Quando abri meus olhos de manhã tive uma incrível surpresa ao ver aquele quarto todo personalizado de Eduardo, que tinha feito desenhos e pichado sua parede muito antes de eu conhecê-lo, todo coberto por rosas. Haviam pétalas no chão, na cama, e buquês na mesinha. Além das velas apagadas que tinham por todo quarto.

Eduardo tinha preparado um ambiente todo romântico para mim, para quando eu chegasse de noite e aquilo tudo estivesse perfeito, mas eu havia apagado ainda no meio do caminho.

Quando olhei para o meu lado e o vi dormindo, não resisti e comecei a beijá-lo.

“Essa é a melhor forma de acordar um homem.” Ele disse ainda de olhos fechados “Não vai me acostumar mal, em?”

“Eu te amo.” Eu disse já em cima dele.

“Eu também.” Ele disse ao abrir os olhos.

De repente suas mãos já estavam tirando a blusa, que era dele mesmo, de mim.

Ele parou por um minuto para me olhar e disse: “Como eu senti sua falta. Dos seus seios...” Ele disse ao colocar sua cabeça sobre esses, que estavam nus. De repente ele os beijava “Da sua boca.” Ele disse beijando minha boca “De você por inteiro.”

Ele disse me virando na cama e ficando por cima de mim.

“E eu?” Eu o disse “O quanto não pensei em você nesses últimos dois dias?”

“Eu te quero, Beatriz.” Ele disse “Pra valer.”

Eu não disse nada, só tirei a cueca dele, o que era a única coisa que ele vestia, enquanto ele tirava a minha calcinha.

A partir daí nos amamos.

Não foi como das primeiras vezes, que a gente fez mais por tesão e paixão, essa foi a primeira vez que transamos por amor de verdade.

Quando saímos para tomar o café da manhã, como eu não tinha nada pra vestir, vesti um short de Edu e uma camisa dele e ambos me engoliam. Miguel, Helena e Lisa se assustaram ao me verem.

“Beatriz?!” Helena disse vindo me abraçar “Que saudades!”

“O que você está fazendo aqui?” Lisa perguntou.

“Ai, Lisa.” Eu disse “Queria mesmo me ver pelas costas, em?”

“Não é isso.” Lisa disse “Eu achei que estivesse naquela clinica que sua mãe te colocou, só isso.”

“Por um acaso, queria que eu estivesse lá ainda?” Eu a perguntei.

“De jeito nenhum.” Lisa respondeu sorrindo “Fico feliz que tenha voltado pra nós.”

Mas daí Lisa olhou para Eduardo e completou “De certa forma, não é?”

“O que foi isso?” Eduardo ficou nervoso “Indireta pra mim, foi?”

Miguel interrompeu aquilo antes que tudo virasse uma discussão: “Eu também fico muito feliz com sua volta, Beatriz.”

“Que bom que não disse ‘recuperação’ porque eu não sou uma viciada.” Eu disse.

“Eu sei disso.” Miguel disse “Você não se drogaria.”

“Na verdade eu me droguei sim.” Eu disse “Mas foi uma única vez e nunca mais.”

“É, e agora eu estou proibido também.” Eduardo disse.

“Bom, eu lamento muito, Beatriz, que você tenha tido que experimentar para perceber que não é legal... Mas também fico feliz que esteja pondo limites nesse irresponsável aí.” Miguel disse.

“Ah, qual é?” Edu disse “Vocês tiraram o dia pra me encher, não foi?”

“Calma, meu amor.” Eu disse tentando não rir da situação “É... Lisa, você está com alguma muda de roupa aí?”

“Estou sim.” Ela respondeu.

“Me empresta?” Eu a perguntei “É que eu quero passar na minha mãe pra pegar as minhas coisas.”

“Vai sair de casa, Beatriz?” Lisa perguntou.

“Não vou ficar mais sobre o teto da mulher que quer acabar comigo.” Eu respondi.

“Tudo bem.” Lisa disse “E se você quiser ficar na minha casa...”

“Nada disso.” Edu disse “Ela vai morar aqui, não é Miguel?”

“É...” Antes Miguel responder eu o interrompi.

“Não.” Eu disse “Coitado do Miguel. Eu vou morar com a Lisa, a mãe dela está mais acostumada comigo do que o Miguel...”

“Não é isso, Beatriz.” Miguel disse “Você só teria que ajudar nas despesas da casa...”

“Obrigada Miguel, mas eu ajudaria nas despesas mesmo não precisando.” Eu disse.

“E então!” Edu disse “Fica.”

“Eu vou ficar na Lisa, e quem sabe mais pra frente eu não venho pra cá?” Eu o disse.

“Ta, fazer o que.” Ele disse revoltadinho.

Depois disso, fui direto para a casa da minha mãe que estava prestes a sair quando entrei.

“Olha quem eu vejo?” Valéria disse “Uma fugitiva.”

“Nem vem tentar me colocar naquele lugar de novo.” Eu disse.

“Eu não ia.” Valéria disse.

“Não?” Eu a perguntei intrigada.

“Eu estou oficialmente desistindo de você, Beatriz.” Valéria disse “Por tanto, se vi continuar namorando aquele marginal considere-se filha do mundo porque eu te deserdarei.”

“Que bom!” Eu disse fula “Eu vim aqui mesmo para arrumar as minhas malas.”

“E ta indo pra onde?” Valéria me perguntou.

“Isso não te interessa, Valéria.” Eu disse me dirigindo até o meu quarto.

“Não me dia que vai morar na casa daquele seu namoradinho?” Valéria parecia enojada por aquela ser uma casa mais humilde.

“Já disse que não é da sua conta.” Eu disse “Afinal você não acabara de me deserdar?”

