Notas iniciais
oi gente *le bolas de feno(?) rolando*
é, eu sei, eu demorei MAS É TUDO CULPA DA HOKU, FALO MESMO -n
mentira, é culpa minha e do meu bloqueio ;A;
MAS ENFIM, tá aí o chapie ♥

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[ K O U Y O U’S pov ]

- E você, Takashima Kouyou? Aceita Yamato Tsukushi como sua esposa, promete amá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

Uma pergunta nunca ressonou tanto na minha cabeça.

É lógico que eu tinha a resposta pra ela. A única certeza que eu tinha naquele momento era a de que eu não a queria. Nem como esposa, nem como amiga, nem como nada.

Eu queria apenas Yuu.

E foi esse meu desejo que me fez colapsar.

Olhei para a menina que me agora me olhava desconfiada, quase nervosa. Seu sorriso amarelo ia de mim para o padre. Este me olhava com notável pena.

- E-eu... Eu não quero me casar com você, Tsuki.

- O quê?! – Ela berrou, jogando o buquê no chão e se virando furiosamente pra mim.

- Eu não vou me casar com você. – Dei de ombros, fazendo o caminho que ela tinha feito ao entrar na igreja. – Pai! – Chamei-o e ele estava boquiaberto. – Foda-se o senhor e sua empresa, ok?

E eu corri.

Corri como se nunca tivesse feito. Meu coração batia tão rápido que machucava, minhas mãos estavam suadas, meus cabelos se desgrenhando pelo vento. Mas eu estava feliz. Ignorei também a chuva, que não passava de uma garoa leve, delicada.

E como um balde de água fria, eu percebi o que havia feito.

Havia abandonado minha vida, minha família e meu dinheiro. Tudo por Yuu.

E eu nem mesmo sabia se ele me aceitaria de volta. E se eu já tivesse estragado o suficiente a vida dele, pra ele me desprezar como fizera com Miyavi?

De qualquer forma, eu havia o abandonado, o julgado mal e nem lhe dera chances de se explicar. Sentia-me um monstro.

E foi isso que me fez continuar correndo, pra ele, por ele.

-

[ Y U U’S pov ]

Meu braço doía.

Mas nada se comparava à dor que eu sentia por não ter mais Kouyou por perto.

Apenas o sentimento de perda me dominava, e mesmo que eu tivesse chorado durante toda a noite, não aliviava. Eu estava cansado de tanto chorar, meu peito doía, minha garganta parecia embolada, e minha cabeça latejava.

- Yuu? – Uma voz doce dominou o quarto.

- Miyuki? Vai embora, por favor.

- O que houve, nii-san?

- Nada. Agora vai embora, vai.

Ela não obedeceu, apenas sentou-se na cama e colocou minha cabeça em suas pernas. Agarrei-me a ela enquanto ela afundava os dedos nos meus cabelos.

- Vai ficar tudo bem... Calma...

Agora eu já chorava com mais intensidade, deixando as lágrimas molharem as roupas delicadas da menina.

- Yuu, papai disse que você quebrou o braço, o que houve?

- Eu... Por favor, Yu-chan... Só... Só me deixa chorar...

- Sabe que só chorar nunca vai resolver seus problemas, ne?

Eu fiquei calado, enquanto recebia os carinhos dela, a vontade de chorar se dissipando aos poucos. E do nada, só o vazio me imperava. Doía, muito. Mas eu já sofrera aquilo antes, iria passar... Algum dia... Mas agora só doía... Um aperto no coração, misturada à raiva absurda que eu sentia por Miyavi.

Como era possível alguém destruir tanto com a vida de alguém? Como alguém não podia apenas se contentar com um “não”... Com a mesma recusa que ele me deu anos antes? No fim, Miyavi foi só o maior erro da minha vida.

- Yuu, Reita ligou... Ontem de noite...

- Depois eu falo com ele.

- Yuu...

- O quê?

- Porque você não confia em mim?

- Não sei...

- Sabe que pode confiar, Aoi... Sou sua irmã.

- É... É muito mais complexo do que você imagina...

- Tudo tem solução, Yuu... Tudo.

- Não pra isso...

- Alguém morreu?

- Não, mas eu estou quase lá...

- NÃO FALE UMA ASNEIRA DESSAS, SHIROYAMA YUU! – Ela assustou-me, apertando os dedos finos nos meus cabelos, como se me prendessem a ela. – O que houve? Eu posso te ajudar... E se eu não ajudar... Falar sempre contribuiu pra achar uma solução, sabia...?

Eu não tinha mais nada a perder, não é?

Mesmo que ela dissesse alguma coisa, seria apenas uma menina... Poderiam entendê-la como alguma daquelas pessoas que odiavam Kouyou.

