The Reason
5 Capítulo 05 - Um momento
Notas iniciais
POV’S ANGIE
Três meses haviam se passado desde que entrei na mansão. Tudo ocorria perfeitamente bem,. Violetta está cada vez mais apegada a mim, se é possível ficar mais apegada. Ela é a menina mais incrível do mundo, seu olhar, seu sorriso me dão forças para continuar todos os dias. Germán nunca havia desconfiado de quem eu realmente era, pra dizer a verdade tinha horas que o odiava, principalmente quando privava a Vilu de cantar, mas confesso que esse homem mexia comigo, de uma forma que não sei explicar, tudo que havia nele me conectava a coisas que nunca havia sentido.
Angie e Violetta, passeavam pelas ruas de mãos dadas, riam e se divertiam, até que passaram em frente ao Estúdio On Beat, Angie acelerou o passo mas algo despertou o interesse na menina.
– Que lugar é aquele todo colorido?
– Ahnn, acho que é uma escola – Disse ela acelerando mais ainda o passo quando de repente foi abordada por duas meninas, Francesca e Camila.
– Oii Angie – Disse uma delas – Tudo bem?
– Olá meninas –Disse Angie sem saber o que fazer.
– Você não vai acreditar Angie, aquele exercício que você deu pra gente fazer na última aula eu adorei – Disse Francesca.
– Exercício? – Perguntou Violetta olhando para Angie.
– É... Vilu... Eu – Angie tentava inventar algo.
– Quem é ela Angie? – Perguntou Camila
– Ela se chama Violetta, e estamos atrasadas, desculpa meninas – Disse Angie puxando o braço de Violetta, que fazia mil e umas perguntas.
– PARAAAA! – Gritou Violetta séria. Angie se assustou– Dá pra responder o que te perguntei? Quem são elas? Que exercício que elas estavam falando?
– Vilu, eu já fui professora delas e... – Angie estava super nervosa, e foi interrompida.
– Já foi? Pelo jeito que aquela menina falou “última aula” não parece que foi a tanto tempo assim – Violetta estava brava olhando para Angie.
Angie sentiu que era hora de contar uma das verdades para Violetta, sobre o Estúdio. Ela olhou aqueles olhinhos curiosos, e admirou por um momento. Ela era linda mesmo com raiva.
– Vilu, preciso te contar algo, mas primeiro você tem que me prometer que não vai dizer nada a ninguém, principalmente para seu pai – Angie puxou a menina até o banco da praça, e sentou –se com ela lá.
– Prometo Angie, nós somos amigas, e boas amigas guardam segredos
Angie sorriu e por um momento pensou ‘Ah se ela soubesse que somos muito mais do que boas amigas’. – Querida, além de sua professora, eu dou aula naquele lugar que você perguntou o que era. Lá é um estúdio de música, onde os alunas aprendem a cantar, a tocar instrumentos. E eu sou a professora de canto, e aquelas meninas são minhas alunas.
–Isso é sério o que você tá me falando? – A menina estava espantada.
– Sim, é sério... por isso que sempre elogio a sua voz, porque desde o primeiro dia eu vi que você tem uma voz linda – Ela admirava a pequenina.
– Mas porque nunca me falou que era professora nesse Estúdio? Porque não me disse a verdade?
– Vilu, eu só omiti, como seu pai não gosta que você canta, resolvi guardar esse segredo. – Dizia Angie alisando seu rosto.
– E como eu faço para ser aluna lá? – A menina soltou um ar de que estava tramando algo.
– Não Violetta, você não pode – Angie a repreendeu.
– Nunca posso nada! – Ela reclamou – Qual o problema? Você já me da aulas, não vai ser diferente se me der aulas de canto... e além do mais não vou estar fazendo nada de errado.
– E seu pai? – Perguntou Angie
– A gente dá um jeito, ele não precisa saber – Ela deu uma risada.
– É sua terrível... é errado Vilu – Respondeu Angie
– Como que eu faço para entrar lá? – Ela insistia
– Você tem que fazer várias provas... de canto, de dança... e por falar nisso já está se aproximando a data.
– Por favor Angie me traz no dia – Ela começou alisar o rosto de Angie – Por favor... – Fez cara de choro.
– Tá tudo bem! Eu te trago... – Angie a puxou e a encheu de beijos – O que não faço por você, para ver esse rostinho lindo sorrindo!
XXX
Era sábado à noite, já haviam jantado e Violetta estava em seu quarto um tanto quanto desanimada, sentada em sua cama. Angie entrou no quarto e logo percebeu o semblante da menina.
