The Reason
16 Capítulo 17 - O reencontro
Notas iniciais
POVS ANGIE.
Tenho a impressão que minha vida nunca mais será a mesma. A dor que sinto é imensurável, uma dor tão forte, muito parecida de quando perdi minha irmã. De certa forma havia perdido duas pessoas de uma só vez, o homem da minha vida e minha pequenina. Não sei como será daqui para frente, vou para Espanha amanhã e meu futuro é um tanto incerto.
Ao sair daquela mansão, Angeles deixaria para trás tantas coisas... uma filha amada, um homem por quem era profundamente apaixonada, deixaria para trás os bons momentos que conviveu com aquela família, os beijos que recebera de Germán, as palavras de carinho de Violetta, entretanto deixaria para trás a mentira que ela sustentou por tanto tempo, que consumia seu interior, que a limitava em seus sentimentos. Agora ela estava limpa, sua alma estava mais leve, havia tirado a máscara que não aguentava mais carregar, mas infelizmente levava consigo as marcas e as consequências de tudo que causou.
Angeles estava no aeroporto, esperando seu voo, ela tinha o olhar fixado em qualquer lugar, as pessoas passavam, conversavam mais nada desviava sua atenção, seus pensamentos estavam longes até que seu celular tocou, ela olhou e logo viu a foto de Violetta aparecendo na chamada, ela esboçou um sorriso e se recordou perfeitamente do momento daquela foto. Era um dia normal de aulas, quando a pequena chegou com um pirulito e deu para ela, mal sabia Angie que o pirulito tinha o efeito da língua azul, o que provocou um ataque de riso da menina que também estava com a língua azul, Angie riu muito e resolveu registrar aquele momento, Violetta com a língua azul, ela achou tão fofo que resolveu colocar na chamada do telefone.
Ela atendeu rapidamente, com o coração na mão, sabia que aquela conversa seria difícil e talvez a ficha da menina ainda não tivesse caído.
– Oi Vilu – Disse ela docemente.
– Oi Angie... é.. eu te liguei pra perguntar uma coisa. É que você falou que eu podia te perguntar qualquer coisa... – Disse a pequena com a voz desanimada.
– Claro meu amor, qualquer coisa!
– E quando eu sentir saudades o que eu faço? – Perguntou Vilu confusa.
– Querida, você pode olhar nossas fotos, nossos vídeos, cantar as canções que a gente gosta, poderá recordar tudo que vivemos – Angie já tinha a voz falhada e a vontade de sair dali correndo era enorme.
– hum... mas ai a saudade vai passar?
– Não meu amor... ela não vai passar não. – Angie começou a chorar novamente – Mas vai ajudar. A saudade só vai passar quando estivermos juntas de novo – Disse Angie com muito jeito para não deixa-la mais triste.
– Eu não vejo a hora desse dia chegar logo
– Eu também, mas vai chegar e eu tenho certeza! Vilu, preciso ir agora! Te amo tá? – Disse Angie com o coração em pedaços.
– Eu também te amo!
POVS ANGIE.
Ouvir a voz da Vilu antes de partir foi essencial para encarar de vez minha nova realidade. Não notei rancor na voz dela, mas sim um tom de saudades. Tudo que mais desejava era que a Violetta não ficasse magoada comigo, imaginando que eu preferi escolher entre minha carreira à ela. Mas senti que ela estava em paz, mesmo ainda não entendendo toda essa história, senti dentro do meu coração que ela tinha esperanças de me reencontrar, de vivermos novamente juntas.
XXX
A chegada de Angie em Madrid foi tranquila. Apesar de tudo que aconteceu, sua primeira semana naquele pais não poderia ter sido melhor, ela ficou totalmente encantada com seu novo trabalho, continuava a dar aulas de canto que era sua especialidade, como também tinha seu lado de compositora que estava sendo moldado e lapidado. Tudo ocorria perfeitamente bem, claro dentro do possível, as marcas ainda falavam muito ao seu interior, a todo momento pensava nas palavras duras que ouviu de Germán, e as que falou precipitadamente. A saudade de Violetta aumentava a cada dia, a vontade de abraça-la era tão forte, que literalmente doía em seu peito.