- Sabe... Sabe o Kouyou?

- Que o Takashima-sama tem haver com seu esse seu estado, Yuu?

- Nós... Estávamos... Tendo um caso...

- Vocês dois... Nunca pensei que ele fosse gay...!

- E ele não era... Eu disse pra você que iria transformá-lo na minha puta de luxo. – Ri amargamente, lembrando do dia que eu tinha dito algo sobre ele.

- Seu cretino! – Ela usou um falso tom de indignação, me dando um tapinha no ombro.

- Mas enfim... Miyavi voltou e... – Respirei fundo antes de continuar, o que me rendeu alguns soluços de choro. – Ele me agarrou à força... Jamais esperava aquilo... E o Kou viu... E... Eu quebrei meu pulso na cara do Myv.

- Você deve bater como uma garota.

- Obrigado pela parte que me toca.

- E eu posso saber que diabos você faz aqui chorando?

- Hm? – Levantei o rosto, fitando-a como se ela tivesse uma segunda cabeça no pescoço ou um chifre estivesse nascendo em sua testa.

- Você ama o Kouyou, ne?

- Sim.

- E não tem culpa no cartório, ne?

- É.

- Porque ainda não foi atrás dele, homem?!

- Porque ele não me quer na frente dele nem pintado de ouro.

- Se ele te ama, ele vai te aceitar de volta... Até se você estiver com essa sua cara feia aí.

- E se ele...? – Ela me calou com o dedo indicador sobre meus lábios.

- Só vai saber se for atrás dele... – Sorriu ternamente, me empurrando pelos ombros e me fazendo sentar. – E é melhor você ir logo, o casamento dele é daqui a pouco... Você passou o dia chorando aqui...

E com uma onda de pânico, a informação me paralisou.

O casamento!

- Olha, alguém reagiu! – Ela alfinetou, levantando da cama e me puxando junto. – Só dá um jeito nessa tua roupa, quer invadir uma igreja e sequestrar um noivo assim?

- Sequestrar um noivo? – Perguntei, enquanto caçava alguma coisa pra vestir e ela saía do quarto.

- Salve ele daquela biscate por mim, hm?

E aí que eu vim me lembrar desse detalhe.

A noiva dele.

Como diabos eu ia tirá-lo de dentro de uma igreja, provavelmente em pleno casamento, com aquele encosto por perto?

-

- Mas Reita...!

- Entra nessa porra de igreja na hora que tu chegar, dizendo que tem algo contra o casamento! Vai ficar super dramático, ok?

- Mas eu não preciso de drama, eu preciso de solução.

- Desculpa amiguinho, mas é a única coisa que você pode fazer agora, a noiva já tá entrando.

- O quê? – Esganicei, enquanto desviava de outro carro.

- Vou desligar antes que o Ruki corte o meu Reita-chan, boa sorte, Yuu.

- Sorte, puf. – Dei uma risada agoniada — Não é tu que vai entrar numa igreja no meio de um casamento, seu enfaixado. – Resmunguei enquanto jogava o celular em cima do banco do motorista e acelerava mais ainda.

Se eu chegasse pelo menos vivo na igreja, já seria uma grande vitória, porque olha, dirigir com um pulso quebrado não é muito fácil. Mas segundo o que meu querido Reita-múmia havia dito, eu já não estava tão longe da igreja. E ainda tinha a maldita pista molhada.

Nunca pedi tanto pra um milagre acontecer.

Segui as ordens do loiro, localizando facilmente a igreja, já que não era muito comum a presença de igrejas por ali. Não era grande como os templos budistas que eu já tinha ido, tinha traços europeus e uma escadaria enorme.

Eu praticamente estava cuspindo meu coração pra fora da boca quando estacionei em frente à igreja e subi a escada de dois em dois degraus.

A porta estava entreaberta, e eu prendi a respiração ao abri-la. Já me preparava pra gritar, os olhos dos presentes se dirigindo rapidamente à mim, todos, sem exceção.

E aí eu pude perceber que havia alguma coisa errada.

Não havia noivo.

Soltei a respiração de uma só vez, inclinando a cabeça para o lado, enquanto tentava entender a situação. Kouyou não estava lá.

Havia apenas uma menina com um vestido volumoso e vermelho sentada aos pés do padre e rodeada por umas duas mulheres, que também olharam pra mim, mas logo voltaram à atenção à menina que chorava copiosamente.

Saí da porta, procurando por Reita ou até mesmo Ruki, sob alguns poucos olhares. O menor pareceu confuso quando me viu.

- Cadê ele? – Ofeguei, vendo Reita fazer uma careta.

