The Roxas Love
22 Capítulo 20 – Somebody needs you.
Notas iniciais
Capítulo 20 – Somebody needs you. -Alguém precisa de você.
-Não Axel. Desta vez, quem irá ficar é você. –Eu disse o empurrando para trás.
Caminhei levemente até as pessoas que estavam paradas na estreita rua apenas para pedestres. Andei normalmente como se não tivesse visto eles, quando um deles esbarrou em mim.
-Ora ora se não é Roxas. –Disse um deles, um pouco maior do que eu, porque afinal, eu tinha crescido bastante.
-Desculpe, mas eu o conheço?
-Não se lembra de mim?
-Não. –Foi quando um estalo me apareceu, e eu lembrei de minha “luta.”
Naquele tempo eu era ingênuo. Realmente, minha mente evoluiu o bastante. Eu estava muito diferente.
“Naquele tempo eu tinha inocência.”
Foi o que pensei. Mas aquilo não era hora para refletir. Simplesmente, aquele homem era quem me fez sofrer desde que me mudei para cá. E fez Axel mentir para mim. Mentir.
-KAI! –Ele gritou comigo como se percebesse que eu estava mergulhado em pensamentos.
-Você foi quem... –Não me atrevi em terminar a frase, ele certamente saberia do que se fala.
-Sim, mas Axel deve algo para mim. –Ele olhou para mim como se tentasse arrancar algo de dentro do meu corpo.
-Como assim?
-Ora essa, eu não iria fazer algum trato com aquele idiota sem algo em troca.
Nesse momento eu pensei como Axel poderia ter aguentado o aroma nojento que ele tinha.
Afinal, se ele fez tudo isso para provar que podia me defender, isso foi arrogância. Mas enfim, já tínhamos discutido sobre isso, e eu não queria vê-lo sofrer de novo. Mas afinal, eu teria de provar que eu poderia protegê-lo. Finalmente.
-Mas então, as aulas irão começar. –Eu disse, tentando disfarçar.
-Não me venha com essa! Axel me deve dinheiro! E eu quero esse dinheiro! EU QUERO!- Parecia que tinha dado a partida para uma longa luta.
Ao contrário de antes, eu não iria ficar parado, e esperar que alguém me salve. Eu não sou, mas era um bonequinho indefeso de porcelana. Um bonequinho indefeso que não sabia como lidar com a vida que o maltratava como se achasse que não iria sofrer pelo que fez.
-Olha, eu não pretendo machucar ninguém, então... –Logo escutei risadas soando, o que me provocou e me deu impulso para o primeiro soco que foi certeiro.
Kai, enfim, recuou para trás com o soco, pousou uma mão sobre o lugar machucado, e voltou à posição inicial.
-Está muito atrevido, Roxas. –E começou a estralar os dedos como se estivesse se preparando para algo.
Ouvi um gemido por trás de mim, na direção de Axel. Ele certamente estava com medo do que acontecesse comigo.
-E você está muito abusado. –E assim começou.
Eram no total três contra um, o que para mim não mudava o fato que iriam para casa chorando. Me coloquei em posição de luta, e assim esperei.
O primeiro fora o mais baixo, que ousava em tentar socar meu rosto falhamente por causa das minhas defesas de mão estirada. Logo, os outros perceberam que minhas mãos estavam ocupadas em defender os socos do menor, quando o outro que estava ali, resolveu tentar me dar um chute na canela, golpe baixo.
Era certo. Eu me abaixei, me poupando dos socos lentos do menor, e assim, peguei a perna do outro que tentara me chutar, e deslizei fazendo-o ele abrir a perna o suficientemente para que fosse um spacat*.
Um grito ecoou dele, que gemeu de dor, logo que soltei sua perna, e enfim, ele teria muitos problemas com músculos futuramente, mas aquela não era hora de pensar. O menor já se tocara de que seus socos realmente não estavam funcionando, mas partiu para cima de novo. Ele avançava com um soco atrás do outro, mas assim como antes, eu defendi. Ao contrário de antes, agora Kai estava atrás de mim, apenas esperando a distância que eu percorria e ficava mais perto dele enquanto defendia e recuava. Assim, quando chegou o momento certo, o menor tentou me distrair falhamente, e quando Kai iria me socar pelas costas, eu somente fiz o mesmo, e abaixei, fazendo Kai socar o parceiro. Aproveitei o momento, e estendi minha perna que encaixou em seu pescoço perfeitamente. Fora como aqueles brinquedos de encaixe, quando se encaixam perfeitamente, a criança fica muito feliz. E foi aquilo que senti. Eu realmente poderia proteger quem eu amo, e minhas aulas realmente haviam funcionado. Pena que eu não estava com minha espada de bambu.
