The Roxas Love
17 Capítulo 15- As flores de cerejeira.
Notas iniciais
“Era um lugar frio e escuro, uma cidade talvez. Imensos prédios, becos, e contruções irreconhecíveis. Não se via cores ou formatos, era escuro demais.
Eu andava, com vestimentas pretas, que cobriam todo o meu corpo, sendo que minha cabeça havia sido coberta por um capuz.
-Onde estou?- Me perguntava enquanto soprava as mãos para esquentá-las.
Então olho pra cima, e percebo a grande lua, que juntamente apareceu com um grande edíficio na minha visão. E de lá, surge um brilho que se aproximava mais a cada segundo numa velocidade incontável. Foi logo que aquele brilho ofuscante, havia sumido, como aparecera. Meus olhos fecharam, com medo do que poderia acontecer.
Quando sinto que mãos frias, tão mais frias que a minha, tocavam meu rosto.
-Mas... –Eu não abri os olhos, mas tinha certeza de quem poderia ser.
Sua aura, que emite luz, tinha descido a terra, mesmo que antes, eu não percebera.
-Eu prometo....-Aquela voz quente que ardia na chuva escaldante de onde estávamos.”
-Ahh! –Me levantei da cama num segundo, com as mãos ofegantes, assim como o rosto.
Quando me dei por perceber que fora um sonho.
-O que houve Roxas?-Uma voz, que ouvia no corredor ecoava em meu quarto. Deveria ser Sora.
-Estou bem, não se preocupe. –Tirei os cobertores, que alguma hora da madrugada se distanciaram de mim.
Muitos dias se passaram desde a carta que recebi de Axel.
A escola parecia diferente. Tudo parecia diferente. Como se aquele sonho fizera efeito na minha vida.
-Você está bem?-Ventus me perguntava um pouco atrás de mim, tentando me acompanhar.
-Ah, sim, tudo bem.- A sala 9. Era a sala onde conheci Axel, mas não havia problemas. Álias, eu estava entrando nela.
-Roxas, eu gostaria.... –Kisume dizia olhando para o chão, e mechendo as mãos estranhamente.
-O que disse?- Logo me toquei do que falara.
-Nada...
A aula nunca fora tão entediante. Era simples o fato de que conversão de temperaturas era chato. E era ainda mais chato com o professor estressado como aquele; Vexen.
-Não disse que o tc é dividido por 5?-Exclamava ele, mas ninguém escutava.
-Sim, professor. –Poucos alunos diziam.
-Então porque fizeram tc dividido por 9?
-Desculpe professor.
Por sorte minha ou não, aquelas aulas logo iriam acabar, somente um mês para as aulas terminarem.
Temperaturas, um mês.
Balancei a cabeça para espantar o pensamento, mas de nada adiantou. Não lutei, era bom pensar nele em sí, e não a falta dele.
Como eu já sabia aquela matéria, encostei a cabeça na mesa, não adormecendo, mas pensativo.
Eu olhava as carteiras, normais como sempre, as pessoas e a janela à duas fileiras de distância que dava pra entrada da escola. Havia duas pessoas conversando lá. É claro, que eu não conseguia ver elas exatamente, pois minha cabeça estava baixa e longe demais. A preguiça que me contia, não permetia que eu levantasse o que se chamam de membro mais importante para o ser humano, que era guardado na cabeça, ou algo assim.
Fechei os olhos por um minuto, mas um instalo interrompeu minha tranquilidade. O que foi isso?
Levantei a cabeça, por pura necessidade, logo o professor começou o sermão de bom aluno:
-Como quer ser um bom aluno, se não estuda, Roxas? –Ele estava tão nervoso, que era capaz de ver veias saltadas em sua cabeça.
Não respondi. Se eu respondesse, a diretoria seria meu destino. Foi o que a professora Xion me aconselhou:
“Pense duas vezes antes de falar ou fazer qualquer coisa. Isso vai te ajudar.”
Pois é, tinha funcionado. Não havia ido para a diretoria. Um dia a mais sem detenção, isso era bom.
Quando fui virar minha cabeça para repousar novamente na carteira, noto que uma daquelas duas pessoas que estavam conversando tranquilamente, era familiar.
Vestia calças escuras jeans, da qual a costura não se via direito, tinha casacos da cor marrom que cobriam uma blusa, da qual não percebi muito bem, a pessoa estava virada de perfil. Usava um cachecol vermelho, e tinha cabelos compridos e vermelhos.
