The Scientist
32 Donestk V - "Selvagerias amorosas e bombas"
Notas iniciais
Madrugada de 15 para 16 de maio
Área rual de Donestk, Ucrânia
–Eu pensei que faríamos mais que apenas tomar banho. –Percy sussurrou jogado na cama com os cobertores até o queixo.
–Eu também pensei, essa foi a minha intenção ao te chamar. –Annabeth gargalhava ao lado dele. –Não pensei que a água estaria a duzentos abaixo de zero.
–Por isso a garrafa de chá quente ao lado da banheira. –Percy a olhou. –E é por isso também que eles aqui na Europa Oriental quase não tomam banho. É um frio desgraçado.
–Bem, nós tomamos banho. Podemos nos considerar vitoriosos.
Annabeth encostou a cabeça no peito de Percy e ele a abraçou. Agora que eles estavam vestidos, não parecia estar tão frio, ainda mais pelo calor dos braços dele. Ela amava aquele abraço. Parecia que nada no mundo seria capaz de atingi-la quando estava ali.
–Eu amo você, sabia? –ela levantou a cabeça para olhá-lo.
Sua expressão facial estava séria, mas os olhos verdes sorriram. Ela podia ver claramente o quanto qualquer demonstração de carinho dela o fazia derreter por dentro.
–Não esperava por isso. –sua voz grave a respondeu. –Por que disse isso de repente?
–Ok, não vou receber um “te amo” de volta. –ela voltou a encostar a cabeça no seu peito e o abraçou forte sentindo o seu cheiro através da blusa. –Só senti vontade de te disser isso, Jackson. Deixe de ser seco. E além do mais, você é a única pessoa até hoje que foi capaz de me fazer bem mesmo depois das minhas voltas ao passado. Te amar é pouco em troca desse bem que você me faz...
Percy a virou tão rápido na cama que ela nem ao menos teve tempo de completar a sua fala. Ele colocou o seu corpo entre as pernas dela e uma das mãos em sua nuca, agarrando levemente os cabelos dali. Um braço dele a envolveu pela cintura e a abraçou forte puxando-a para si. Os lábios de Annabeth estavam a sua mercê e ela gostava da sensação.
Percy a beijou. Um beijo calmo e envolvente, mas acima de tudo muito sensual. Sua língua explorava a boca dela e o seu corpo se esfregava levemente no dela. Ele finalizou o beijo com uma trilha de mordidas no pescoço dela.
–Eu também te amo. –ele disse rente ao ouvido dela, fazendo com que seus olhos revirassem.
–De repente ficou calor aqui, não é? –ela comentou. –Acho que não temos mais desculpas pra... Você sabe. –e sorriu maliciosa.
Percy colocou as pernas dela cruzada na sua cintura e a levantou. Annabeth vestia uma camisola velha que pertencia à falecida Ania e no momento que Percy a levantou, a parte inferior do seu corpo ficou a disposição dele, que agarrou a sua bunda sem dó. Percy continuou com ela naquela posição e andou, carregando-a sem parar de beijá-la, para fora da cama até a porta, que foi devidamente trancada por ele.
Annabeth foi colocada no chão, em pé e na frente dele. Seus braços ainda continuavam a enlaçar o pescoço do rapaz, fazendo-a não aguentar toda aquela proximidade com seus lábios separados. Beijou-o profundamente enquanto arrancava a blusa dele. Quando a peça de roupa não estava mais ali, Annabeth tratou de passar as mãos por aquele lindo peitoral que agora era só dela. Seus lábios procuraram o pescoço dele, deixando um chupão que ficaria por alguns dias.
–Eu quero tocar você. –Percy dizia tentando conter os gemidos pelos lábios quentes dela. –Quero fazer você revirar os olhos. –ele a prensou na parede puxando sua camisola para cima e a tirando de vez. Ela estava somente com a calcinha, e os seus seios a mostra fora um convite perfeito para ele tocá-los. –Quero te fazer gritar por mais. –ele desceu a sua mão até a calcinha dela que já estava molhada e tocou o seu clitóris por cima do pano fazendo-a se contorcer.
