The Reason
17 Capítulo 18 - O acidente
Notas iniciais
POVS ANGIE.
Minha Vilu está tão linda, tão grande, tão diferente daquela menininha que deixei pra traz. Agora ela está uma verdadeira moça, com os traços de uma jovem linda. A emoção foi a mesma de quando a vi pela primeira vez, o cheirinho dela ainda é o mesmo, aquele perfume doce, marcante e único.
Assim que Germán, abriu a porta de casa, Violetta foi entrando tão rapidamente com passos acelerados, antes de subir as escadas Germán estranhou o comportamento da menina.
– Violetta, aconteceu alguma coisa? – Disse ele colocando as chaves do carro em cima da mesinha do centro.
– Não nada – Respondeu ela com um sorriso um tanto duvidoso.
– Hum, então vai guardar a mochila, tomar banho e venha almoçar – Ele tinha um olhar “torto”.
Antes que ele terminasse a frase ela já estava no andar de cima, entrou rapidamente em seu quarto, trancou a porta. Sentou em sua cama e sorria o tempo todo, sem acreditar no que acabara de acontecer, por muitas vezes ela desacreditou que Angie pudesse voltar, sabia que algo muito sério havia acontecido entre ela e seu pai, mas não sabia o que exatamente. Durante o passar do tempo, Germán fazia questão de que a filha tentasse esquecer de Angeles, toda vez que a menina tocava no nome dela, ele fazia questão de mudar de assunto, atitudes essas que foram rapidamente percebidas por Violetta.
Eram aproximadamente 15:30 quando Violetta ansiosa, descia as escadas e andava em direção da porta para ir ao encontro com Angie.
– Para onde a mocinha vai? – Perguntou Germán saindo da porta do escritório.
– Ah, é vou me encontrar com uma amiga – Disse ela sem jeito, tentando disfarçar seu nervosismo.
– Ia sair sem pedir?- Disse ele a encarando.
– Ah pai, é aqui pertinho da praça... achei que não precisava – Respondeu ela.
– Já te falei que não gosto que saia sem avisar, e seus deveres de casa?
– Já fiz todos, tá tudo certo! – Respondeu ela com pressa, temia perder o horário marcado com Angie.
– Tá tudo bem, não demora!
– Ok – Violetta saiu batendo a porta da sala, e caminhou até a praça.
Angie esperava ansiosa o encontro, aqueles minutinhos em frente à escola só fizeram aumentar mais a saudade e a vontade de estar perto dela. A loira estava sentada em um banco da praça quando observou Vilu se aproximando dela com um lindo sorriso no rosto, ela se levantou rapidamente e a recebeu com um abraço forte e cheio de carinho.
– Como é bom te abraçar de novo! – Angie falava ainda abraçada a menina, que deitou sua cabeça em seu ombro, como fazia quando era menor.
– Eu senti tanto sua falta, falta do seu abraço! – Ficaram ali abraçadas por alguns segundos e se soltaram lentamente. Angie beijava o rosto da menina e a olhava em seus olhos com muita ternura.
– Ah Vilu, como você tá diferente... não é mais aquela menininha que eu insistia em pegar no colo – Ambas riram – Mas pra mim vai continuar sendo pra sempre, aquela garotinha terrível e engraçada – Angie passava as mãos pelo rosto da menina admirando cada detalhe, ela a puxou pela mão e sentaram no banco da praça.
– Eu pensava em você todos os dias, a minha saudade nunca passou nenhum pouquinho – Vilu olhava profundamente em seus olhos.
– Eu também pensava em você todos os dias, sofri muito por ficar longe de você! Mas eu nunca perdi a esperança de que um dia ficaríamos juntas, foi isso que me moveu por tanto tempo – Angie tinha lágrimas pelos olhos.
– Você veio pra morar aqui não é? – Perguntou a menina olhando nos olhos de Angeles, que aos poucos foi desfazendo o sorriso.
– Vilu, acredito que sim. Quero muito ficar. – Respondeu ela segurando as mãos da garota.
– Você tem que ficar Angie, você disse que voltaria – Disse ela se lembrando de cada promessa de Angie.
– Eu sei, eu prometi a você que um dia íamos ficar juntas e eu vou cumprir – Angie deu um sorriso e beijou a mão da filha. – mas agora me conta, como é a escola? Está gostando?
– Amo a escola! Tenho vários amigos e é muito divertido, os professores são ótimos... mas nenhum se compara a você – Violetta disse rindo. Angie deu uma risada e balançou negativamente a cabeça.
– Você é maravilhosa! – Deu um beijo na bochecha da garota.
– Angie... – Violetta olhou para baixo – Porque você não quer que o papai saiba que você voltou?
Angie respirou fundo, sabia que ela ia acabar perguntando algo do tipo – Violetta, acho melhor esperar mais um pouco. Eu e seu pai brigamos naquela época e nunca mais nos falamos, então eu não estou preparada para reencontra-lo agora, entendeu? – Disse Angie ainda segurando nas mãos dela.
