The Queen - Interativa
13 Thirteen
Notas iniciais
Illíane
A chance de entrarem no quarto de Isabelle naquela tarde foi frustrada. Duas de suas criadas estiveram lá dentro durante todo o dia costurando um lindo vestido para presenteá-la assim que deixasse a enfermaria. Daiana, parecendo farejar algum tipo de encrenca, fez marcação cerrada no Salão das Mulheres e impediu qualquer uma de ficar passeando pelo castelo. Will as agraciou com sua presença durante um longo jantar, o que atrasou ainda mais os planos das três garotas.
Era quase meia noite quanto o grupo sorrateiro finalmente teve tempo para se reunir sem levantar suspeitas.
— Os guardas realmente estão parecendo cães de guarda no corredor. Passam a cada dois minutos, sempre em dupla, como se estivessem esperando um ataque a qualquer momento. – Renesmee comentou, enquanto as duas acomodavam-se em seu quarto.
— Ordens do rei, ao que parece. Daiana só faltou nos acompanhar até o banheiro e garantir que os sanitários estavam seguros. – Leah riu.
— Então, alguma ideia de como passaremos pelo corredor até o quarto da Isabelle sem que os guardas nos vejam e sem levantar suspeitas? – Madeline perguntou.
— Nós precisamos de uma distração.
— Qualquer mínimo barulho irá acordar o castelo inteiro! Têm pelo menos vinte guardas rondando esta ala, prontos para atirarem em tudo aquilo que se mover. Se a Daiana ao menos sonhar que nós estávamos fora dos nossos quartos quando ela disse especificamente para não fazermos, assinaremos nossa sentença de morte.
— Mas vocês já estão aqui, então não tem mais volta. Vamos apenas seguir o básico. Eu já vi o padrão da ronda. A cada dois minutos, dois guardas. O que precisamos fazer é sair assim que uma dupla cruzar o fim do corredor e colocar a fúria dos deuses em nossas costas para alcançarmos o quarto dela antes que alguém nos pegue. – Renesmee concluiu.
— E as criadas? – Mad questionou, preocupada.
— Vamos contar com a sorte.
As três partiram então para parte mais complicada do plano. Marcar exatamente o tempo que teriam e depois executá-lo com perfeição. Como não podiam abrir a porta do quarto ou chamariam a atenção dos guardas, colaram seus ouvidos à porta para ouvir quando os mesmos passariam. Esperaram por quatro rondas seguidas, garantindo que Renesmee estava certa até na quinta vez decidirem que era hora de sair.
Assim que mais uma dupla de guardas atravessou o corredor, Leah abriu a porta do quarto e espiou do lado de fora. Os guardas estavam apenas alguns passos do corredor que levava para fora daquela ala e era a hora de agirem. Saíram silenciosamente do lugar, descalças para não haverem barulhos de sapatos e correram como se tivessem estado frente a frente com uma Daiana enfurecida. Assim que chegaram à frente da porta de Isabelle, ouviram outra dupla de guardas surgindo no início do corredor e jogaram-se para dentro do quarto. Felizmente para elas, eles não pareceram notar qualquer coisa errada e seguiram seu caminho.
— Uau, isso é que significa ver a vida passar diante dos seus olhos. – Leah disse, ofegando. – Já podia ver a Daiana amolando a faca de corte para fazer picadinho com nossa carne. E servindo no jantar.
— Esse não é exatamente o momento de nos fazer rir, Leah. – Mad disse, segurando o riso. – Precisamos ser silenciosas.
— Ok. Vamos procurar pistas garotas. Ou nossa pequena fuga não terá valido de nada. – Renesmee disse, levantando-se do chão.
— Vocês realmente podem ficar em problemas se forem encontradas aqui.
As três se viraram a tempo de verem Angelina atravessar a porta e fechá-la o mais silenciosamente possível, enquanto fazia uma careta.
— Há realmente uma ótima explicação para tudo isso.
