The Return
15 Lost
Notas iniciais
(POV Claire)
Ada afundou a faca no meu peito, novamente, sorrindo ao me ver num estado tão indefeso. A dor lancinante que me atingiu foi ainda pior que as outras anteriores. Ela já tinha me massacrado tanto nos últimos trinta minutos, que àquela altura, eu já nem tinha mais forças para rir e debochar deles. Tudo o que conseguia fazer era reprimir a vontade insana de gritar.
– Está incomodando, Claire? — ela perguntou, debochada. — A sensação de ter uma adaga apunhalando o mesmo local, seguidamente, é boa?
Respirei fundo. Minha visão se embaçando devido à minha perda de sangue.
– Vai se ferrar. — consegui soltar, entredentes.
Ela riu e afundou ainda mais a faca no meu peito. Arquejei. Aquela dor era insuportável. Era como se ela estivesse retalhando cada parte de meu corpo e consertando-o, milhares de vezes. A dor era tão profunda que eu me surpreendia por ainda estar lúcida. O sangue, para minha sorte, estava coagulado e não escorria com tanta facilidade quanto da primeira vez. Mas era apenas uma questão de tempo para que eu desmaiasse, ou, na pior das hipóteses, morresse.
– Minha vez, Ada. — Dankan cuspiu as palavras, aproximando-se de mim.
Olhei para ele e me arrependi de imediato. Porque seu rosto já deixava bem claro que ele pretendia ser bem menos "gentil" que Ada.
– Dankan, lembre-se de que não pode matá-la. — Jill interferiu, segurando-lhe o pulso. — Morta ela não terá a menor utilidade.
Dankan desvencilhou-se do aperto e pegou o punhal de ouro branco da mão de Ada. Devia haver algum motivo para eles preferirem não trocar muito de armas, eu só não sabia qual.
– Vamos continuar, querida? — ele disse, empunhando o punhal, com um sorriso de escárnio.
Cuspi em seu rosto.
– Dê o seu melhor, patife. — desafiei, evitando transparecer o quanto eu já estava fraca e fragilizada.
– Você nem precisa dizer duas vezes, docinho. — ele disse, limpando o rosto e fincando, sem dó, nem piedade, o punhal em minha perna, no exato local onde Ada tinha me atingido dois dias antes.
Mordi o lábio inferior, à ponto de fazê-lo sangrar e rezei, mentalmente, para que aquela tortura tivesse logo fim. Fosse pelo motivo de alguém me achar, ou pelo desmaio, ou pela... Morte.
(POV Leon)
– Esse lugar não existe! Estamos andando de um lado para o outro há tempos e nada! — rosnei, desesperado.
Chris respirou fundo e evitou, tenho total certeza, o impulso de me dar um tapa seguro na fuça.
– A Jill não dá nenhum ponto sem nó, Leon. Sossega e cala a droga dessa boca! Estou tão aflito quanto você! — ele resmungou, provavelmente segurando uma ou outra lágrima.
Eu sabia que estava sendo difícil pra ele, também, saber que sua irmãzinha estava nas mãos de pessoas completamente odiáveis, porque, veja bem, eu não era insensível. E sabia, também, que ele estava tentando se agarrar à esperança de que Jill estava fazendo o melhor que podia para proteger Claire. Mas alguma parte de mim me avisava que Jill não era assim tão boa quanto supomos. Porque, na verdade, ela não fazia milagres. Mas, se ela pudesse, na ocasião, o único milagre que eu gostaria de presenciar, seria ela salvando a vida de Claire.
– Maravilha, passagem obstruída! — resmungo, novamente, quando avisto um monte de entulhos e uma ponte partida ao meio.
Chris suspirou, eu tinha certeza que ele estava tão impaciente quanto eu, e não duvidaria nada de que ele quebrasse uma das árvores, daquela imensa floresta, com um soco, apenas para desopilar.
– Merda. — Chris resmungou de volta. — Vamos voltar. Tem que haver outro local por onde possamos passar.
– Vamos voltar pro carro, de novo? — perguntei, mordendo a língua pra não falar besteira.
Chris deu de ombros e balançou a cabeça, fechando a mão num punho tão apertado que os nós de seus dedos ficaram pálidos.
