Notas iniciais
Mais um capítulo! Era suposto eu só postar amanhã, mas recebi comentários muito motivadores e lá decidi postar um capítulo como forma de agradecimento.
Espero que gostem!

Corri o mais rápido possível assim que ouvi o som do canhão. As minhas pernas moviam-se automaticamente e o vento causado pela minha corrida fustigava-me o rosto. Fui a primeira a chegar á cornucópia e agilmente peguei no pack de facas, guardei algumas nos bolsos do casaco e das calças. Segundos depois, vi um tributo assustado que se tinha aproximado demais e que procurava por alguma arma. Aposto que os meus olhos brilharam de excitação quando uma faca que eu acabara de tirar do estojo de plástico cortou o ar na direção daquele tributo azarado. A faca cravou-se no crânio do tributo, que caiu no chão, de olhos abetos. O canhão soou novamente, mas, desta vez, era porque um tributo tinha morrido. A primeira morte.

Não reparei no que se passava á minha volta nos curtos minutos que durou a bloodbath, eu estava totalmente no meu modo de ataque. Nos treinos do Distrito 2 os carreiristas eram ensinados a concentrarem-se apenas nos seus alvos. E era isso que eu estava a fazer.

Uma garota passou a correr a poucos metros de mim. “Idiota” pensei enquanto lançava uma faca e a mesma acertava em cheio a nuca da garota, fazendo-a tombar imóvel e, provavelmente, incosciente no chão. Segundos depois ouviu-se o som do canhão.

Corri á volta da cornucópia, onde se encontravam ainda muitos tributos. Pude ver Marvel a cortar a perna de um garoto caido no chão e Glimmer e derrubar uma garota. Ao menos eles sabiam fazer algumaa coisa. Sorri de entusiasmo quando vi Katniss parada na arena. “Ela deve estar querendo morrer, mesmo” foi com esse pensamento que corri até ela. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, a “Garota em chamas” pareceu voltar á realidade e começou a correr. Ela tentou apanhar uma mochila que estava no chão, mas um garoto foi para cima dela, tentando atingi-la. “Escolha errada” pensei quando uma das minhas facas se prendeu nas suas costas, prefurando a carne e fazendo com que sangue brotasse da ferida, tingindo o casaco de sangue.

Eu podia ter matado a “Garota em chamas” naquele preciso momento, nas não o fiz. Lançei mais uma faca de modo a que ela se pudesse defender com a mochila, ao menos ela tinha bons reflexos. Fingi uma cara de frustração e deixei-a fugir. Pode parecer louco, mas eu queria um bom Jogo. Afinal, qual seria a diversão em matá-la com um único golpe? Além disso, se eu a tivesse matado ali nem poderia partilhar a morte dela com Cato, e isso era algo que ambos queríamos: matar Katniss Everdeen. Quando chegasse o momento de matar aquela garota irritante eu iria fazê-lo, com Cato ao meu lado.

Depois de deixar Katniss ir embora procurei outro tributo desafortunado para atingir, afinal, matar apenas dois tributos na bloodbath é muito pouco.

Matei mais três tributos nos dez minutos seguintes, uma garota e dois garotos, que, sinceramente, nem sei a que Distrito pertenciam.

Onze canhões soaram durante a bloodbath e eu era responsável por cinco deles, isso era muito bom. Guardei as minhas facas dentro do casaco e fui até onde Cato se encontrava, já com Glimmer ao lado, a escolher aquilo que iriamos levar durante a nossa “viagem” na arena.

-Oi! – sentei-me no chão ao lado do sítio onde Cato estava e encostei a cabeça na parede fria da cornucópia.

-Oi, pequena! – Cato sentou-se ao meu lado, segurando nas mãos a espada que tanto observara enquanto estava na plataforma – Você está bem? – a pergunta saiu num tom de voz tão baixo que eu quase não ouvi, tal como ele não queria que os outros ouvissem.

-É mesmo necessário eu responder? – dei um sorriso e levantei a mão, mostrando os cincos dedos.