— Deixe-me adivinhar? Estão tentando descobrir quem foi que atacou a Isabelle? – Angel cruzou os braços, esperando por uma resposta que não veio. – Eu sabia! No momento em que as três não voltaram imediatamente para o Salão das Mulheres depois de a visitarmos. E antes de vocês, a Caitlin chegou bem nervosa. Vocês só podiam estar aprontando.
— Bem, você sabe que estamos aprontando e que se alguém descobrir estaremos realmente encrencadas. Então, o que você está fazendo aqui? Não acho que iria se arriscar apenas para nos pegar em flagrante. – Leah questionou.
— Às vezes eu simplesmente não posso ignorar minha curiosidade. – Ela deu de ombros. – A Lílian também estava intrigada com o comportamento de vocês e nós duas as observamos. Ela estava no meu quarto agora a pouco e viria comigo, mas antes que pudesse chegar aqui, teve que entrar em seu quarto antes que os guardas nos pegassem.
— Ótimo trabalho de dedução, eu já disse. Mas e aí?
— Bem, é óbvio que queremos fazer parte de seja lá qual for a investigação que estão fazendo. Simplesmente não dá para ignorar o que aconteceu e fingir que está tudo bem.
— Vocês duas sabem que se formos descobertas estaremos completamente ferradas, não é? – Madeline esperou pela confirmação.
— Esse será o menor dos nossos problemas, mas vamos assumir o risco. Não queremos ter nossas gargantas cortadas durante a noite por um louco qualquer.
— Eu diria que está mais para louca...
— Leah, ainda não temos certeza. – Renesmee lembrou. – Precisamos de provas para apontar alguém de dentro da competição.
— Alguém dentro da competição? Vocês acham que foi uma das meninas?
— Uma pessoa que simplesmente dilacerou o pescoço da Isabelle sem o menor cuidado? Poupe-me. Se a pessoa que fez isso estivesse mesmo disposta a mata-la, teria apunhalado o coração e não tentado ferir sua beleza.
— Por algum motivo louco, essa ideia tem fundamento. – Angelina concordou.
— Mas para sabermos se isso é real ou não precisamos de provas e tudo que estamos fazendo é perder tempo. Vamos nos calar e procurar.
Como se tomassem um choque, as quatro garotas imediatamente começaram a procurar qualquer vestígio de que alguém além de Isabelle e suas criadas haviam habitado aquele quarto na noite anterior. Vasculharam a cama, o carpete e todos os mínimos lugares que puderam avistar a olho nu. Nada. Parecia que o quarto estava intacto. Impecavelmente limpo. E após meia hora naquela busca, elas finalmente admiram que talvez o agressor tenha sido muito cuidadoso ao entrar, mas suficientemente descuidado para não cumprir seu objetivo.
— É oficial, não há nada aqui. – Mad disse, cessando a busca. – As criadas já devem ter limpado o quarto e se livrado mesmo que sem querer de qualquer pista que pudesse incriminar quem quer que tenha feito isso.
— E como não podemos simplesmente pergunta-las se viram ou encontraram algo estranho aqui dentro sem levantar suspeitas, estamos em um beco sem saída. – Renesmee bufou inconformada.
— E se nós...
Leah interrompeu-se ao ver a maçaneta da porta girar duas vezes e a figura de um homem entrar no quarto meio iluminado. Todas sentiram um medo aterrorizante tomar conta de seus corpos até finalmente a pouca luz ali dentro revelar quem era.
Alec.
— Ora, ora, as meninas estão tendo alguma diversão fora da cama esta noite, hein? Deixe-me adivinhar? Clube do pijama? Rebeldes da meia noite? Selecionadas encrencadas? – Ele perguntou sorrindo divertidamente.
— Não é o que está pensando! E mesmo que esteja pensando que sabe o que está acontecendo, não é isso! Nós podemos explicar tudo! – Angel atrapalhou-se, tentando explicar o motivo de estarem ali.