Kai gemeu de dor, e junto com o menor, saiu correndo.
Eu acho que o outro do qual eu havia esticado suas pernas, nunca mais apareceria na minha frente. Ele ainda estava lá, me olhando com uma cara horrorizada, tentando fugir se arrastando, mas devagar. Eu não seria cruel o bastante, afinal, eu não sou assim.
Eu caminhei até onde Axel estava, mas ele não estava mais lá. Achei estranho, pois ele nunca iria me deixar sozinho lá, apesar de que eu acho que assustei-o.
Após alguns momentos pensando, escutei alguns movimentos estranhos, e quando me dei por conta, estava vendado, e amarrado nas mãos.
Quando minha venda fora retirada, eu estava num depósito abandonado, e estava no chão, sentado, e minhas mãos ainda estavam amarradas. Olhei por um momento, e percebi Kai e outros parceiros, do qual eu nunca tinha visto antes. No total eram sete.
-Agora você não pode falar nada, não é... Roxas? –Dissera Kai com o pescoço vermelho.
-Cale essa boca! É covardia isso! –Rebati.
-Covardia não, meios diferentes. Somente. –Respondeu o outro ao lado de Kai, um moreno de cabelos espetados com uma corrente nas mãos.
-Seja lá como for, porque está fazendo isso? Kai? Porque eu e Axel te incomodamos tanto? Me diz!
-Vocês me dão nojo, só de olhar. –Olhou de um ângulo superior. –Esse tipo de pessoa, não merece viver.
-Mas porque toda essa violência por causa disto? Nós estamos vivendo nossa vida, não incomodamos você de maneira alguma! –Minha situação não era boa, por isso parti pacificamente.
-Não tenho que dar satisfações a você. Não devia existir gente assim. A humanidade foi criada com um homem e uma mulher, e o propósito tem de ser natural, o processo natural das coisas. Vocês somente envergonham nossa sociedade... E que antes pensei que você fosse útil... –Ele respondeu.
-Olha, eu não.. –Depois disso, uma seguida de correntadas e chutes eu senti atingindo o meu corpo.
Aquilo era humilhante. Sendo tratado como um bichinho que não podia se defender. Um bichinho indefeso que não sabe se cuidar, e que de qualquer maneira, vai sempre obedecer aos outros, não importa o que acontecesse. Eu era aquele bichinho. E senti que dos tempos para cá, eu não mudei nada. “A minha inocência ainda vive.” Pensei comigo mesmo.
Eu não estava consciente, afinal, sete contra um era covardia. Não sei se era alucinação, ou se era real, mas surgiu um brilho vindo de umas das janelas quebradas do depósito abandonado, que fora se aproximando, e se multiplicando e criando uma grande massa branca e brilhante, que de alguma maneira, me fez adormecer.
Quando acordei, todos estavam caídos, e de alguma maneira, aquele brilho intenso eram as borboletas que estranhamente estavam ali.
Quando me dei por conta, Riku, Sora, Kisume, Ventus e Axel estavam me olhando com um sorriso, e me tiraram o que havia me prendido e me vendado.
-Roxas, Você está bem? –Disse Sora desamarrando as cordas.
Passei a mão sobre o meu rosto, e percebi que estava sangrando.
-Não muito bem.
Quando acordei, estava em um quarto de hospital, rodeado de pessoas, e de minha mãe.
-Mas o que diabos aconteceu? –Eu perguntei.
-Você foi vítima de valentões. Só isso. –Disse Riku ironicamente.
-Ah, estou tão desorientado...
Os dias se passaram rapidamente. Eu e Axel finalmente voltamos à escola, assim como Sora, Riku, Kairi, Ventus e Kisume.
Era o último ano de Kisume aqui na nossa cidade. Ela irá se formar e fazer faculdade em uma outra cidade longe daqui. Apesar de tudo, eu ainda gosto da Kisume, e se pudesse repetir o que passei com ela, nada iria mudar.
Era mais ou menos Outubro, onde eu convidei-a para subir no telhado junto comigo. Axel não esquentava a cabeça quando eu passava esses momentos com ela.
-Sabe Kisu... –Eu puxava assunto, odiava ficar em silêncio...
-A vista daqui de cima é tão bonita, não? –Ela sorria de perfil, e nunca percebi que ela era tão bonita.
