The Scientist
11 Madrid IV - "Corrida em telhados"
Notas iniciais
Annabeth se remexeu na cama e sentiu um peso sobre suas coxas. Ela abriu os olhos um pouco relutante, já que um cansaço descomunal a atingiu. Quando seus olhos estavam enfim abertos, ela viu uma cena que fez seu coração palpitar de uma forma engraçada. Percy estava com a cabeça descansada sobre suas coxas e fazia uma carícia nelas com um semblante preocupado. Ele tinha a coberto com os lençóis brancos da cama, que a cobrira o corpo inteiro, desde altura dos seios até, é claro, a metade de suas coxas, que ao que parecia tinha se tornado a parte do corpo de Annabeth preferida dele.
–Bom dia. –ela sussurrou para ele, com um sorriso mínimo, mas verdadeiro e até um pouco feliz.
Percy ronronou como um gatinho e a abraço com um braço. Sua tatuagem nova com o desenho de um tridente, reluzia em tinta preta sob a brecha de luz do sol que entrava pela janela. Annabeth acariciou os cabelos pretos e, mais bagunçados que o normal, dele.
–Bom dia, Annie. –ele levantou um pouco o rosto e sorriu para ela também. –Dormiu bem?
–Como a bela adormecida. –ela respondeu.
–Que bom. Porque eu mal consegui dormir com você se debatendo a noite inteira. Sabia que eu ganhei dois socos na cara e um chute nas costas? –Percy disse rindo e recebeu um tapinha na testa e um sorriso travesso dela. Ele se esticou e ficou com o rosto na altura do dela, ele a abraçou novamente e perguntou um pouco mais sério:
–Que pesadelos você tem que te faz sussurrar a noite?
O sorriso brincalhão de Annabeth morreu. Ele tinha tocado na ferida, naquele assunto. Ela desviou o olhar e recebeu um carinho no rosto feito por ele.
–Que marcas são essas nas suas coxas? Parecem cortes, as cicatrizes agora estão pequenas e parecem simples arranhões, mas por que estão ali? –perguntou ele, ainda acariciando o rosto dela.
–Percy não quero falar sobre isso. –ela disse um pouco ríspida ate demais.
–Tudo bem. –ele respondeu compreensivo. –Pode me contar outra coisa então? –ele perguntou e ela assentiu levemente. –Por que não pode ter filhos?
–Bem, isso eu acho que dá pra eu responder. –ela suspirou e prosseguiu: -Eu tenho dois problemas. Tenho algum tipo de aderência que dificulta o transporte do óvulo até o útero que é realizado pela trompa. E para piorar tenho um outro problema mais estranho ainda: meu sistema imunológico entende o espermatozóide como um intruso e o rejeita. Eu até poderia fazer tratamento para os dois problemas, mas provavelmente morreria no parto da criança.
–Isso não é endometriose, não? –ele perguntou com as sombracelhas franzidas.
–Não sei, doutor Jackson – ela brincou com ele e voltou a mexer nos seus cabelos negros colocando-os pra trás daquele jeito sexy. –No dia que descobri, saí chutando a cadeira do médico e fui embora. Não queria mais ouvir. Você sabe que eu sempre...
–Sempre quis ser mãe. –completou Percy se lembrando das conversas que eles tinham no passado.
–É. Mas eu superei, sabe? Fiquei um ano remoendo esse problema, mas agora eu superei. Algumas coisas não são pra ser mudadas, talvez o destino tenha uma razão para tudo isso. –ela abaixou os olhos quando terminou de falar.
–Você ainda pode ser mãe. –disse ele empolgado. –Quem sabe inseminação artificial não resolveria? Eu posso ter dar o meu sêmen e você pode ...
–Não, Percy. Não obrigada. –Annabeth sorriu com a menção dele querer doar sêmen para ela, colocou um dedo nos lábios dele o interrompendo. –Volto a repetir: algumas coisas não são pra serem mudadas. Eu sei que você vive tentando achar a cura pra tudo, a solução para tudo, mas eu já me conformei com isso. Não volte a desenterrar um problema que eu já superei.
–Mas... –ele tentou dizer.
Annabeth o calou com um beijo calmo, como aquele que eles deram na Praça do Retiro. Percy não parecia conformado com aquilo que acabara de ouvir, mas retribuiu o beijo com empolgação.
