Depois de um longo banho quente, John sentou-se em sua poltrona com o laptop em mãos, pronto para começar a digitar o caso da noite anterior. Suas costas estavam abençoadamente livres de dor… mas o mesmo não podia ser dito de outras partes de sua anatomia. Essas outras dores, no entanto, ao invés de lhe provocarem incômodo, lhe arrancavam um sorriso tolo. Aquilo fora… inacreditável. Apesar do desconforto, da dor leve que ficara depois, a verdade é que ele realmente, realmente queria repetir a experiência. O mais breve possível.

Ele virou-se para olhar Sherlock, sentado na mesa da cozinha rabiscando anotações em um de seus cadernos de campo, os cabelos úmidos do banho grudados na testa. O detetive tinha um ar descansado, mas os olhos traíam a intensidade de seus pensamentos. Apesar de estar se mordendo de curiosidade, John não perguntou a Sherlock no que estava envolvido; resolveu, ao invés disso, conferir seus e-mails.

Na caixa de entrada, com uma marcação de urgente, havia um e-mail de Mike Stamford, com o simpático assunto “SEU BASTARDO FILHO DA PUTA!”.

John, seu cretino!

Que história é essa de que você e Sherlock agora são namoradinhos? Eu fiquei sabendo disso através da Molly!! Da Molly, de todas as pessoas!

Acho bom você me convidar pra uma cerveja e me contar a história inteira – você me deve isso, Watson, fui eu quem apresentou os dois!

E é bom que eu seja o padrinho do casamento; do contrário, haverá retaliações na sua despedida de solteiro, seu filho da mãe!

Mike

S.: Prepare a carteira, porque você é que vai pagar a conta no Pub, e eu pretendo beber muito para celebrar minhas incríveis habilidades de Cupido.

John não conseguiu segurar uma gargalhada, e arrependeu-se, pois seu corpo protestou do esforço. Sherlock veio da cozinha espiar sobre seu ombro o que tinha provocado tanto divertimento, e não conteve um pequeno sorriso ao ler, rapidamente, o e-mail de Mike.

– Você tem que admitir que ele tem um ponto. — ele brincou — Se não fosse por ele, nós talvez nunca tivéssemos nos conhecido. — John ergueu o olhar, subitamente sério.

– Você não faz ideia... — Sherlock sentou-se no braço da poltrona, tirando o computador das mãos de John e jogando-o sem cerimônia sobre o sofá.

– Você esquece com quem está falando, John. — ele puxou a cabeça do médico contra seu peito, segurando-o com cuidado. — Eu li quase a sua vida inteira naquele dia… e o seu desejo claro de acabar com ela, também. — ele beijou o topo da cabeça de John, descansando a testa nos cabelos loiros — Fico agradecido pela sua absoluta falta de bom senso em aceitar dividir um apartamento com um estranho que acabara de conhecer. — John riu de leve e beijou-lhe o peito, antes de desvencilhar-se do abraço e erguer-se da poltrona com uma careta

– E ainda assim, meu bom senso ainda é maior que o seu. Como isso se explica? — ele fez sinal para que Sherlock o seguisse até a cozinha, e começou a revirar a geladeira em busca de comida — Eu estou morrendo de fome, mas não sei se arrisco alguma coisa sólida. Minha garganta ainda dói como o Inferno. — o detetive jogou-se na cadeira novamente, com o caderno em mãos.

– Prateleira do meio, pote vermelho. A Sra. Hudson esteve aqui mais cedo, pelo visto. — John pegou o pote indicado, e viu que estava cheio de sopa de tomate com frango.

– Só espero que não tenha sido quando estávamos… fazendo um bocado de barulho. — Sherlock olhou-o, a sobrancelha erguida, e John teve certeza de que foi exatamente naquele momento que a senhoria estivera no flat. — Mais um ponto na minha conta de constrangimentos envolvendo a nossa senhoria… eu já devia saber. — ele resmungou, colocando a sopa para esquentar. Depois de pronta, serviu-a em duas tigelas, colocando uma diante de Sherlock e sentando-se com cuidado em uma das outras cadeiras, empurrando sem cerimônia alguns frascos e equipamentos para o lado. O detetive franziu a testa e ensaiou um comentário, mas John interrompeu-o apontando um dedo para ele — Coma, Lockie. — com um bufo de irritação, Sherlock pegou a colher e provou a sopa.

– Está muito ácida — ele comentou, provando mais um pouco — A proporção de manjericão está decente, mas se ela tivesse colocado um pouco de bicarbonato para quebrar a… — ele parou de falar ao ver que John o encarava com os braços cruzados e um sorriso suspeito.

– E desde quando você entende tanto assim de culinária? — Sherlock rolou os olhos.

– Cozinhar não passa de uma forma diferente de química, John. É tudo sobre proporções, reações e equilíbrio. Se o indivíduo entende os preceitos básicos da química, ele certamente entende os da gastronomia.

– E com todo esse discurso, você quer dizer que sabe cozinhar?

– É claro que eu sei cozinhar! — John balançou a cabeça, fingindo um ar desapontado.