Axel? Pensei comigo mesmo.
Será ele? Mas porque voltou? Ele parece tão diferente... Tão adulto... e eu continuava na mesma.
Aquela aula como previsto fora entediante. Eu não poderia abandonar o prédio da escola para ver uma pessoa que poderia não ser ele. Esperei as aulas terminarem, mas comecei com o meu oceano de dúvidas:
Será que é axel? Porque ele voltou? O que aconteceu? Ele não poderia ter voltado por mim.... Agora que eu lembrei, toda semana eu passava em frente a casa dele, e não havia ninguém lá. Algo deve ter acontecido, o que eu estou pensando? Axel voltou por minha causa? Ahh, as dúvidas tiravam a nitidez da minha certeza de antes.
“ Se a vida te dá limões, faça uma limonada.” Logo pensei.
Mas se, a vida te dá limões E laranjas? Essa é uma situação tão diferente quanto a que estamos costumados a ver. Acreditar nele, ou neles? O que eu faço?
“Simples”.
Era a palavra que eu queria dizer, mas que por momento nenhum pude. Livre como o vento, deixa acontecer. É isso que vou fazer. Ultimamente as coisas não tem dado certo, mesmo eu pensando e repensando várias vezes. Vou esperar Axel vir. Se ele não vier, não vejo problema.
As horas se passavam e o período de aulas terminou. Não liguei pra onde estava, apenas puxei Sora para que me acompanhasse, só por curiosidade, corri até o portão. Os cabelos, a marca abaixo do olho. É ele.
O rosto dele se virou, e o que antes era expressão de compreensão, virou felicidade. Ele esperou eu chegar próximo a ele e começou dizendo:
-Um minuto, Sora, já volto. –Então se dirigiu à mim.- Vamos!
Ele me pegou pelo braço, e em segundos estavamos na rua de baixo.
-Axe-Eu fui interrompido por um caloroso abraço seguido de seus lábios.
Os segundos se passaram inquietamente. Aquilo foi caloroso e..bom.
Mas sempre depois da felicidade, vem a tristeza. Escutei alguns gemidos de tristeza, e quando me deparei, vi a garota de cabelos presos e olhos azuis a metros de distância.
-Kisume.... –Por mais que eu não queira, tive de soltar das mãos de Axel para correr em direção a ela.
-Esper- Axel estava confuso, pelo menos pelo tom de sua voz, pareceu.
Estava de frente a ela. Seus olhos estavam vermelhos, inundados de lágrimas.
-O que houve? –Logo depois que fiz essa pergunta, percebi o quão idiota eu fui.
Um olhar de que antes era triste, havia se fundido com o dramático sarcasmo.
-Kisume... não acha que está fazendo drama??- Continuei.
Depois de seus continuados soluços, ela falou:
-Claro, eu que.. –Soluçou novamente.- Eu que fico presa a um garoto e nem quer saber dos amigos... e eu sou dramática??- Ela deu uma pausa, enquanto soprava as mãos de frio.- Quem ficou no telhado, olhando o dia passar, pra não pensar no Axel?- soprou novamente.- Quem estava obcecado, por assim dizer, pelo Axel??-No mesmo momento ela apontou pro mesmo, e reparei em sua face de... neutralidade.
-Não fale assim dele! Você sabe o que aconteceu com ele? Você sabe?-Meu tom de voz era de ira, mas logo em seguida, a sua voz serena interrompeu:
-Você também sabe, Roxas? –Sua face simpática. Era impossível ficar zangado com aquela expresão do Axel.
-Axel?- Me virei para ele.
-Depois te conto tudo, ok? –E me deu um sorriso caloroso, enquanto eu me virava de volta para kisume.
-Kisume!! Não me faça ser o vilão desta história, você sabia de Axel! –E eu chegava cada vez mais próximo dela, tentando não lhe dar satisfação, mas sim convencê-la de que ela estava errada.
-Claro, todos esses meses, com o Axel te enrolando, Prolongando mês por mês, e ainda insiste em ser amigo dele! Ai, Roxas, não consigo te entender! Nós, seus reais amigos, te ajudamos todo esse tempo, e você nos abandona assim? –Ela estava com um tom de voz estranho, uma tristeza misturada com raiva.
-Espera aí, espera aí, espera aí.... –Agora Axel tomou partida, mas continuou com seu sorriso descontraído.-Eu tenho meus motivos para ter demorado tanto.