- Foi embora. – Disse simples.

- Foi embora...? COMO DIABOS ELE FOI EMBORA?

- Foi... Indo, oras! – Deu de ombros, enquanto eu sentia o desespero se apossar de mim, nublando qualquer pensamento.

- Ele disse que não ia casar com a Lady In Red ali e saiu correndo daqui. – Ruki disse, parecia dividido entre a alegria e o susto.

- E... Pra onde ele foi?

- Você acha que se alguém soubesse já não teria ido atrás? – Levantou uma sobrancelha, e depois rodou os olhos. – O pai dele logo saiu correndo, depois, mas acho que ele já tinha sumido. Ele também está sem celular e provavelmente sem dinheiro no bolso. Não acho que ele tenha ido muito longe.

Certo, agora pensa, Shiroyama.

Suspirei pesado e dei meia-volta, saindo da igreja e sendo recebido lá fora por uma tempestade. Meu queixo pesou uns trinta quilos ao ver toda aquela água.

Mais um empecilho para ficarmos juntos.

Sabe aquelas horas que você quer fazer alguma coisa e tudo no mundo parece estar contra você e seu maldito objetivo? Eu estava assim agora.

Consegui entrar no carro, um pouco molhado, e vaguei pelas ruas, apertando os olhos para as calçadas, como se por algum milagre da natureza, eu o encontrasse ali, vagando sem direção debaixo de toda aquela água.

A cada minuto que passava, uma tristeza sem tamanho me atingia. Meu peito ainda doía de tanto ter chorado, meu pulso latejava pela falta de analgésicos. Havia tanta coisa a ser dita, e ao mesmo tempo, eu só precisava saber onde ele estava. Só precisava vê-lo. Dirigia sem perceber realmente onde estava indo, apenas me atentando a algumas poucas pessoas que insistiam em sair, mesmo com toda aquela chuva.

Depois de pelo menos duas horas fazendo isso, só que agora em ruas mais afastadas, eu já estava com um aperto no coração e um desespero quase palpável. Havia ligado para Reita pelo menos umas quinhentas vezes no período de tempo que estava o procurando, e Ruki me falou alguns lugares que ele poderia ter ido. Fui à casa de Ruki, numa área que ficava um pouco afastada da igreja, num bairro médio. A casa estava fechada e não havia ninguém por perto. Os outros lugares que Ruki falara não faziam sentido nenhum: Um parque, que segundo o loiro, Uruha gostava de ir depois da aula; uma praça, que ficava perto da casa dele e que eu supus que foi a que saímos juntos pela primeira vez.

Eu estava completamente perdido.

Ter saído da igreja sem nenhum motivo, sem dizer nada a ninguém... Ainda não entendia que motivos o levariam a isso.

Mas Kouyou era assim. Sempre guardava as coisas pra si.

E isso, nesse momento, estava me irritando mais do que nunca.

Eu queria vê-lo, tocá-lo, saber se ele estava bem. A chuva não cessara em nenhum segundo e pensamentos nada bons nublavam qualquer raciocínio mais longo que eu tentasse ter. Se ele estivesse machucado? E se ele estivesse perdido? E se ele tivesse sido assaltado? Tantas coisas passavam por minha cabeça, e nenhuma era boa.

Até que uma possibilidade extremamente idiota passou pela minha cabeça.

-

Estacionei o carro de qualquer jeito, ignorando a mão que agora latejava fortemente por causa da falta de analgésicos e subi as escadas de dois em dois degraus, me cansando demasiadamente por não ter esperado o elevador.

Quando cheguei no 12º andar, quase enfartei ao ter minha teoria confirmada.

Sentado com as costas apoiadas na porta do meu apartamento, molhado até a alma e com apenas uma blusa branca de botões, lá estava ele. O recente dono dos meus pensamentos e meu coração. Estava com a cabeça baixa, tremendo violentamente. Meu corpo moveu-se automaticamente até ele, mas hesitei ao chegar bem perto.

- K-kou? – Chamei baixinho.

Ele não respondeu, então eu simplesmente me abaixei, ficando de joelhos à sua frente. Toquei seus cabelos, sentindo um medo anormal de ser rejeitado. Mais uma onda violenta de tremores passou pelo corpo à minha frente e ele levantou levemente a cabeça, olhando-me. Eu nunca havia visto tantas lágrimas e tristeza nos olhos dele. Soltou as pernas, tocando meu rosto com as pontas dos dedos trêmulos e gelados, seus dentes batendo por causa do frio, seus olhos fixos nos meus.