-Não estou a perceber. – Cato parecia realmente confuso e isso me fez sorrir ainda mais. Dei um soco no seu ombro – Seu lerdo! Cinco, eu matei cinco tributos na bloodbath!

-Hey, calma! – ele exclamou quando eu já lhe ia dar outro soco no ombro. Cato olhou orgulhosamente para mim – Cinco, mesmo?

-Claro, nem podiam ter sido menos. – cruzei os braços e encostei a minha cabeça no ombro de Cato – Quantos você matou?

-Três. – ele respondeu, enquanto colocava o braço por cima dos meus ombros – É mais dificíl matar á distância com uma espada.

-E também é mais dificíl quando ninguém se aproxima de você, certo? – brinquei e rimos os dois, mas parámos quando Glimmer, que tinha saído dali quando eu cheguei, apareceu com Marvel atrás. Os dois pareciam um pouco hesitantes.

-O que foi? – Cato perguntou com um tom autoritário, eu adorava quando ele ficava assim, rude e altivo, como se fosse o Rei do Mundo. Na verdade, Cato era o líder dos carreiristas daquela arena e, por isso, tinha de parecer ainda mais ameçador do que aquilo que era normal (embora a diferença não fosse muita).

-Nós temos alguém que se quer juntar a nós. – respondeu o idiota do Marvel, pois Glimmer não parava de olhar para mim e para Cato, ou, mais propriamente, para o braço de Cato, aquele que estava possessivamente sobre os meus ombros.

-E quem é? – Marvel não respondeu, deu as costas e saiu dali. Quem quer que fosse a pessoa que quisesse ficar connosco teria de ser muito útil, caso contrário não teria chance.

Alguns segundos depois, Marvel, Jean (a garota do Distrito 4) apareceram. Logo atrás deles vinha Peeta Melark, o namoradinho da “Garota em chamas”. Só de o ver na minha frente eu fiquei irritada.

-O que você quer garoto? – perguntei com raiva, enquanto me levantava e ia até ele. Peeta não pareceu ficar intimidado e isso apenas me irritou ainda mais, eu detestava quando as pessoas me sobrestimavam devido á minha altura.

-Quero entrar no vosso grupo. – ri alto quando ele disse isso.

-E porque nós haveríamos de aceitar você? – perguntei rudemente, parando de rir e pegando o cabo de uma das minhas facas.

-Por… porque… — Peeta olhou para a faca que eu segurava firmemente na mão e engoliu em seco. “Perdendo a coragem, garoto?” – Porque eu posso levar-vos até Katniss.

-A “Garota em Chamas”? – Glimmer perguntou. “Ela só podia ser loira, mesmo”.

-Não é essa a única Katniss que há na arena? – perguntei, novamente com raiva. Glimmer não respondeu, apenas abanou os cabelos e fez uma careta – E eu não vejo nenhuma razão para nos fazer aceitar você, Peeta, — disse o seu nome com escárnio – nós podemos chegar a ela facilmente.

-Duvido imenso. – oh, não, ele não disse isso! Deixei escapar um pequeno rosnado quando Peeta falou e pouco faltava para eu cortar a garganta daquele infeliz quando os braços de Cato seguraram os meus ombros.

-Calma, Clove! – ele sussurrou e eu fiz o que Cato pediu, ou, pelo menos, tentei. Cato virou-se para Peeta e pareceu analisá-lo durante alguns segundos. Depois, para meu desagrado, ele disse: — Nós te aceitamos.

-Argh! – resmunguei e cruzei os braços sobre o peito – Porquê? – perguntei para Cato.

-Porque ele pode vir a ser últil. – os outros concordaram e eu acabei por ter de fazer o mesmo, mas não sem acrescentar:

-Mas quando ele deixar de ser últil nós o matamos. – olharam todos para mim e eu fiz o mesmo para Peeta que, agora sim, pareceu perceber o quanto eu não gostava dele e o quanto isso lhe podia custar – E quando chegar essa altura, ninguém se vai opor. – a minha voz saiu como uma promessa. Sorri maldosamente quando Peeta estremeceu e, mais uma vez, engoliu em seco.

Notas finais
Comentem! Bjs