The Queen - Interativa

7 Capítulo VII: A Resposta Transparente e Mesmas Conversas


Notas iniciais
Eu ganhei minha primeira recomendação! Estou tão animada! Obrigada, Ravena!

Quando Leona acordou estava escuro e ela odiava.

A garota passou alguns minutos de baixo de suas cobertas, tentando voltar a dormir e não conseguiu. Sabia que não conseguiria se concentrar em algo, muito menos em seus desenhos ou em seus tsurus, não conseguiria fazer sequer uma linha reta ou uma dobra de papel. Talvez fosse a ansiedade. Leona geralmente não sentia-se nervosa com muitas coisas, mas pela manhã iria conhecer o príncipe de Illéa e, pelo que Senhorita Mary havia dito, ele parecia ser a pessoa mais gentil e maravilhosa do mundo.

A Carlini sentou-se em sua cama, observando a outra garota ao seu lado. Princesa Malaya não conversara muito com ela, apenas algumas conversas graciosas e cortesias, por pura educação. Ela também continuara dormindo, parecendo não ter se mexido a noite toda e estava com os cobertores levantados até seu queixo. A menina de cabelos castanhos-loiros decidiu que não iria incomodar, levantando-se da cama e colocando suas pantufas de peixe-palhaço. A menina pegou sua lanterna e saiu pela porta.

O corredor também estava escuro, o que fez a mesma engolir o seco. Não era uma covarde, realmente não, a última coisa que pensaria quando pensasse em Leona James Carlini era covarde. Mas, quando olhava para o preto do escuro desejava que sua mãe tivesse a ignorado quando implorava para ela deixar o abajur ligado quando era criança. Só iria achar uma empregada ou um guarda, afinal, era quatro e cinqüenta da manhã, elas já deveriam estar acordadas. Só queria um copo de água e talvez alguém com quem conversar. Só isso.

A garota quase gritou de susto quando esbarrou em alguém. Caiu para trás, abafando um grito e sentindo seus olhos queimarem. Heróis não choram, Leona se reprimiu; mas ficou alerta quando ouviu uma voz familiar choramingando, assim como soluços. A Carlini se levantou rapidamente, pegando a lanterna que havia caído para o outro lado e iluminando a pessoa à sua frente. Fez um barulho de horror quando a reconheceu.

– Senhorita Mary?! – Exclamou o mais baixo que conseguiu, aquela era Mary Woodwork, mas não a Mary Woodwork que havia visto na noite passada.

Seu vestido negro, branco e azul estava um pouco rasgado e amassado; havia marcas vermelhas e roxas em seu rosto, partes de seus braços e mãos estavam cortadas e partes de seu cabelo loiro escapava de seu coque apertado e estava manchado de sangue. Sua face estava pálida, mas com vários tons de vermelho e marcas de lágrimas escorrendo por ele. Leona a pegou pelo braço e a encostou na parede.

– Senhorita Mary... O que aconteceu com você? – A Carlini questionou e a Empregada-Chefe mergulhou sua face em suas mãos.

– E-eu es-estava fa-falando co-com as outras em-empregadas pra per-perguntar o que a-as outras Se-selecionadas que-queriam pro ca-café-da-manhã. En-então a Se-senhorita Ka-Katellyne e Me-meryweather di-disseram que que-queriam fa-falar co-comigo so-sobre a di-divisão dos quartos e e-elas di-disseram que que-queriam fa-flar comigo no qua-quarto da Se-senhorita Merywea-weather... – Ela voltou a soluçar naquele momento, seus ombros balançando enquanto ela tremia e silenciosamente em suas próprias mãos. – E-eu so-sou tão es-estúpida... E-eu deveria ter di-dito pa-para ti- Rainha América que i-isso era u-uma péssima idéia... Di-dividir qua-quartos...

– Não, não é, Senhorita Mary. – Leona abraçou a garota que ainda tremia. Sentia raiva borbulhar em seu peito, não era justo. Era como o bullying que acontecia em sua escola, mas não estava lá para ajudar Mary. Não havia a protegido. – Elas é que estavam erradas. Deveríamos falar pra alguém sobre isso... Devíamos falar pro Príncipe Alphonse!

– N-não! O Alphonse não! – Ela exclamou, mais lágrimas caindo por seu rosto e não se importando por ter chamado o príncipe tão informalmente em frente à uma Selecionada. – Por favor, ele não! Podemos falar com a minha mãe! Ela trabalha aqui também!

– Mas... Mary... O Príncipe iria lhe dar razão. – A morena-loira falou, confusa com a reação da garota. Falara tão bem do rapaz, imaginava que concordaria em falar com ele.

– É claro que ele me daria razão. Ele até eliminaria Senhoritas Katellyne e Meryweather. Me daria um mês de folga pago. Pagaria uma viagem pra Irlanda e mandaria o Chefe da Guarda como meu acompanhante. – A loira murmurou amargamente, batendo a cabeça na parede. Era a primeira vez que Leona a ouvira falar naquele tom ou sequer falar sem gaguejar. – Mas eu não quero que ele faça isso.

– Por quê? Isso não faz sentido, Mary. – Discordou calmamente, não queria assustar a empregada obviamente traumatizada e emocionalmente abalada. Afinal, nem chamara mais o príncipe de “sua majestade” ou “príncipe”, o chamara de “Alphonse”.