– Seu desgraçado, e aqui venho eu me escravizando diariamente na cozinha porque achava que você era incapaz de preparar torradas sem botar fogo na cozinha!

– Aquilo foi um incidente infeliz — Sherlock defendeu-se, limpando os lábios — Eu esqueci que tinha tirado um par de peças da torradeira para um experimento… — John ergueu a mão, interrompendo-o de novo.

– Não quero saber. Você vai preparar o café da manhã para mim amanhã. Eu quero… panquecas com calda de framboesa, e ovos pochê com molho holandês. Vamos ver como você se sai com isso, Jamie Oliver. — Sherlock encarou-o, genuinamente confuso.

– Quem? — John ergueu-se para retirar as tigelas e beijou a têmpora do detetive na passada.

– A sua ignorância em alguns pontos me impressiona quase tanto quanto a sua genialidade.

Depois de lavar os pratos e guardar o restante da sopa na geladeira (Sherlock tinha razão, estava mesmo um pouco ácida demais; seu estômago começava a protestar), John sentou-se novamente em sua poltrona, e tentou escrever o máximo de detalhes que conseguia lembrar sobre o caso. Depois, era só aguardar Dimmo encerrar a investigação e publicar o texto. Enquanto isso, ele decidiu publicar outro post em que estivera trabalhando.

BLOG DO DR. JOHN H. WATSON

Um Olhar Interno

Não há rotina quando se vive com Sherlock Holmes, isso é certo. Cada dia traz uma coisa diferente, um fato inesperado, uma nova parte da anatomia humana na geladeira.

Mas há padrões, definitivamente.

O violino é um deles. Pelo som que sai do instrumento, é possível prever o humor, e até um pouco da linha de raciocínio, de Sherlock.

Quando está mergulhado em um caso complexo, ele tem o hábito de compor. E na melodia, é possível seguir todas as reações suscitadas pela investigação. Nesses quase dois anos, já ouvi melodias tristes, sombrias, assustadoras, e até algumas um pouco cômicas. E cada uma delas me fazia lembrar os detalhes do caso investigado na ocasião, passo a passo.

Quando está aborrecido — porque eu o forcei a parar de fumar de novo, ou porque seu irmão fez uma visita inesperada e desagradável -, ele arranca sons agudos do instrumento que, eu tenho certeza, fazem o pobre Stradivari se revirar no túmulo. Quando ele faz isso, eu tenho que refrear a vontade de arrancar o violino das mãos dele e colocar um fim na miséria do pobre coitado, atirando-o pela janela.

E há as raras e preciosas ocasiões em que ele quer desculpar-se comigo, ou agradecer a um gesto de gentileza da nossa querida Sra. Hudson, e ele se dispõe a tocar algumas de nossas peças favoritas, com um sentimento e um virtuosismo que fariam o Primeiro Violino da Filarmônica de Londres ranger os dentes de inveja. Sherlock é capaz de tocar qualquer coisa no violino. Qualquer coisa mesmo. No meu último aniversário, ele tocou uma versão de Imagine (minha música favorita) que, não tenho vergonha de confessar, me levou às lágrimas.

É o tipo de coisa que compensa o fato de chegar em casa depois do trabalho e encontrar um par de testículos na geladeira, ao lado da cerveja.

Mas isso é história para um outro post.

John revisou o texto uma última vez, e antes de publicá-lo, resolveu pedir que Sherlock desse uma lida. O detetive passou os olhos no texto, declarando que era “absurdamente sentimental” e que “entediaria os leitores até a morte”. O médico soube, então, que atingira exatamente o ponto que queria, e clicou em “postar”.

SHJWSHJWSHJWSHJWSHJWSHJWSHJW

Naquela noite, John conseguiu convencer Sherlock a assistir “Monty Python e o Cálice Sagrado” com ele. O médico não sabia se ria mais do filme, cujas piadas já sabia de cor e salteado há tempos, ou das reações hilárias de Sherlock ao humor absurdo e surrealista do filme. Na cena da batalha contra o Cavaleiro Negro, o detetive perdeu completamente a compostura, gritando sobre a impossibilidade científica da cena, e ficou ainda mais furioso ao ver que John dobrava-se de rir, não do filme, mas de suas reações. Foi preciso uma boa dose de persuasão da parte do médico — e algumas promessas sussurrada ao pé do ouvido — para que Sherlock aceitasse terminar de ver “aquela grosseira destruição cinematográfica da lenda arturiana”.

John mal podia esperar para ver a reação dele à “A Vida de Brian” e “O Sentido da Vida”. Ele ia ter que convidar Greg para assistir junto.

Quando o filme terminou, nenhum dos dois sentia-se suficientemente cansado ainda para recolher-se. John deitou-se no sofá com uma cópia gasta de um romance de Agatha Christie, que levou Sherlock a revirar os olhos em desdém e ir em busca de suas partituras e seu violino. Depois de um tempo, o médico parou de prestar atenção na estória e ficou ouvindo o arranhar suave do instrumento. Sherlock compunha; ele tocava algumas notas e parava para transcrevê-las. Depois tocava de novo, acrescentando novos movimentos. Era uma melodia suave, triste; parecia falar de solidão, de perda, de confusão. As notas delicadas e o barulho da caneta riscando os papéis embalaram John, que adormeceu com o livro jogado sobre o peito.

