The Reason
4 Capítulo 04 - Conversas e vinho
Notas iniciais
– Como? – Perguntou Germán cruzando os braços e a olhando sem entender nada.
Por um segundo, ela sentiu a besteira que acabara de falar. Engoliu seco, olhou para o lado e tentou consertar o que havia feito.
– Digo, em relação ao seu ciúme como pai, sabia que era ciumento com a Violetta, mas não imaginava que era tanto, é isso que eu quis dizer – Disse ela consertando os cabelos tentando ser mais natural possível.
– Aham, sou sim, muito ciumento. Mas isso é proteção, só quero proteger a Violetta. – Disse Germán a olhando.
– Eu entendo – Disse Angie tentando concluir a conversa, mas por dentro ela estava explodindo de nervoso.
Germán se aproximou mais de Angie, a distância o bastante para que ela pudesse sentir seu perfume marcante, e o olhar mais de perto cada detalhe de seu rosto. Por poucos segundos ela sentiu seu coração acelerar, só não sabia explicar o porquê. Ela respirou fundo, deu um pequeno passo para trás, colocou uma das mãos em seu pescoço, e o olhou pois sentiu que ele iria falar algo.
– Angie, esta noite terá um jantar aqui em casa, terá alguns executivos e a Jade vai estar também e como ela é muito exigente com roupas e sapatos, essas coisas... gostaria que você arrumasse a Violetta, por que ela não gosta muito de vestir essas roupas desconfortáveis... então tenta domar a fera pra mim por favor – Disse Germán rindo.
– Ah sim, tudo bem, vou deixa-la como uma princesa. Agora com licença –Disse ela saindo em direção a cozinha. Ela encostou na pia e respirava fundo, imaginando a falha que havia cometido e o sentimento que passava em seu peito.
POV’S ANGIE
Onde você está com a cabeça Angie? Quer colocar tudo a perder? Como que um dia você vai conseguir ficar com a Violetta desse jeito? Preciso me concentrar e engolir muita coisa nessa casa... tudo pela minha menina! Ela precisa de mim!
Estava quase na hora do jantar e Angie estava no quarto com Violetta, que tinha acabado de sair do banho e estava enrolada na toalha. Quando ela olhou o vestido que estava em cima da cama, logo parou e olhou para Angie.
– Por acaso eu vou em algum casamento? – Ela a olhava com os braços na cintura.
– Não Vilu, hoje vai ter um jantar especial e você tem que estar bem vestida – Disse Angie tentando segurar o riso e controlar a situação.
– Por acaso, o Papa ou o Presidente vai vir junto? – Disse ela num tom de ironia.
Angie deu uma risada, achando muita graça do humor da menina.
– Ah Vilu, ele é bonito, é só um pouquinho ... é... como podemos dizer – Disse Angie olhando para o vestido tentando achar alguma característica positiva nele.
– Exagerado? Brega? Super ultra mega cafona – Disse ela pegando no vestido e soltando de uma vez na cama.
Angie soltou uma gargalhada e concordou com a cabeça – É realmente é bem exagerado, acho que tem babados demais e rendas demais, então vamos arrumar outra roupa – Disse Ela indo em direção ao guarda roupa.
– A chata da Jade vai vir tenho certeza, não gosto dela... e se ela está pensando que algum dia vai ser a minha mãe ela est.. – Violetta dizia emburrada de braços cruzados.
– Enganada! – Disse Angie concluindo a frase da menina. – Você tem mãe meu amor, não se preocupe com isso – Disse Angie se referindo a ela mesma e tirando outro vestido do cabide.
– É, pena que ela já morreu – Disse Violetta, fazendo com que Angie parasse e se compadecendo da menina.
Chegada a hora do jantar, a casa estava toda arrumada, alguns executivos haviam chegado e estavam conversando com Germán, enquanto Jade dava algumas ordens para Olga, que já não suportava mais a perua. Aliás era de se notar a quilômetros de distância o modelito nada modesto dela, brilhava mais do que uma árvore de natal e seu cabelo não movia nenhum fio. Angie e Violetta desceram juntas as escadas, o que chamou muito atenção de Germán, que parou de conversar para admirar. Angie, estava com um vestido branco elegante, era modestamente sexy, clássico, nada vulgar, estava com uma trança lateral e uma maquiagem simples. De uma coisa era certa, estava lindíssima. Violetta com seu vestido lilás apropriado para sua idade, e uma maquiagem “disfarçada”.
Germán admirou Angie, descendo as escadas e pela primeira vez a beleza da moça o impressionou como homem. Ele acompanhou o seu olhar até o último degrau, ela por sua vez, desviava seu olhar do dele, mas algo a todo instante os conectava outra vez;
– Nossa! Mas que mulher é essa? – Perguntou um amigo de Germán maliciosamente.
Germán o olhou sério – É a governanta da minha filha – dando um gole da taça de champanhe.
– Meu amigo, parabéns foi ótima sua escolha – Disse novamente o homem, com um sorriso descarado. Germán nada respondeu e voltou a olhar para Angie e se aproximou dela.
– A Senhorita está muito bonita – Disse ele rindo tranquilamente.
– Obrigada- Disse ela tímida.
– Papai, que horas eu vou poder subir para o meu quarto? – Perguntou Violetta sem a mínima vontade de ficar ali.
Ambos riram – Violetta, tenha paciência por favor – Respondeu Germán.
– Vou lá na Olga – Disse a menina saindo de perto deles.
– Aceita um drink? Ou Champanhe? — Perguntou ele levantando a taça.
– Não, obrigada. Não bebo no meu expediente de trabalho – Respondeu séria, e logo depois dando uma pequena risada.