“Tem razão.” Valéria disse indo embora, mas parou e finalizou “Ah, e Beatriz...”

“O que foi?”

“Vê se não demora porque a empregada tem que limpar aquele quarto.” Valéria disse “Você sabe o quanto eu tenho horror a mortos, não é? Quero remover tudo que me lembre a minha falecida filha.”

“Tudo bem.” Eu disse “Não vai fazer diferença pra mim um a mãe morta, já que eu nunca pareci ter uma mesmo.”

Eu fui para o quarto tirar minhas coisas de lá e Valéria ficou paralisada por uns instantes e finalmente foi trabalhar. No quarto não pude evitar, mas deixei um única lágrima cair, só uma mesmo, por aquela mulher que nem essa lágrima merecia.

Enquanto isso, Edu que estava de bobeira em casa foi atender a porta, que tinham batido. Era um oficial de justiça.

“Eduardo Ferreira?” Ele perguntou.

“Sim?” Eduardo disse.

“Assine aqui por favor.” O oficial disse.

“E o que o senhor tem aí?” Edu perguntou.

“É o documento que diz a hora, a data e o local da sua audiência perante o juiz.” O oficial disse para o desespero de Edu, que não pensava que fosse ser tão rápido assim o dia da audiência.

Ao ler a carta, Edu não deixou de lembrar do que Léo tinha lhe dito no dia anterior.

E lá ele ficou em seu quarto tomando uma das decisões mais difíceis que tivera que tomar em sua vida.

Quando eu fui até ele, pra dizer que minha mãe tinha me deserdado e todo o resto podia ver um enorme vazio em seus olhos, então parei de falar.

“O que houve, Eduardo?” Eu o perguntei.

“Beatriz, me desculpe.” Ele disse baixo.

“Por que?” Eu o perguntei.

“Acabou.”

“O que ‘acabou’, Eduardo?”

“Eu recebi isso hoje.” Ele disse me dando o papel que oficial de justiça entregou pra ele.

Eu li e o disse: “É o dia do seu julgamento.”

“O que está fazendo aqui ainda?” Ele me perguntou “Vai embora.”

“Não entendi.” Eu disse.

“Sai da minha vida, Beatriz.” Eduardo parecia realmente perturbado.

“Não.” Eu o disse “Não vou sair da sua vida. O que houve com você?”

“Será que você ainda não percebeu que eu só trouxe estrago pra sua vida?” Ele me perguntou “E agora isso? Sua mãe te deserda.”

“Eduardo eu não estou entendendo.” Eu disse.

“Eu vou ser preso.” Eduardo estava em choque.

“Não vai, meu amor.” Eu disse me ajoelhando em frente a ele, que estava sentado, pegando em seu rosto “Eu te amo, vou ficar com você até o fim.”

“Não.” Ele disse “Você não merece ser marcada como a mulher do presidiário.”

“Mas você não vai ser preso.” Eu disse “Você matou sem querer! A justiça vai ver isso, eu sei que vai!”

“Eu cansei!!” Ele gritou se levantando “O que você quer que eu faça pra você entender que eu não quero mais a gente?!”

“Não há nada que você possa fazer.” Eu disse forçando pra não chorar, mas não podia evitar as lágrimas “Eu te amo, cara! Eu te amo!!”

Tentei beijá-lo, mas ele me empurrou e eu caí sobre a cama.

“Valéria está certa.” Edu disse “Você acha que o cara certo pra você seria como eu? Um cara respondendo um processo por ter matado um homem, um cara que te fez se drogar e ainda por cima o maior culpado por você ter ido parar naquela clinica?”

“Espera aí!” Eu disse com raiva secando as lágrimas “Você não decide isso, meu amor. Eu decido quem é o cara certo pra mim.”

“O que você quer que eu faça?” Ele perguntou “Quer que eu te traia? Porque posso muito bem trepar com uma na esquina agora!”

“Não vai adiantar porque eu vou saber exatamente que você só vai estar transando com ela.” Eu disse “Mas você vai estar mesmo é pensando em mim.”

“Eu não quero mais, Beatriz.” Ele disse “Me esquece. Você não pode me obrigar a ficar com você.”

“Não, não posso.” Eu disse “Mas eu vou te provocar até você ceder e aceitar que não pode nem sequer respirar sem mim, assim como eu descobri que só respiro de verdade quando estou com você.”

“Acabou o show?” Ele disse o mais frio que podia, mas eu podia ver em seus olhos que ele sofria até mais do que eu “Dá linha Beatriz! Segue seu rumo, segue a sua vidinha de patricinha, a vida que você sempre teve sem mim.”

“A vida sem graça que eu tinha sem você, não é?” Eu o perguntei.

“Acha um cara rico aí e casa com ele porque com certeza você vai ter um futuro melhor com ele do que comigo.” Edu disse.

“Eu estarei com você até o final!” Eu o disse “Será que você não entende?”

“Mas o meu final pode ser nada bom.” Edu disse.

“Eu não ligo.” Eu disse.

“Mas eu ligo.” Edu disse “Vai embora, Beatriz.”

“Você está irredutível, não é?” Eu disse pegando minha bolsa “Ok, eu vou. Mas tenha certeza de que você será meu de novo.”

O problema era que ele nunca tinha deixado de ser meu.

Eu fui embora. Chorei muito, mas não como choro agora enquanto me recordo de tudo isso.

E ele em seu quarto chorava como nunca havia chorado na vida. Por mais gay que ele pensasse que fosse homem chorar ele não resistiu terminar com a pessoa mais amada e não chorar, não sofrer por isso.

Ah, mas Eduardo ainda voltaria pra mim.

Fui pra produtora e lá quase matei Léo se Lisa não tivesse chegado...