Depois de um tempo, Sherlock olhou para o lado e viu que ele pegara no sono. Silencioso como um gato, o detetive foi até o quarto e pegou uma colcha, cobrindo o médico com delicadeza. John murmurou algo ininteligível e virou-se de lado, derrubando o livro. Sherlock beijou-lhe a testa com ternura, juntando o volume e pondo-o sobre a mesinha de centro. Ele voltou ao seu violino, um sorriso suave nos lábios enquanto as notas de sua composição cresciam em força.

SHJWSHJWSHJWSHJWSHJWSHJWSHJW

Um aroma delicioso de algo fritando despertou John de um sono pesado. Ele sonhara a noite toda com Sherlock e seu violino; o detetive, vestindo um fraque justo, tocava no palco de um grande teatro, mas John era a única pessoa na plateia. Ele abriu os olhos, dando-se conta de que pegara no sono no sofá. Graças aos céus o móvel era suficientemente confortável, ou suas costas iam desistir dele de vez.

Ele sentou-se, espreguiçando-se cuidadosamente, e olhou para a cozinha, dando de cara com um Sherlock muito despenteado, usando um avental que só poderia ser emprestado da Sra. Hudson, visto que era lilás e florido, e virando panquecas com uma habilidade de dar inveja a Nigella Lawson.

– Ora, bom dia! — ele falou, com um bocejo, erguendo-se do sofá e indo encostar-se na porta da cozinha — Você levou a sério a história do café da manhã, hein? — John olhou a mesa da cozinha, que estava milagrosamente limpa de qualquer equipamento laboratorial. Ao invés das tralhas que normalmente se empilhavam na superfície, ela estava posta para duas pessoas, com uma molheira cheia do que parecia calda fresca de framboesas no meio. Sherlock arrumava panquecas em um prato, enquanto uma panela de água parecia prestes a ferver ao lado de outra panela tampada.

– Você pode preparar o chá? — ele pediu, quebrando ovos na água fervente e fazendo pequenos redemoinhos com uma escumadeira — Ninguém faz chá como você. — John aproximou-se e beijou-lhe o ombro, verificando se a chaleira já tinha esquentado o suficiente.

– Bajulador. Isso está com um cheiro ótimo. — ele arrumou as xícaras, esperando a água atingir a temperatura certa.

– Eu disse que sabia cozinhar, não disse? — Sherlock respondeu, retirando os ovos da água e servindo-os em dois pratos que John não vira antes, sobre muffins perfeitamente tostados. Ele abriu a panela fechada, revelando um molho holandês de aparência apetitosa, que serviu em generosas quantidades sobre os ovos, levando os dois pratos para a mesa, enquanto sinalizava para John pegar a travessa das panquecas. — Temos que comer enquanto ainda está quente; dessa maneira você consegue sentir todos os sabores certos. — John lançou-lhe um olhar divertido e colocou as xícaras na mesa, sentando-se em seguida e dando uma garfada generosa nos ovos. Ele soltou um gemido estrangulado enquanto mastigava e largou o garfo com estrépito.

– É isso. Estou me sentindo profundamente humilhado. — Sherlock olhou-o, preocupado, e John riu, estendendo a mão sobre a mesa para acariciar-lhe o pulso. — Estou brincando. Isso está delicioso, eu não conseguiria fazer nem parecido, que dirá melhor. — ele comeu mais um pedaço, e tomou um gole de chá. — Você cozinha bem, é um virtuose do violino, é incrível na cama… É impossível, Sherlock, tem que haver alguma coisa que você não consiga fazer. Deixe-me pensar… dançar?

– Dança de salão fez parte da minha educação de cavalheiro. — ele respondeu, com desdém. — E eu realmente aprecio dançar. Além do mais, tive minha cota de noites em clubes durante… alguns anos. — John sabia exatamente a que época Sherlock se referia, e deixou passar. — Bom, eu sou terrivelmente desorganizado.

– Seu quarto desmente essa afirmação, e você organiza as suas memórias em um maldito Palácio Mental. — John falou, terminando de comer os ovos com voracidade — Você só é desorganizado com as coisas dos outros. Não valeu. Próxima.

– Eu… tenho uma caligrafia péssima? — Sherlock arriscou, servindo uma quantidade generosa de calda de framboesa sobre as panquecas e entregando o prato a John.

– Sua letra é ruim, mas eu sou médico, não vamos entrar neste território. — ele apartou, atacando de imediato o prato em sua frente. O rosto de Sherlock iluminou-se e ele bateu na mesa com força, balançando a louça.

– Jogos de tabuleiro! Eu sou terrível em jogos de tabuleiro! — John riu do entusiasmo do detetive e balançou a cabeça, terminando de comer.

