The Ruin Of The Giants
8 Uma visita ao Mundo Inferior
Notas iniciais
- Onde é o portal mais próximo? – perguntei enquanto saíamos do bar.
- Não sei... vou descobrir. – Nico disse depois ele fechou os olhos e respirou fundo.
- Nico? – Jake o chamou, mas ele o ignorou como se mal o ouvisse.
Nico abriu os olhos.
- Tem um parque próximo daqui, acho que lá tem uma passagem. – ele disse.
- Espere, pensei que o único portal que você conhecesse fosse o do Central Park. – Percy disse.
- Não é bem assim Percy, há portais para o mundo inferior em vários lugares do mundo, você só precisa saber como encontrá-los.
- Tudo bem então, vamos. – Jake falou.
Nico dissera que o parque era próximo então fomos andando, o dia estava um quente agradável, além do mais, passei doze horas dentro de um carro, andar era a melhor coisa que tinha feito até agora, o vento era leve e refrescante.
Entramos em um parque pequeno, algumas árvores, bancos, velhinhos jogando pedaços de pão aos pombos, crianças brincando, por um momento pensei que estivesse em um filme, estou mais acostumada á monstros ao invés de crianças brincando.
Nico parecia focado em encontrar alguma coisa, ele analisou cada parte do parque, até que parou a visão em algo.
- Ali. – ele apontou para uma pedra do tamanho de uma criança de quatro anos, perto de uma árvore.
Fomos até a pedra. Nico tocou a rocha e ela se afastou para o lado, revelando um buraco negro que rodopiava como fumaça negra.
- Vamos. – ele disse entrando primeiro no portal, ele sumiu como se tivesse sido sugado por um aspirador de pó negro.
Depois Jake entrou e eu. Senti como se tivesse me dissolvido em várias moléculas e me reintegrado, em fração de segundos, uma sensação rápida e de repente estava na frente de um enorme rio avermelhado, percebi que estava em um tipo de praia, a areia era negra ao redor tudo se misturava em um borrão avermelhado e alaranjado com frestas pretas como a imitação de um céu. Lembrei que o rio a minha frente era o Rio Estige.
- Maneiro. – Jake falou olhando ao redor.
- Certo, vamos tentar não chamar muita atenção, seria bom se meu pai não descobrisse que estamos aqui. – Nico disse, pegou minha mão e fomos andando, alguns minutos de silêncio o que eu já estava achando estranho e então Jake quebra o momento, ele tropeçou em peças de uma armadura velha que estava no chão.
- Desculpe. – ele falou se levantando, quando foi andar quase caiu de novo um pecado de elmo ficara preso em seu tênis, ele o tirou e continuou andando.
Chegamos a um portão grande de ferro envelhecido, era guardado por dois cães infernais grandes e corpulentos. Nos aproximamos e os cães rosnaram mostrando vários pares de belas presas que já devem ter estilhaçado a carne de muitos semideuses como nós, eu suponho. Nico se aproximou deles.
- Está tudo bem, sou Nico di Angelo filho de Hades, e estes são meus amigos, deixem-nos passar. – Nico disse, os cães pareceram hesitar, mas liberaram a passagem. – Ah, e não avisem á Lord Hades que estivemos aqui.
Os cães pareceram compreender voltaram a seus antigos lugares.
- Lord Hades? – perguntei.
- É, meu pai é chamado assim aqui.
Jake estava com o arco em uma das mãos, ele parecia preparado para pegar uma flecha em sua aljava e atirar a qualquer momento.
- Ei cara, aquele ali não é o palácio de Hades? – Jake perguntou apontando com o arco para uma grande construção negra mais a frente.
- Sim. – Nico confirmou.
- Então porque estamos tão perto se Hades não deve saber que estamos aqui? – o garoto perguntou.
- Porque vamos pegar um atalho. – Nico falou dando um sorriso traquino.
Atravessamos o jardim do palácio e Nico enfiou o corpo dentro de um muro fraco de arbustos.
- O que está fazendo? – perguntei.
- Atalho. – ele falou me puxando pela mão, entrei no arbusto, saímos do outro lado, talvez minha boca tenha aberto porque eu estava impressionada com o que via, uma ponte de pedras a nossa frente levava a um campo enorme onde milhares de fantasmas reluzentes vagavam, tinham fantasmas de todos os tipos, guerreiros, idosos, jovens que pareciam normais, gente que faltava membros, militares antigos etc.
- Campos de punição. – Nico falou.