E então ele parou, a olhou sério e agarrou os seus cabelos fazendo com que a cabeça dela ficasse levantada para um perfeito contato visual.
–Quero fazer tudo isso de modo que você não consiga distinguir se estamos fazendo amor ou sexo selvagem. –ele finalizou.
Aquilo foi o estopim para Annabeth que o empurrou com força até jogá-lo de costas na cama.
–Então vamos parar de falar. –ela colocou uma das mãos em seu membro que já estava bem acordado, duro como pedra.
Percy deu um gemido contido aproveitando a sensação do que estava sentindo. Ele mesmo arriou as suas calças, ficando apenas de cueca. Annabeth continuou a fazer aquilo enquanto o olhava e ele sustentava o olhar. A respiração dele ficou pesada e seu membro já pulsava. Ele deu um meio sorriso.
–Não, não. –ele a virou, dessa vez com delicadeza. –Primeiro as damas.
Ele a deitou beijando com veracidade um dos seus seios, colocando-o na boca e massageando o outro. Percy investia o seu corpo contra o dela, que pelas roupas íntimas que ambos usavam, não permitiam que ele a penetrasse, deixando tudo tortuosamente excitante. Ele foi para o outro seio dando uma mordida no bico, fazendo o corpo da loira estremecer, para depois chupá-lo também. Seus lábios sugavam a pele para si enquanto sua língua passeava divertidamente por lá.
Percy finalizou seu trabalho dando um beijo no vale entre os seus seios e continuou a trilha de beijos pela sua barriga, tudo isso sem tirar os olhos dela. Ele parecia raivoso, decidido, bravo. E Annabeth ficava cada vez mais molhada. Os beijos pararam quando chegaram a sua calcinha, que ele fez questão de rasgar ao meio fazendo Annabeth sorrir assustada.
–Você estragou a única peça de roupa íntima legitimamente minha. –ela o repreendeu ainda sorrindo pela audácia.
–Olhe bem pra mim. –ele disse sério como um predador analisando sua presa. –Pareço me importar?
Annabeth quase o xingou, quase. Não deu tempo, já que ele se livrou do tecido e passou a sua língua em seu clitóris. Ela gemeu. Percy distribuiu beijos ali enquanto seu dedo contornava a sua entra. Ela gemeu um pouco mais alto. O dedo dele a penetrou, e ele chupou o seu clitóris com maestria, lambeu e chupou, para cima e para baixo, lenta e rapidamente, várias e várias vezes. E a essa altura ela já estava com a mão na boca para conter os gritos para que o casal de senhores que os acolheram não ouvissem. Annabeth baixou os olhos e viu que o seu namorado a observava o tempo todo enquanto fazia aquilo. Seus olhos sorriam de prazer e sua boca que trabalhava lindamente, de vez em quando, exibia um sorriso orgulho. Ela constatou algo: ele amava fazer aquilo. Ele amava fazer oral nela, não sabia se gostava de fazer nas outras mulheres, mas nela... Ah, ele gostava tanto que parecia que não queria parar. A chupava com vontade como se o prazer dela fosse o único alimento necessário para o ego dele.
Ela não aguentou perceber tal coisa, gozou. Segurou os cabelos dele e levantou o corpo para que ele fizesse o oral com mais vontade e ele atendeu ao pedido. Enquanto o seu corpo se contorcia em um orgasmo, ele não parava nem um segundo até que a deixou completamente limpa e se engasgando com o próprio ar, com a respiração deficiente.
–Você é linda. –ele se levantou para beijá-la. –Gosto de quando você tem um orgasmo, duvido que haja rosto mais bonito que o seu quando faz isso.
Não saber se está fazendo amor ou sexo selvagem, fora o que ele dissera. E Annabeth realmente não sabia. Percy jamais havia sido tão perfeito como estava sendo daquela vez. Ele agia com luxuria e depois vinha com uma frase bonita daquelas. Agora era ela que estava derretendo. Decidiu fazer o mesmo.