– Você é terrível em seguir regras, Sherlock; por isso é que é terrível em jogos de tabuleiro. Está bem, eu aceito essa pequena vitória. — Sherlock sorriu e terminou seu chá, lambendo os lábios.

– Eu também sou péssimo preparando chá.

– Ah, mas eu tive um treinamento extensivo na fina arte do preparo de infusões. — John debochou. — Muitas, muitas noites passadas preparando bules e bules de chá para curar bebedeiras. Aperfeiçoei a técnica. — Nesse instante, o celular do médico tocou, e ele pareceu confuso sobre quem ligaria para ele numa manhã de sábado. Sherlock buscou o telefone na sala e entregou ao médico, com uma expressão indecifrável. — Ah, e a responsável pela minha técnica indefectível se anuncia. — ele debochou, antes de atender. — Bom dia, Harry.

– John, é Clara.

– O que aconteceu, Clara? Onde está Harry? — John levantou-se da mesa com um sentimento de dèjavu, já indo ao quarto buscar uma muda de roupa, pensando que teria que sair numa busca desenfreada pela irmã em portas de bares e hospitais.

– Ela está aqui comigo, John. Na verdade, ela está no quarto, deitada, e eu estou na sala. É… é o seu pai. Ele está na cidade.

– Meu pai? — John sentiu como se suas entranhas se dissolvessem numa poça gelada e voltou devagar para a sala — Ele esteve aí? É isso? — o médico começou a andar de um lado para o outro da sala, como um tigre enjaulado

– Foi… foi horrível, John. Ele apareceu logo cedo, nós estávamos tomando o café da manhã. Nós… nós tínhamos uma consulta, para ver as possibilidades quanto ao doador de esperma entre outras coisas… Aparentemente, a mãe de uma amiga de infância de Harry comentou com ele sobre como estava satisfeita que nós havíamos reatado, e estávamos prestes a formar uma família. E você sabe que seu pai é…

– Homofóbico. — a palavra fez Sherlock erguer a cabeça da tarefa de tirar a mesa e ficar prestando atenção no lado da conversa que conseguia ouvir, os olhos estreitados. John respirou fundo, passando a mão pelos cabelos despenteados, num gesto de desconsolo — O que ele fez, Clara? Me diga que ele não encostou em vocês, pelo amor de Deus. — ele ouviu a cunhada soltar uma risada amarga.

– Para encostar a mão em mim, ele teria que admitir a minha existência. Quando Harry abriu a porta, ele ignorou completamente a minha presença e começou a gritar com ela, perguntando onde ela estava com a cabeça ao voltar a “viver em pecado” comigo, e que insanidade era aquela sobre uma criança. Eu não vou repetir tudo o que ele disse, John, eu estou tentando apagar isso da memória. Eu só liguei porque… — ela parou, respirando fundo.

– Harry pode ter uma recaída. Eu entendo. — ele respondeu, sentindo suas pernas desistirem e sentando-se no sofá — Eu estou aqui, Clara, pra qualquer coisa, a qualquer hora.

– Não é só isso, John. Ele disse que ia tentar falar com você, pra ver se você “colocava algum juízo na cabeça da sua irmã”. Ele está indo até Baker Street, e ele está furioso. – John sentou-se reto no sofá, sentindo o sangue gelar nas veias. — Sherlock está aí com você?

– Está. — ele respondeu, seco. — Cuide da Harry, Clara. Não deixe ela sozinha por nada. Eu vou lidar com isso e… eu ligo à noite pra dar notícias.

– Tome cuidado, John, por favor. Eu sei que você e Sherlock estão no início do relacionamento, então, por favor, não deixe nada do que ele disser afetar o que vocês têm.

– Esse risco não existe. — John respondeu, com um sorriso pequeno. — Eu ligo mais tarde, Clara. Obrigado por avisar.

– Até mais, John.

Sherlock foi até a sala e parou diante do sofá, sério. John ergueu o rosto, e o detetive viu os olhos duros, e a linha rígida do maxilar. A atmosfera leve em que haviam começado o dia se fora; era possível sentir o gosto desagradável e metálico da tensão no ar.

– Meu pai está vindo. — John falou, seco. — Meu pai homofóbico, alcoólatra e com um temperamento que me faz parecer a Madre Teresa de Calcutá está vindo, e está num humor péssimo. — Sherlock assentiu e estendeu a mão para John.

– Vamos nos vestir. — o médico aceitou a mão, parecendo em dúvida — Um dos primeiros passos ao se preparar para uma batalha é escolher a armadura adequada. — John assentiu, deixando Sherlock conduzi-lo até o quarto, onde o detetive começou a passar em revista o guarda-roupa. — Vamos dar a impressão de que não sabíamos que ele estava vindo. Que não temos ideia do que se passou esta manhã. Isso vai esfriar um pouco o temperamento dele, num primeiro momento. Mas… — ele virou-se para John, os olhos inescrutáveis. — o alcance que esta conversa terá só depende de você. — John assentiu, mostrando que entendera o que o detetive implicara.

– Ele vai vir atrás de uma coisa, e vai receber mais do que vai ser capaz de digerir. — ele falou, com dureza. Sherlock sorriu de canto, sentindo a onda crua de excitação que sempre o percorria quando John revelava sua face de soldado.