-Muito... Kisu, eu gostaria de falar, que amo muito você apesar de tudo.
-Obrigado, Roxy. –Ela agradeceu, mas ainda continuou fitando o céu. –Eu também amo você, e não importa o que acontecer, sempre estarei ao seu lado, mesmo que mentalmente.
-Kisume, eu espero te ver de novo... –Pausa. –Irei te ver de novo?
-Não esquente, eu de vez em quando venho te visitar. Só que eu ainda não consigo acreditar que vou para a faculdade, mesmo sendo mais baixa que você! –Então ela descontraiu.
Eu ri junto com ela.
-Roxy... –E então ela finalmente se virou para mim. –Não se esqueça de mim, tudo bem? –E então seus lábios tocaram levemente nos meus, como uma despedida.
-Tudo bem.
Era tudo tão rápido. Eu tinha grandes amigos, e eles sempre iriam me proteger, e eu sempre faria o mesmo por eles. Sobre Kai, realmente acho que ele nunca irá nos perturbar novamente.
Os fios que me amarravam ao universo. Aqueles fios que rasgavam e rasgavam sem nenhum motivo, aqueles fios que me enforcavam sem algo para amarrar. Aqueles fios que me traíam sem eu saber. Aqueles fios que se multiplicavam sem o meu consentimento. Mas ainda sim, aqueles fios, eram minha vida, meus amigos, meu tempo, meu eu.
Eu não sabia o que pensar no momento. Um flashback de memórias se repassavam na minha mente vagarosamente, e quando me dei por conta, o tempo que era sempre meu amigo e meu inimigo, havia ficado neutro. Era tudo muito novo para mim. O ano estaria acabando, e aquele seria o mais difícil, mas ao mesmo tempo bom. Eu conheci pessoas que se importam comigo, e que sentem algo verdadeiro em comum. Algo que é difícil de se achar.
O tempo muda, a vida muda, tudo muda.
Ás vezes, quando se gosta muito de algo, quando não se tem, você tenta procurar de alguma maneira, para que um dia, esse ‘algo’ de que gosta, possa ser seu.
As pessoas com a mente criada pela sociedade pode não ter uma opinião lúcida, ás vezes sem consciência. Tudo haveria seu limite, e Kai havia passado este limite.
Se por um acaso, Eu amo Axel, não há o que se fazer, só de que sejamos felizes.
É isso que eu acho.
14 de Novembro.
Era meia-noite. Havia acordado, pois não havia comido direito no jantar, e agora estaria com fome. Uma fome que realmente era aborrecedora.
-Ai, que fome... –Eu dizia descendo as escadas com a mão no cabelo.
A cada degrau que descia, era um alivio para meu estômago. Sentia tanta fome que acho que se levasse mais alguns minutos, talvez eu morreria de fome.
Quando eu cheguei na cozinha, vi alguém sentado na mesa com a cabeça apoiada em mãos.
Era Sora.
-Mas o que foi, meu irmão? –Eu disse não muito lúcido.
-Hã? Roxas... Você está bem? –Ele perguntou meio perturbado.
-Ah sim, ignore minhas bobeiras, eu estou com fome. –Disse abrindo a geladeira. –Mas e você? Há algo errado que te perturba? Alguém? –Acho que foi instintivamente que fiz essa pergunta. Eu estava com tanta fome que meus pensamentos agiam mais do que minha sanidade.
-Ah, sim tenho... –Algo realmente o perturbava. Acho melhor que minha consciência volte logo.
-Mas o que é então? –Preparava algo para comer. Algo que no momento não importava o que era, se fosse saciar minha fome.
-Riku... Kairi...
-Você... Gosta dos dois? –Olhei maliciosamente, algo que eu não fazia, a fome estaria me dominando. (!)
-Hã! –Ele corou. –Não! Não... Não é bem isso, sabe... Ah, esquece, você realmente não entende.
O meu riso alto ecoou diante do meu irmão.
-Olhe para mim! –Pausa. –Você realmente acha que não entendo? –Abri os braços deixando a faca na pia. -Olhe bem para mim! Olhe por tudo que passei! Kisume, Ventus, Terra, Aqua e até Axel! Olhe bem para mim, Sora, e veja se eu não entendo.
-Desculpe... É que eu gosto do Riku, mas não sei se é algo certo a se fazer... Eu me sinto mal pela Kairi.
Eu parei. Me aproximei dele, chegando a sentir sua respiração, e assim levantei seu queixo delicadamente.