–Sabe, meu amor, eu preciso lhe contar um segredo. –disse colocando a mão em seu peitoral e o virando lentamente até que ele estivesse deitado com ela por cima na cama.
–Diga, quero ouvir. –Percy colocou uma das mãos atrás da cabeça bagunçando o seu cabelo e sorrindo curioso.
–Eu nunca gostei de fazer oral. –Annabeth beijou o seu pescoço e depois sua clavícula enquanto arranhava o seu abdômen. Percy franziu as sombracelhas, mas continuou quieto a escutando– A maioria dos homens com quem deitei não sabia me excitar a ponto de querer fazer um, não retribuíam e ficavam chateados quando eu recusava. Teve um que me chamou de vadia e ameaçou me bater porque ficou nervosinho pela rejeição.
–Que canalha! –Percy exclamou indignado, ela sem querer o deixou com raiva.
–É, mas eu dei uma surra nele primeiro. Uma das vantagens de ter recebido treinamento especial da CIA. Mas você... –ela abaixou sua mão até o seu membro e começou a masturbá-lo assim que se livrou da sua cueca. Ela moveu sua mão tão rápido que ficou receosa de Percy vir a qualquer momento e estragar a brincadeira. –Você me faz querer tê-lo dentro da minha boca.
–Não precisa fazer nada se não... Ah!
Ele gemeu longamente quando ela lambeu sua glande para depois enfiá-la na boca.
–Você me fazer querer chupá-lo até que um de nós dois enjoe disso. –ela disse ainda o masturbando. –E é isso que vou fazer se você me permitir.
Percy balançou a cabeça afirmando como uma criança pidona. Annabeth sorriu e o fez. Chupou com força, sentindo cada movimento. Fez um coque em seus cabelos, mesmo sabendo que Percy os odiavam presos enquanto transavam. Mas ele não iria se preocupar com aquilo, estava ocupado demais tentando conter os gemidos e quase rasgando os lençóis. Ela fazia os movimentos de vai e vem com os lábios, e nunca se sentiu tão bem e poderosa. Ela tinha o “salvador do mundo” rendido, o homem mais espetacular que ela conhecia estava a mercê dela, gemendo e implorando com os olhos que lhe desse mais de algo que só ela podia dar.
Ele gozou e dessa vez ela não se afastou. Bebeu o seu gozo e se surpreendeu: para alguém que nunca havia experimentado aquilo, ela até gostou do sabor. Percy era salgado como a água do mar.
Fora a vez de ele ficar com a respiração descompensada. E Annabeth sorriu. Aquele nerd tímido era um mestre na cama, mesmo após ter gozado tanto, seu membro ainda continuava duro, em ponto de bala para mais uma, era raro qualquer cara ter tanta resistência assim.
–Não sorria pra mim assim. –ele exigiu. –Se não vou gozar de novo e aí acabou a festa.
–A festa não acaba enquanto você não fizer isso dentro de mim.
–Maldita. –ele a colocou de quatro na cama. –Quem brinca com as palavras aqui sou eu.
–Sim, verdade. –Annabeth pôs o seu cabelo para um lado para um lado e voltou a sorrir, só que dessa vez mais abertamente e divertida. –Eu já prefiro brincar com outra coisa. –e piscou um olho.
Percy a penetrou tão forte que se ele mesmo não a tivesse com um braço em torno do corpo dela, a testa de Annabeth iria de encontro à cabeceira da cama. A penetrou forte e continuou naquilo, ela não ficou atrás e jogou o seu corpo pra trás todas as vezes que ele se afastava para pegar impulso para outra estocada. Seu troco se ergueu e uma de suas mãos foi para o cabelo dele e a outra apertou forte um dos seios.
Percy diminuiu o ritmo e a beijou romântico dessa vez. Distribuiu beijos no pescoço dela, o seu ponto fraco, e massageou lentamente o seu clitóris. Annabeth soltou uma pequena gargalhada, ele estava fazendo de novo: deixando de ser a fera e passando a ser o príncipe. Ele também gargalhou, estava se divertindo, obviamente. Mas logo voltou a estocar bruto, fundo e rápido, com as mãos agarradas na cabeceira da cama para pegar impulso.
Annabeth não aguentou e teve o seu segundo orgasmo.
–Vira. –Percy ordenou firme. –Quero olhar pra você.
E ela também queria vê-lo. Não conseguia imaginar homem mais bonito e não conseguia medir o quanto o amava mais por vê-lo ter um orgasmo prazeroso somente por causa dela. Então, ela se virou e ele a penetrou.
Dessa vez foi lento e ele não parecia que iria mudar o ritmo. Estava a observando e ela sentiu cada traço do seu rosto ser analisado, sentiu sua alma sendo observada através de seus olhos e ela decidiu fazer o mesmo. Enquanto gemia, ela olhava para o rosto da pessoa que mais amava no mundo. Viu que seus olhos estavam de um verde musgo e percebeu que sempre ficavam assim quando ele estava excitado, viu que ele tinha pequeninas pintinhas pelo rosto e pescoço que quase não davam pra ser notadas, viu que sua sombracelha esquerda ficava levemente arqueada enquanto ele estava dentro dela e por fim ela viu os seus lábios vermelhos e sedentos por um beijo. Ela nem precisou ir até ele, quando viu, a língua dele já estava em sua boca, atendendo um possível pedido silencioso da parte dela.
–Vem. –ele pediu, arrastando a palavra em um sussurro rente ao seu ouvido, e ela atendeu.
Tiveram o último orgasmo da noite juntos e com os gemidos abafados por beijos apaixonados. Percy suspirou profundamente parecendo satisfeito e antes que saísse de dentro dela, Annabeth fez questão de dizer:
–Você é maravilhoso! – em mordeu o lábio inferior dele puxando levemente.
Dessa vez, fora ele a sorrir de forma genuína parecendo realmente feliz.
–Você não merece menos que isso, minha linda. –retrucou e lhe deu um beijo na testa, deitando ao seu lado e a abraçando forte contra o seu peito.
[...]
Percy olhava para a brecha na lateral do portão. Era uma pequena fenda no teto, ou o chão da casa, mas ele achava curioso já que uma fenda de luz passava por ali. Achava curioso também que o sol nascesse às cinco da manhã no leste europeu. Ele acariciava os cabelos de Annabeth enquanto olhava para cima e ela dormia confortavelmente com a cabeça em cima de seu peito. Desde que contara seu passado a ele, ela parecia não ter mais pesadelos e não ficava se debatendo como louca enquanto dormia.
Ela se mexeu e abriu os olhos revelando uma tonalidade de cinza sereno.
–Que horas são? –ela perguntou.
–Cinco da manhã, a julgar pelo fato de que o sol acabou de nascer. –respondeu ele.
Ela levantou o corpo e fez um coque bagunçado nos fios loiros. Estava vestida –eles haviam se lembrado de fazer isso por causa do frio- e com uma blusa e calça de tecido grosso. Annabeth olhou para Percy, que ainda olhava para a brecha no teto.
–Você não dormiu de novo. –ela balançou a cabeça o reprovando. –Precisamos de um cientista, não um zumbi.
–Ainda seria um cientista mesmo que fosse um zumbi. –ele mudou a direção dos olhos para o rosto dela e deu um pequeno sorriso. –Assim como você continua linda mesmo com essas remelas nos olhos.
Annabeth fez careta para ele e se levantou para ir ao banheiro. Percy julgou que ela tivesse ido lavar o rosto e escovar os dentes. Depois de alguns minutos ela voltou. Se deitou ao lado dele e levantou o seu braço para se aconchegar ao seu corpo, logo em seguida abaixou o braço erguido do rapaz, encaixando a si mesmo em um abraço protetor.