– Então já tenho uma ideia. Você deve parecer relaxado e confortável, nada além do bom doutor Watson aproveitando seu sábado de folga em casa. — ele jogou para John um par de calças de moletom cinza e uma camiseta desbotada do Queen.

– Mensagens subliminares? — ele debochou, começando a trocar de roupa.

– E elas só começaram. — ele jogou para John seu roupão vermelho — Vista isso por cima. Dá pra ver claramente que pertence a um homem mais alto e magro. E eu…. — ele mergulhou a cabeça no armário e emergiu segurando uma camiseta azul e gasta de Doctor Who, que John costumava usar para dormir. — vou vestir uma camiseta que obviamente pertence a alguém mais baixo e corpulento do que eu. — ele vestou a camiseta, que ficou bastante folgada em seu tronco esguio, mas que parava três dedos acima da cintura, e completou a roupa com uma calça jeans de cós baixo, deixando uma faixa de pele pálida à mostra. — Que tal?

– Como se dividíssemos o guarda-roupa e não prestássemos muita atenção no que vestimos quando estamos sozinhos. Não exatamente sutil, mas excelente.

– E agora, o toque final. — ele puxou de dentro do armário um jaleco de laboratório branco, coberto de manchas suspeitas, jogando-o por cima da roupa, despenteando ainda mais os cabelos já desgrenhados, e arrematou colocando um óculos de segurança na testa, como se estivesse em meio a um experimento. — Quero dar uma impressão distraída e levemente insana, pra que seu pai não me leve muito a sério e acabe por ignorar a minha presença, ao menos no início, enquanto traço uma estratégia mais apropriada dependendo do desenrolar dos fatos.

– Bom, você definitivamente acertou no insano com a roupa. Basta agir como você normalmente age quando está trabalhando, e acertamos no distraído.

– Ótimo. Vamos para a sala, deixar o cenário preparado.

Trinta minutos depois, a sala do 221B estava novamente em seu estado habitual de caos. Uma pilha de livros equilibrava-se precariamente sobre a poltrona de John, deixando a de Sherlock livre para que seu convidado sentasse. Arquivos de caso espalhavam-se sobre a mesinha de centro, disputando espaço com duas xícaras usadas e um único prato com meio muffin. Caixas espalhadas pelo chão criavam um labirinto difícil de se trilhar, e a mesa da cozinha estava novamente tomada pelo laboratório de Sherlock. A única coisa remotamente organizada era o mantel da lareira; entre a caveira e a pilha de correspondências presa pelo punhal do detetive havia um porta-retrato, que normalmente ficava no quarto de Sherlock. Mas ele declarara ser importante para criar a atmosfera correta. Quando ele explicou a John o porquê, eles atrasaram o progresso da arrumação em alguns minutos, pois o médico prensara-o contra a parede e beijara-o até que os dois perdessem o fôlego.

Quando a campainha tocou, John estava sentado à escrivaninha da sala, o laptop aberto como se ele estivesse trabalhando em seu blog e Sherlock escarranchado em seu colo, beijando-o como se aquela fosse a sua última oportunidade de fazê-lo. O som estridente separou-os e o detetive pô-se em pé, correndo até a porta da cozinha e fazendo o sinal para que a pantomima começasse.

– John! — o detetive gritou — John, a campainha!

– Atenda você, seu bastardo preguiçoso! — o médico gritou de volta, segurando o riso. — Eu estou ocupado! Além do mais, só pode ser pra você, mesmo. — Sherlock bufou audivelmente, fazendo um sinal de positivo para o outro antes de atender a porta.

– Pois não? — ele tentou aparentar um ar distraído e distante, mas escaneou o homem na porta dos pés à cabeça em dois segundos. Era como olhar uma versão arruinada e amarga de seu John. Os cabelos eram completamente brancos, mas os olhos azuis no rosto enrugado e avermelhado pelo hábito da bebida tinham a mesma tonalidade; mas não o mesmo calor. A curva da boca era sarcástica e desagradável, e ele era corpulento como um boxeador aposentado, com um estômago proeminente. O homem encarou a figura amalucada diante de si e pareceu confuso.

– Eu… estou procurando por John Watson? — o médico ergueu-se da cadeira ao ouvir a voz rouca, reprimindo o arrepio que as lembranças dolorosas daquela voz lhe traziam.

– Pai? — ele apareceu na ponta do corredor, fingindo uma surpresa suficientemente genuína.

– Filho. — o homem respondeu, curvando a cabeça. — Já faz um bom tempo.

– Oito anos. — John respondeu, seco, o corpo automaticamente assumindo uma posição de sentido. Sherlock olhava de um para o outro, fingindo confusão. — Entre, por favor. Sherlock, este é meu pai, Henry Watson. E este é meu parceiro, Sherlock Holmes. — Sherlock estendeu a mão manchada de azul de metileno, congratulando John mentalmente pela escolha de palavras. “Parceiro” tinha um grande número de interpretações.