Kisume não respondeu, mas seu olhar se tornou irritado e sárcastico.
-Hey, garotinha, se gosta tanto do Roxas, faça algo que o atraia, cierto? –Usando na última palavra, sotaque espanhol, para descontrair a tensão, acho.
Ela parou de chorar, mas ficou mais vermelha do que antes, talvez estava corando ao fato de Axel tê-la chamado de “garotinha”.
Alguns segundos depois, escuto alguns passos, que logo se apresentam.
-Roxas???Kisume??Axel??- O olhar de espanto, que logo entendeu o que estava acontecendo aqui. –Kisu-chan!!O que está havendo aqui??-Sim, era ele, Ventus.
-Ventus, por favor... –Eu até pedi-lhe com educação.-Leve Kisume daqui.
O olhar de Kisume estava distante. Era como se estivesse em transe. Não olhava para nada, era como se não tivesse mais pupila.
-Kisume?-Ventus perguntou abraçando-a.
-Arn..Ah.. –Não era compreensível o que ela dissera.
-Vamos Kisu, vamos para o hospital, você não parece estar bem.
Aquele dia fora esquisito e estranho demais. Mas porquê tudo aquilo? Concerteza poderia acreditar na quão profunda tristeza Kisume poderia estar, mas acho que aquilo era exagero....
Por outro lado, Axel fez uma coisa que eu nunca conseguira fazer: Encarar tudo aquilo com uma certa tranquilidade. Os problemas eram grandes, mas nem por isso ele se irritou, e acho isso um tanto intrigante.
Depois daquele episódio, ele foi direto pra minha casa. Ele disse que queria explicar tudo que aconteceu. Fora uma tarde tranquila, com torradas e xícaras de chá.
-Então foi isso que aconteceu.- Ele dissera pegando mais uma torrada.
-Sinto muito.- Senti que devia abaixar minha cabeça, tal como respeito.
-É.... –Ele deu uma risada de lado.- As coisas veem, e as coisas vão.-Ele deu uma mordida na torrada.
-Mas, seus tios foram bem compreensivos né?- Eu perguntei.
-É.. eles sempre foram tão simpáticos...
-Mas, Axel.... Porque todas aquelas desculpas? Porque prolongou tanto, se não iria voltar?-Disse pegando o bule que estava na pia.
-Bem, sabe, é meio arrogante da minha parte dizer que você estava triste porque eu não voltava, mas, era pra te proteger.
-Sabe Axel...-Enterrei o bule com minhas “novas” mãos.-Eu confesso que posso ter sentido sua falta.
-Eu também senti a sua, mas é que foi tudo tão rápido desde que nos conhecemos...-Ele corou.-Eu acho meio estranho, o jeito que tratamos nossa amizade, parece tão...
-Tão? –O que ele queria falar?
-Tão... artificial. –Ele abaixou a cabeça.
Livre. Pensei nisso. Aja naturalmente.
-Então... –Cheguei bem perto de seus olhos.-Se fomos tão artificiais até agora, vamos tentar ser o mais natural possível.-Dei-lhe um beijo, como forma de agradecimento por tudo.
-Roxas....-Por um momento, lembrei-me do antigo “eu”, que ficava sem graça, e corava toda hora, como Axel naquele momento.
-Eu gosto desse seu jeito...Axel.
O dia terminara, Axel voltara para casa, e eu desabei na cama, pensativo.
Kisume está bem? Eu não sei o que faço com ela, sei que ela gosta tanto de mim, mas, parece ser egoísta por minha parte, que eu tenha que escolher. E se eu não precisar escolher...?Não preciso ter todos esses problemas...
A nitidez dos meus pensamentos ainda não tinha voltado.
Tudo que antes era triste, havia se distanciado para mim, mas já que eu sou o Roxas, sempre que eu resolvo um problema, vem outro. Estou começando a pensar que é natural vindo de mim, quase como um roteiro, Acho que se eu não tivesse problemas, eu não seria o tal Roxas.
Tudo pra mim, novamente, era novo. Axel era novo pra mim. Tanto psicologicamente, quanto fisicamente. Ele era legal como sempre, e não poderia admitir que ele fosse feio.
Todos esses pensamentos me ocuparam o tempo, me fazendo dormir e ter um novo dia, finalmente, fim de semana.
Como todos os dias livres, eu dormia até tarde, mas hoje não.
-Roxas? –Minha mãe disse batendo na porta antes, claro.
-Arn... Hum?-Eu estava meio desacordado.
-Tem um amigo aqui. –Disse minha mãe.
Deveria ser Axel.
Me levantei, quase que obrigatoriamente, me preparei e desci a espera de Axel.
-Hum..Axel? –Falei descuidado.
-Err...Roxas... Queria que me ajudasse lá em casa.-Não acredito. Minhas horas de sono estão acabadas.
-Tá.
Fomos até a casa dele, e limpamos o necessário, aquilo estava cheio de pó!
-Sabe, Axel... Você disse ontem... que tudo aquilo foi artificial... –Era meio vergonhoso tocar naquele assunto.
-Hum? –Ele ainda não se dirijiu o olhar, o que foi estranho, talvez seja denovo seu rosto corado disfarçado.
-Se o que nós eramos, era artificial...o que seria natural para você?-Perguntei com a maior tranquilidade possível.
-Sabe, nossa amizade começou cedo demais... tudo foi tão rápido... –Ele se virou, e estava normal, do contrário que pensava.
-Ao contrário de sua volta.-Falei algo que não devia, pois se, ele demorou, tinha motivos, e eu sabia qual era.
-Mas eu tinha motivos, Roxas... –Ele continuou.
-Sabe, eu sei que é dificil esse tipo de....-Dei uma longa pausa, não pensava em uma palavra que pudesse definir aquilo.- Mas, toda vez que tentou me proteger, eu só mais magoado fiquei!
-Roxas, você sabe que sempre foi tudo tão estranho!!-Ele aumentou seu tom de voz.- Como nós nos conhecemos no primeiro dia de aula e ficamos super amigos?Como toda aquela confusão da kisume surgiu por minha causa!! Nós estamos exagerando! Nós... –Acho que aquilo havia se transformado em tom de mágoa.
-Axel, você pode até se achar egoísta ou arrogante por dizer isso, mas você estava certo! Eu não via outra pessoa, não via o gosto da comida, não sentia os deliciosos aromas, eu estava MAGOADO! Aquilo... –Minhas lagrimas saíram involutariamente, apesar de eu estar não revoltado, mas sim, bravo-Axel, sei que podia nunca mais voltar, mas poderia ter falado a verdade! Axel, a mentira não é algo que seja bom...pra ninguém!
-Roxas, Não me diga que está magoado! Sempre fiz tudo pra te protege- Eu o-interrompi.
-Viu?!? Somos amigos. Tá, mas porque chegar a este ponto? Como eu disse toda vez que tenta me proteger, eu saio mais magoado!! Você não sabe quanto isso doeu!Não apenas fisicamente, mas tudo o que tentou esconder de mim, iria se revelar um dia!
-Roxas..-Ele pausou.- NÃO ADIANTA FALAR COM VOCÊ!NÃO ENTENDE?!?! SOMOS AMIGOS, NÃO POSSO FAZER ISSO POR VOCÊ?
-Mas do qua adianta fazer isso se resultar da mesma maneira que não protegido?? Não entendo MESMO!-Parecia que eu estava dando-o uma bronca, ao contrário de antes.- Axel! Não tente fazer algo que não pode! Que não PODE!Sei que pode ter acontecido tudo tão rápido, mas, foi real! Foi.... bom!Axel! Se não entende, acho que não podemos mais sermos como éramos antes!
-Roxas!Ah, não adianta explicar!Tudo aquilo que nós fizemos um pelo outro.. foi DRAMÁTICO! FOI EXAGERADO! FOI DOENTIO!AQUILO FOI...- Ele desabafou- Foi incrível...tudo o que aconteceu, pode ter sido rápido, não acreditavel, mas foi...bom, foi incessavelmente..incrivel, eu podia gostar de você, mas.... eu não consigo, eu amo tanto!É estranho...uma sensação estranha! Uma coisa..que nunca senti por mais ninguém! Eu não achava que ia aguentar mais um dia, roxas, mas espero, que se um dia nós fomos nos separarar de novo...quero aproveitar cada dia que ainda nos resta!-Então, me abraçou o mais forte que ele podia –acho- porque, estava doendo.
-Axel... –De novo aquela incessante lágrima.- Eu...Também amo você, e nada que fosse tão rápido pode impedir de sermos quem somos!Eu....te amo também.
Tudo aquilo havia me transformado.
Apesar de não ser primavera, sentia as cerejeiras desabrotando, e todos os problemas, pareciam pequenos para mim.
Fale com o autor