– Hoje era meu primeiro dia de trabalho como Empregada-Chefe, mas eu não consegui demonstrar nenhuma autoridade. O Alphonse consegue. O Sebastian consegue. Minha mãe também consegue. Em mundo algum iriam conseguir fazer algo do gênero com ela. E eu? Sou espancada no meu primeiro dia. – A Woodwork falou sombriamente, abraçando seus joelhos a seu corpo. Leona não tinha certeza se Sebastian seria o guarda que conhecera na noite passada ou outra pessoa. Também não entendia como ela falava tão livremente do príncipe. – Eu não quero que o Alphonse saiba. Nem o Sebastian. Só minha mãe.

– Do jeito que você fala, eles parecem se importar com você. – Leona falou, se levantando. – Eles têm o direito de saber que você está machucada. Por favor, você precisa contar para o Príncipe Alphonse, Mary.

– Você me chamou de “Mary”. – A Woodwork murmurou, encostando sua cabeça em seus joelhos. – Acho que tudo bem, então. Somos... meio que amigas, não? Não sei como é... ter uma amiga garota. É diferente?

– Não sei. Nunca tive um amigo garoto. – Respondeu honestamente, se remexendo contra a parede. – Não sei se é diferente de ter uma amiga. – A Carlini se levantou, pegando os ombros de Mary e a ajudando a se levantar. – Vamos falar com sua mãe. Qual o nome dela?

– Marlee Woodwork. – Falou, seus joelhos tremendo enquanto se levantava, tinha esquecido-se da dor em seu corpo. – Eu te mostro o caminho da cozinha, ela deve estar lá.

– Ótimo, ela vai poder chamar um médico. – Leona colocou seu braço pelos ombros da loira, ajudando-a a mancar. – Depois, eu vou lhe acompanhar para o escritório do Príncipe Alphonse e você vai falar pra ele tudo o que aconteceu.

– Ele não deve estar no escritório dele agora. – Disse Mary, sentindo-se novamente inútil. Sequer podia segurar a lanterna pelos machucados em suas mãos. – Deve estar procurando uma resposta. Eu sei onde ele faz esse tipo de coisa, sabe, procurar respostas de algo.

– Que tipo de resposta? – A morena-loira questionou enquanto dobravam um corredor.

– Uma resposta mais transparente.

...

– Você é tão frio...

As palavras da Princesa Malaya passaram a noite inteira ecoando pela cabeça de Alphonse. Fazia muito tempo que ele não ouvia essas palavras, alguns anos, para ser exato. Quem havia as dito mesmo? Oh, sim, ele mesmo.

...

– Mãe, isso é idiota. – Alphonse, em seus plenos sete anos, falou honestamente.

América Singer-Schreave suspirou. Seu filho sempre fora complicado e estava ficando cada vez mais com a idade. Ele questionava tudo o que ela e Maxon fazia, passava todo seu tempo lendo e nem olhava para a cara de Sebastian quando o mesmo tentava convencê-lo a brincar. Claro, o pequeno príncipe era difícil, mas ele brincava com Mary quando eram pequenos; mas desde que aprendera a falar, nem sequer olhava para a mesma e tudo o que ela tinha era Sebastian. De qualquer modo, ela era tímida e não conversava muito bem com o pequeno futuro guarda.

– Você precisa saber como é ser uma criança normal, Al, e isso quer dizer ir pra escola. – A rainha disse, mexendo nos cabelos do mesmo e ignorando o “Não me chame disso” que recebeu. – Já fizemos a sala de aula no palácio. Você vai poder fazer amigos.

– Mãe, as únicas pessoas que vão estar na sala são Woodwork, Leger e Heightmay. – O garoto de sete anos respondeu, cruzando seus braços. – Eu já os conheço, mãe.

– Então pare de agir como se eles fossem estranhos! – Exclamou, sentindo-se exaltada. A única pessoa com quem América tinha tanta paciência só podia ser mesmo seu filho. – O uqe aconteceu com Mary, Sebastian e Emily?

– Eu não os chamo assim. Você, o papai e a tia Marlee chamam. – Falou, saindo do quarto. Ignorou a pontada de culpa que sentiu quando viu o rosto de sua mãe perder um pouco de seu brilho usual.

...

Fizeram um teste antes de começar as aulas. O professor os corrigia enquanto todos estavam quietos, lendo seus próprios livros. Alphonse levantou um pouco a cabeça, movimentando apenas os olhos para observar todos. Ele sentava na penúltima cadeira na segunda fila da janela para a porta. No primeiro assunto na terceira fila estava Emily Heightmay, que era extremamente pequena para sua idade e aparentava ter três anos ao invés de cinco. Seus cabelos loiros estavam presos em dois rabos de cavalos e usava a “farda” do “colégio”, uma saia preta e uma blusa negra de mangas longas com as barras das mangas brancas.

No último lugar da quarta fila estava Sebastian Leger, ele lia seus livros entusiasticamente; ainda levantando sua cabeça para olhar para a garota que sentava ao lado de Alphonse. Em vezes, ele suspirava e corava, antes de voltar para seu livro. Às vezes o príncipe tinha medo de sequer olhar para seu livro, com medo de vê-lo cheio de desenhos de corações e “Mary + Sebastian Forever” ou “Mary Leger”, ou pior... “Sebastian Woodwork”. