The Reason Of My Breath
12 Passando dos limites
Minha mãe havia passou todos os limites, era o que tinha pensado para o que vem a acontecer á seguir.
Eram mais ou menos três da madrugada quando ela bate na casa de Eduardo e acorda todos.
“Cadê minha filha?” Ela perguntou à Miguel e eu do quarto podia ouvi-la.
“Essa não é a voz da sogrinha?” Eduardo sonolento me perguntou.
“Acho que é.” Disse me levantando da cama “Vou lá vê.”
“Vou com você.” Ele disse.
Quando saí do quarto de Eduardo minha mãe disse: “Aí está você mocinha!”
Ela me pegou pelo braço.
“Ei, o que está fazendo?” Eu a perguntei me soltando dela.
“Levando você pra casa imediatamente.” Valéria disse.
“Ela não quer ir pra casa, dona.” Edu disse “Por tanto daqui ela não sai.”
“Ela é minha filha e você um marginal que infelizmente conquistou essa tonta.” Valéria disse.
“Ei, ei, ei!” Miguel disse “A senhora não pode sair entrando na minha casa assim pra ofender meu irmão.”
“Me desculpe, Miguel? Não é isso?” Valéria disse “Mas eu não saio daqui sem a minha filha.”
“Beatriz.” Miguel me disse “Acho melhor você ir embora. Não estou te expulsando, não me entenda mal. Mas eu tenho que trabalhar cedo amanhã e eu não quero ter que aturar essa louca aqui de madrugada.”
“Eu entendo, Miguel.” Disse “Perfeitamente.”
“Espera um pouco.” Edu disse “Essa casa também é minha e eu não quero que minha namorada saia.”
“Não, tudo bem, Edu.” Eu o disse “Eu vou agora, mas pensa assim... Daqui à pouco a gente se vê.”
“Ta certo, então.” Edu disse me beijando.
“Até daqui à pouco.” Disse e saí com minha mãe.
No carro minha mãe veio com aquele festival de ofensas, mas uma coisa me intrigou como ela sabia...
“Você tem o que na cabeça, Beatriz?” Valéria me perguntou.
“Cérebro?” Eu fui irônica.
“Não parece.” Valéria disse “Uma pessoa que tem cérebro se drogaria, Beatriz?”
“Espera um pouco.” Eu disse “Volta a fita... Como você sabe que eu me droguei? Você está me vigiando, mãe?”
“E se eu estiver? Que moral você tem, Beatriz?”
“Não vem com essa história de ‘moral’ porque você não tem nenhuma.” Eu disse “A não ser que agora adultério passou a ser algo correto.”
“Beatriz, não me provoque.” Valéria disse “Sabe que eu provoco? E provocarei até o dia em que você decidir parar de me atazanar.”
Valéria a partir daí calou a boca, o que achei estranho. Minha mãe não desistiria assim tão facilmente de um bate boca comigo, mas aí foi onde eu me enganei. Ela tinha um truque na manga.
Quando chegamos em casa estranhei, já que haviam três enfermeiros e um médico em nossa sala.
“O que isso significa?” Eu perguntei “Alguém ta doente? O Thiago?”
“Não, minha querida.” Valéria disse “Esse são os médicos que irão cuidar de você.”
“Oi?” Eu perguntei “Acho que não compreendi.”
“Eu vou internar você, Beatriz.” Valéria disse.
Eu não pensei duas vezes, corri o mais rápido que pude até o meu quarto e me tranquei lá dentro.
Peguei o celular e liguei pra Eduardo.
Caixa postal.
O próximo número da lista de recentes era o de Lisa, mas ela concordaria com a minha mãe se soubesse do lance da droga. O seguinte era o de Léo.
Esse servia.
Liguei pra ele e ele não tardou para atender.
“Léo?” Disse desesperada.
“Bia?” Ele parecia ter acabado de acordar “Aconteceu alguma coisa?”
“Minha mãe passou de todos os limites!” Eu disse “Preciso falar rápido, a porta não vai agüentar por muito tempo.”
Os caras tentavam derrubá-la, mas eu tinha posto uma cadeira na porta para dificultar. Eu também podia ouvir minha mãe gritando para eles arrombarem logo a porta e que eles eram um bando de fracos.
“Minha mãe ta com uns caras aqui pra me internar.” Eu contei a Léo “Preciso da sua ajuda. Fala pro Eduardo. Eu preciso que vocês me salvem.”
“Como assim?” Léo perguntou “Aonde sua mãe vai te internar?”
Os caras conseguiram entrar.
“Eu não sei, Léo.” Disse “Vou ter que desligar. Me ajuda pelo amor de Deus.”
Desliguei o telefone ao ver minha mãe entrando no quarto e disse: “Você é louca.”
“Peguem-na.” Valéria ordenou “Mas com cuidado, por favor.”
Eu tentava fazer força quando aqueles gorilas vieram com uma seringa gigante para cima de mim: “É assim que quer me impedir de me drogar? Me drogando mais, Valéria?”
Eles enfiaram aquilo no meu braço e imediatamente comecei a sentir uma moleza e a ver tudo embaçado, mas antes de apagar pude dizer a Valéria: “Não pense que eu irei te perdoar por isso, Valéria.”
Desmaiei.
Os caras me puseram em uma maca e me levaram para a tal clinica.
De manhã, Eduardo estranhou ver Léo em sua porta.
“O que você está fazendo a uma hora dessas na minha casa?” Edu perguntou à Léo.
“Acredite, só não vim mais cedo porque estava realmente pensando se ia pedir sua ajuda pra isso.” Léo disse, mas Eduardo logo o cortou.
“Ajuda? Sem chance.” Edu disse “Pode se mandar.”
“Tem certeza que não vai querer me ajudar a salvar a Beatriz?” Léo disse exatamente o que faria Eduardo mudar de idéia imediatamente.
“Como?” Edu o perguntou.
“A mãe dela a internou aí em alguma clinica clandestina.” Léo disse.
“Clinica clandestina?” Eduardo se apavorou “Como você sabe? E por que a mãe dela internaria a filha?”
“Eu varei a noite procurando o nome da Beatriz em todas as clinicas do estado do Rio de Janeiro.” Léo disse “Então ela só pode estar em uma clinica clandestina.”
“Não me respondeu a segunda pergunta.” Edu disse “Abre o bico, Léo.”
“Dona Valéria me contratou pra vigiar os passos da Beatriz e eu contei que a Beatriz tinha se drogado com você.” Léo disse “Só pode ter sido por isso.”
“Como é que é?” Eduardo já preparava um soco para Léo.
“Não adianta você me bater.” Léo disse “Agora a gente tem que se concentrar pra salvar a Beatriz.”
“Eu não preciso de você pra salvar a Beatriz.” Eduardo disse sério.
“Como assim?” Léo perguntou “Por um acaso você tem algum poder do além que te disse onde ela está?”
“Muito engraçado.” Eduardo disse sarcasticamente “Tenho outros planos.”
“Não vai me dizer?” Léo perguntou.
“Na volta.” Edu disse saindo de casa.
“Espera Eduardo!” Léo disse, mas já era tarde, Edu já tinha pegado o carro e ido até minha casa.
Quando minha mãe abriu a porta apenas disse: “Você não é o Leonardo.”
“Eu sei.” Edu disse entrando “E também sei que contratou o Léo pra vigiar sua filha.”
“É, já não se pode confiar em mais ninguém hoje em dia.” Valéria disse.
“Eu tenho uma proposta pra senhora.” Edu disse.
“Você?” Valéria queria gargalhar, mas se controlou.
Porém Eduardo estava realmente sério.
“Solta a Beatriz e a senhora tem minha palavra que eu nunca mais falo com ela ou olho ou digo o nome dela em voz alta.” Ele propôs, mas tudo que Valéria fez foi rir de Eduardo.
“Como são ingênuos esses jovens de hoje.” Valéria disse “Você não tem palavra, e mesmo se tivesse eu não acreditaria em você.”
“Eu estou falando sério.” Eduardo disse “Se a senhora quiser que eu faça um pacto ou qualquer outra coisa... É só dizer que eu faço.”
“Olha onde o desespero de um homem pode levar alguém.” Valéria disse “Olha, eu compreendo que o senhor realmente acredite que possa cumprir essa promessa, mas vai quebrá-la. Não vai resistir quando Beatriz for procurá-lo pra saber por que não atende os telefonemas dela, os emails... O que for. E quando ela começar a chorar você vai beijá-la e eventualmente irão pra cama, ou seja, adeus trato.”
“Se eu digo que cumprirei o trato é porque eu vou.” Edu insistia.
“Como insistente.” Valéria disse “Nada feito, Eduardo. Não importa o que diga ou faça.”
“Pretende deixá-la trancafiada até quando naquela clinica?” Edu a perguntou.
“O tempo que for necessário para ela esquecê-lo porque meu querido, você é apenas uma fase pra minha filha.” Valéria sabia exatamente que Edu era mais do que isso pra mim, mas queria mexer com ele.
“Eu acho que a senhora está enganada quanto a isso.” Edu disse.
“Vamos ver.” Valéria disse “O futuro dirá.”
“Então é guerra.” Edu disse com um sorriso de raiva “A senhora vai ter guerra porque eu irei até o fim do mundo atrás da sua filha, a mulher que eu amo. E quando eu achá-la a senhora poderá esquecer que teve uma filha.”
“O que quer dizer com isso?” Valéria perguntou.
“O que eu quis dizer?” Edu disse “Ela será minha e de mais ninguém porque eu vou me casar com Beatriz e a senhora não vai querer uma filha casada com alguém como eu.”
“Está certa, então.” Valéria disse “Agora nós temos um trato.”
“Não, Valéria.” Eduardo disse “Agora temos uma guerra.”
Eduardo foi embora e Valéria sabia que ele falava sério.
Uma guerra começou e o vencedor teria como prêmio, eu.
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