Quando se separaram, ele estava ofegante e com os lábios vermelhos. Annabeth gostou daquela visão e abaixou os olhos. Ele ainda estava nu, assim como ela, porém não tinha nenhum lençol o cobrindo. Esqueça sobre a visão dele ofegante e com os lábios vermelhos, Annabeth gostou muito mais de vê-lo como ele veio ao mundo. Percy percebeu que ela estava o olhando e pegou um pouco do lençol que estava sobre o corpo dela e se cobriu, com o rosto corado.
–Está escondendo o quê? Eu já vi tudo ontem. –ela sorriu e abraçou o corpo dele, beijando e lambendo seu pescoço. –E você tem um corpo lindo, sem falar que eu adorei o que você esconde dentro das calças.
–Para com isso. –ele pegou o lençol, se levantou da cama e amarrou o tecido na cintura enquanto se dirigia até o banheiro. –Eu vou tomar um banho, você deveria ir pro seu quarto.
Annabeth fez um bico e uma cara de coitada. Ela se levantou e caminhou até ele.
–Deixa eu acompanhar você, Percy? –ela pediu com a voz manhosa.
Ele levantou um sombracelha e parecia ponderar o pedido. Sua cara de moleque inocente começando a se dissipar. Ele deu um suspiro cansado e disse:
–Quem sabe logo mais a noite, hein? –ele beijou a testa dela. –Agora eu vou sozinho e você vai para o seu quarto. Prometo que depois nós iremos nos divertir.
Então, ele entrou no banheiro e deixou Annabeth ali, sem entender nada. Ela deu de ombros e se agarrou as esperanças de que depois eles poderiam se divertir mais. Procurou suas roupas e as viu dobradas em cima da escrivaninha no canto do quarto. Ela deu um sorriso de lado, Percy sempre fora muito organizado e cuidadoso até com as roupas. Ela as vestiu e voltou para o seu quarto.
Quando chegou lá, logo se despiu e foi para o banheiro tomar um banho. Enquanto a água quente molhava sua pele, ela se lembrou da noite passada. Percy... O maior mistério da vida, com certeza. Uma hora um cara ousado e desinibido, outra hora um cara envergonhado por estar pelado na frente de uma mulher e que recusa um banho com intenções sexuais.
Ela terminou seu banho e vestiu uma roupa confortável, que se adequasse ao inverno de Madrid. Vestiu uma calça leg e uma blusa azul de mangas longas. Ela iria se deitar na cama e ler os papéis que Di Ângelo lhe dera, mas viu algo que a desconcertou.
Em cima da sua cama havia uma rosa vermelha, como aquela que fora colocada em cima do corpo do russo chamado Vyalov. E um bilhete também vermelho idêntico ao que ela tinha recebido na boate.
Ela abriu o bilhete e leu a mensagem com um misto de medo e ódio.
“Você não tem utilidade. Vamos matar você. Acho que seu cientista dera um ótimo prisioneiro.”
Annabeth amassou o papel e jurou a si mesma que iria matar todos aqueles desgraçados. Mas estava preocupada demais com a possibilidade deles já terem entrado no quarto de Percy. Ela correu até a porta, mas antes pegou sua arma que estava embaixo do colchão da cama.
Ela abriu a porta do quarto de Percy sem pedir licença. Quase desmaiou de alívio quando o viu lendo um livro de química, sem camisa e de calças jeans. Ele tinha uma toalha em volta dos ombros e seus cabelos, de uma forma desajeitada jogados para trás, ainda pingavam do banho. Ele secava-os enquanto lia.
–Graças a Deus! –ela gritou. Andou até a ele e parou de frente para olhá-lo. –Você recebeu algum bilhete?
–Não, nenhum. –ele a olhou mais uma vez daquela forma preocupada. –Annabeth, o que ouve? Você parece assustada.
Ela suspirou e lhe contou sobre o bilhete e a flor vermelha em cima da cama. Percy olhava para o teto estupefato.
–Se você não tivesse dormido aqui ontem eles teriam te matado. –ele observou.
–Isso. Eles querem me matar porque eu sou a única pessoa que te prende do lado da CIA. –ela comentou.
–Você e Jason. –ele confirmou.
Annabeth baixou os olhos e deixou Percy meditar no que iria fazer. Então, ela viu.
O homem estava agachado no telhado da casa em frente, um atirador de elite com uma arma que provavelmente era silenciosa.
–Percy, abaixa! –ela ordenou enquanto o jogava no chão.