— Acho que estou entendendo muito bem.
— Com certeza não...
Alec apenas olhava divertido para as garotas, enquanto Angelina continuava a negar.
— Você não deve estar...
— Angel, eu acho que ele já entendeu e não acreditou que estamos aqui por mera coincidência, então vamos voltar ao assunto principal. O que estamos fazendo aqui. Bem, é o que parece. Estamos procurando. – Leah deu de ombros.
— Procurando exatamente o que, posso saber? Ou também não é o que estou pensando?
— Queremos saber quem atacou a Isabelle e por isso escapamos na calada da noite, driblando os guardas que deveriam ser mais atentos, só para constar e estamos aqui.
— Você faz parecer simples. – Alec riu. – Devem realmente gostar daquela garota ou não teriam arriscado seus pescoços para investigar isso.
— Não se trata apenas dela, mas também dos nossos próprios pescoços. É óbvio que alguém quer nos tirar da jogada e pelo bem de todos, é melhor que alguém descubra logo antes que uma das quinze ganhe um bilhete só de ida para além do que a vida conhece.
— Vai nos entregar? – Madeline perguntou.
— Eu poderia me divertir bastante com a fúria da minha querida e amada Daiana, mas estou realmente de muito bom humor hoje. Então talvez isso possa ficar apenas entre nós. Sei que vocês não vão me decepcionar e irão guardar nosso segredinho. – Ele piscou para elas.
— Não faça parecer que acabamos de cometer um crime e você é a única testemunha, por favor.
— Vocês, garotas, realmente deixam minhas noites muito mais interessantes.
Alec virou-se um momento para abrir a porta e espiar o corredor, antes de voltar sua atenção novamente para as garotas.
— Eu vou distrair nossos amigos lá fora e terão alguns poucos minutos para saírem voando daqui de volta para seus quartos, ok? Nenhum de nós quer sentir a fúria do rei sobre nossas cabeças, ainda mais pela situação pouco típica em que nos encontramos. Quatro garotas e um cara dentro de um quarto alheio. Não pareceria muito bom.
— Você realmente precisava fazer uma piada sobre isso. – Leah revirou os olhos.
— O que posso fazer? Sou assim por natureza, baby.
— Apenas vá logo e assim poderemos todos sair daqui.
— É para já!
Ele foi em direção à porta novamente, porém antes de abri-la, Renesmee fez uma pergunta que até então não havia passado pela cabeça de nenhuma delas.
— Espera! Afinal, como sabia que nós estávamos aqui? Os quartos da família real ficam praticamente do outro lado do castelo, bem longe daqui.
Ele voltou-se para elas, outra vez.
— Digamos apenas que aprecio caminhadas noturnas e tenho bons ouvidos. Ótimos, na verdade. Posso sentir o cheiro de encrenca há milhas de distância. Talvez por isso seja o irmão divertido.
Deixando mais uma de suas piscadelas para as garotas, ele abriu a porta do quarto e saiu. Levou apenas alguns segundos antes que ouvissem os guardas falando com ele e finalmente caminharem para longe dali, dando tempo suficiente para quase todas deixarem o local e correrem de volta para os seus quartos. Exceto por Madeline que ficara um pouco para trás.
Havia algo incrível sobre olhar para um lugar com atenção e depois observá-lo em busca de nada em particular. Foi assim que ela finalmente conseguiu enxergar algo preso de uma das gavetas inferiores de um pequeno criado mudo ao lado da cama. Aquilo talvez fosse apenas uma coisa qualquer, mas também poderia ser exatamente aquilo que procuravam.
Guardou a descoberta bem firme em suas mãos e ultrapassou o corredor rapidamente, de volta ao seu quarto. No dia seguinte, assim que tivesse algum tempo iria mostrar as outras três aquilo que havia encontrado. E enquanto isso se ocuparia em lembrar-se onde já vira algo parecido.
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