– Ué o que minha princesa tem? – Angie foi até ela e acariciou seu rosto. E logo sentiu que ela estava um pouquinho quente. – Vilu me parece que você está com uma pequena febre – dizia ela passando a mão pelo corpo da menina – Está se sentindo mal?
– Não, apenas cansada – Disse Violetta ficando de pé.
Angie a pegou no colo. Vilu, já era um tanto pesada, e já grandinha para estar no colo, mas Angie não se importava com isso, a segurava no colo, assim a menina cruzou suas pernas em sua cintura e deitou em seu ombro. Germán, entrou no quarto e sorriu ao ver a cena.
– No meu colo você não fica não é mocinha – Disse ele admirando sua filha
– Germán, acho que a Violetta está com um pouco de febre – Germán se aproximou e acariciou o rosto da filha.
– É, ela tá quente sim – Respondeu ele enquanto beijava a menina ainda deitada no ombro de Angie. – Vou pegar o antitérmico dela.
Angie a deitou em sua cama, cobrindo –a. German chegou com o remédio, e deu para Violetta, logo ela fechou os olhos e depois de alguns minutos pegou no sono. Germán e Angie saíram do quarto lentamente. Quando Angie ia descer as escadas, ele segurou no braço dela.
– Obrigado por tudo que faz pela minha filha.
Ela o encarou, estavam muito próximos um do outro. Ela rapidamente pensou ‘eu faço pela minha filha!’ – Eu amo a Violetta, faço isso por amor. Bom... eu ia embora pra casa, como amanhã é meu dia de folga, mas vou ficar por aqui caso ela piorar... nunca se sabe né?
– Não quero que desmarque seus compromissos, eu posso cuidar disso – Respondeu ele ainda próximo a ela.
Ela o olhou nos olhos, aquela situação estava a incomodando – Não tenho compromissos, não se preocupe – disse ela, indo descer as escadas.
– Já que vai ficar aqui, a Olga saiu e o Ramalho também, estou sem sono, que tal se tomássemos um vinho como aquele dia? – Ele deu um sorriso lindo.
– Sim claro, eu também não estou com sono – Ela respondeu sem jeito.
Eles desceram e foram até a sala de TV. Germán colocou um DVD de Frank Sinatra, abriu uma garrafa de vinho e despejou em duas taças. Entregou uma para Angie que estava sentada no sofá e sentou ao lado dela.
– Hoje nosso brinde é a...?- Ele arqueou as sobrancelhas como se estivesse fazendo uma pergunta.
– A Violetta, que amanhã esteja tudo bem – Ela respondeu levantando a taça.
– Claro, a Violetta, essa menina que dá sentido à minha vida – Ele respondeu sorrindo – Brindaram e deram algumas galadas no vinho.
– Gosta de Frank Sinatra, Angie? – Ele perguntou
– Ah, ele é um artista incrível, seu timbre de voz única, e além do mais deixou um legado na música, e principalmente com a música "New York, New York". Germán a olhava abismado.
– Nossa, Angie.. eu não sabia que você entendia de música – Ele deu um sorriso
– Ah, um pouco... – Ela tentava disfarçar – Quais são seus cantores favoritos?- Ela perguntou para esquecer do assunto.
– Tenho vários... Beatles, Pink Floyd... Frank Sinatra.
Assim eles ficaram por um longo tempo, conversando e se conhecendo mais. Já era tarde e estavam um pouco “alegres” demais por conta do vinho.
– Nossa! Preciso parar, essa é minha quarta taça de vinho, não sou acostumada a beber – Disse Angie sorrindo.
– Mas já? Confesso que já passei da minha quarta taça há algum tempo. Mas para que pressa? Já vimos que a Vilu está bem, a febre já abaixou.
– É que na verdade já estou um pouco tonta – Respondeu ela colocando a mão na cabeça.
– Mas você não está no seu expediente, já é domingo e é seu dia de folga não é? – Concluiu ele com a cabeça.
– É verdade – ela sorriu
– Então, vamos lá... só mais uma taça... a saideira – Disse ele, despejando mais vinho em ambas as taças.
– Claro, só mais uma para piorar de vez a minha situação – Ambos deram uma risada.
– Mas me conta Angie, quem foi seu último namorado? – Perguntou ele a olhando
– Hum... ele se chama Gabriel, era músico, namoramos por 8 meses, só que o relacionamento esfriou e ele foi contratado para trabalhar fora, ai resolvemos que o melhor era terminar mesmo. Foi assim... – Disse ela naturalmente.
