu colo. Percy a observou enquanto ela abria.
–Você é incrível. –ela sussurrou para ele. –Conseguiu me salvar e ainda salvar o livro...
–... Eu faço o que posso.
–E depois não quer ser chamado de peixinho. –Annabeth se inclinou e plantou um beijo doce em seus lábios.
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