The Ring ~~

1 Capítulo Único


Início

Já se passavam das seis horas da tarde em New Jersey. Crianças brincando nas ruas, ainda não anoitecera. Pais que acabavam de chegar em casa, cansados do trabalho, cujo a única coisa que desejavam eram tomar um bom banho, e ter um satisfatório jantar em família.

— Frank, a comida está na mesa! -gritou sua mãe lá de baixo.

Mas não, ele não sentia a menor fome. Não teve coragem nem sequer de mexer-se da cama. Continuou ali, parado, pensando em como seria se...

— Frankie, você não vem jantar? -abriu a porta.
— Eu não sinto fome, mãe. -suspirou.
— Tem certeza? Se quiser, eu te trago algo...
— Eu tô bem, obrigado. -e continuou com a mesma carinha triste.

Ele não era como os outros garotos. Não parecia nem sequer ter 15 anos de idade, digo, não fisicamente, mas parecia ter perdido sua alma \'infantil\' cedo demais. Era quieto, sozinho. Sempre tivera tudo, mas o que mais desejava, talvez nunca pudesse ter. Fechou os olhinhos e tentou dormir.

*

Acordara às 3h da manhã do dia seguinte. Mais quinze minutinhos e os maus espíritos iriam fazer novas vítimas por ali... Não se dá pra acreditar em certas coisas sem ter antes uma prova real de que realmente aconteceu. Sentira o cheiro de queimado, e a porta abrira-se sozinha. Ninguém mais parecia estar naquele quarto. O cheiro poderia ser explicado psicologicamente, mas quem teria aberto a porta aquela hora da manhã? Ele não queria saber, mas mesmo que não acreditasse nas imagens do filme de terror que assistira, tinha medo de abrir os olhos e ver em volta. Imprensou os olhos com força e se cobriu com o lençol dos pés à cabeça. Estava começando a suar, não voltaria a dormir tão sossegado como antes depois de ter visto o filme. Tinha a impressão de que aquilo iria acontecer com ele também, mas no fundo, sabia que era bobagem. Frank começou a ficar sem ar. Apenas moléculas de gás carbônico circulavam por debaixo do cobertor, até que bem devagar ele desceu-o até a cintura. Pingava. Abriu os olhos, e pôde ver que não tinha mais ninguém lá. Levantou-se da cama e caminhou de ponta de pé até o interruptor da luz e CLICK, acendeu-o. Saiu do quarto e caminhou pelo corredor, agora não tão escuro. Encostou-se na porta fechada e começou a olhar-se no espelho. Fazia frio aquela madrugada, o que fez seu \'instinto suicida\' se aproveitar da situação. Ligou o chuveiro gelado, e sentiu um arrepio correr pelo seu corpo. Estava infeliz. Queria poder chorar, gritar... Mas ninguém iria escutar. Continuaria guardado todo aquele sentimento de mágoa para si. Enrolou-se na toalha e voltou para o quarto. Enxugou-se, pôs apenas uma cueca e voltou a deitar na cama.

"Ando por tantos lugares sozinho...
Visitando meu pesadelo, o mais sombrio.
Você ainda consegue me ver
Mas eu ainda posso viver?
Sinto em meu corpo um vazio
Fecho os olhos, para que acordar?
É apenas mais uma madrugada, o tempo está frio
As horas demoram a passar
As ruas permanecem desertas
O céu descoberto, sem nenhuma estrela sequer
Nuvens cobrem a lua, e eu não posso ver

O vento revela minha tristeza
Está silêncio, mas eu ainda ouço o som da chuva a cair
Nessas horas, fantasmas tentam me assustar
Com fortes gritos no meu ouvido
Mesmo sem ver, posso escutar
Almas caminham sobre mim...
Eu sei, nada é real
Se eu morri e meu corpo continua aqui,
Minha vida é algo sobrenatural
Aos pouco meus delírios parecem chegar ao fim
Apenas por instantes, poucos segundos
Meu medo não os deixa acabar
O que sinto é mais profundo
Me mexo um pouco
Cada passo é medido
Todos acham que sou o mais louco
Imagens destorcidas se misturam na minha cabeça
Apenas mais uma forma de alucinação
Não há mais nada... Nem vida, ninguém sente
Continuo com meu pesadelo, impertinente
Ao redor de toga essa gente
Abro os olhos e caminho à frente
Até achar um ser que me ajude, ou pelo menos tente
Talvez não seja assim pra sempre."

Final

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!