- Yuu... – Meu nome foi pronunciado em um fio de voz, ao mesmo tempo em que a mão que estava em meu rosto deslizou para minha nuca e puxou-me, tocando os lábios anormalmente frios nos meus. Foi apenas um roçar de lábios, logo desfeito. pois eu o abraçara com tanta força, que temi machucá-lo.

O medo que eu tinha em perdê-lo de dissipando como fumaça em meu cérebro, um sorriso involuntário em meu rosto. Soltei-o, mantendo apenas seu rosto em minhas mãos, enquanto espalhava beijos delicados por seu rosto. Suas mãos estavam agarradas em minha blusa, ainda trêmulas.

- Nunca... Nunca mais suma desse jeito! – Disse, dando mais beijos por seu rosto. – Quase me matou do coração.

- Eu consegui. – Outro sussurro, dessa vez, ele sorria levemente, os olhos fechados.

- Conseguiu?

- Sim... Fazer uma escolha por conta própria... Uma escolha... – Ele agora olhava para o chão, o cenho franzido. – Eu escolhi você...

Prendi minha respiração, ainda digerindo as palavras.

Ele tinha desistido de tudo... Por mim.

Abracei-o de volta, murmurando “eu te amo” como um mantra, enquanto sentia minha blusa ser agarrada com mais força. Lágrimas molhavam minha blusa, mas eu pouco me importei.

Apenas me preocupei quando senti seu corpo tremer de novo, lembrando-me em que estado o loiro se encontrava. Soltei-o, apenas para abrir a porta, e logo o puxei pra mim, carregando-o. Ele rodeou minha cintura com as coxas, deitando a cabeça no meu ombro. Levei-o até o banheiro e ele selou rapidamente meus lábios antes de se despir e entrar no Box sozinho, enquanto eu ia buscar toalhas e roupas. Ele enxugou e vestiu-se pouco se importando com minha presença ali. Tomei a toalha de suas mãos quando ele foi secar os cabelos, realizando a tarefa por ele. Sua risada baixa ecoou pelo quarto, me fazendo sorrir automaticamente.

- Ainda com frio? – Indaguei enquanto ele inclinava a cabeça para um dos lados, para eu secar melhor os fios.

- Um pouco. Depois você me esquenta. – Ele respondeu, virando um pouco pra mim e sorrindo de canto.

- Não vou reclamar em fazer isso.

Depois de secar os fios, ele virou-se, abraçando-me com força e pedindo baixinho para que eu não o abandonasse.

Deitamos na cama, ele com as pernas enroladas nas minhas por debaixo de um edredon pesado, seu rosto bem próximo ao meu, o suficiente para roubar alguns selinhos durante a conversa amena que tínhamos.

- Eu nem sei o que vou fazer, sabe? – Ele falou num tom despreocupado. – Não sei o que vai ser da minha vida depois de hoje... Queria que tudo se resolvesse sozinho...

- Acho que seu maior problema vai ser a garota... Vai que ela tira uma foice daquele vestido dela? – Debochei, vendo o outro rir. – Mas nee... Isso em parte é culpa minha...

- Shiroyama e sua mania de se culpar de tudo.

- Takashima e sua mania de não querer ajuda.

- Eu sei me virar sozinho, Yuu.

- Kou, entenda uma coisa... Você largou tudo por mim, não foi? – Ele meneou a cabeça e um sorriso se formou sem meu consentimento. – Então, agora me deixe te ajudar, hm?

- E o que você vai fazer? – Ele levantou uma sobrancelha, me desafiando.

- Bem... Com as coxas que você tem, poderia fazer você virar dançarina de cabaré, que tal?

- Mas você é quem sabe rebolar por aqui, Yuu. – Um bico se formou ao pronunciar meu nome. – Se for assim, coloco você pra se prostituir usando só uma sainha curta e vou virar seu cafetão.

- Você teria coragem de fazer isso com o seu próprio... – Meu tom de falsa indignação foi cortado pela dúvida de que o Uruha era pra mim. – Hey, Uru... O que eu sou pra você?

- Sei lá. Algo entre o amor da minha vida e razão da minha vida. Por quê?

- Porque não temos um título fixo, sabe? Você foi logo me comendo e pá.

- Ah é... Então, deixa eu dar um jeito nisso... – Ele se arrumou na cama, sentando-se. – E aí, morena sensual, quer namorar comigo?

Notas finais
POIS´, VOCÊS QUE TÃO ACHANDO QUE A COISA ACABOU, RIA, SE ENGANARAM!1!!
ainda vai ter mais um chapie e talvez um prólogo. Isso sem contar com o chapie do Reituki -Q
Mas enfim, eu sei que mereço um review, nem que seja pra me xingar pela demora ;A; -s
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.