-Não faça algo se acha que isso é certo. Se fosse isso, eu não estaria com Axel. –Eu admirava o terror em seus olhos, com medo de que algo acontecesse. Suas pupilas pretas cintilavam de medo e encolhidas dentre a luz da imensa cor radiante de seu azul da íris. –Não está com medo de mim, está? –Ainda perguntei-lhe.
-N-N-Não... Não estou... –Ele gaguejava em suas palavras. Ele estava com medo de mim. Realmente. –Não digo que não gosto da K-Kairi... Ma-mas, Riku é importante para mim.
Ainda na mesma posição que estava, encarando seu medo, perguntei-lhe novamente:
-Mas de quem gosta mais? –Demonstrei meu olhar de calma e certeza, mas só o deixava mais apavorado, pensando que eu iria fazer algo para ele. Eu deveria estar aterrorizador mesmo.
-E-Eu não sei... Kairi é gentil e bonita, tem pensamentos belos e incríveis. Mas Riku é decidido, corajoso, bravo e amigo.
Minha mente ainda não havia sentido o gosto da comida. Eu só estava pior. Cheguei próximo aos seus ouvidos, e sussurrei, percebendo o medo dele:
-Não tenha medo de escolher o errado ou o certo. Escolha quem seu coração mandar. –Pausa. –E, por favor, lembre-se, sou seu irmão, sou alguém que te ama. Mesmo com fome, sou alguém de bom coração. Mesmo que minha lucidez esteja precária, minha consciência ainda resiste. E agora, por favor, prepare algo para mim, pois eu não sei cozinhar bem.
E assim fez.
Meu irmão riu muito depois que disse isso a ele, e então perdeu o medo que minha falta de lucidez havia provocado nele.
-Está aqui. Um café da manhã completo. –Dissera Sora.
-Ahh, que coisa boa de sentir! Ótimo! –Só de ouvir aquelas palavras e aquele cheiro, ficava com água na boca.
A manhã toda havia passado e eu não dormira, mas pelo menos havia recobrado a consciência acabando com minha fome. Ah, como o alívio era grande... Eu não deixei sobrar nada do café da manhã de Sora, e ainda havia pego algo a mais na geladeira. Era um domingo, muito grande, aliás, que passei todo dormindo.
O tempo estava cooperando comigo. Tudo estava indo bem. Minhas notas da escola, os valentões assustados, Zexion, Saïx, e quem diriam que até a Naminé estava de bem com a vida! Eu gosto dela, ela era minha prima, mas de algum jeito, ela se isolava muito e eu não gostava disso.
Isolava.
Era assim que me descrevi sem Axel.
É... Afinal, temos que ter algo em comum.
Fim de novembro. As aulas estariam acabando e as festas só começavam. Eu estava voltando em uma quinta feira, da escola, para a casa de Axel.
-E então, Axel, quem diria que já faz quase um ano, não é? –Sorri para ele.
-Verdade não é? Você quer algum presentinho? –Disse rindo de mim.
-Há. Na verdade, se estivesse enforcado, e riria muito de sua cara. –Debochei dele.
-Mas não estou. –E então mostrou a língua para mim como se fosse uma criança birrenta.
Foi quando eu parei e vi mais uma daquelas borboletas. Mas enfim, o que realmente elas eram? Durante todo o ano elas têm aparecido desde que falei com Kisume no quintal de casa, e desde que abri o álbum de fotos de quando era pequeno. Aquelas borboletas devem ser paranormais.
-Axel...
-Sim?
-Já percebeu que essas borboletas nos perseguem? –Eu disse esperando alguma resposta.
-Na verdade não. Agora que você disse, quando eu estava em outra cidade, eu havia visto elas também. E na ilha... E agora. –Pausa. –Mas não deve ser nada demais, você não acha?
-Não sei... Gostaria de saber.
Chegamos na casa de Axel, e por instinto, procurei saber sobre borboletas brilhantes na internet. Não consegui achar nada.
-Ei, Roxas, para com isso, não acha que está indo longe demais por causa de uma borboleta?
-Axel. –Virei para fitar seus orbes verdes. –Eu sinto que devo fazer isso. Por favor.
-Se assim deseja... Tudo bem. –Pausa. –Eu estarei cuidando do jardim da casa.
E assim ele se afastou, escutava seus passos seguindo até o jardim. Aquela casa emitia muito eco, por não estar mobiliada como as casa normais são.
-Borboletas... O que vocês querem? Por favor... Me respondam.
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