– Ah, senhor Holmes. — o aperto de Henry foi firme e breve. — Já li muito sobre o senhor e seu trabalho. Impressionante, devo dizer. — Sherlock acenou de maneira lânguida, levando John a erguer a sobrancelha.

– Oh, não acredite em tudo o que lê sobre mim. Especialmente no que seu filho escreve. Agora, se me der licença, eu tenho trabalho a fazer. — ele afastou-se em direção à cozinha, e John só conseguia pensar desde quando Sherlock requebrava ao caminhar.

– Entre, Pai. — John sinalizou para que Henry o seguisse através do labirinto de caixas que levava direto até a poltrona de Sherlock, convenientemente localizada de frente para a cozinha. — Desculpe a bagunça, mas trabalhamos num caso a semana inteira, e não esperávamos ninguém. — ele sinalizou para que o pai sentasse, com a mão parcialmente coberta pela manga comprida demais do roupão. — Vou preparar um chá. — ele dirigiu-se à cozinha, e foi interrompido.

– Eu prefiro algo mais forte, John. Um uísque, se vocês tiverem. — ele olhou em volta, os olhos atraídos pela caveira no mantel, e logo reparando na foto.

– São onze da manhã. — John virou-se, o rosto franzido em repreensão.

– E eu sou um homem de 65 anos, seu pai, e bebo o que eu quiser no horário que me aprouver. — ele respondeu de maneira desagradável, erguendo-se para examinar o retrato mais de perto. John ligou a chaleira e pegou uma garrafa de uísque que guardavam em cima da geladeira, olhando de canto para Sherlock e recebendo um minúsculo aceno em resposta. — E quem são esses na foto? — seu pai perguntou, pegando a moldura em mãos e virando-se para olhar o filho.

– Ah, essa foto é do aniversário da Sra Hudson, nossa senhoria. — John respondeu, com cuidadosa displicência — Nós fizemos uma pequena comemoração, e ela quis tirar uma espécie de… foto de família, eu diria.

– Não deixa de ser uma foto de família só porque nem todos os que estão aí são parentes consanguíneos — Sherlock murmurou, mudando a lâmina do microscópio. John conteve um sorriso e levou sua xícara e o copo de uísque para a sala, parando atrás de seu pai, apontando as pessoas na imagem. Nela, a Sra Hudson aparecia sentada no sofá, sorrindo entre Molly e John. Sherlock estava sentado no braço do sofá, a mão apoiada no ombro de John e um sorriso suave. No outro braço do sofá, estava sentado Greg, com um sorriso largo, uma mão no ombro de Molly e a outra enlaçando a cintura de Mycroft, cujo próprio sorriso não era mais que uma sombra.

– Essa é a Sra. Hudson. — ele falou, uma nota suave na voz — Essa é Molly Hooper, que trabalha na morgue em St. Bart’s. Ela e Sherlock se conhecem há anos...

– Sua namorada? — Henry perguntou ao detetive, que ergueu o olhar do microscópio e riu de leve.

– Não, não. Molly é como minha irmã caçula.

– E este, — John apontou — é o irmão verdadeiro de Sherlock, Mycroft, e o cunhado dele, Greg Lestrade. Ele é o Detetive Inspetor que normalmente trabalha conosco nos casos.

– É, eu reconheci ele dos jornais. Mas eu não sabia que ele era… — Sherlock ergueu os óculos de segurança e cravou os olhos em Henry, que engoliu em seco. — da família. — ele completou, colocando a moldura no lugar e aceitando o copo que John lhe oferecia, sentando-se novamente. Sherlock ergueu-se com dois tubos de ensaio pequenos, cheios de uma substância alaranjada, em mãos, e foi até a janela da frente, erguendo-os contra o sol, a camiseta subindo até acima do umbigo com o movimento. Henry pigarreou e ajeitou-se na poltrona. John tentou a todo custo manter-se sério.

– Então, pai, qual o motivo dessa visita inesperada? — John recostou-se no sofá, tomando um gole cuidadoso de chá — As coisas estão bem em Kirkham? — Henry engoliu metade do conteúdo do copo em um gole, e antes que pudesse responder, foi interrompido pelo detetive.

– John, me alcance esse muffin que sobrou. — o médico estendeu o prato, e Sherlock apontou com a cabeça para os frascos em suas mãos. John rolou os olhos e ergueu-se, colocando a metade do muffin na boca do outro, que voltou à cozinha como se nada tivesse acontecido.

– Está tudo na mesma. — Henry prosseguiu, franzindo a testa diante da interação dos dois — Você… você tem falado com a sua irmã?

– Harry? — John aparentou surpresa — Eu tomei um café com ela tem… uma semana, eu acho. Depois não nos falamos mais. — ele fingiu preocupação, sentando-se na ponta do sofá — Aconteceu alguma coisa com ela? Ou com Clara? — Henry fechou a expressão, terminando com o uísque no copo e largando-o com estrépito na mesa.