- Que louco. – Jake falou indo em direção a ponte, Nico e eu o seguimos.
Quando atravessamos a ponte que chegamos ao campo os fantasmas se agitaram.
- Como vamos saber quem era o cara que Ares disse? Ele não disse o nome, disse? – perguntei.
- Não, mas posso descobrir. – Nico andou entre os fantasmas, Jake e eu estávamos ao seu lado.
Nico encarou um fantasma de um homem gordo, pela sua roupa deduzi que fosse um ex-guerreiro grego, ele segurou a figura pelo braço, o homem o encarou de cima a baixo.
- Conheço você garoto? – disse o fantasma.
- Não, me responda uma coisa, quem é o fantasma de um semideus que presenciou o nascimento dos gigantes de Gaia, no passado? – Nico perguntou, o fantasma puxou o braço da mão de Nico e ergueu uma sobrancelha.
- Você não está morto está? – ele perguntou.
- Não, apenas diga...
Alguém pigarreou atrás do fantasma mal humorado, o homem saiu do caminho e foi embora revelando a figura fantasmagórica de um homem magro da nossa altura, suas roupas eram um tanto modernas, usava um terno preto, uma blusa azul marinho, calça jeans preta, e uma bota curta preta, no pescoço uma corrente prata brilhava na medida de um fantasma claro, ele parecia mais avivado que os outros, as cores nele eram mais vividas, inclusive o cabelo seboso em forma de topete, o mais estranho eram o sorriso traiçoeiro e o olhar desafiador, ao mesmo tempo descontraído e sarcástico.
- Procuram por mim? – perguntou o homem.
- Qual é seu nome? – Nico perguntou.
- Hum... Hades, Zeus e Apolo... Ah, claro, sou Peter. – respondeu o fantasma.
- Você é filho de Nêmeses, eu me lembro de você perturbando julgamentos no salão dos julgamentos! – Nico disse, Peter sorriu novamente dessa vez mais descontraído.
- Perturbando é uma palavra forte, estava apenas... alegrando o lugar. – ele disse.
Peter era filho de Nêmeses, estava mais claro agora porque ele tentara destruir os deuses, abusara da magia e deixava todos loucos.
- Enfim, estamos aqui por que... – Jake começou a falar, mas o fantasma o interrompeu.
- Eu sei por que estão aqui, acreditem mesmo aqui em baixo as noticias correm rápido.
- Então vamos direto ao ponto, como funciona o ritual? – perguntei.
- Ah é simples boneca, os gigantes construirão a prisão de Afrodite e a de seus amigos, suponho que já esteja pronta, quando tiverem tudo, eles acenderão ao primeiro raio de sol uma fogueira, a energia do fogo é ligada as prisões, o fogo suga a energia vital da deusa e dos pequeninos semideuses e eles morrem, claro, daí é só falar algumas baboseiras e BUM! Cinco gigantes nascem do fogo. – Peter disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, claro.
- Espere... e a parte que eles derramam o sangue dos semideuses sobre a fogueira? – perguntei.
O fantasma deu uma gargalhada e segurou a barriga.
- Boneca isso é só para a diversão sabe, não faz diferença.
Diversão, ele se referia a morte de meus amigos como diversão, tive vontade de estrangulá-lo, mas ele já estava morto então acho que não faria muita diferença.
- São dois gigantes, de quem são? – Nico perguntou.
- Apolo e Ares, ora. – Peter falou passando um dedo sobre a corrente em seu pescoço.
- Ótimo, vamos embora. – Jake disse.
- Peraí! E o que eu ganho? Vamos lá pessoal, ajudei vocês agora me ajudem. – Peter disse abrindo os braços.
- Fica pra próxima. – Nico disse se virando.
- Ei parceiro, estamos entre amigos aqui, seu pai não precisa saber... só me arranje um campo melhor, ou outro julgamento! – o fantasma disse.
- Desista Peter. – Nico disse e continuamos andando, não olhei para trás mas imaginei que a cara de Peter estivesse vermelha de raiva, se é que fantasmas ficam vermelhos.
Pegamos outro caminho, para voltarmos ao mundo mortal, de repente Nico parou.
- O que? – perguntei.
- Pegamos o caminho errado. – Nico disse.
- Como assim errado? – Jake perguntou.
Infelizmente descobrimos antes que Nico pudesse responder, um dragão enorme vermelho com asas afiadas, corpo escamoso e uma enorme boca, apareceu a nossa frente.
Fale com o autor