The Royalty
14 The Dates
Notas iniciais

— Não vejo motivo para que você faça todas as Selecionadas lidarem com esse segredo, se algumas nem mesmo tem a chance de ganhar essa competição. – Posicionou-se a rainha.
Estava cada vez mais difícil para Dave aturar essas constantes reuniões com a mãe para decidir algo que devia ser uma escolha somente sua.
— Até agora todas têm chances iguais – respondeu Dave.
— Talvez reduzi-las a um número menor seja uma boa jogada nesse momento – diz o rei.
— Finalmente alguém concorda comigo – comemora a rainha. — Dave, querido, sei que pode ser difícil escolher, mas tente sair com alguém essa semana.
— Isso, Jackson vai passar em Clermont antes de vir para cá, tem tempo de você achar alguém que não goste tanto – Sugere o rei.
— Vou ver o que posso fazer – cede o príncipe. – Mas lembrem-se de que elas são garotas e não objetos.
Com isso Dave sai da sala e caminha calmamente até o corredor onde se localizam os quartos das Selecionadas.
Como quem poderia ter um encontro? Não queria pensar que o encontro era a chance de eliminar alguém e sim uma oportunidade para conhece-las melhor. O príncipe caminhou até o fim do corredor e bateu na porta de Amélia Kingsley, neste horário a maioria das garotas encontrava-se no salão das mulheres, mas Amélia normalmente distanciava-se das outras concorrentes. Uma ciada logo veio atender, fazendo uma reverência.
— A senhorita Amélia está?
— Sim, ela encontra-se lendo. Pode entrar, vossa alteza. – Respondeu a criada abrindo espaço.
— Bom dia senhorita Amélia, o que está lendo? – Perguntou Dave ao se aproximar.
Amélia tirou os olhos do livro e levantou-se apressada para uma reverência.
— Um sonho de uma noite de verão – responde – Já li diversas vezes, mas é o meu preferido.
— Gosta de Shakspeare?
— Não muito, só desse mesmo.
— Gostaria de sair comigo? – Pergunta o príncipe.
Amélia pega o livro na cama meio sem jeito.
— Hum... Claro.
— O que você gostaria de fazer?
— Sei lá, qualquer coisa. – Responde Amélia.
— Podemos cavalgar ou comer alguma coisa ou passear pelos jardins... – sugere Dave.
— Pode ser, mas eu não sei andar a cavalo e não estou com muita fome.
— Certo... então vamos para os jardins...
Os dois seguiram para fora do palácio em silêncio, nenhum dos dois sabia como começara uma conversa.
— A senhorita está gostando do palácio? – Perguntou o príncipe.
— Ah sim, é diferente – Amélia parecia um pouco alheia a tudo aquilo, talvez estivesse muito nervosa.
— Como era sua vida antes de vir para cá?
— Diferente, mas era confortável dentro do possível para uma seis.
Dave ficou quieto sem nenhum outro assunto para continuar a conversa. O passeio continuou no mesmo ritmo até chegasse ao fim. Amélia era uma pessoa de poucas palavras e parecia não se interessar muito por tudo que estava acontecendo.
Depois desse encontro Dave pensou se seria rude convidar outra garota para sair naquele mesmo dia, provavelmente sim, mas precisava fazer isso para resolver alguns problemas. Depois do jantar, chamou Elise para comerem sobremesa.
— O que gosta de comer? – Perguntou o príncipe indicando o carrinho repleto com várias sobremesas diferentes.
Elise mordeu o lábio inferior antes de responder.
— Gosto de doces a base de cereja, alteza – respondeu dando um sorriso ao final.
— Ótimo, temos clafoutis de cereja e bolo floresta negra. E não precisa me chamar de alteza, pode me chamar de Dave – Disse o príncipe enquanto servia uma fatia de bolo. – Sente-se e fique à vontade
— Ah obrigada. – Disse Elise tentando descobrir o que seria “clafoutis”, seja lá o que fosse, ela adorou.
— E então, o que achou da viagem? – Dave puxou assunto.
— Foi maravilhosa, foi bem relaxante, não que o palácio não seja, mas...
— Sei o que você quer dizer. O palácio pode ser bem estressante ainda mais com a minha mãe ou Clair. – Falou o príncipe e Elise apenas concordou – Mas você está gostando?
— Sim, é tudo muito lindo e novo. Minha vida mudou de um dia para o outro e eu estou tentando me adaptar.
— Você quer uma mousse de chocolate? – Oferece Dave.
— Não obrigada, eu não gosto muito de chocolate. – Recusa Elise.
— Pela sua cara eu diria que é muito mais do que não gostar...
— Tá bom, na verdade eu odeio chocolate ou qualquer coisa muito doce, mas todas as sobremesas do palácio são muito gostosas, pelo menos as que eu já comi até agora.
Dave abriu um sorriso.
— Você não precisa ficar com medo de me ofender sabia? Pode ser sincera caso não goste de algo.
— Certo, mas estou sendo sincera, está tudo maravilhoso. – Comenta Elise.
Dave pegou mais um pedaço de clafoutis para a Selecionada e mudou um pouco o rumo da conversa.
— O que te trouxe a Seleção? – Perguntou interessado. Realmente, o motivo da inscrição das Selecionadas lhe eram um mistério completa, nenhuma parecia muito apaixonada e Dave temia que algumas só estivessem ali pela coroa.
— Meu pai – Elise baixou os olhos.
— Ele está doente, não é? – O príncipe perguntou tentando lembrar-se da entrevista e arrependendo-se de entrar no assunto – Eu sinto muito, sei como é... Mas não se preocupe, sei que seu pai vai melhorar assim como o meu.
— Eu espero que sim, as coisas ficariam bem difíceis sem ele, mas acho que você entende isso mais do que ninguém. – Respondeu Elise. – Não vamos ficar nos deprimindo, graças a Seleção podemos pagar pelo tratamento agora.
— Isso é ótimo. Se precisar de alguma coisa é só pedir, certo?
— Certo.
— Já está ficando tarde, acho melhor voltarmos para os nossos quartos.
***
Hyuna respirou fundo quando as primeiras gotas de chuva tocaram seu corpo, chuva era uma de suas coisas preferidas, o som da água caindo, o cheiro de terra molhada, tudo parecia perfeito quando complementado com aquela bela paisagem do palácio.
A Selecionada jogou mais uma última flecha e logo tirou os sapatos para começar a dançar sobre a grama.
— Vamos voltar para o palácio? – Perguntou o príncipe.
— Mas já?
— Se ficarmos aqui vamos acabar ficando resfriados – argumenta Dave tentando convence-la a sair da chuva.
— Eu tomo chuva desde sempre e nunca fiquei doente por causa disso, na verdade, sinto como se a chuva me fortalecesse. – Responde Hyuna, ainda dançando.
— Mas é melhor irmos, se a Lara vir você dançando na chuva ela vai querer imita-la e ai minha mãe vai ficar uma fera.
Hyuna abre um sorriso.
— É tão estranho ouvir você falar assim da rainha de Illéa.
— Mas é o que ela é, minha mãe – diz o príncipe.
— Na verdade tudo é estranho, eu estar no palácio falando com o príncipe. Sua família é meio utópica sabe, parecem perfeitos quando vistos através da tela.
— E quem disse que não somos? – Provoca Dave.
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