Os tiros vinheram em disparada. Pelo que parecia não havia só um atirador, mas vários. Percy cobriu o corpo dela com o dele, o que ela achou irônico já que a missão dela era proteger ele. Ela apontou para debaixo da cama e ele entendeu o recado. Ele se arrastou até lá com o corpo ainda por cima do dela. Os tiros continuaram enquanto Percy a abraçava de uma forma protetora enquanto eles permaneciam deitados em baixo da cama. Percy tinha os olhos agitados e se agarrava a Annabeth como uma criança assustada.
De repente os tiros pararam. Talvez os atiradores tenham acreditado que já tinham acertado algum deles dois. Os ouvidos de Annabeth zuniam por causa da raiva. Ela odiava ser a vítima e ficar encurralada como uma coitadinha.
–Vem, Percy, vamos sair daqui. –ela disse e o cutucou para ele sair do transe que parecia estar.
Ele nem se mexeu a respiração estava acelerada e entrecortada, os olhos agora estavam fechados. Annabeth lhe deu um tapa forte no braço.
–Aí ! –ele reclamou.
–Sua ameba, se mexe para que possamos sair do quarto! –ela ordenou ainda em sussurros. Depois rolou para fora do espaço onde estavam e foi engatinhando até a escrivaninha de Percy, e pegou sua caderneta de anotações.
–Tome. – ela jogou a caderneta em cima dele. –Não desgrude disso, se os vermelhos pegarem suas anotações, não vão precisar te manter vivo para nada.
–Olha, com todo o respeito, mas eu acho que o que eles acabaram de fazer não foi uma tentativa de preservar a minha vida. –ele retrucou.
Annabeth suspirou e olhou pela janela, o atirador não estava mais lá. Percy se levantou e fez a sua melhor cara de assustado quando viu a luz do sol entrando por vários buracos feitos a bala espalhados pelo quarto. Annabeth apertou um dispositivo que ficava na sua arma, ele servia para chamar reforços. Por falar em agentes amigos, onde estava Daniel? E o pior onde estava os atiradores?
Como em uma resposta pela pergunta, vozes foram ouvidas no corredor.
–Por aqui! –as vozes sussurravam enquanto os passos pesados de homens sedentos por sangue eram ouvidos.
Annabeth arquitetou um plano de emergência. A janela, eles tinham que fugir pelos telhados que, pelo menos na parte da cidade em que eles estavam, eram colocados um no outro. Eles poderiam saltar de casa em casa com facilidade e agilidade.
–Percy, a janela! –ela apontou para ele e depois para a saída mais provável.
–Não, não, não, não – ele choramingou. –Eu tenho medo de altura, Annabeth.
–Escuta, você quer viver? –ela perguntou e ele assentiu minimamente. –Então você vai fugir pelo telhado. Agora.
Ela não esperou uma resposta dele e o empurrou até a janela. Ele se pendurou de uma forma desajeitada do lado de fora, ele evitava encarar o chão e as pessoas curiosas lá em baixo. Ele continuou a subir e quando chegou lá em cima, auxiliou Annabeth a subir também.
–E agora? — ele perguntou.
Os atiradores gritaram de frustração lá em baixo e atiraram para cima, o tirou saiu um pouco ao lado de Annabeth.
–Agora a gente corre, não é? – ela disse dando de ombros e fazendo um sorrisinho de deboche.
–Estamos perto da morte e você fica aí fazendo graça. –Percy resmungou mal-humorado.
Ela sô teve tempo de sorrir, e correu pelo o telhado da pensão em direção ao da outra casa. Percy a acompanhou, xingando e murmurando seus temores sobre altura. Os atiradores também foram rápidos e já estavam se organizando para correrem pelo telhado.
Percy alcançou Annabeth e os dois corriam lado a lado agora. Eles estavam no telhado da terceira casa quando algo inesperado aconteceu: o as telhas quebraram e eles despencaram em um quarto. Annabeth estava com o corpo por cima do de Percy que gemia baixo de dor.
–Mas que merda ... –ela começou a dizer quando viu a cena.
Eles estavam num quarto com um homem e uma mulher que faziam sexo – ou pelo menos estavam. A mulher arfou e se cobriu, o homem – careca, gordo e com uma expressão furiosa- se levantou. Ele pegou o seu sapato do chão e correu em direção a Annabeth e Percy, que tinha se recuperado e agora estava em pé ao lado dela.
–Isso não foi nada – Annabeth gritou para o homem, em inglês mesmo. A situação era tão bizarra que ela esqueceu o idioma espanhol. –Continuem... a fazer o que estavam fazendo. –ela deu um sorriso gentil e correu para o corredor puxando Percy atrás de si.
O homem os xingou em espanhol e fechou a porta com força atrás deles. Annabeth teve que se segurar para não rir do cara. Ele tinha gordura demais no corpo e “outras coisas” de menos, era hilário.
–Ah não. Não podemos ser tão azarados assim. –falou Percy.
Annabeth levantou uma sombracelha e observou o local em que eles estavam. As mulheres seminuas os olhavam estupefatas e os homens, que variavam de homens de negócios a perrapados de rua, tinham um sorriso estranho no rosto, como se tudo fosse parte de um show.
–Um prostibulo. –Annabeth final percebeu onde estavam. –De todos os lugares, nos tivemos que cair logo aqui. –Annabeth bufou.
As prostitutas ficaram iradas por eles serem intrusos e estarem atrapalhando os negócios. Resultado: um frenesi se desencadeou. Percy olhou de lado para Annabeth e ela não pode evitar o sorriso torto.
Afinal era só o que faltava no dia: eles serem perseguidos por putas espanholas. Percy foi na frente e Annabeth virou para o corredor da direita em seguida. Ela ainda sorria e Percy a olhava com um olhar reprovador. O sorriso dela morreu quando ouviram o barulho de tiros.
–Caramba, ainda não despistamos esses caras? –indagou Percy, indignado.
Eles entraram em um quarto no fim do corredor, ao que tudo indicava aquele era o aposento VIP. Percy chutou a porta que foi ao chão.
E pela primeira vez no dia ele sorriu. Esqueça o cara careca e barrigudo de coisas pequenas. Ver um velho de provavelmente 70 anos, nu, em cima de uma cama e conversando com uma prostituta que aparentava 18; era mais bizarro ainda.
–Caramba, tio. –Percy disse ao velho. –Suas coisas nem devem estar mais funcionando e o senhor ainda quer pegar uma menina de 18?
–Estamos só conversando meu rapaz. –respondeu o homem em inglês com sotaque britânico. A expressão do velho de repente ficou feroz. –E as minhas coisas funcionam, sim! Claro que tenho que tomar uns remedinhos, mas... –ele sussurrou a ultima parte e não terminou a frase. O maxilar se movimentando daquela forma engraçada que só os idosos fazem.
–O velho é carente. -Percy sentenciou e sorriu para ela.
Pela primeira vez eles gargalharam da situação. Annabeth viu uma janela ali no quarto. Ela foi até lá e avaliou a queda. Não era muito distante do chão, com o treinamento que ela recebeu da CIA tinha como ela pular sem problemas. O problema era Percy. Mas ela logo achou uma solução quando viu uma escada – daquelas usadas para se subir em postes -, lá em baixo.
–Percy, eu vou pular. Quando eu chegar lá em baixo, vou abrir a escada e colocar escorada a parede para você descer. –ela o olhou e ele assentiu. –Segure a minha arma. Fique aqui com o tio carente.
Ela entregou a arma para ele, que a olhou um pouco preocupado. Ela se lembrou que Percy sempre fora um cara contra a violência no passado, e em parte porque ele tinha pânico de armas.
Annabeth pulou e deu um giro no ar antes da queda. O impacto ainda foi grande, mas ela não sofreu nenhuma lesão. Quando ela iria na direção da escada, um homem com roupa preta pulou na sua frente.
–Olá agente. –ele falava em inglês, mas tinha sotaque italiano. –Que bom que está sozinha, só assim poderei cumprir minha missão logo e matá-la.
–Ah, então as ordens era me tirar da jogada? –Annabeth perguntou, tentando ganhar algum tempo para pensar em um plano. –Vai ter que fazer melhor que isso, cara.
O homem gargalhou. Ele tinha um pano cobrindo metade do seu rosto, então era difícil reconhecê-lo de algum lugar. Ele chegou perto de Annabeth e lhe deu um tapa no rosto. Ela rosnou e tentou avançar em cima dele, mas recebeu um chute na coxa direita. Ela olhou para cima e viu a silhueta de Percy na janela.
–Uma pena eu ter que matar você. –o homem virou o rosto de lado e a olhou com perversão. –Poderíamos ter não divertido tanto!
Então, ele levantou a arma. Annabeth fechou os olhos com força e ouviu o tiro.