–Eu estava aqui pensando em algo que pode mudar o rumo do final dessa missão. –Annabeth comentou.
–E o que seria?
–Thalia entrou em contato ontem à noite, em um dos poucos minutos que você dormiu depois que terminamos. –ela suspirou e fechou os olhos como se não quisesse acreditar que poderia haver mais problemas. –Ela disse que Nico, o marido dela, vasculhou tudo e não encontrou nada na Europa e nem em toda a Rússia. Disse que a bomba não está aqui e que está em um local improvável de ser achado.
–Nico... engraçado, eu tenho um primo com esse mesmo nome. –Percy pensou em voz alta, mas logo a replicou: -Bem, talvez eu e você possamos descobrir onde é esse lugar.
Ela o olhou com uma das sombracelhas arqueadas e ele deu uma risadinha.
–Alguém acordou otimista hoje. –ela disse.
–De vez quando sim. –ele se levantou da cama vestindo sua camisa. –Eu sou um gênio e você, mesmo sendo uma delinquente, também. Então acho que podemos descobrir isso.
–Eu adoro os seus elogios. Eles são sempre tão verdadeiros. –ela disse sarcástica.
Percy começou a mexer no computador 3. Aquele era o único que não tinha nada, nenhum item na área de trabalho ao menos, e isso o deixara com a pulga atrás da orelha, um computador que, aparentemente, não possui nada só significa ou coisa: que tem algo muito importante.
–Onde se esconde um programa que não quer que ninguém veja. –ele perguntou a Annabeth que o observava por cima do seu ombro, já que ele estava sentado na cadeira em frente ao computador.
–Painel de controle. –ela respondeu. –Não sei escondem coisas lá, mas sei que é lá onde os programas ficam.
–Beleza. –Percy foi até onde ela havia dito e encontrou algo intrigante. –Outro Windows. Eles têm um Windows dentro de outro? Como conseguem fazer isso?
Annabeth empurrou a cadeira dele e olhou para a tela.
–Isso não é o Windows, é outro programa dentro de um outro programa. Se Leo estivesse aqui ele poderia explicar melhor.
–Mas não está.
–Correto, Percy. Nós estamos aqui. –ela empurrou a cadeira dele de volta par ao lugar. –Nós vamos descobrir que merda é essa, então clique aí e procure.
Percy bufou, odiava ser mandado por qualquer pessoa que fosse, porém não estava irritado por Annabeth estar mandando nele, mas sim por não estar irritado por isso. Achava sexy quando ela agia assim e também achava estranho se sentir dessa forma.
Foco, garoto, foco; ele disse a si mesmo.
–Tudo aqui. –Percy viu que os arquivos estavam lá e procurou algum desenho nas imagens. –Ah garoto! –ele sorriu pra tela.
Era o desenho da bomba que mais parecia um míssil. Ele passou a imagens e a viu desmontada com tudo dentro, inclusive dez litros do líquido viral. Ver aquilo o deixou nervoso, não gostava de lembrar que ele havia criado aquele problema.
Ele passou as imagens e viu uma série de códigos que não entendia muito bem.
–Eu sei ler algumas coisas. –Annabeth falou parecendo ler a sua memória. –Algumas palavras eu vi na minha fase de treinamento. Aqui. –ela apontou para uma das palavras na tela. –Pobre.
–Pobre? Me parece bem incompleto.
–Quente, difícil acesso, distrações, pouca gente. –ela continuou a falar. –Só conheço poucas coisas, o vocábulo de códigos de computadores mudou muito. Se eu quisesse decodificar a mensagem até conseguiria, mas levaria bem mais do que as semanas que temos aqui.
–Você não consegue pegar o símbolo das letras das palavras que você falou e ir reconhecendo as outras?
–Sim, consigo, mas é esse método mesmo que mais demora.
Percy passou as mãos no cabelo pensativo. Pelo o que via, ali continha tudo sobre o local. E eles precisam descobrir o que qual era.