– Não tem outra solução. Se essa é a única entrada para essa cidade, e ela está obstruída, quer dizer que há mesmo algo que estão tentando esconder. E nós precisamos achar um outro caminho para podermos descobrir do que se trata! — Chris soltou, num acesso de impaciência.
Girei nos calcanhares e voltei a caminhar na direção de onde viemos. Que era... De onde nós tínhamos vindo mesmo?
– Espera um pouco, Chris. — Sheva chamou, de um ponto à uns dez metros de onde estávamos. Como ela tinha ido parar lá, mesmo?
– Sheva? — ela soltou, caminhando na direção dela, que mantinha o olhar fixo em algo à sua frente.
Segui os passos de Chris e avancei para o lado direito de Sheva, enquanto ele se punha à sua esquerda.
– Como não percebemos isso antes? — Sheva soltou, balançando a cabeça e apontando para um ponto repleto de entulhos, ao lado de uma barragem. — É óbvio que eles tentariam nos despistar. A ideia sempre foi mandar a nós e a qualquer outra pessoa para o outro lado da cidade, porque esse é o local que realmente interessa. E ninguém se preocupa em reparar o caminho cheio de galhos e um pequeno lago, porque simplesmente não imaginam que possa haver por ali. Só que há. E é exatamente o que estamos procurando. — ela concluiu.
Quantos mais as palavras foram sendo registradas pelo meu cérebro, mais eu ficava feliz, por Sheva ter descoberto isso — mesmo sobre toda aquela pressão que nos estava sendo imposta -, e agoniado, por querer acharar logo Claire, para poder salvá-la e, em seguida, queimar aquele lugar.
– Vamos logo. Qualquer segundo perdido representa mais uma chance de perder minha irmã.
Assenti e engoli em seco. Agarrei a Beretta Px4 e empunhei, preparado para punir qualquer um que se pusesse no meu caminho. Porque eu acharia Claire. Não importava quem eu tivesse de derrubar para fazer isso.
(POV Claire)
Abri a boca e um grito mudo saiu dela. Minha respiração já estava quase cessando. Meus pulmões não tinham mais forças para prosseguir. Meu coração estava em meados de parar. Todo o meu organismo já estava afetado. Eu já tinha passado por muitas situações difíceis na vida, mas seria um verdadeiro milagre se eu conseguisse sobreviver àquilo. Dankan não estava demonstrando nenhum sinal de compaixão, nem mesmo me pareceu possível ele possuir alguma centelha de humanidade.
Em meio aos borrões que as imagens se tornaram, e às risadas satisfeitas de Ada, eu só podia ter certeza de que meu fim, meu tão esperado e almejado fim, estava mais próximo do que nunca. Toda aquela vontade de viver uma vida normal estava caindo por terra. Eu nunca me casaria, nunca seria mãe, nunca teria a chance de criar uma criança que tivesse meu próprio sangue, nunca teria a chance de contar historinhas para meus netos dormirem. Eu não seria uma mãe coruja, ou uma avó. Eu seria só mais uma mulher que teve os próprios sonhos destruídos por tentar salvar os de um mundo inteiro.
– Dankan, já chega. Ela vai morrer. — Jill repreendeu-o e agarrou sua mão, quando ele preparava-se para arrancar-me uma segunda unha.
– Me deixe em paz. — Dankan esbravejou.
– Não ouse mover mais nenhum dedo, Dankan Blade. — uma voz soou ao fundo, com uma incoerência inacreditável. Eu não fazia ideia de quem tinha falado aquilo. Se é que alguém havia dito isso.
Uma figura entrou no meu campo de visão, e pude vê-la pegando o alicate da mão de Dankan, que parecia mais pálido que de costume. O silêncio pairou no local, e tudo o que desejei por um momento foi descobrir se aquela pessoa tinha vindo para me salvar, ou para me matar por si mesmo. E, acima de tudo, quem era aquela pessoa.
A minha visão turvou-se mais, mesmo com os meus esforços para continuar distinguindo as sombras diante de mim. Meu corpo enfraqueceu-se ainda mais e, antes que minha cabeça tombasse e eu apagasse de vez, pude distinguir uma máscara no rosto do recém chegado e curtos fios louros.
Notas finais
Beijão, espero que nos vejamos em breve, vou tentar escrever e postar o mais rápido o possível, mas a vida aqui tá corrida, então... Rezem! :c
Ly ^^
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