Ela não morreu, mas ouviu um corpo se estatelando no chão.O homem de roupa preta estava caído, morto. Percy estava lá em cima, com a arma ainda em punho e uma incredulidade estrema estampada no seu rosto. Annabeth mancou até a escada e a abriu. Ela era pesada, então ela agiu com certa dificuldade para colocá-la rente a janela.
Quando ela finalmente conseguiu, ficou observando Percy descer por ela. As costas dele estavam arranhadas, já que quando eles saíram da pensão ele não tivera tempo de colocar uma blusa.
Ele entregou a arma para ela sem olhá-la nos olhos. Ela sabia o que era isso, sabia como era culpa de ter matado uma pessoa. E logo ele, tão bom, tão puro, carregar a culpa de sangue para o resto da vida era tão... injusto.
–Está tudo bem, Percy. –ela tentou consolá-lo enquanto lhe arfava as costas com os aranhões. –Você fez o que precisava ser feito.
Ele não disse nada, apenas ficou lá, parado e encarando o chão. Annabeth queria reverter aquilo, voltar no tempo. Mas era impossível.
E logo naquele dia, que eles tiveram um começo de manhã tão agradável.
[...]
Depois que Percy atirou, o dispositivo na arma de Annabeth tinha sido acionado. Os agentes foram atrás deles em questão de segundos.
E agora eles estavam na base da CIA, em Madrid. Phill os olhava com preocupação. Percy continuava encarando o chão, mas pelo menos agora ele tinha vestido uma camisa cinza emprestada por um dos agentes. Daniel, milagrosa e misteriosamente, tinha aparecido.
E Annabeth terminava de contar a sua história.
–Então, foi isso o que aconteceu. –ela finalizou.
Phill assentiu.
–Tem mais uma coisa que acho que você gostaria de saber, senhor Jackson.
–O quê? –disse Percy levantando os olhos.
–Venham a enfermaria comigo. –pediu Phill.
E eles foram. Annabeth segurou a mão de Percy por uns segundos e a apertou gentilmente. Ele olhou nos olhos dela, mas depois desviou o olhar. Ela esperava que ele não estivesse com raiva dela.
Eles chegaram perto de uma das macas brancas no recinto. E um corpo, deitado de barriga para baixo estava lá estirado. As costas estavam em carne viva, com marcas de açoites de um chicote que foi usado provavelmente como instrumento de tortura. O sangue escorria de alguns ferimentos espalhados por toda as costas do rapaz, mas em alguns pontos o sangue já estava seco.
Os cabelos loiros estavam molhados de sangue, e o rapaz se remexia, em seu sono perturbado e provocado por uma bolsa de morfina sendo injetada diretamente em suas veias.
–Jason... –a voz de Percy falho ao chamar o nome do amigo. Ele se colocou ao lado de Jason e escondeu o rosto nas mãos. –Não, não, não! Foi por isso que não conseguimos achá-lo ontem à noite, eles tinham o pegado!
–Não fique assim, Percy. –Annabeth tentou dizer.
–Não ficar como, Annabeth? Eu matei uma pessoa. E Jason está quase morto aqui. –Percy voltou a esconder o rosto nas mãos.
Annabeth fez uma careta. Se Piper visse a cena de Jason com as costas mutiladas, teria um infarto.
–Pra mim já chega. Temos oito meses pra resolver esse problema. Então eu quero um tempo, preciso visitar meu pai. –Percy anunciou olhando para Phill e Annabeth.
–Mas ele está muito longe, Percy. –ela disse com a voz suave, tentando persuadi-lo. –Não podemos alterar o curso agora. Estávamos indo para Paris, e onde ele está é quase na Europa Oriental.
Phill deu um suspiro cansado.
–Você pode visitar o seu pai, senhor Jackson, desde que prometa voltar com tudo para resolver de uma vez por todas essa missão. –sentenciou o homem.
–Eu prometo, agente. –Percy concordou.
Annabeth balançou a cabeça negativamente, aquela viagem poderia estragar tudo. Mas Percy precisava de tempo e, pra falar a verdade, ela também.
–A senhorita Chase o acompanhará. Jason Grace irá voltar e se recuperar em Nova York e quando vocês voltarem para as rotas de viagens, em Paris, ele já estará a sua espera. –Phill avisou olhando com pesar o rapaz ensanguentado em cima da maca. –E então, para onde vocês irão?
Percy olhou nos olhos de Annabeth pedindo para ela cooperar e tirar aquele olhar reprovador do rosto. Ele deu um suspirou longo e em seguida disse:
–Vamos para o porto de Burgas, na Bulgária.
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