The Romance Of Sadness
19 Epílogo
Epílogo
Capitão foi como eles o chamaram durante as quase duas semanas que Alaudi permaneceu viajando por basicamente todo o país.
De norte a sul e de leste a oeste; de pequenas vilas a centros comerciais e de reuniões curtas e cumprimentos polidos a conversas sérias e capazes de mudar a vida de muitas pessoas. Por muitos anos o louro ansiou por aquilo, a ideia de tirar da Itália o lixo humano e assim manter seu país longe de toda a sujeira possível. Quando ingressou na força policial, após completar dezoito anos, o Guardião na Nuvem almejava o cargo de Capitão mais do que qualquer outra coisa. Era o seu sonho, seu desejo mais íntimo e necessário, a razão que o fazia acordar por quase dez anos todos os dias. No meio do caminho ele trouxe um amigo, seu único amigo, Giulio, e então a caminhada se tornou menos árdua e definitivamente mais agradável. No moreno o Inspetor encontrou força, apoio e sinceridade, e que fez com que ele pensasse que um dia sua hora chegaria; o momento em que seu sonho se tornaria realidade.
E, bem, ele se tornou. O único problema é que aquele não era mais o sonho de Alaudi.
Quando foi que mudou? Quando foi que eu deixei de querer todas essas coisas? Aquelas perguntas foram feitas e refeitas várias vezes durante aqueles quinze dias. O louro perdeu a conta dos momentos que parou e pensou sobre sua própria vida, relembrando a pessoa que costumava ser e encarando quem ele havia se tornado. A resposta, porém, era sempre a mesma. Ele via rostos, recordava situações e não mais do que de repente sua missão ficava para trás e o Guardião da Nuvem se pegava sorrindo, embora discreto e consigo mesmo. Manter a segurança e a paz na Itália continuava sendo seu objetivo, e ele ainda queria se livrar do lixo, no entanto, aquilo já não era mais sua prioridade. Limpar Roma e deixá-la segura era importante, não somente pelo fato de ser sua cidade natal, mas por ser o local onde ele vivia... o lugar onde todos viviam. O sonho de ser Capitão sempre se dissipava de sua mente quando o Inspetor lembrava-se dos olhos baixos e brilhantes de Francesco, o som da risada de Catarina e, principalmente, Ivan. Este último sempre aparecia por inteiro e fazia-o esquecer quase completamente os anseios do passado. A vida havia mudado e ele não sabia como acompanhar essas mudanças.
Alaudi estacionou o carro rente à calçada e suspirou. O céu havia se tornado escuro, contudo, as ruas estavam bem iluminadas. Não ventava ou fazia frio, e o casaco que ele levara foi apoiado em seu ombro, enquanto suas mãos ficavam ocupadas em carregar as duas malas. Passar pelo pequenino portão foi difícil, entretanto, quanto mais se aproximava da entrada, mais fácil era imaginar-se de banho tomado, estômago forrado e deitado em sua confortável cama. A chave girou com barulho e o louro empurrou a porta, adentrando à casa. A surpresa, todavia, não ficou por conta somente das luzes acessas. Havia um delicioso cheiro de comida e ele ouviu claramente os barulhos que vinham da cozinha.
O coração do Guardião da Nuvem bateu mais rápido e as malas foram pousadas no chão. Se aquilo houvesse acontecido há dez anos, ele certamente teria sacado a arma pendurada em sua cintura e permanecido quieto e questionando-se mentalmente quem havia invadido sua casa e por qual razão. Tudo mudou, mas tudo continua o mesmo. O invasor surgiu assim que as malas tocaram o chão, os cabelos presos em um pequeno rabo de cavalo e enxugando as mãos em um pano de prato. O Chefe dos Cavallone abriu um largo sorriso enquanto se aproximava com passos rápidos.
"Boa noite." Ivan esticou a mão e retirou o casaco do ombro de seu amante, pendurando-o atrás da porta. "Fez boa viagem?"
"Sim..." O Inspetor de Polícia respondeu após alguns segundos. Ele ainda tentava processar por que o moreno estava ali. "O que você faz aqui?"
"Giulio me disse que você provavelmente retornaria hoje e resolvi esperá-lo." O Chefe dos Cavallone pegou as malas. "Eu estou no meio do preparo do jantar, então por que não vai tomar um banho? Você deve estar exausto depois de dirigir por todo esse tempo."
"Você... cozinhando?" Os olhos azuis se apertaram. Seu amante não era de longe o melhor cozinheiro do mundo.
"O cozinheiro me ensinou a fazer uma deliciosa lasanha de vegetais. Eu garanto que você não terá motivos para reclamar."
Ivan riu e deu as costas, e foi como se algo houvesse puxado a mão direita de Alaudi. Seus dedos seguraram a camisa branca, sentindo-a e apertando-a. O moreno parou e soltou um baixo "Hm?" e o louro aproximou-se devagar, afundando o rosto nas costas de seu amante. A pele era quente e ele cheirava a temperos, vinho e homem. A risada baixa que o Chefe dos Cavallone deixou escapar fez seu corpo tremer e as malas foram pousadas novamente no chão. Ivan virou-se e ofereceu um olhar terno e um meio sorriso ainda mais gentil.
"Eu também senti sua falta, você não faz ideia. Duas semanas? Eu mal consegui suportar." O moreno tocou os cabelos claros, deixando que os dedos corressem entre os fios. "Você parece cansado, portanto, tome o seu banho. Eu estarei aqui quando sair e você poderá me ajudar a terminar o jantar, o que acha?"
A ideia de supervisionar o Chefe dos Cavallone era praticamente obrigatória, logo, a resposta do Guardião da Nuvem foi um menear de cabeça. Ivan mencionou que levaria uma troca de roupas limpas então o Inspetor seguiu direto pelo corredor, entrando no banheiro e despindo-se sem pressa. As roupas foram jogadas no cesto, e foi impossível não notar que o local estava impecavelmente limpo. Ele deve ter trazido as empregadas. Aposto que elas limparam a casa inteira. Alaudi pegou-se corando, mas a água do chuveiro serviu para omitir aquela honesta reação. O banho foi demorado e o louro sentiu-se revigorado ao desligar o chuveiro. A troca de roupas limpa fora entregue após alguns minutos do início do banho e o Guardião da Nuvem vestiu-se de maneira desinteressada e passando as mãos pelos cabelos molhados antes de deixar o banheiro.
O moreno terminava de arrumar a mesa de jantar quando o Inspetor apareceu. Seu amante pediu que ele escolhesse o vinho, então Alaudi caminhou até a sala de estar, abrindo uma das portas da estante e dedicando alguns segundos à escolha. Um vinho branco seria a melhor opção para o tipo de lasanha que eles degustariam e o louro retornou confiante ao cômodo ao lado. O Chefe dos Cavallone pousou a travessa com a lasanha no centro e visualmente ela realmente parecia saborosa. Havia ainda dois tipos de saladas e alguns pedaços de peito de frango assados e cortados em perfeitas fatias. Tenho certeza de que o frango ele trouxe pronto... não existe perfeição. Se este homem soubesse cozinhar e fazer trabalhos domésticos eu estaria com sérios problemas. O Guardião da Nuvem sentou-se em seu lugar e permitiu que sua companhia o servisse. A primeira garfada sempre decidia os rumos de qualquer refeição e o Inspetor de Polícia ergueu as sobrancelhas, oferecendo um olhar genuinamente surpreso para o homem sentado à sua frente e que o assistia com um misto de curiosidade e séria desconfiança. Estava delicioso.
