Notas iniciais
Perdão pela demora, mas estive completamente sem tempo. Tive que me mudar e isso provocou um caos no meu tempo para escrever. Espero que o capítulo as compense por isso. Nos vemos nas notas finais.

Illíane

Willah entrou no Salão das Mulheres, sendo acompanhada por sua criada, Carrie. Podia ouvir o som das vozes de todas as garotas, que acabavam de retornar do passeio pelo castelo e agora se encontravam por ali. Tentou ser sutil ao entrar, porém logo tudo que ouvia era o silêncio. Abriu um sorriso brilhante e suspirou.

— Não parem por minha causa, meninas. Estou aqui para passar algum tempo com vocês. Afinal, uma entre vocês será minha cunhadas em alguns meses.

— Vai ser ótimo tê-la aqui. – Isabelle disse contente, indo em direção a princesa e guiando-a para um dos sofás do local.

— Então, quero saber um pouco sobre cada uma. Vai ser meio difícil no começo gravar seus nomes, mas não vou demorar a conseguir.

— Não será problema algum. – Sierra garantiu.

— E por favor, isso é o mais importante, não me tratem como uma bonequinha de porcelana só por que não posso enxergar. As pessoas geralmente acreditam que precisam me tratar diferente por conta disso, mas na verdade isso apenas me deixa chateada. – Willah pediu.

— Eu não vejo o por que, você é uma garota como qualquer uma de nós. – Leah deu de ombros.

— Agradeço por compreender. Agora, vamos a parte divertida. Me contem um pouco sobre vocês. Podemos começar com... Nicolle?

— Oh, é claro. – Nicolle aproximou-se. – Bem, não há muito o que contar sobre mim. Fui criada pela minha avó, Clementina, já que meus pais morreram logo depois do meu nascimento. Sempre adorei o mundo das passarelas e recebi muito incentivo da minha avó para entrar no meio. Comecei a modelar com dez anos. Me inscrevi na Seleção, pois foi o último pedido do meu pai antes de falecer.

— Isso é muito nobre, Nicolle. Eu sei como é difícil perder alguém que ama, mas o tempo é o melhor remédio para curar feridas do coração.

— Acho que sim. – A garota sorriu, timidamente.

— Bem, continuem. Quem será a próxima?

— Eu não tenho problema algum em falar. – Korine aproximou-se. – Meus pais são atores. Toda minha família é. Fazemos belos espetáculos quase todas as noites em um dos teatros da cidade. Tenho duas irmãs mais novas, que são adoráveis.

— Oh, eu queria tanto ser a irmã mais velha. Meus irmãos são terríveis, não me deixam nem respirar em paz. Mas também são muito atenciosos. Sabiam que todos os dias pela manhã, Will me leva uma rosa? – Alguns suspiros foram ouvidos por todo salão.

— Isso é tão fofo! – Madeline disse, corando logo em seguida.

— Sim, eu também acho e adoro. Ele sempre fez isso, desde que nasci. Mas não vamos focar nas fofuras do meu irmão, por que este não é o objetivo aqui, pelo menos não agora. Foi Madeline quem falou agora, estou correta?

— Sim, princesa.

— Oh, nada de princesa! Muito menos alteza. Me chamem de Willah ou até mesmo de Willie, como meus irmãos fazem. Nada de formalidades. Assim como espero poder chamá-las por seus nomes e não por selecionadas.

— É claro. Bem, o que posso dizer? Estou terminando meu curso de medicina. Sou completamente apaixonada por está perspectiva de salvar vidas, cuidar das pessoas, de crianças. – Mad contou.

— E como chegou até aqui? Digo, esperava ser escolhida?

— Sinceramente, não. Minha mãe, Elise, e minha irmã, Queen, é quem me inscreveram para participar. Eu nunca pensei que poderia ser escolhida, mas fui. Preciso confessar que não gostei da ideia de pausar meu curso que é muito importante para mim, mas quero retirar o melhor desta experiência, tirando muitas lições. E se não chegar a final, voltarei para meu curso e tentarei fazer o melhor cuidando das pessoas que necessitam, apenas como uma médica e não sua próxima rainha.

— Obrigado por sua sinceridade, Madeline. Eu gosto de saber que vocês tinham perspectivas anteriores e que não as abandonaram por apenas uma coroa. – Willah sorriu. – Então, quem quer ser a próxima?

— Bom, acho que posso falar um pouco sobre mim. – Sierra prontificou-se. – Sou uma socióloga. Leciono já a algum tempo e meus alunos foram quem me inscreveram na Seleção. – Ela riu. – Apesar de ser 3, meus pais começaram em castas mais baixas. Meu pai trabalha na Guarda Real e minha mãe é advogada. Eles sempre me ensinaram a dar valor a tudo que tenho, por que é com esforço que mudamos as nossas vidas e precisamos valorizar o trabalho duro... Particularmente, sou muito desastrada! Geralmente causo um desastre por onde passo.