Ele deu uma risada – Isso que eu digo ser uma grande profissional.
– Preciso ir atrás da Violetta, antes que algo acontece – Ela disse sorrindo e se retirando.
XXX
O jantar havia chegado ao fim, as pessoas haviam ido embora e só restava bagunça e taças espalhadas pela casa. Violetta já dormia em seu quarto, e só restava Angie, Olga e Germán acordados. Ele estava sentado numa cadeira perto da piscina, com um taça de vinho na mão, fazia frio e ele estava ali intacto olhando para o fundo da piscina. Angie o avistou e foi em direção a ela.
– Germán, acabei de descer do quarto da Violetta, e ela já estava dormindo profundamente – Disse ela.
– Que bom. – Respondeu ele.
– Germán, como amanhã é meu dia de folga, avisa a Violetta por favor, que acabei esquecendo – Disse ela que estava em pé ao lado dele.
– Sim, eu digo. Isso quer dizer então que agora você pode aceitar uma bebida – Disse ele a olhando.
– Como? – Perguntou ela sem entender
– Você me disse que não bebe em seu expediente, como já são quase 1 hora da manhã, isso quer dizer que você está em seu dia de folga, então pode beber – Concluiu ele, com um lindo sorriso no rosto.
Ela riu envergonhada – Tudo bem, agora eu aceito – Respondeu.
Ele se levantou pegou uma taça que estava logo em cima da mesa, pegou a garrafa de vinho que estava do lado e a encheu. Não disseram nada, apenas se ouvia o vinho sendo despejado dentro da taça. Ele a olhou no olhos e a entregou.
– Obrigada – disse ela meio sem jeito. Os dois estão em pé um perto do outro.
Ele apontou a taça para ela, para que brindassem juntos.
– Brindamos à...? – Ele perguntou?
– Não sei, não temos nada em comum – respondeu ela rindo.
– A Vida? – Ele disse com um leve sorriso no rosto.
– Sim, a Vida- Ela concordou com a cabeça. Assim suas taças se tocaram.
– Que a vida tenha sempre um belo significado – Ele disse. Ambos deram um gole.
– Sente-se – Disse ele apontando para cadeira que estava ao lado. Ela se sentou.
– Então Angie, você chegou ontem a minha casa, mas parece que você transmite algo muito familiar- Ele olhava para dentro da piscina.
Nessa hora ela quase engasgou, arregalou os olhos – Como assim? – Disse ela, não querendo se apavorar, mas seu coração estava acelerado.
– Digo, seu jeito, você me parece uma pessoa transparente.
– Hãn, bom eu sei que estou muito branca, mas é porque já tem muito tempo que não vou a praia – Ela disse num tom de ironia.
Ele deu uma risada – Está explicado então.
– Brincadeiras à parte. Encaro isso como um elogio, então... Obrigada – Disse ela dando outro gole no vinho.
– Sim, é um elogio. Mas, você tem namorado? – Perguntou ele
Ela deu uma leve risada – Não, não tenho.
– Mas já teve? – Ele perguntou
– Sim, já tive. Mas não deram certo – Respondeu ela, contornando o dedo pela taça já vazia.
– Relacionamentos são sempre complicados – Ele disse com muita certa.
– Será que é por isso que você ainda está sozinho? – Angie Perguntou. Logo depois ela mesma concluiu a besteira que havia perguntado, sua vontade era de se jogar dentro daquela piscina.
– Acho que não, só não encontrei a pessoa certa. A verdade é que todo mundo algum dia vai te machucar, você só tem que escolher por quem vale a pena sofrer – German falou num tom convincente.
– Nossa! É verdade, acho que isso se chama “Amor” não é? – Ambos riram muito.
– É, eu li isso uma vez e nunca me esqueci. E eu não encontrei a tal pessoa que vai valer a pena sofrer. A única até hoje foi minha falecida esposa – Ele disse de forma natural. Angie engoliu seco, porque sabia que essa pessoa era sua irmã, a quem conhecia tão bem.
– Mas e sua namorada, a Jade? – Ela questionou
Ele deu um breve sorriso, balançando negativamente a cabeça – A Jade, é... a Jade. Nós tivemos ou temos um caso, mas não seria a mulher ideal para mim. Violetta e ela não se gostam muito, e preciso primeiramente pensar na minha filha.
– Então porque se envolve com ela? – Questionou Angie mais uma vez.
– Ah Angie, tento resistir, mas a chamada “necessidade masculina” fala mais alto as vezes – Ele dizia olhando para a taça de vinho.
– Mas com isso, impede que você conheça outras pessoas, que possa valer a pena.
– Também acho, mas tenho que confessar que minha vida amorosa é uma bagunça.
– Sua e de mais um milhão de pessoas – Ela disse rindo.
Ele apenas deu uma risada.
– Germán, preciso ir, já é muito tarde – Disse ela se levantando. Logo ele se levantou também.
– Obrigada pela ótima conversa, apesar de ter sido breve – Disse Germán, com um meigo sorriso no rosto.
– Teremos outras com certeza. Boa noite – Ela disse
– Boa noite Angie. – Ele foi até ela, se aproximou lentamente e deu um beijo em seu rosto.
POV’S ANGIE
No momento em que Germán se aproximou de mim, e me deu um beijo no rosto, senti meu corpo se estremecer, meu coração acelerou. Seu perfume era maravilhoso, sua voz era sensual, ele era incrivelmente charmoso. Era definitivamente um homem sedutor. Mas tudo isso virava pó quando me recordava de tudo que ele fez. De todos esses elogios ele passava a ser um homem mesquinho e egoísta.
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