2 ANOS DEPOIS.
E assim, passava-se o tempo, lentamente, mas as lembranças daquele dia, daqueles meses, dos bons e maus momentos permaneciam na memória tanto de Germán, como na de Angeles. DOIS ANOS se passaram, e assim cada um tentava se ocupar com o que mais apreciava, Angie estava totalmente envolvida com seu trabalho, tornou-se essencial para aquele estúdio de música em Madri, ela era muito valorizada, respeitada e bem quista por todos os seus colegas de trabalho e seus alunos. Depois de algum tempo, acabou conhecendo Estevão, ficaram amigos, e depois namoraram por poucos meses, no início Angie se esforçou para tornar essa relação sólida, tentou ama-lo, mas não podia engana-lo, nem muito menor criar uma ilusão amorosa, na verdade ela não poderia enganar a si própria, mesmo depois de tanto tempo ela ainda imaginava sua vida com Germán, recordava os beijos, os carinhos, os abraços, as palavras doces e tudo que viveu com ele, tudo isso era impossível apagar da memória, porque era ainda tão vivo e tão recente, que várias expectativas foram criadas por ela, todavia não passavam de meras expectativas, pois tudo continuava perfeitamente como estava. Tudo que não aceitava era levar um relacionamento adiante, sabendo que nada mudaria sua realidade sentimental, foi quando ela resolveu colocar um fim no relacionamento.
A falta que sentia de Violetta já não doía mais como antes, aquilo acabou se tornando um ferida aberta, uma saudade sem tamanho, sem medida, sem explicação. Em todo esse tempo, falava com Violetta pelo telefone, claro na maioria das vezes com a supervisão do pai, o que dificultava uma conversa íntima, também recebeu algumas fotos dela, estava cada vez mais linda e crescia rapidamente, mas continuava com os lindos olhos de menina, Violetta poderia ter qualquer idade que sempre será sua considerada sua pequena. Com Germán teve pouquíssimo contato, praticamente quase nada, não sabia se estava namorando ou solteiro, se estava apaixonado ou não. E assim levava a vida, com incertezas, com saudades, com um buraco em seu coração que nada completava, mas que nunca havia tirado o seu sorriso do rosto, o que era de fato sua característica mais predominante.
Germán, continuava como arquiteto, com a carreira promissora e estável. No quesito relacionamento amoroso era cada vez mais uma decadência. Seus “namoros” duravam no máximo 15 ou 20 dias, nenhuma mulher era boa o suficiente ou não era a mulher ideal ou não gostava da forma que pensava, sempre havia uma desculpa para não se envolver com ninguém, porque tudo isso se explicava de forma simples, apesar da mágoa que sentia e do ressentimento de ter sido enganado, seu coração ainda a amava Angeles, e cada minuto que passou ao seu lado era relembrado de forma ainda apaixonada e intensa.
Violetta, com certeza foi a que mais sofreu com toda essa separação, porque ambos sabiam de tudo que os envolvia, porém ela não tinha a mínima noção de toda a história que a cercava. Mesmo continuando no estúdio com seus amigos e professoras, se acostumar longe de Angie não foi nada fácil, ela passou por várias outras professoras mas Vilu não aceitava nenhuma outra, o que fez Germán de uma forma ou de outra coloca-la em uma escola particular de renome.
Dessa forma, os três foram vivendo, cada um com sua particularidade, com sua dor, com a saudade e sua forma peculiar de “esquecer” as feridas, mas ligados intimamente por um sentimento que não poderia mudar jamais, o amor.
XXX
POVS ANGIE.
Não seria nada fácil depois de dois anos voltar a Buenos Aires, eu sei que era tudo que eu sempre desejei, mas um sentimento de impotência está dentro de mim, incertezas e dúvidas me cercam a todo instante. Eu estava muito bem em Madri, mas era hora de voltar, o estúdio me chamou mais uma vez com uma proposta ótima, no entanto o que me trouxe de volta para casa não foi apenas uma nova oportunidade e sim a vontade absurda de rever a minha menina e claro o pai dela. Eu sei que as coisas não estão como antes. Será que Germán está com alguém? Como será o nosso primeiro encontro depois de dois anos? Como a Violetta deve estar? Será que continua a mesma? Será que cresceu muito? De uma coisa eu sei, perdi muita coisa da vida dela, e sei também que não estive ao seu lado nos momentos difíceis, será que ela já se apaixonou? Afinal, ela já não é mais uma criança, é uma adolescente e como está sendo tudo isso com o pai dela? Não quero imaginar a minha filha sofrendo por coisas que o Germán não faz noção de como resolver, principalmente nessa idade em que tudo é tão intenso e delicado.