A princesa, as selecionadas e até mesmo ela riram da última confissão.

— Oh, eu também sou, em momentos de empolgação. Às vezes fico tão animada que me esqueço totalmente do espaço em meu quarto e termino esbarrando em tudo e rindo como uma louca.

— É ótimo saber que não sou a única.

— Acredite em mim, Sierra, todas nós somos um pouquinho estabanadas naturalmente. Faz parte da nossa graciosidade. – A princesa bateu palmas animada. – Estou adorando isso! Hum, Leah, você pode ser a próxima? Tenho uma certa curiosidade sobre você.

— Que curiosidade? – Leah perguntou.

— Você é diferente, de uma maneira boa. Sinto que você está sendo 100% de si mesma por aqui, algo que muitas pessoas podem condenar, por considerarem uma atitude petulante. Mas eu gosto. Isso me diz que você não vai mudar seus pensamentos e opiniões para agradar a ninguém. Muito menos o meu irmão.

— Você não poderia estar mais correta. – A stylist sorriu. – Eu me orgulho de manter firme minhas opiniões. Se for preciso, serei muito franca em dizer o que penso. Não gosto de rodeios. Eu me inscrevi na Seleção procurando um aventura, algo diferente. Meu objetivo não é ser rainha ou parte da Elite, mas ajudar a melhorar a vida de muitas pessoas que precisam de uma atenção muito maior do que recebem. Se o seu irmão é o homem por quem vou me apaixonar e me casar, isso eu não sei. Não dá para prever algo assim, só esperar e ver o que acontece.

— E era exatamente disso que eu estava falando. Sua franqueza com certeza é algo do que gosto. Espero que saiba usá-la a seu favor, por que as coisas não serão fáceis para todas vocês. Ainda haverá muitos buracos pelo caminho e momentos no qual vão querer jogar tudo para o alto por causa da pressão. Espero que nenhuma de vocês perca a essência de quem realmente são neste caminho. – Willie aconselhou.

— Acho que algumas de nós saberão lidar muito bem com isso. – Mia afirmou.

— Espero que sim. Você pode nos contar um pouco sobre você, Mia?

— É claro que sim! Eu...

Daiana entrou no Salão das Mulheres, interrompendo a fala da garota.

— Desculpe-me atrapalhá-la Alteza, mas o príncipe quer conversar com algumas selecionadas.

— Com quais de nós o príncipe quer conversar? – Jenna questionou.

— Angelina, Caitlin, Isabelle e Lílian, queiram me acompanhar, por favor. As demais podem continuar desfrutando da companhia de Vossa Alteza.

— Outras serão chamadas? – Vanessa manifestou-se, um tanto preocupada.

— Somente se o príncipe William assim desejar. Fiquem tranquilas, é apenas uma conversa como as muitas que ainda terão com seu possível futuro noivo e marido. Vamos meninas!

Daiana deu meia volta e saiu pelas portas duplas do salão, sendo seguida pelas quatro garotas chamadas. Elas caminharam juntas por alguns corredores até estarem de frente para o jardim lateral do castelo. A mulher as fez parar, indo em direção a Will, que estava de costas para as portas que levavam ao jardim. Eles trocaram algumas palavras e ela retornou.

— Angelina, pode ir até lá. As outras podem sentar-se e aguardar. – Apontou para um banco de estofamento beje à esquerda, bem em frente a um quadro do antigo panorama de Illíane.

Angie caminhou até o príncipe, que permanecia de costas para o castelo. Ela parou ao seu lado, sendo notada em seguida.

— Olá Angelina. Como está? O Castelo tem lhe agradado?

— Olá príncipe. Sim, apesar de estar aqui por apenas um dia, tenho me encantado com tudo neste lugar.

— Acho que terei que pedir a todas para me chamarem apenas de Will. Está formalidade pode ser quebrada enquanto estivermos em particular. Ao passo de que não aconselho a fazerem o mesmo em público. Há muitas pessoas que podem não gostar, o que acho uma bobagem. Algumas regras são bastante absurdas.

— Tudo bem. – Ela assentiu.

— Para conhecê-la um pouco melhor, quero fazer algumas perguntas. Se em algum momento não quiser falar, tenha total liberdade em negar-se. Quero que esteja bastante a vontade em responder apenas o que desejar. – Ele disse, recebendo um aceno em concordância. – Você me falou sobre seus irmãos em nossa dança, mas gostaria de saber um pouco mais. O que faz, Angelina? O que gosta, o que costuma fazer?

— Eu sou uma escritora. Adoro escrever histórias dos mais variados gêneros, mas posso dizer que os grandes romances são minha paixão.

— Uma escritora, hein? Talvez você escreva sobre está Seleção. Minha mãe sempre disse que apenas uma garota selecionada sabe as diversas sensações de se estar nesta posição.

— Bem, é realmente desafiador. Não conhecemos a competição ainda e creio que muitas ainda nem começaram a pensar sobre isto. E talvez seja mesmo uma ótima ideia retratar tudo isso em um livro. Seria uma memória eterna do que vivemos e viveremos neste castelo.

— Olha só, acho que lhe dei uma boa ideia. Eu faço algo bom aqui, afinal. – Will brincou, arrancando uma risada de Angie.

— Eu vou realmente cogitar essa possibilidade.

Enquanto os dois conversavam, as outras três esperavam ansiosas no corredor.

— Será que ele vai dispensar alguma de nós? – Caitlin ponderou.

— É apenas o primeiro dia, não acho que haverá uma eliminação tão precoce. – Lílian disse.

— Ele só quer conversar um pouco conosco, para nos conhecer. É algo que eventualmente ele teria que fazer. – Isabelle tranquilizou-a.

— Olhe, a Angelina já está voltando.

— Caitlin é a sua vez. – Angie falou.

— Oh, Deus! – Ela se levantou e seguiu para o jardim.

— Foi tudo bem? – Isa perguntou.

— Sim. O príncipe é muito simpático e quer nos deixar bem a vontade com a sua presença. Nós tivemos uma conversa bem breve, mas muito divertida. Vou voltar ao Salão das Mulheres. Até mais! – Ela acenou e saiu.

No jardim, Will tentava contornar o embaraço de Caitlin, que parecia ficar roxa com cada palavra que ele dizia.

— Caitlin, acho que está um pouco nervosa. Nós podemos ter essa conversa em um momento que se sentir melhor.

— Eu... Ah...

— Não se preocupe com nada. Isto era apenas uma conversa informal para nos conhecermos um pouco, mas pode ser feito em outras oportunidades. Pode voltar ao Salão das Mulheres ou ir até o seu quarto se quiser. Conversaremos mais algumas vezes. – Ele disse, amavelmente.

— Obrigado... – Ela gaguejou, nervosa. – Me desculpe. – E voltou para dentro do castelo. E logo uma outra figura foi até seu encontro.

— Boa tarde! – Isabelle proferiu, sorrindo timidamente.

— Boa tarde, Isabelle. Como está sendo seu dia?

— Muito agradável, obrigado por perguntar. O seu?

— Posso dizer o mesmo. Como tem sido este primeiro dia? Daiana já colocou-as em rédeas curtas? Eu sei como ela pode ser mandona e bastante severa às vezes.

— Ela tem feito seu trabalho, acredito que de forma muito coerente. Só estivemos com ela por duas vezes em um dia, então não posso tirar nenhuma conclusão precisa.

— Não deixe que ela as engane, por baixo de toda aquela pose de durona, é uma manteiga derretida. Até o final da Seleção, vão sentir como se ela fosse uma verdadeira mãe.

— Ela tem cuidado de você e seus irmãos desta forma?

— Sim, e é por isso que tenho tanta certeza do que falo. Logo, logo irão derrubar aquela casca e ver que não passa de uma flor.

— Espero que sim. – Ela sorriu.

Alguns minutos depois, Lílian finalmente viu Isabelle voltar e lhe dizer para ir. Ela respirou fundo e caminhou até o jardim, tendo Will já esperando-a.

— Lílian, como vai? – Ele lhe deu um sorriso genuíno.

— Muito bem, príncipe William.

— Vamos retirar este “príncipe” da frase, ok? Sem formalidades, por favor. Mas agora lhe pergunto, já teve algum tempo para verificar nossa instalação de treino de arco e flecha?

— Ainda não, mas creio que vou verificá-lo em breve. Não posso controlar meu coração arqueiro.

— Oh, eu tenho certeza disso. Mas já sabendo sobre seu lado bióloga, aconselho que permaneça longe de nossa floresta. É um local bem perigoso para qualquer passeio, ainda mais para uma garota apaixonada pela natureza.

— Já esteve na floresta muitas vezes?

— O bastante para conhecer bem seus perigos. Há anos não volto até lá, mesmo que esteja tão perto do castelo. Não trás boas lembranças. Por isso, peço que não se aventure a descobrir seus segredos. Há muito o que se ver por aqui, inclusive a estufa.

— Uma estufa de flores?

— Não apenas, mas uma que contém as mais belas espécies de plantas e flores que nosso país pode oferecer. Desde os vinhedos de Harper até as tulipas de Glaslow.

— Isso pode despertar de modo seguro o meu lado bióloga.

— Eu pensei que apreciaria. Tem toda liberdade de visitar quando quiser. Leve as outras garotas que se interessarem. É um lugar muito bonito e especial.

— Farei isso.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. E que não queiram me lançar a maldição da morte! Espero mais comentários neste, por que algumas meninas sumiram no último capítulo. A segunda parte do bônus do acidente da Willah virá daqui alguns capítulos e vocês poderão ver seu diagnóstico e um pouco da adaptação dela a nova vida. Quero vê-las dando suas opiniões, ok? Até a próxima, minhas selecionadas!