– E não tiveram nenhuma recaída? – ele fez uma cara desconfiada
– Não mesmo – Ela sorriu – Não o vi mais.
– E como foi sua primeira vez? – Disse ele dando uma golada no vinho.
– Nossa! O que é isso? Uma entrevista? – Ela deu uma risada sem timidez nenhuma – Bom, eu tinha quase 20 anos, foi com um rapaz que eu estava ficando, ele me levou até o iate dele, e ficamos velejando perto do cais, e lá aconteceu. – Ela disse como se estivesse recordando do momento.
– Uau! Rapaz esperto esse, usou até iate – ele deu uma risada.
– Mas agora me fala você, como foi sua primeira vez? – Perguntou ela com um sorriso malicioso no rosto.
– Foi num acampamento. Estava com alguns amigos, eu tinha 16 anos, e perto de nossa barraca tinha uma outra turma de jovens, e lá tinha uma moça com uns 22 anos. Daí nos conhecemos e fomos até o lago e lá rolou.
– E foi bom? – perguntou ela.
– Ah, acho que foi... – Ambos deram uma risada – Para um moleque de 16 anos acho que foi sim. Mas hoje não gosto de sexo casual, não gosto de me envolver com uma pessoa apenas para uma aventura, e aventuras acabam rapidamente. Gosto de estar com uma pessoa que tenho um sentimento, claro além da atração física, gosto de saber que depois pode continuar. Não digo que nunca me envolvi em aventuras, mas já aconteceu.
Angie estava impressionada com aquele homem, ele mostrava um lado desconhecido, um lado que ela nunca imaginaria conhecer, mostrava seu lado vulnerável, transparente, sensível, na verdade era muito diferente do homem que ela sempre imaginou. Ele não era rude e muito menos egocêntrico, mostrava que ali batia um coração.
– Nossa! Que galã! – respondeu ela sorrindo – Talvez seja difícil para você ter tido aventuras, com uma filha sozinha para cuidar.
Ele concordou com a cabeça – Era mais fácil demonstrar ser um homem bem sucedido e solteiro do que um viúvo que cuidava sozinho de uma menina, acho que as mulheres se assustavam com esse fato, por isso que nunca trouxe alguém oficialmente aqui em casa, porque não queria que a Violetta se apegasse ou criasse ilusões, se depois tudo poderia acabar rapidamente.
– Você está certo, primeiramente a Violetta. Bom Germán, agora preciso ir. Confesso que vou ter que dormir aqui e amanhã sair cedo, porque nas condições que eu estou agora não sei se chegaria em casa – Eles deram uma risada.
Ela se levantou e colocou a taça de vinho na mesa, quando foi dar o primeiro passo, ela ficou tonta, e ele rapidamente se levantou e a segurou pela cintura evitando dela cair. Os dois se olharam profundamente naquela hora algo muito forte os conectaram de forma que não conseguiam reagir, era possível sentir a respiração um do outro. Germán, olhou para boca dela, e depois novamente para seus olhos, e assim ele lentamente colou sua boca na dela, e lentamente iniciaram um beijo. Faziam pequenos movimentos, e suas línguas se entrelaçavam muito devagar, era possível apenas ouvir o pequeno som das salivas se encontrando. Eles pararam se olharam novamente, e em questão de segundos, ele entrelaçou suas mãos em sua cintura e a puxou para mais perto dele, ela colocou mão em sua nuca e a outra em um de seus braços, e assim voltaram a se beijar, dessa vez com mais intensidade e em movimentos mais rápidos. Ele foi caminhando com ela lentamente até a parede, a encostou e se beijavam a todo instante. Quando Angie se deu conta do que realmente estava acontecendo ela colocou a mão em seu peitoral, o afastando.
– Não Germán, não podemos! –Ela saiu de frente dele, colocando a mão na boca.
– Porque não? Se estava tão bom ... – Ele sorriu e a puxou pelo braço, fazendo ficarem colados novamente.
– Germán... eu sou... a governanta da Violetta, não vamos confundir as coisas – Ela disse tentando se afastar.
– O que isso tem? A Violetta te adora – Disse ele tentando se aproximar dela
– Não podemos aproveitar a situação, só porque bebemos demais. Por favor eu preciso sair – Disse ela saindo rápido da sala.
Ele entrou rapidamente em seu quarto, trancando a porta, ela apoiou suas costas atrás da porta e desatou a chorar.
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