– Entendi. Aquilo tudo foi muito estranho, vocês se gostavam... estavam apaixonados e ... – Angie interrompeu a garota
– Vilu... – Angie olhou para baixo antes que pudesse falar qualquer coisa.
– Angie! – Violetta a interrompeu – Angie... eu lembro perfeitamente, que vocês estavam juntos, eu até vi vocês se beijando, e depois tudo acabou de uma vez e nenhum dos dois me deram explicação de nada, eu criei várias ilusões achando que você ia casar com ele, ficarem juntos. Mas de uma hora para outra você decidiu ir embora, e o papai nunca me falou nada, por mais que perguntasse, ele sempre mudava de assunto.
Angie apertou as mãos de Violetta e olhou nos olhos – Vilu, eu imagino como isso deve ser confuso pra você, mas eu peço que confie em mim, porque você vai saber de toda a verdade, mas na hora certa. Não quero e não vou mentir pra você, só quero que tenha paciência para esperar, tá? – Angie fez uma expressão dócil para Violetta, que riu e concordou com a cabeça.
– Tudo de bem né, se você tá pedindo – Violetta sorriu sem concordar muito bem.
– vem, vamos tomar aquele sorvete de morango que você adorava – Angie levantou puxando Violetta, as duas foram abraçadas conversando.
XXX
Depois do encontro Violetta foi rapidamente para casa, ao entrar resolveu ir até o escritório falar com seu pai, a porta estava entre aberta e ele conversava com Ramalho.
– Você não pode negar que ainda sente coisas por ela! – Disse Ramalho.
– Para com isso Ramalho! Você sabe que isso é impossível – Respondeu ele calmamente.
Violetta se aproximou mais, e rapidamente percebeu que estavam falando de Angie, ela ficou intrigada, e quis escutar o que falavam.
– Não é nada impossível, vocês se gostavam e eu sei também que não deixou de pensar nela – Ramalho deu uma breve risada.
– Ramalho, eu e Angeles temos uma história proibida.
Na hora Violetta parou e perguntou “Angeles?”, sem compreender a conversa. E rapidamente se lembrou que Angeles era o nome de sua tia, porém os dois ainda conversavam e foi então que ela ficou ainda mais atenta.
– Germán, você é uma homem desimpedido, não estará traindo ninguém.
– Mas eu sinto como se fosse traição, Angie é irmã da Maria, e tem outras coisas mais que nos separam...
Nesse instante, Violetta entrou em choque, seus olhos pararam no tempo, suas pernas adormeceram e sentiu uma dor no coração. Acabara de saber que Angie é Angeles, sua tia, a mesma pessoa que cuidou dela há alguns anos, que acabou de reencontra-la. Não, não poderiam ter mentido assim para ela, Germán sabia do desejo que ela tinha em conhecer sua família. Enquanto os dois conversavam, Violetta foi tomada por uma fúria e revolta, empurrou rapidamente a porta, o que fez Ramalho e Germán tomarem um susto.
– A Angie é minha tia, é isso? – Perguntou ela entrando pelo escritório. Germán arregalou o olhar e Ramalho abaixou a cabeça, ambos permaneceram em silêncio.
– Como papai? Como conseguiu mentir para mim assim? – Violetta chorava
– Violetta não é nada.. – Germán levantou falando, mas antes que pudesse concluir
– Me responda a VERDADE! Só quero a verdade – Violetta tinha o semblante perturbador, ela estava parada o olhando a espera de uma resposta digna.
Germán abaixou a cabeça, colocou uma das mãos na cintura, respirou fundo e concordou positivamente com a cabeça – Sim Violetta, Angie é sua tia.
Violetta aumentou o choro – Porque mentiu? Porque? Sabia o quanto eu amava a Angie e mesmo assim nos separou. – Ela andava de um lado para o outro falando – Agora tudo faz sentindo, eu sei o motivo que ela foi embora assim tão rápido, você a obrigou ir embora! E não se importou com o que eu ia sentir... É por isso que ela não pode me dizer nada.. é isso –
– Violetta as coisas não são dessa forma – Germán se aproximou da filha e ela deu um passo para atrás, mantendo a distância.
– Não quero nunca mais falar com você! NUNCA! – Violetta gritou, saiu do escritório correndo, e foi até a porta da sala, abriu rapidamente e a bateu. Germán foi atrás dela, na tentativa de alcança-la.
Violetta saiu correndo pela calçada desesperada, tudo que ela deseja naquele momento era ver Angie, seu coração estava acelerado, suas lágrimas saiam involuntariamente, Germán corria atrás dela, e gritava pelo seu nome, ela no entanto não dava a mínima importância.
Quando ela foi atravessar a rua, por conta de seu nervosismo não olhou para os lados e sem perceber que em sua direção surgia um carro. Tudo que se escutou naquele momento foi o som do carro freando, e uma voz que gritava “Violettaaaaa”.
Fale com o autor