– Pouco me importa o que aconteça com aquela outra! Eu queria saber se você tinha ideia que sua irmã tinha voltado… voltado a viver com aquela… mulher. — ele cuspiu a palavra, sentando-se na ponta da poltrona. John fechou os punhos com força, forçando-se a acalmar-se, sentindo o olhar de Sherlock sobre ele, sustentando-o. — Uma pouca vergonha, é o que é!

Pouca vergonha era o estado que Harry estava quando era e Clara se separaram. — John retrucou, seco. — Enchendo a cara noite após noite, perdendo a habilitação por dirigir bêbada, caindo desmaiada nas sarjetas e indo parar no hospital toda bendita semana. — ele frisou as palavras batendo com a mão aberta na perna. — Ela voltou para a esposa dela, parou de beber e está bem. Ou pelo menos estava até a última vez que falei com ela. — ele estreitou os olhos — O que você fez, pai?

– Esposa! Como se aquilo fosse um casamento de verdade! É uma deturpação, uma paródia! Não é natural, não é normal, é um pecado! E ainda por cima… não me diga que você está sabendo sobre aquela história maluca de filho!

– É claro que eu estou sabendo! Harry é minha irmã! Apesar de todos os problemas que tivemos, eu sempre dei um jeito de estar com ela quando ela precisou, então é óbvio que ela veio me contar. — John não conseguiu conter-se e se ergueu — E eu estou muito contente por elas! Será que uma vez na vida você não pode passar por cima dos seus preconceitos estúpidos e simplesmente ficar satisfeito porque a sua filha está saudável, está feliz? — Henry ergueu-se de um salto, erguendo um dedo ameaçador para o filho.

– Olhe o tom que usa comigo, John! Eu sou seu pai! Depois de tudo o que eu fiz pra criar vocês como gente decente…

– Tudo o que você fez? — John soltou uma risada amarga, completamente desprovida de humor. — A maior parte das minhas lembranças envolve você chegando completamente bêbado em casa, gritando com mamãe se a comida não estivesse pronta e desmaiando no sofá da sala! Minha mãe trabalhou como uma escrava como enfermeira no hospital para nos dar um mínimo de conforto, porque você gastava todo o seu dinheiro bebendo e apostando. E depois que ela morreu de tanto trabalhar, eu ainda fui forçado a ver você obrigar Harry, que não tinha nem 15 anos, a pegar um emprego depois da escola, porque você não queria abrir mão dos seus hábitos em prol das necessidades dos seus filhos! — Henry parecia a beira da apoplexia, o rosto em um tom feio de vermelho-arroxeado.

– Que necessidades? Vocês sempre tiveram um teto sobre a cabeça, comida na mesa… — John espetou um dedo no peito do homem, forçando-o a sentar-se no sofá e pairando de forma ameaçadora sobre ele.

– Um teto que o banco ameaçava retomar ao menos três vezes por ano, e comida que mal era suficiente pra nos manter vivos, enquanto você passava noite após noite bebendo seu caminho até uma morte prematura. E quanto à Harry… — John ergueu-se, reto, cruzando os braços — você perdeu qualquer direito de falar sobre a vida dela no dia em que a colocou pra fora de casa, só com a roupa do corpo.

– Se você estivesse lá…

– Se eu estivesse lá, isso nunca teria acontecido, porque eu ia colocar você pra fora de casa! — John gritou, e Sherlock soube que o temperamento do médico escapava rapidamente ao seu controle. Ele largou os óculos de segurança sobre a mesa e foi até a sala, o movimento chamando a atenção de Henry.

– Nós não devíamos ter essa conversa aqui, na frente do seu colega. — ele falou, tentando recuperar a compostura. — É um assunto de família. — John tremia, os maxilares cerrados.

– Você veio até a minha casa, falar atrocidades sobre a minha irmã, na frente do meu parceiro. É exatamente aqui que temos que conversar. — Sherlock viu a confusão nos olhos do homem, e entregou o coup de grace, parando ao lado de John e colocando a mão sobre o ombro dele. O médico sentiu uma fração mínima de sua tensão esvair-se ao contato.

– Acho que houve um mal entendido quanto ao significado da palavra “parceiro”, senhor Watson. — ele falou, soando satisfeito — John não é apenas meu parceiro de trabalho; ele é meu parceiro de vida. — o sangue esvaiu-se completamente do rosto de Henry.

– Que brincadeira sem graça é essa, John? Você não é… uma bichinha! Que estupidez é esta? — Sentindo a pressão leve da mão do detetive em seu ombro, John respirou fundo antes de falar.

– Não é brincadeira nenhuma, pai. Quando eu disse que Sherlock é meu parceiro, foi isso que eu quis dizer. Meu companheiro. Meu amante. A pessoa com quem escolhi passar a minha vida. E não acho que você tenha qualquer direito de opinar sobre o assunto. — a cor voltou com força total ao rosto do homem, que se ergueu bruscamente.

– Isso é culpa da sua irmã! Ela influenciou você, com a perversão dela, ela desviou você do caminho da decência!

– CALE A BOCA! — John gritou a plenos pulmões — Cale essa boca AGORA, ou eu vou esquecer o respeito que devo aos seus cabelos brancos e ao fato de você ser meu pai, e vou arrebentar a sua cara!

– Você não ousaria…

– Ah, mas eu ousaria! Eu ousaria! Não existe o menor vestígio de afeição por você em mim. Quando eu parti pro Afeganistão, sem saber se voltaria vivo, você não teve a decência de me mandar nenhuma palavra. Mas Harry e Clara estavam lá para se despedir de mim. Quando eu voltei pra Inglaterra, completamente destruído, uma sombra do que eu era, você não teve a capacidade de responder a algum dos meus telefonemas! Ocupado demais bebendo, eu imagino! Quando eu estava perdido, vazio, pensando em meter uma bala na cabeça, Sherlock apareceu na minha vida, e eu só posso acreditar que foi a Providência Divina que colocou ele no meu caminho; do contrário, eu já teria me matado. Ele me ofereceu um lugar pra morar, me convidou a participar do seu trabalho; me deu uma razão pra continuar vivendo. Ele me ofereceu amizade, carinho, e quando eu finalmente consegui passar por cima de toda a merda que você plantou na minha cabeça enquanto eu crescia… ele me ofereceu amor. — Henry fez menção de falar, mas John ergueu a mão, interrompendo-o. — E eu juro pelo que há de mais sagrado no mundo: se você falar uma palavra que seja contra ele, você vai sair daqui num saco de cadáveres, porque eu mato você. Eu mato você com as minhas mãos nuas.

– Eu já mencionei que meu irmão ocupa um alto cargo no Governo, e conhece mais de cinquenta maneiras de sumir com um corpo? — Sherlock falou, olhando as unhas manchadas de azul.

– Você está fora de si, John. — Henry falou, desgostoso — Agindo como se esse tipo de coisa fosse normal…. você não pensa no que os outros vão dizer, os vizinhos, os amigos…

– Eu estou cagando e andando pro que os outros vão dizer! E os seus “amigos” não passam de um bando de babuínos idiotas, com cérebros do tamanho de uma ervilha! Se é assim que você pensa, que meu relacionamento e o relacionamento de Harry não são normais, são motivo de vergonha… pior pra você. Um dia você vai manifestar sua opinião na frente de alguém que não tenha a obrigação de ter respeito por você como eu, e aí… eu com certeza não vou chorar sobre o seu caixão. — John respirou fundo e apontou para a porta — Saia. Enquanto você pensar assim, eu não quero você na minha casa, e eu não quero você na minha vida. — ele virou-se de costas, e Henry dirigiu-se para a porta, trêmulo de rancor.

Sherlock seguiu-o e, antes que o homem pudesse sair, segurou-lhe o braço. Ele largara completamente o ato de cientista maluco, sua postura perfeitamente ereta e os olhos argutos brilhando, ameaçadores, no rosto. O pai de John olhou a mão em seu braço e ergueu o rosto, assustando-se diante da intensidade do escrutínio a que era submetido pelas íris pálidas.

– Se você pensa que eu vou voltar lá… — Sherlock apertou-lhe o braço, interrompendo-o.

– Nem me passou pela cabeça. Eu só queria dizer que o que eu falei sobre meu irmão não era brincadeira. Nem o fato de ele estar em um relacionamento com um dos melhores investigadores da Scotland Yard. Eles são muito bons em desencavar os pequenos segredos que as pessoas escondem, e ainda melhores em sumir com elas. Então, eu o aconselho a voltar para Kirkham e esquecer John e Harriet, até que o senhor consiga passar por cima dos seus preconceitos estúpidos e aceitá-los, como um pai deve fazer. Eles têm uma nova família aqui, senhor Watson. Uma família que cuida de seus membros. Se eu souber que o senhor assediou de alguma maneira seus filhos, ou a esposa de sua filha… as consequências não serão agradáveis. — ele empurrou o homem chocado para fora do apartamento e bateu a porta com força.

Sherlock já deletava Henry Watson de sua mente. A única coisa em seus pensamentos era John.

Notas finais
Primeiro, as já tradicionais desculpas pela demora. Vida e whatsanot. Quem me acompanha no Twitter sabe que a coisa anda preta pro meu lado, e é claro que isso se reflete na minha produção. Segundo, um cookie virtual pra quem entendeu a brincadeira com o cardápio do café da manhã! o/ Esse capítulo foi um pouco sofrido de escrever; eu sou péssima com angst. Gosto de escrever coisas fofinhas, engraçadas e sexies. Sofrimento e dor já tenho suficientes na minha vida. Mas achei que era necessário pro desenvolvimento da história, então... sorry. Muito obrigada a todos que ainda têm paciência para aguardar as atualizações e deixar reviews! O apoio de vocês é indispensável e imprescindível para me manter à tona. Ao contrário da irmã Mystrade, essa fic está longe, MUITO longe do fim que eu tenho em mente para ela. Muita água ainda vai rolar embaixo da ponte desses dois! Não vou fazer promessas sobre atualizações, porque quase nunca consigo cumpri-las. Então, o que tenho a dizer é o meu tradicional Until we meet again, Miss Eowin
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.