Ivan abriu um sorriso satisfeito e voltou a atenção ao seu prato. As refeições entre eles eram geralmente silenciosas e Alaudi agradeceu intimamente por aquele momento. Nas últimas duas semanas suas refeições foram feitas em restaurantes, sempre ao lado de pessoas estranhas e sem poder realmente usufruir do sabor e iguarias locais. O louro apreciava a calmaria e tranquilidade, sendo natural que evitasse lugares cheios e pessoas que ele não conhecia. Portanto, poder fazer aquela refeição, em silêncio e na companhia de seu amante, era muito mais do que o Guardião da Nuvem poderia querer. O primeiro pedaço de lasanha sumiu de seu prato e ele serviu-se de mais uma generosa fatia. O moreno pousou o garfo, apontando para um dos pratos de salada e deixando claro que aquilo também deveria ser comido. O Inspetor tentou fingir que não notara, e tal atitude só fez com que o Chefe dos Cavallone interrompesse sua refeição para despejar o conteúdo da travessa sobre o prato. Quem se importa com saladas?
A lasanha desapareceu da travessa e junto com ela os pedaços de frango e as saladas. Alaudi suspirou satisfeito, limpando o canto da boca com o guardanapo e ficando em pé. Ivan fez sinal para que ele parasse e disse que levaria a louça para a pia, e que seu amante o esperasse na sala de estar. O louro não gostava da ideia de ser excluído do trabalho, independente de qual fosse, porém, decidiu aceitar aquela gentileza, deixando o cômodo e carregando as duas taças e a garrafa de vinho. O moreno juntou-se a ele em poucos minutos e a intimidade e cumplicidade que o Guardião da Nuvem tanto queria finalmente aqueceram seu peito.
"Como estão as crianças?" O Inspetor de Polícia encheu ambas as taças com vinho, oferecendo uma delas para sua companhia.
"Bem. Catarina está estranhamente ansiosa para começar a frequentar a escola, e acredito que não teremos problema." O Chefe dos Cavallone virou-se no sofá enquanto bebericava sua taça de vinho e ambos ficaram frente a frente. "Francesco está bem. Aliás, bem demais. Eu não o vi mais arrumando brigas ou discussões com a irmã, e ele agora passa boa parte do tempo estudando com Giuseppe. Talvez a fase difícil tenha passado."
Francesco está se tornando um homem. Muito em breve aquele garotinho de suspensórios e bermuda não passará de uma lembrança. Alaudi girou o vinho em sua taça, sorrindo satisfeito.
"E como foi sua viagem? As cartas que você me enviou sempre eram resumidas e objetivas. Você precisa aprender a ser menos direto, Alaudi!"
"Eu reportei o que achei necessário. Você deveria se sentir feliz por eu ter me dado ao trabalho de escrever." O louro deu de ombros. Antes de viajar, seu amante o infernizou, implorando que ele escrevesse pelo menos uma carta a cada dois dias. "A viagem foi cansativa."
O Guardião da Nuvem contou brevemente como foram os dias que passara na estrada, visitando sedes de polícia e frequentando reuniões com as figuras mais importantes da Itália. Ivan ouviu a tudo em silêncio, no entanto, mostrando-se atento, mesmo que não fizesse pergunta alguma. No começo do relacionamento, nenhum deles mencionava trabalho. O Inspetor era da polícia e o moreno uma das pessoas mais relevantes e influentes da máfia italiana, logo, teoricamente eles nem ao menos deveriam manter contato, quem diria estarem envolvidos em um relacionamento amoroso. Contudo, os anos criaram uma cumplicidade que Alaudi não tinha com ninguém e tornou-se impossível não mencionar trabalho vez ou outra. Após a queda do Capitão da Força Policiai, e o envolvimento direto da máfia, ambos decidiram que aquela linha não era mais necessária.
"Você já tomou sua decisão?" O Chefe dos Cavallone o olhou sério, entretanto, seus olhos cor de mel pareciam tranquilos. "Você sabe que eu irei te apoiar no que você decidir."
Eu sei. O louro abaixou os olhos. Aquele não era um assunto trivial e sua decisão mudaria o rumo de toda a vida que ele conhecia. Ser o Capitão da Polícia costumava ser tudo o que eu queria, o ápice da minha carreira profissional. Então por que eu hesito? Quando o antigo Capitão foi deposto, o nome do Guardião da Nuvem foi o primeiro a ser mencionado para assumir seu lugar. O convite não o surpreendeu, todavia, o Inspetor de Polícia adiou os assuntos mais importantes o máximo possível, até que se tornou inviável não responder àqueles que o nomearam. Por quinze dias ele visitou os principais Inspetores e Chefes, conhecendo os problemas e ouvindo congratulações e palavras de apoio e confiança.
As pessoas o queriam no cargo, confiavam em seu julgamento e esperavam que ele pudesse ser o que a Itália precisava. O único problema seria que, ao dizer sim, Alaudi estaria automaticamente dizendo adeus à vida que ele conhecia. O Capitão da Força Policial precisaria trabalhar inicialmente em Veneza, e mesmo que o louro tentasse trazer a sede para Roma isso significaria cortar laços definitivos com Ivan e Giotto. Para ser aquilo que ele sempre almejou, o Guardião da Nuvem precisaria retornar dez anos, quando vivia somente para o trabalho e suas noites eram passadas entre jantares solitários e livros.
Não houve resposta, mas o moreno não pareceu se importar. O Chefe dos Cavallone tocou o rosto do Inspetor, acariciando a bochecha esquerda e sorrindo. Alaudi fechou os olhos, permitindo-se ser um pouco mimado e notando o quanto sentira falta daquele homem. O momento foi breve e Ivan ficou em pé, pegando as taças sujas e a garrafa vazia.
"Eu vou cuidar da louça. Escove os dentes, coloque seu pijama e vá descansar, Alaudi. Nós conversaremos sobre isso amanhã, está bem?"
"Você não parece chateado ou irritado." O louro virou-se e comentou em voz baixa. Ele não esperava ver seu amante criando discursos feitos ou destruindo a mobília enquanto implorava para que ele reconsiderasse. Aquele não era ou seria o Ivan que ele conhecia.
"Na semana passada eu sentei e conversei com Francesco e Catarina sobre a possibilidade de você aceitar o cargo. Eu expliquei que aquele sempre fora seu sonho e que você havia trabalhado duro para que ele se realizasse. Os dois me olharam sérios e, apesar de Francesco ter permanecido quieto, eu sabia muito bem o que se passava em sua mente. Catarina levantou-se do sofá e bateu o pé no chão, perguntando se eu não tinha intenção de pará-lo ou pedir que ficasse. Foi quase um espetáculo, reconheço." O moreno riu baixo. "Eu queria ter dito que sim, mas isso seria uma mentira. Eu não tenho intenção de implorar que me escolha, porque isso seria injusto, principalmente depois de tudo o que passamos. Não haverá um dia que eu não vá sentir sua falta e eu certamente farei o possível para que você possa nos ver, porém, eu quero que saiba que a decisão é sua. Você não nos perderá, nós não iremos a lugar algum, mas esse é o seu sonho, Alaudi, e se houver a mínima possibilidade de nós fazermos parte dele, então, conte comigo. Agora vá descansar, você precisa de uma boa noite de sono."