–Se descobrirmos o nome do lugar, você acha que consegue achar a palavra no texto?
–Claro que sim. –Annabeth afirmou confiante. –Mas como vamos saber o nome do lugar?
–Pelas palavras que você leu, oras. –Percy se levantou e cruzou os braços na frente dela a olhando divertido. –Vamos jogar um jogo. Se chama adivinhação.
–Vai jogar cartas de tarô ou brincar com um tabuleiro Ouija? –Annabeth riu da cara dele.
–Não. Pare de bancar a espertinha, ok? –ele pediu e ela assentiu. –Agora adivinhe, qual é o lugar mais pobre do mundo? Foi a primeira palavra que vimos lá, deve haver alguma relação.
–África. –Annabeth respondeu na lata. –É o lugar mais quente também. Isso significa que já descobrimos o continente.
Ela sorriu percebendo a onde a brincadeira iria dar.
–Uau. Senhor Jackson, você sabe mesmo como deixar uma informação extremamente importante ser descoberta de uma forma divertida. –ela bateu palmas para ele. –Mas agora me diga um local com pouca gente e de difícil acesso?
–Bem, quase nenhum lugar da África é despovoado. –Percy pensou, tentando tirar as informações do fundo do cérebro. –Mas tem um lugar, inclusive repleto de distrações até que se chegue lá, que se encaixa perfeitamente nisso.
–Qual? –Annabeth pareceu realmente curiosa.
–Niamei, no Níger. –Percy respondeu.
Annabeth arquejou, sua expressão facial convertida em pura surpresa.
–Deserto do Saara. –ela finalizou a brincadeira descobrindo o local.
Percy assentiu e voltou a se sentar na cadeira anotando num papel qualquer que estava ali. Anotou o símbolo das letras das palavras que Annabeth já havia reconhecido. A letra D era um triângulo, S era um alfa, R era um ‘n’ de cabeça para baixo e assim por diante, foi anotando todas até que escreveu no papel “deserto do Saara” já codificado.
Annabeth mesma procurou a sequência de símbolos na imagem e sorriu.
–Achamos. –ela se sentou no colo de Percy cobrindo o seu rosto de beijos. –Nós achamos o local mais importante da missão!
Ele ficou extremamente feliz. Era ótimo poder ajudar em coisas cruciais. Sentiu por um momento o porquê de Petro, o filho do casal de idosos, querer tanto se meter em um emaranhado de complicações para salvar o seu país. Não era pelo heroísmo, ganância ou poder. Era pelo o seu povo.
Percy se lembrava daqueles nova iorquinos que sempre via pelas manhãs. Pensava na menina que queria ser cantora, no garotinho pobre do Halem querendo ser astro da NBA, pensava no senhor que preparava o seu café na lanchonete da esquina da Brodway, pensava no pai de família que saia todos os dias para ganhar o sustento da sua família, pensava nas crianças cantando o hino nacional nas escola; aquilo tudo só fazia crescer a certeza de que ele precisava salvá-los. Precisava manter a sua pátria intacta, precisava salvar o seu povo.
–Agora temos que avisar a CIA.
–Não seja por isso! –uma voz no vídeo conferência no computador 5 o chamou. –Você deixou o Skype ligado, mané.–era Leo do outro lado com os cachos bagunçados e um punhado de agentes atrás de si, inclusive Piper e Jason. –Desculpe a demora, só consegui me conectar agora, logo depois que recebi o email de Thalia onde a loira dizia que vocês estavam a salvos e que a haviam encontrado o local da última peça chave.
Percy olhou para o computador e depois para Annabeth ainda em seu colo. Ele lhe deu um beijo longo fazendo os agentes do outro lado soltarem algumas risadas e comentários maliciosos.
–Achamos bem mais que isso, Valdez. –Percy disse desgrudando os lábios da namorada.
–Achamos o local da bomba também, pessoal. –Annabeth exclamou levantando um dos braços em comemoração. –E todos vocês me devem uma bebida por isso!
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