Faltava 15 minutos para o sinal bater, Angie estava em frente ao Colégio de Violetta já era hora da saída e ela esperava ansiosamente para reencontra-la. Estava entre algumas árvores que davam de frente a saída principal, ao mesmo tempo que mantinha seus olhos naquele portão, também observava se alguém esperava pela menina, provavelmente Germán que deveria busca-la todos os dias. Os segundos passavam como minutos, e os minutos como horas, a todo instante olhava no relógio, andava de um lado para o outro, até pensou em desistir e tentar se aproximar de outra forma, mas no momento em que pisou no pais, sabia que a primeira coisa a ser feita, era procurar sua menina. Angie estava mais loira do que dois anos atrás, tinhas os cabelos grandes e ondulados, vestia uma calça preta, uma blusa branca com uma jaquete jeans com botas cano baixo, estava linda e ao mesmo tempo natural e despojada.
Assim que escutou o sinal tocar alto, sabia que o que a distanciava de sua menina era apenas alguns minutos ou segundos. Ficava imaginando a todo instante como ela estaria, mas uma coisa era certa, sabia que a reconheceria em qualquer lugar, até mesmo ali no meio de tantas meninas da mesma idade. Vários adolescentes iam saindo devagar conversando uns com os outros, ela olhava para todos os lados a procurando, e assim aumentava o fluxo de alunos, escutava vozes e gargalhadas de várias garotas e garotos, mas nenhuma era de Violetta. Depois de alguns minutos imaginou que talvez não fosse aquele colégio ou que Vilu já havia saído e ela não tinha percebido, pensou milhares de coisas, mas entre os últimos alunos saia uma menina não muito alta, nem muito baixa, magra, com os cabelos amarrados de lado um pouco desfiados, com ondas naturais e com algumas mechas em tom cobre. Ela estava vestida com o uniforme, uma saia um pouco acima dos joelhos na cor azul marinho, uma blusa básica branca e um casaco azul marinho estampado o emblema da escola, uma meia branca que ia até abaixo do joelho e uma sapatilha preta, como percebera era a roupa padrão da escola. Ela tinha certeza que era Violetta, que vinha com uma amiga conversando e ao mesmo tempo foleando uma revista que estava na mão, ela ria enquanto mostrava algo para sua amiga e cada vez ia se aproximando dos arvoredos.
Violetta olhou para todos os lados procurando o carro de seu pai, porém não avistou, sabia que havia se atrasado como era de costume, ela deu mais uma olhada para se certificar, porém seus olhos fitaram uma moça loira que estava parada em frente as árvores, no primeiro instante ela olhou rapidamente ainda conversando com sua colega, mas logo viu de quem realmente se tratava, seus olhos permaneceram congelados nela, sua amiga continuava falando mas ela não prestava atenção em absolutamente nada, rapidamente ela saiu e acelerou os passos até lá, seu sorriso naturalmente já estava estampado em seu rosto, e seus olhos já haviam lágrimas o suficiente. Angie a olhava com tanta ternura e amor, seu rosto já escorriam poucas lágrimas, seu coração acelerado. Violetta ao se aproximar correu ao seu encontro ela também já estava tomada pela emoção.
– ANGIE!!- Disse ela com voz trêmula, o coração batendo forte e uma saudade sem explicação. Vilu Correu em sua direção e foi recebida com os braços abertos.
Foi o abraço mais perfeito do mundo, elas não precisavam dizer nada apenas sentirem uma a outra, sentirem seus corações tão próximos. Angie olhava para o céu, como se estivesse agradecendo por aquele momento tão lindo. Ficaram ali abraçadas como se não existisse mais ninguém por perto.
– Você voltou! – Disse Violetta que não se continha de tanta felicidade. Ela chorava, mas eram lágrimas de alegria, de esperança, de realização.
– Voltei meu amor! Voltei por você! – Respondeu Angie, que também chorava de alegria. Elas desfizeram o abraço, Angie segurava o rosto da menina, olhava para ela e sorria. Violetta segurava em seus ombros. – Você está tão... tão grande, diferente! Mas ainda continua a mesma menininha linda! – Angie beijava seu rosto e voltava a abraça-la.
– O papai... – Violetta desviou o olhar para a rua e fechou a expressão – O papai tá chegando, aquele é o carro dele! – Ela apontou. Angie olhou rapidamente.
– Não quero que ele me veja aqui! – respondeu Angie um pouco aflita.
– A gente pode se ver mais tarde? – Perguntou Vilu, sem conseguir tirar os olhos do carro.
– Claro, naquela praça perto da sua casa, as 16h? – Respondeu Angie rapidamente.
– Perfeito! Agora preciso ir... – Vilu deu um sorriso e pegou na mão de Angie, antes de acelerar o passo e ir ao encontro do carro.
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