O Chefe dos Cavallone deixou a sala de estar e o Guardião da Nuvem viu-se sozinho em um cômodo que ele conhecia muito bem. Era ali que ele costumava passar os fins de noite, exatamente como fazia naquele momento, com a diferença de que Ivan não estava ao seu lado. Os móveis haviam mudado, as paredes foram repintadas e a lareira ampliada, no entanto, continuava sendo a mesma sala de estar. O mesmo poderia ser dito sobre a casa em si. O Inspetor de Polícia morava naquele endereço desde que deixara a casa de seus pais e não tinha intenção de se desfazer do local. Era pequeno, aconchegante e básico, apesar de se tornar gigantesco e solitário quando não havia companhia perambulando pelos corredores.
Alaudi ficou em pé, espreguiçando-se e seguindo até o banheiro. Os dentes foram escovados enquanto o louro pensava na conversa que acabara de ter. Os barulhos vindos da cozinha denunciavam a presença do moreno, e o Guardião da Nuvem aproximou-se devagar, como uma sombra, parando na entrada e permanecendo alguns segundos a observar seu amante. O Chefe dos Cavallone era pelo menos dois palmos mais alto, costas largas e seus cabelos ultimamente pendiam quase na altura dos ombros, macios e levemente cacheados nas pontas. O laço está bem feito, então deduzo que tenha sido feito por Catarina. O Inspetor não se mostrou presente, encarando sua cozinha e tentando lembrar-se da última vez que ele possuiu aquele cômodo somente para si. Obviamente Ivan não estava sempre ao seu lado, contudo, em seu íntimo Alaudi sabia que não vê-lo todos os dias não era o mesmo que não ter o moreno, sabendo que ele não retornaria.
O Guardião da Nuvem seguiu para o quarto, desfazendo-se das roupas enquanto ouvia os sons da louça vindos da cozinha. A escolha para aquela noite seria seu velho e confortável pijama azul escuro, embora a temperatura não estivesse baixa ou insuportavelmente fria. A cama foi arrumada e a janela fechada, entretanto, o Inspetor de Polícia não dormiu. Ele arrastou-se para o seu lado da cama, no canto e rente à parede, sentando-se e encarando a janela. A cama era nova e muito mais larga do que a anterior, e suficiente para comportar dois homens parcialmente espaçosos. Parece ainda maior. Eu jamais teria comprado uma cama desse tamanho se ele não passasse algumas noites aqui.
Alaudi recostou-se à parede e permaneceu algum tempo no mais puro silêncio enquanto abraçava seus joelhos. Os olhos azuis fitaram o quarto, o guarda-roupa na outra extremidade, a cômoda, a janela fechada e até mesmo a porta. Aquele era o mesmo cômodo que ele vinha utilizando como quarto por quase vinte anos, todavia, era diferente. Assim como boa parte da casa, aquele local ganhou um ar único desde que o Chefe dos Cavallone começou a frequentá-lo. Pouco a pouco a solidão transformou-se em uma cômoda vida a dois e eram raros os momentos em que o louro se lembrava de como costumava viver anteriormente.
Ele não ouviu quando seu amante entrou no quarto. Perdido em seus próprios pensamentos, o Guardião da Nuvem não notou que os barulhos da cozinha haviam cessado. Ivan o olhou curioso enquanto entrava e retirava a camisa branca.
"Achei que já estivesse dormindo." O moreno dobrou gentilmente a camisa e a colocou sobre a cômoda, caminhando até o guarda-roupa.
O Inspetor manteve-se em silêncio, fitando sua companhia. Os olhos azuis correram pelas costas nuas do Chefe dos Cavallone e foi impossível não lembrar-se das inúmeras vezes que as pontas de seus dedos marcaram aquela pele durante os momentos de intimidade. Ivan trocou de roupa em frente ao guarda-roupa e Alaudi precisou virar o rosto ao sentir seu próprio corpo responder à nudez do único homem que o fazia sentir tais sensações. O moreno aproximou-se da cama, prontamente vestido com seu pijama negro, sentando-se e inclinando-se à frente. Um gentil beijo foi depositado na bochecha esquerda e o louro sentiu o aroma de menta.
"Você precisa descansar. Acha que estará livre amanhã?"
"Depois do almoço, provavelmente." O Guardião da Nuvem não se incomodou com o beijo. "Eu preciso falar com Giulio na parte da manhã."
"Certo, eu estarei esperando." O Chefe dos Cavallone puxou o cobertor que estava nos pés da cama, mas pareceu intrigado ao ver que sua companhia não se mexia. "Existe algo te incomodando, Alaudi? Alguma coisa que você queira me contar?"
"Eu não aceitarei a posição de Capitão." As palavras saíram baixas e os olhos azuis se ergueram.
"Você precisa pensar com calma. Não é uma decisão para ser tom—"
"Eu não decidi do dia para a noite." A voz do Inspetor tornou-se séria. "Eu nunca tive intenção de aceitar o cargo."
"Não?" Ivan abandonou o cobertor e virou-se totalmente para o seu amante. "Então por que se deu ao trabalho de viajar durante todos esses dias?"
"Porque era meu trabalho. Fui eu quem desmascarou Marco, e os demais Inspetores precisavam de uma imagem, alguém que recebesse a responsabilidade por isso."
"Mas é o seu sonho, não? Você sempre deixou claro que queria ser Capitão."
Por que você não pode simplesmente aceitar minha decisão? O pedido mudo foi acompanhado por um olhar baixo. Alaudi encarou as próprias mãos, os dedos entrelaçados e, daquele ângulo, foi fácil vislumbrar a corrente dourada que sempre estava pendurada em seu pescoço. Aquele presente fazia parte da vida que ele escolhera, da responsabilidade que vinha junto com o relacionamento. O louro nunca se sentiu obrigado ou coagido a estar com o moreno, assim como Francesco e Catarina jamais foram tratados como empecilhos. Mario foi e sempre será o único problema daquela casa. O Guardião da Nuvem levou a mão ao peito, apertando o anel pendurado pela corrente dourada. O gesto arrancou um sorriso dos lábios do Chefe dos Cavallone, que se inclinou um pouco mais, colocando a própria mão sobre a do Inspetor de Polícia.
"Eu estou incrivelmente feliz e lisonjeado por você nos colocar em primeiro lugar, mas eu não quero que se arrependa futuramente. Eu disse, não? Nós não vamos a lugar algum."
"Eu não vou me arrepender." Alaudi falou baixo. "Ser Capitão era meu sonho, há dez, quinze anos, porém, não mais. Há muito tempo eu não tenho mais essa ambição." As bochechas do louro se tornaram rubras. Geralmente ele não oferecia aquele nível de sinceridade, no entanto, era claro que seu amante não aceitaria uma resposta vaga. "Eu quero ver Francesco assumir a Família e Catarina expulsar pretendes aos chutes, e eu jamais poderia ter nada disso se me tornasse Capitão. O preço que eu pagarei não vale a posição.”
E você. Eu quero estar ao seu lado quando tudo isso acontecer. O Guardião da Nuvem omitiu a parte principal. Sua sinceridade jamais chegaria àquele nível, portanto, Ivan precisaria se conformar com uma meia-resposta. O moreno o olhou, sorrindo largamente e depositando um beijo em sua testa. O segundo beijo foi no canto dos lábios e o Inspetor fechou os olhos quando o inevitável beijo aconteceu. As línguas se encontravam com gentileza e ele inclinou um pouco a cabeça, intensificando a carícia enquanto suas mãos subiam pelo peitoral do Chefe dos Cavallone. O pijama de seu amante era de seda, e foi fácil sentir os músculos e o calor da pele.
"Obrigado," Ivan murmurou entre o beijo, "eu prometo que farei sua escolha valer cada segundo."
"Eu me lembrarei disso." Alaudi deslizou a mão pela nuca do moreno, desfazendo o rabo de cavalo e deixando que as pontas dos dedos corressem pelos macios fios. Seu corpo inclinou-se à frente e foi fácil sentar-se sobre as pernas do Chefe dos Cavallone. "Nós só precisamos nos livrar do seu Braço Direito."
"Hahahaha você sabe que eu não posso fazer isso." A risada fez o corpo do louro tremer. "E pense em Giulio. Ele ficaria desolado sem Mario."
"Ninguém ficaria desolado sem aquele homem por perto." O Guardião da Nuvem disse sem emoção. Falar mal e criticar o ruivo havia se tornado rotineiro.
"Você diz isso, mas sei que estava preocupado com Mario quando ele foi ferido."
"Inverdades..."
"Hm, mesmo?" Ivan ergueu uma sobrancelha. "Eu me lembro que alguém disse a Giulio que ele poderia se ausentar do trabalho desde que estivesse ao lado de Mario. Você até mesmo foi visitá-lo às ve—"
"Você fala demais." O Inspetor apertou as bochechas de seu amante. "Eu não quero mais falar sobre aquele homem."
"Você precisa dormir, então não falaremos sobre mais nada." O moreno segurou a cintura de Alaudi, virando-se e fazendo-o deitar sobre a cama.
"Eu não estou com sono."
"Mas você está cansado. Você parece cansado, Alaudi." Havia uma falsa resignação na voz do Chefe dos Cavallone. "Eu estou tentando o meu melhor, está bem? Você poderia facilitar as coisas e obedecer."
O louro encarou Ivan, juntando as sobrancelhas e oferecendo uma expressão que dizia claramente que ele não tinha intenção alguma de obedecer. O moreno riu, inclinando-se melhor sobre ele, até que os corpos se juntassem. O Chefe dos Cavallone contornou o maxilar do Guardião da Nuvem e deixou que as pontas de seus dedos descessem pelo pescoço e clavícula. Seus lábios tocaram o queixo do Inspetor de Polícia, mordendo-o levemente enquanto os botões do pijama azul eram abertos. A mão tocou o peitoral pálido e nu de Alaudi, fazendo-o arrepiar-se em antecipação e desejo contido. Aquelas duas semanas foram extremamente difíceis e palavras jamais poderiam descrever o que o louro sentiu ao entrar em sua casa e ver seu amante esperando por ele. Era uma sensação quente que se dissipava por seu peito e o inundava por completo, como o Sol quando finalmente surgia por trás de grossas e pesadas nuvens. O moreno sempre teve aquele efeito sobre ele, como se fosse capaz de afastar qualquer dúvida ou ansiedade, deixando apenas a certeza de que, independente do que o Guardião da Nuvem quisesse fazer ou não com sua vida, o Chefe dos Cavallone sempre estaria ao seu lado.
As mãos do Inspetor seguraram o rosto de seu amante quando ele fez menção de descer os beijos. Os dois se encararam e Ivan sorriu, inclinando-se e tocando os lábios de Alaudi e oferecendo um longo e profundo beijo. O louro sentiu a calça de seu pijama ser retirada, deslizando devagar por suas pernas. Um peculiar arrepio o fez tremer ao sentir-se nu, e seu coração bateu mais rápido, antecipando o que ele sabia bem que aconteceria naquela noite. Não houve um dia que eu não desejasse estar assim... próximo. Todas as noites foram solitárias.
O Guardião da Nuvem moveu os lábios, saboreando o beijo e gemendo baixo por puro contentamento. O cargo de Capitão poderia ter soado perfeito para os seus ouvidos antes de o moreno entrar em sua vida, contudo, o Chefe dos Cavallone lhe mostrou coisas que ele não conhecia, além de dar a família que o Inspetor sempre quis, entretanto, achou que jamais teria a chance de construir. Nunca houve uma escolha. Eu sabia desde o princípio que não aceitaria o cargo. Talvez o eu de dez, doze anos, teria aceitado, mas não existe a possibilidade de abrir mão do que tenho agora. Alaudi envolveu o pescoço de seu amante, abraçando-o forte. Ivan havia trazido cor para os seus dias e não havia a mínima chance de o louro retornar à sua vida em preto e branco.
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As três batidas na porta anunciaram que a companhia que o Guardião da Nuvem esperava havia chegado. Giulio pediu licença, entrando e sentando-se na cadeira do outro lado da mesa. O Inspetor de Polícia separava alguns documentos, todavia, o trabalho não era mais importante do que a conversa que eles teriam nos próximos minutos. O moreno ergueu os olhos verdes, oferecendo um sorriso quase inexistente antes de começar a falar:
"Os homens ainda estão surpresos por você ter declinado o cargo. Alguns apostam que você irá reconsiderar em poucos dias."
"Já faz uma semana e eles ainda acreditam nisso?" Alaudi juntou as sobrancelhas. "Eu não irei reconsiderar e você sabe disso."
"Eu sei." O Vice-Inspetor cruzou as pernas.
"Então, você chegou a alguma decisão?" O louro entrelaçou os dedos e os pousou sobre a mesa. Aquela conversa não era inédita e seu amigo estava ali unicamente para lhe oferecer uma resposta.
"Você sabe o que eu responderei." Giulio suspirou, recostando-se melhor à cadeira. "E minha resposta é não."
O Guardião da Nuvem encarou o amigo e por um momento gostaria de ter alguma palavra ou frase persuasiva, mas nada cruzou sua mente.
"Eu sei o que você irá me oferecer agora, e minha resposta continua sendo não." O moreno adiantou-se antes que o Inspetor pudesse retomar a palavra. "Eu não tenho interesse em ser Capitão e muito menos ocupar o seu cargo."
"Ser Inspetor tem suas regalias." Alaudi sentiu-se estranho. Aquele era seu cargo, porém, ele não conseguia pensar em nada realmente tentador e que pudesse conquistar o interesse de sua companhia.
"Assim como ser Vice–Inspetor." Giulio sorriu. "Não me leva a mal, Alaudi, mas eu estou satisfeito com minha posição, no entanto, eu gostaria de fazer uma sugestão."
"Estou ouvindo."
"Nós poderíamos dividir as responsabilidades. Você não precisa trabalhar tempo integral e poderíamos rever nossos horários." Havia gentileza na voz do moreno. "Nós dois temos outras pessoas em nossas vidas e sabemos que dedicação total ao trabalho não nos levará a lugar algum."
Não foi preciso muito para que o louro entendesse o que seu amigo de infância queria dizer. Os motivos de Giulio eram os mesmos que o dele, e, no fundo, como contra-argumentar quando o próprio Guardião da Nuvem pretendia se afastar do trabalho para ter mais tempo para dedicar à sua família? O Inspetor não planejava deixar a Polícia, no entanto, Alaudi decidira que queria mais tempo para si. O moreno foi a primeira pessoa que passou por sua mente quando foi requisitado que ele sugerisse alguém para o cargo de Capitão. O louro sabia intimamente que o Vice-Inspetor não aceitaria, pois, depois do incidente com Mario, Giulio passava cada momento livre na companhia do amante e aquilo não era segredo. Se eu tivesse vivido a experiência provavelmente faria o mesmo.
"Eu gosto da ideia." O Guardião da Nuvem ponderou. "Nós podemos trabalhar utilizando escala de horas para que sempre haja alguém por aqui."
"Os homens gostarão de receber mais responsabilidades. Eles sempre reclamaram que você trabalha mais do que devia."
"Eu apenas sei o que cada um é capaz, e responsabilidade em excesso gera erros." O Inspetor suspirou. "Eu pensarei a respeito, mas acredito que funcione."
O moreno ficou em pé e encarou o amigo. Os dois trocaram um breve olhar e o Vice-Inspetor deixou a sala desejando um bom dia. Alaudi espreguiçou-se, fitando o relógio do outro lado da sala e percebendo que não tinha muito tempo. Os relatórios em sua mesa foram organizados por data e relevância e o louro ficou em pé, ajeitando o terno cinza e saindo de sua sala. O andar estava cheio de subordinados, e ele foi saudado até a saída da sede de polícia. O céu estava azul e a primavera havia oficialmente chegado, trazendo os dias quentes e agradáveis. O carro do Guardião da Nuvem estava estacionado próximo à esquina e o Inspetor não perdeu tempo em dar partida.
O seu trabalho naquela tarde era passar as horas ao lado de sua família.
A mansão estava estranhamente silenciosa quando ele entrou. Não houve gritos, passos apressados ou pessoas de menos de um metro tentando abraçar sua cintura. Alaudi olhou ao redor, estudando o hall e em seguida oferecendo um olhar à escadaria que levava ao segundo andar. Nada. O louro virou à esquerda, caminhando na direção do corredor e rumo ao escritório do dono da casa. O carro principal estava estacionado em sua vaga, portanto, Ivan provavelmente estava em casa. Talvez eu devesse ter enviado uma mensagem avisando que viria, o Guardião da Nuvem mordeu o lábio inferior, sentindo-se um pouco desapontado, ou talvez eles estejam em outro lugar. Os nós de seus dedos bateram na pesada porta de madeira escura e o Inspetor de Polícia a empurrou levemente. Existe vida na casa...
O moreno ergueu os olhos, parando o que fazia. O Chefe dos Cavallone estava sentado atrás de sua larga mesa, e havia um livro em suas mãos. Contudo, não havia sinal de sua sombra e aquele detalhe incentivou Alaudi a entrar.
"Ora, ora que surpresa agradável." Ivan abriu um largo sorriso.
"Eu estava livre." O louro ofereceu uma verdade parcial. Nunca havia tempo livre na sede de polícia, entretanto, ele manejou seu tempo para poder sair mais cedo naquele dia. Não era como se o crime de repente deixasse de acontecer; a luta era diária. "Não vi sinal de Catarina ou Francesco."
"Eles estão na casa de Ottavio. A mãe de Enrico os convidou para almoçar por lá, então você será minha companhia."
O Guardião da Nuvem aproximou-se da mesa, fitando o livro que seu amante lia. As palavras em francês o fizeram juntar as sobrancelhas, tentando lembrar-se da última vez que praticara a língua. O moreno esticou um braço, tocando-o e o trazendo para perto. O Inspetor não pestanejou, todavia, seus olhos se apertaram quando o Chefe dos Cavallone o convidou para que ele se sentasse em seu colo.
"Você andou bebendo?" Alaudi cruzou os braços, recostando-se à mesa. Mesmo depois de dez anos aquele homem se mostrava mais e mais fora da realidade.
"Não, eu só queria ficar um pouco mais próximo. Nós não nos vimos no final de semana; eu senti saudades."
"Você foi viajar, eu estive na cidade o tempo todo." O louro respondeu seguro. Ivan precisou ir a Veneza com o filho, e ficou a cargo do Guardião da Nuvem entreter Catarina.
"Eu soube das suas aventuras. Catarina não parou de falar sobre a gigantesca pizza." O moreno suspirou de maneira suspeita. "Por que é que nunca fazemos isso?"
"O quê? Você agora quer passear no parque, correr na areia e lambuzar as mãos com sorvete também?" O Inspetor de Polícia revirou os olhos.
"Não, eu estava me referindo a encontros como esse, comer bobagens em restaurantes baratos, observar o pôr do sol... essas coisas."
"Você é quem geralmente escolhe os restaurantes, e eu não me importaria em fazer algo diferente eventualmente, contudo, encontros são impossíveis e você sabe disso."
"Catarina tem tanta sorte!" O Chefe dos Cavallone soou miserável. "Mas diga, conversou com Giulio?"
Alaudi meneou a cabeça para ambos os lados e ofereceu uma expressão neutra.
"Sim e ele recusou, como esperado."
"Mario disse que ele faria isso." Ivan sorriu.
"Giulio sugeriu que dividíssemos o trabalho, assim ambos teríamos tempo livre. A ideia soa promissora e eu analisarei com calma."
"Oh! Mais tempo? Eu gosto disso." O moreno parecia uma criança contente. "Quem sabe agora poderemos marcar de visitar sua irmã? Catarina está encantada com a ideia de ir ao Japão."
A garganta do louro fechou-se e por um momento ele não soube o que responder. Aquela ideia originalmente veio da mente hiperativa da garotinha ruiva que, após iniciar suas aulas semanais com Ugetsu, decidiu que queria passar as férias no Japão. O Guardião da Chuva dos Vongola não ajudou, criando expectativas e envenenando ainda mais a mente de Catarina. A irmã do Inspetor vivia do outro lado do mundo há mais de uma década, mas eles raramente tinham contado, embora a irmã tentasse manter-se presente. Eu tenho dois sobrinhos que nunca vi. Todas as vezes que se pegava pensando no Japão, a primeira coisa que passava pela mente do Guardião da Nuvem era imaginar qual seria a reação da irmã ao descobrir que ele tinha outro homem como amante. Ela é um pouco desajustada e distraída, mas duvido que aceite prontamente.
"Veremos..." Foi a única resposta que Alaudi conseguiu oferecer.
Aquela quantidade de informação pareceu suprir as expectativas de sua companhia. O Chefe dos Cavallone ficou em pé, parando em frente ao louro e envolvendo-o pela cintura. Os dois se encararam e não seria preciso ser a pessoa mais perceptiva do mundo para entender o que aquilo significava.
"Você passará a noite aqui, não?"
"É o que planejo." O Guardião da Nuvem abaixou os olhos. Dez anos haviam se passado, porém, às vezes era difícil manter o olhar firme. Ivan era extremamente belo e charmoso, uma combinação mortalmente perigosa para alguém como ele.
As mãos ao redor de sua cintura tornaram-se mais apertadas e o Inspetor lançou um olhar pesado na direção de seu amante. Se aquilo houvesse acontecido no início do relacionamento haveria a chance de o moreno conseguir alguma coisa, no entanto, não havia nenhum artifício que aquele homem não tivesse utilizado e aquele estava nas listas dos mais conhecidos.
"Nós não faremos nada aqui, então desista." Alaudi ergueu uma sobrancelha. Era quase meio-dia, as janelas estavam abertas e a porta destrancada. O quão irresponsável aquela pessoa conseguia ser?
"Eu não sugeri nada." O Chefe dos Cavallone fingiu inocência, contudo, tudo o que conseguiu foi receber um chute no tornozelo. O ai que deixou seus lábios soou divertido. "Você é tão cruel, Alaudi. Eu preciso de você!" Os olhos cor de mel se tornaram semicerrados. "E você não pareceu se importar com localizações na semana passada..."
A resposta do louro foi imediata. Seus olhos fuzilaram sua companhia e ele desejou ter trazido seu par de algemas para poder colocar aquele homem em seu devido lugar.
"Eu não preciso lembrá-lo, preciso?" Ivan pareceu propositalmente confuso.
"Você não está se ajudando. Se eu quiser posso voltar para casa depois do jantar." O Guardião da Nuvem ofereceu um meio sorriso.
"E perder todas as surpresas que eu reservei para esta noite?"
"Nada que venha de você será surpreendente ou interessante, desista, Ivan."
"Você é cruel, Alaudi. Eu só queria poder ouvir a sua voz novamente, como na biblioteca..."
O rosto do Inspetor de Polícia tornou-se rubro e suas mãos empurraram o peito de seu amante com força. Entretanto, a atitude só serviu para arrancar uma risada dos lábios do moreno, que apertou os braços e juntou os corpos. Os olhos cor de mel se abaixaram e Alaudi engoliu seco. Ele conhecia aqueles olhos, aquele brilho e principalmente as intenções que se escondiam por trás daquele olhar. Na semana anterior, o louro visitou a mansão depois do almoço e seu plano original era passar à tarde na biblioteca, colocando a leitura em dia. O acervo dos Cavallone havia sido consideravelmente expandido e muito dos novos livros estavam na lista de aquisições pessoais do Guardião da Nuvem. Ele arruinou tudo! Minha tarde com o conhecimento transformou-se em sexo no sofá da biblioteca. Francamente...
E, ali, por trás daquele rosto charmoso e olhos expressivos estavam as mesmas intenções.
"Diga que nunca pensou em utilizar o escritório... a mesa..." Ivan segurou o queixo de seu amante, erguendo-o um pouco. "Eu te envolvendo com desejo, tocando-o em todos os lugares e fazendo-o ficar tão excitado que você chegaria a pedir por mais."
"Os anos estão te tornando pior." O Inspetor manteve a voz neutra, todavia, o mesmo não poderia ser dito sobre seu corpo. Com apenas um olhar o moreno conseguiu acender a chama em seu coração e seria uma questão de tempo até que outras partes de seu corpo também se tornassem quentes.
"Você não pode me culpar. Todas as vezes que eu te vejo é como se eu voltasse aos vinte anos." O Chefe dos Cavallone pareceu feliz em dizer aquilo.
Uma parte de Alaudi queria discordar e chamar aquelas palavras de ultrajantes, mas seria mentir. Ele entendia aquele sentimento e principalmente a sensação de que, talvez, tudo pudesse ter sido diferente se o inevitável encontro entre eles houvesse acontecido antes. Porém, aquela ideia batia de frente com a outra parte da vida do louro e então ele percebia que o encontro acontecera no momento certo, pois, se eles realmente houvessem se visto aos vinte anos, Francesco provavelmente não existiria. Se havia algo que o Guardião da Nuvem tinha certeza em sua vida era que aquele homem não conhecia limites quando o assunto era agradá-lo. E ele jamais me trairia. A Família terminaria com ele. O pensamento fez o Inspetor de Polícia abaixar os olhos e sorrir. No fim, não era de todo ruim, não? Ter alguém pegajoso e idiota, que o via como ninguém nunca o viu antes e deixava claro o quanto o amava.
Alaudi ergueu os olhos e a mão tocou a gravata em seu pescoço, puxando-a devagar.
"Vá trancar a porta."
E o Chefe dos Cavallone foi.
Sem contra-argumentos, olhares surpresos ou palavras de incredulidade. Ivan cruzou o escritório com passos firmes, girando a chave dourada e retornando quando o louro já havia dobrado sua gravata e a colocado sobre a mesa. O moreno aproximou-se da janela, puxando o detalhe dourado que amarrava as cortinas escarlates. Os dois pesados pedaços de pano deslizaram no mesmo ritmo, tornando o escritório menos iluminado e privando-os do belo céu azul de primavera. Minha estação do ano favorita, o Guardião da Nuvem não se importou ao sentir as mãos envolvendo sua cintura com possessividade e nem do beijo profundo que abocanhou seus lábios no exato momento em que os corpos se juntaram. Mas eu não consigo ver mais nada além dele. Nem o Sol, nem o céu azul e muito menos a paisagem. Tudo o que eu vejo e sinto é este homem.
O Inspetor sentou-se sobre a mesa, tendo suas pernas afastadas por um apressado Chefe dos Cavallone que não parecia temer demonstrar seu interesse. Ivan o puxou pela cintura, inclinando-se à frente e permitindo que Alaudi sentisse um pouco de sua excitação. Os olhos azuis se entreabriram e foi impossível para ele não corar ao perceber que estava sendo observado. Suas mãos desceram pelo peito do moreno, procurando os botões da camisa e abrindo-os com destreza. Eles não poderiam permanecer totalmente nus, no entanto, não seria justo que ele não aproveitasse os dotes físicos de deu amante. O Chefe dos Cavallone poderia ser tolo e agir como criança na maioria das vezes, contudo, seria impossível negar a atração que aquele homem possuía. O louro, em particular, nunca se cansava de admirá-lo, principalmente em momentos íntimos como aquele.
A camisa deslizou pelos braços fortes de Ivan e naquele momento o Guardião da Nuvem soube que não teria mais volta. Sua própria camisa foi aberta, o suficiente para que seu amante pudesse tocá-lo e apertá-lo como bem queria. O corpo do Inspetor de Polícia foi puxado para frente e o moreno abriu os botões da calça com rapidez, permitindo livre acesso. Alaudi escondeu-se no peito do Chefe dos Cavallone ao sentir-se tocado, suspirando alto e tentando evitar um toque mais ousado, embora soubesse que estava lutando uma batalha perdida. A calça desceu por suas pernas sem esforço e então o louro decidiu parar de lutar. Sua nuca pendeu para trás e ele permitiu-se gemer quando Ivan começou a masturbá-lo com mais rapidez.
A sensação fazia seu corpo ansiar por mais contato, imaginando que a melhor parte ainda estava por vir. Os gemidos continuaram a soar baixos, entretanto, foi impossível para o Guardião da Nuvem manter a compostura ao sentir que a carícia havia mudado. Os olhos azuis se abaixaram, encarando o exato momento em que o moreno levava a ereção até seus lábios. A mão direita do Inspetor tocou os cabelos escuros, apertando-os, mas sem puxá-los. O Chefe dos Cavallone era bom naquilo, bom demais, e Alaudi sabia que seria uma questão de minutos até que seu mundo começasse a girar.
"I-Ivan..." A voz do louro soou baixa e ele precisou de toda força de vontade possível para proferir aquele nome.
A resposta veio na forma de dois grandes olhos cor de mel. O Guardião da Nuvem fez sinal para que seu amante se levantasse e Ivan limpou o canto da boca, ficando em pé e sorrindo largamente. Nós não temos nada aqui embaixo, teria sido melhor se tivéssemos ido para o quarto. O moreno tocou a mesa, abrindo uma das gavetas e retirando um pequenino vidro dourado. O Inspetor de Polícia o olhou confuso, juntando as sobrancelhas e sentindo a realização atingi-lo pouco a pouco.
"Você tinha tudo planejado, não?" Alaudi gostaria de estar mais composto para fazer uma reclamação formal.
"Planejado, não, esperando ansiosamente por um milagre? Talvez?" O Chefe dos Cavallone riu baixo, depositando um gentil beijo no pescoço do louro. "Eu venho fantasiando sobre isso há muito tempo, então achei que não havia mal em estar prevenido."
"Você é impossível."
O Guardião da Nuvem passou a mão pelos cabelos, fitando o vidro de óleo lubrificante. Ivan voltou a beijá-lo, sorrindo e parecendo satisfeito consigo mesmo. O corpo do Inspetor de Polícia tornou-se mais quente e partiu dele a iniciativa para interromper o beijo e dar as costas para seu amante. A atitude pareceu agradar ao moreno, que o abraçou por trás, beijando seu pescoço com possessividade enquanto esfregava o baixo ventre contra o quadril de Alaudi. Era difícil manter o bom senso naquele tipo de situação. No começo, o louro achou que seu desejo por aquele homem fosse fruto do tempo que ele havia passado sem contato humano. Nós chegávamos a passar o dia inteiro dentro do quarto, e Ivan estava dentro de mim quase o tempo todo. Todavia, o tempo não havia diminuído a necessidade por contado e o Guardião da Nuvem desconfiava que fossem os fatores externos que os impediam de reviver aqueles dias. Porém, vez ou outra eles abriam exceções, como a que acontecia naquele instante. O Inspetor mentiria se dissesse que nunca imaginou ser envolvido ali ou em outros lugares, no entanto, sua personalidade não permitia aquele tipo de sugestão. O Chefe dos Cavallone era a única pessoa que conseguia ver através de sua timidez e introspecção, e continuava a amá-lo apesar dos pesares.
O dedo tocou sua entrada, fazendo-o suspirar em antecipação. O líquido lubrificante tinha um fraco cheiro de flores e por um momento Alaudi indagou-se onde o moreno adquiria aquelas peculiaridades. O louro moveu os pés devagar, apenas o suficiente para se livrar da calça e roupa debaixo que haviam ficado presas em seus tornozelos. O dedo de seu amante o penetrou lentamente, encontrando resistência, contudo, não hesitando em tocá-lo por completo. As pernas do Guardião da Nuvem se afastaram, facilitando a ação e deixando-o arrepiado no segundo movimento.
A respiração de Ivan tocou o seu pescoço e foi simplesmente impossível não se excitar ao ouvir a voz rouca e erótica que pedia que ele relaxasse. Um segundo dedo foi adicionado e os movimentos tornaram-se menos longos e mais forçosos. O Inspetor apoiou as palmas das mãos sobre a mesa, tentando ignorar sua própria ereção. O moreno colocou mais empenho em seu ritmo e, quando Alaudi deixou escapar o primeiro gemido de contentamento, o Chefe dos Cavallone parou o que fazia. O louro fechou os olhos, mordendo o lábio inferior e sentindo o rosto tornar-se corado. Ele adorava aquela parte. A expectativa de ser possuído e os segundos que antecipavam a incrível sensação de sentir seu amante dentro dele, violando-o e vendo-o como nenhum outro jamais o vira.
A ereção entrou devagar, como se experimentasse o Guardião da Nuvem. Os lábios do Inspetor de Polícia se entreabriram, deixando que o gemido morresse em sua garganta e fazendo-o ficar na ponta dos pés ao sentir-se preenchido. Ivan desceu as mãos dos ombros até a cintura, sentindo o abdômen e tocando-o propositalmente de maneira sensual. O membro deslizou para fora, retornando para dentro de Alaudi e fazendo-o gemer automaticamente. Os dentes de seu amante mordiscaram seu pescoço, marcando a pele e excitando o louro ainda mais. Naquela posição não havia como não sentir as estocadas e quando o moreno impôs seu ritmo nada mais importou... o local, o fato de que eles faziam aquilo em plena luz do dia, a ideia de que alguém poderia aparecer e requisitar suas presenças. Era como se, por um breve momento, nada mais importasse além deles mesmos.
O Guardião da Nuvem foi o primeiro a chegar ao clímax, como sempre acontecia. O Chefe dos Cavallone o provocou por algum tempo, movendo-se com rapidez, enquanto gemia em um de seus ouvidos. O Inspetor sempre fora sensível àquela posição e não foi surpreendente que seu corpo desistisse da batalha primeiro. O orgasmo atingiu parte da mesa, entretanto, Alaudi estava ocupado demais para se preocupar com certos detalhes. Seu corpo virou-se, apoiando-se sobre a mesa e Ivan puxou sua cintura, penetrando-o novamente e arrancando gemidos mais altos dos lábios do louro. As mãos do Guardião da Nuvem seguraram a beirada da mesa, apertando a madeira e tentando canalizar um pouco da excitação. Seu corpo estava sensível devido ao clímax então cada movimento era sentido duas vezes mais forte, arrepiando-o e fazendo-o imaginar o que o moreno via de sua posição.
O orgasmo do Chefe dos Cavallone aconteceu com aviso, todavia, o Inspetor gemeu quando os corpos se uniram. O abraço encerrou o momento e Alaudi inclinou a nuca para trás, encarando o teto e sentindo a franja grudada à testa. Ivan retirou-se de dentro dele após alguns segundos, ajudando-o a se sentar sobre a mesa e oferecendo um sorriso cansado, mas satisfeito. O louro ainda tinha dificuldades em respirar, porém, não negou o gentil beijo que tocou seus lábios. O moreno sempre o beijava docemente depois que faziam sexo, como uma forma de demonstrar que não era apenas seu corpo que estava satisfeito. Aqueles eram momentos especiais para o Guardião da Nuvem, e seus olhos se fecharam, retribuindo ao gesto enquanto suas mãos relaxavam sobre o peitoral de seu amante.
O agradável momento durou o tempo que deveria durar. Retornar à realidade sempre era difícil, no entanto, os dois sabiam que precisariam de um banho assim que deixassem o escritório. O Inspetor de Polícia vestiu-se com dificuldade enquanto o Chefe dos Cavallone limpou a mesa e o chão. As cortinas foram amarradas novamente e as janelas abertas. Ivan vestiu-se rapidamente, sempre sorrindo e demonstrando o quão feliz estava. Ele parece um idiota... Alaudi estava em pé e ao lado do sofá, braços cruzados e esperando seu amante se aproximar.
"Vamos? Podemos tomar um rápido banho antes do almoço." O moreno ofereceu uma piscadela.
"Eu posso tomar o meu banho sozinho, obrigado." O louro respondeu sem emoção. Ele não cairia naquela cilada.
"Mas nós demoraremos menos tempo se formos juntos, e assim desceremos mais rápido.
"Eu não estou com tanta fome."
"M-Mas, Alaudi..."
O Guardião da Nuvem deu as costas e seguiu na direção da porta. O Chefe dos Cavallone aproximou-se em segundos e ambos deixaram o escritório ao mesmo tempo. Contudo, eles não estavam sozinhos, pois, nem bem o Inspetor abriu a porta, a figura de Mario surgiu vinda do outro lado do corredor. O ruivo parou, olhando para os dois, de Ivan a Alaudi, e juntando as sobrancelhas. A última pessoa que eu gostaria de encontrar...
"Oh! Eu disse, não?" O Braço Direito de Ivan deu um passo à frente, batendo no ombro do Chefe duas vezes. "O escritório é um excelente lugar, hm?"
O comentário só não foi pior do que a piscadela que veio em seguida. Mario sorriu para o louro, um cínico sorriso que dizia claramente que ele sabia. O ruivo afastou-se, rindo baixo e com passos largos. O Guardião da Nuvem sentiu as mãos se fecharem em forma de punhos e foi impossível não oferecer um olhar pesado para sua companhia. O moreno coçou a bochecha, virando o rosto e fingindo não notar que estava sendo encarado. Isso não pode ser real.
"Então, você não tinha nada planejado, não é?" O Inspetor de Polícia sentia seu sangue ferver, entretanto, dessa vez por outro motivo.
"Hehehe eu não sei do que você está falando." O Chefe dos Cavallone corou. "É-É tudo um mal-entendido, Alaudi..."
O louro apertou os olhos e afastou-se com passos largos. Ivan o seguiu, desculpando-se cada vez que seus pés tocavam o chão e jurando que não sabia do que Mario falava. Alguns subordinados que estavam no hall riram da cena ao vê-los passar e alguns disseram que, embora não soubessem o que estava acontecendo, o moreno não merecia ser desculpado. Alaudi entrou no quarto, deixando a porta aberta e caminhando na direção do banheiro, todavia, antes que pudesse entrar, seu braço esquerdo foi puxado e o Guardião da Nuvem precisou encarar aquele que o forçava a permanecer no quarto.
"E-Eu realmente sinto muito, Alaudi." O Chefe dos Cavallone estava genuinamente sério. "Mario estava apenas brincando."
Ele está preocupado. O Inspetor de Polícia sentiu a ira dissipar-se pouco a pouco. Fosse qualquer outra pessoa ele a teria simplesmente mordido até a morte, mas era difícil ficar bravo com seu amante. Alaudi fez sinal para que seu braço fosse solto e utilizou a mão livre para puxar a camisa amarrotada de Ivan, que se inclinou à frente e ficou visivelmente surpreso ao ser beijado de leve nos lábios. O louro entrou no banheiro, deixando a porta aberta e apressando-se para se desfazer daquelas roupas, pois seu corpo implorava um bom banho. A calça foi aberta e os olhos azuis fitaram a porta. Ele é um idiota...
"Você vem ou não, Ivan?"
A figura do moreno surgiu no instante seguinte, rosto corado e o mesmo sorriso tolo.
O Guardião da Nuvem suspirou, livrando-se da calça e perguntando-se quando foi que ele havia se tornado tão... mole. Eu costumava amedrontar criminosos com um olhar e agora sou feito de idiota pelo empregado. Como alguém pode descer tanto? O Inspetor sabia que não existia resposta correta para aquela pergunta, e ele não buscava realmente nenhum tipo de realização especial. No fundo, Alaudi sabia que ainda assustava os meliantes, porém, que somente mostrava aquele outro lado para sua família. Ele precisaria ser maleável se quisesse compreender Francesco e ajudá-lo a se tornar um bom homem; acompanhar a energética Catarina e suas centenas de ideias, e, principalmente, estar ao lado daquele que tornou tudo isso possível, retribuindo um pouco de todo o amor, respeito e carinho que recebera do Chefe dos Cavallone desde a primeira vez que se viram.
Há dez anos, hoje, amanhã e sempre.
– FIM.
Notas finais
Bem, como faço em todos os meus projetos eu não poderia deixar de dizer umas palavras (ok, reconheço, ficou um pouco grande isso aqui hehehe), principalmente porque esta fanfic foi muito especial para mim. Eu me dei um hiatus longo na época e pude me dedicar inteiramente à fanfic, porque eu estava morrendo de saudades desses personagens. Porém, terminar esta estória foi como se despedir de um amigo que mora longe: você sabe que eventualmente irá revê-lo, mas não sabe quando.
A verdade é que eu não estou pronta para dizer adeus a esses personagens. Quando me dei conta de que precisaria revisar o epílogo senti aquela depressão-de-final-de-fanfic que sempre sinto ao terminar um projeto extenso, com direito a lágrimas e tristeza e muito mimimi que não são típicos da minha pessoa. É fácil perceber que terminei a estória sem que ninguém soubesse do relacionamento entre o Giuseppe e o Francesco, e, sim, foi proposital. Ao decidir escrever este projeto, eu dei a cara a tapa, pois poderia ter sido um erro continuar uma fanfic em que 90% de tudo é original. No entanto, semana após semana eu pude perceber que os leitores se importavam com os personagens e não ligavam se eles não eram baseados em algo já criado.
Por isso resolvi que o relacionamento do Francis e do Giuseppe merecia mais atenção do que meros capítulos esporádicos. Não somente por mim, mas por todos os leitores que se tornaram fãs desse casal. Então, sem mais delongas, anuncio que Between you and me/The Romance of Sadness terá continuação. Antes que pensem em tristezas (certo, nesta fanfic eu dei margem para muitas tristezas hehehe), ela será bem mais light, sem gente levando tiros e facadas, garanto isso a vocês, além de que também pretendo oferecer um pouco de felicidade para a vida do Jules. Alguns leitores pediram um happy ending para o francês e achei mais do que merecido.
Não tenho previsão para o lançamento, pois, como já disse para alguns leitores, meu próximo projeto longo neste fandom será totalmente 8059, porque eu estou morrendo de saudades daqueles dois. Contudo, ela ficará para o ano que vem, no primeiro semestre de 2014. Para o restante desse ano eu posso dizer que planejo meus especiais básicos de Natal, e tentarei fazer de todos os casais que gosto em KHR, incluindo os desta fanfic. A novidade ficará por conta de um capítulo especial contado pelo POV da Catarina, e que venho planejando há algum tempo (:
Então, a partir de hoje eu entro em um pequeno hiatus no fandom de KHR, entretanto, não do mundo das fanfics. Tenho projetos de Shingeki no Kyojin e Kuroko no Basket prontos e só espero o momento chegar para postá-los. Aos meus leitores de KHR, nos vemos nos especiais de final de ano e, claro, em 2014!
Meu mais sincero e heartwarming obrigada a todos que leram até aqui, principalmente por me acompanharem semanalmente em mais um projeto ♥. Eu me sinto muito orgulhosa em poder dizer que tenho os melhores leitores e alguns parágrafos jamais seriam capazes de expressar minha gratidão a vocês.
Vejo vocês em breve!
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