The Scene After Kiss and Tell

7 They say we can love who we trust, but what is love without lust?


Notas iniciais
Arco II: In For the Kill - Capítulo 2

Takeshi, o colega misterioso, entrou na sala como se estivesse desfilando. Era bonito e tinha a completa noção disso. A franja do cabelo preto estava impecavelmente arrumada. O casaco de couro reluzia às lâmpadas brancas da sala. As botas beges faziam um barulho ritmado no chão. E, para finalizar, um lenço laranja amarrado no pescoço mostrava que a cor que ele e Mimi combinariam no dia era laranja.

Todo o dia, desde quando se tornaram amigos, Mimi e Takeshi acabavam escolhendo uma peça de roupa ou um acessório que era da mesma cor sem querer. Não demorou muito para isso virar regra entre os dois. O único dia fixo era quarta, porque era nesse dia todos no grupo de Mimi usavam algo rosa. O resto era um mistério que Gustavo adorava descobrir diariamente, algo que ele fazia inconscientemente.

Takeshi não pode evitar em virar seu olhar para Gustavo. A conversa que tinha escutado ontem era esquisita demais para ele entender direito. Tinha certeza que Pedro era hétero e aquela conversa na porta da casa de Gustavo tinha sido romântica demais para o estrelinha não estar apaixonado por Gus. Isa parecia vilã de filme romântico que iria se tornar a vida dos dois. Ainda mais por ter colocado Gustavo como inocente e Pedro como culpado, o que poderia, inclusive, separá-los.

Gustavo responder a Pedro que era gay mesmo deu uma reação efusiva no garoto. Ele com certeza deveria estar apaixonado pelo colega e aquilo era tudo que precisava pra seguir em frente – se Isabelle não tivesse inventado aquela história. Fazia todo o sentido: Pedro deve ter escondido sua paixão por Gustavo dela e, depois que ele contou e quis terminar o namoro de fachada, ela resolveu se vingar.

Típica vilã de novela das nove.

Takeshi não estava percebendo que Gustavo começou a enrubescer depois de se olharem olhos nos olhos e nem achou isso estranho. Ele tinha acabado de entrar e todos olhavam para ele, Gustavo não iria ser diferente.

O Grande Miminion sentou-se ao lado de sua amiga e a cumprimentou. Tinham conversado até altas horas ontem bolando teorias sobre o que tinha acontecido com Pedro e Isabelle e o que aquela conversa que Takeshi escutou significava. A única coisa que divergiam era sobre a certeza de quem seria o hétero entre Pê e Gus – Mimi conseguia ser muito cabeça dura, mesmo com provas óbvias. E já tinham planos pra tirar aquela história a limpo, a começar no intervalo.

— Perdi alguma coisa? — Takeshi perguntou.

— Só dei uma patada no Má... — respondeu Mimi e, ante o suspiro do amigo, completou: — para proteger Gustavo.

— Está interessada no menininho hétero, senhorita Mimi? — retrucou.

— Não, muito obrigada — ela disse, prontamente — mas não seria mal alguém do futebol no nosso grupo...

— Isso é megalomaníaco demais, querida... Até para você.

— Posso sonhar não posso?

Ele deu de ombros. Mimi tentou cooptar Matheus desde a primeira vez que ficaram juntos, mas nunca deu certo. As brigas que os dois tiveram sobre isso no pátio deram fofoca por semanas naquela sala.

Não demorou muito para o professor chegar e a aula de química começar, acalmando os ânimos de todos... Isso em parte, na verdade, já que noventa por cento da sala ficou de olhos vidrados na porta, esperando Pedro chegar atrasado e dar de cara com Gustavo e Isabelle NO MESMO RECINTO!

Os minutos foram se passando... Na escola, podia entrar até dez minutos atrasado na aula. Nove. Oito. Sete. Seis. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Pedro não deu as caras.

O assunto principal no intervalo de praticamente todo mundo seria justamente o que aquilo deveria significar.

Chegando nele, que é onde a ação de fato vai começar, Mimi e Takeshi já estavam com seus destinos prontos: ele iria falar com Gustavo e ela iria falar com Isabelle. Os pretextos seriam óbvios: Takeshi iria “dar seu apoio” a Gustavo como colega do vale dos homossexuais e Mimi iria ser a “compreensiva” porque sabia o que era ficar/namorar com um dos caras bestões do futebol. Não seria completamente mentira, mas o objetivo principal seria outro: descobrir a verdade por trás daquela fofoca.

Acompanhemos Takeshi e deixemos a conversa de Mimi para o próximo capitulo.

Gustavo estava rodeado de colegas de sala assim que o intervalo começou. Mais gente compreensiva/curiosa cercando seu caminho. Queria muito conseguir falar com Isabelle pra tirar aquela história a limpo. Bem, querer não é poder, já que, logo que tocou o sinal, Isa sumiu de vista junto de Tez, Camila e Ivanna.

Percebeu então que precisava de um pouco de paz. Aquela situação estava sendo bem exaustiva e, como Pedro tinha faltado, decidiu passar o intervalo sozinho. Nada mais justo, já que ontem, quando a fofoca de Isabelle explodiu, ele não estava lá para dar apoio ao amigo.

Amigo... Será que conseguia considerar Pedro só seu amigo depois de tudo isso? Achava Takeshi bonito, é verdade, e talvez nem pensaria em Pê se não fosse aquela vez que ficaram juntos... Maldita Catuaba! Nunca mais ia beber aquele troço, imagina com quem ficaria “sem querer querendo” da próxima vez? Como será que Pedro se sentia quanto tudo aquilo? Será que desenvolvia algum sentimento também?

Nossa, Gustavo, calma lá, você tá parecendo protagonista de comédia romântica da Sessão da Tarde!

Com tanto exercício mental, Gustavo não ouviu os passos de Takeshi em sua direção, nem o viu. De olhos fechados pensando na vida, Gus quase deu um pulo quando ouviu a voz afinada do outro:

— E aí? — Takeshi perguntou — Como vai?

Demorou mais que o normal para Gustavo reagir. Ele não podia acreditar, estava lá, pensando que Pedro poderia estar substituindo Takeshi como seu crush e PIMBA! Takeshi aparece...

— Oi... — não sabia muito o que dizer. Apesar de morarem perto um do outro, nunca se conversavam direito. A mãe de Gustavo morria de medo de ele brincar na rua com os outros meninos, o que incluía Takeshi, fazendo com que o momento para se conhecerem simplesmente passasse e eles tomassem rumos diferentes na vida.

Na verdade, Gustavo tinha certeza que Takeshi seria uma ótima aquisição para o time de futebol. De tanto que ele viu o menino jogando da janela de casa, tinha a plena convicção de que ele seria um dos destaques do time... Mas né? Nem dá pra culpar ele de não ter tentado entrar. Depois da reação de Vitor e Matheus sobre a fofoca da Isabelle...

— Então, menino — Takeshi começou — vim aqui falar contigo sobre tudo que tá acontecendo. Não foi nada legal o que Isabelle fez com você e com Pedro, mesmo ele sendo um canalha.

Então era isso... Takeshi era mais uma alma caridosa que se compadeceu por sua posição naquela trama armada por Isabelle. Esquisito. Não combinava com ele.

— Posso sentar aí do seu lado? — Gus estava em um dos bancos de cimento nos fundos do pátio — A gente tem muito que conversar...

Gustavo não sabia como reagir ante aquelas palavras, mas ele não ia recusar a companhia de Takeshi sem motivo. Além do mais, quando ia ter outra chance de conversar com outro cara gay sobre tudo aquilo? Que ainda por cima é bonito, charmoso e sensual?

Naquele momento, Gus não pode evitar em pensar em como foi bom Pedro ter faltado naquele dia...

Notas finais
Rolou um clima... E agora?? Como será essa conversa entre os dois?? E o que Mimi vai falar com Isabelle?? Acho que já deu para perceber que Takeshi e Mimi apareceram para dar uma cutucada na ferida no mistério que está sendo o término de Isabelle e Pedro... Espero que estejam gostando porque está bem divertido de escrever os planos e teorias desses dois ^^ Muito obrigado a vocês que estão lendo, que comentaram e que favoritaram xD Até semana que vem com o próxima capítulo o/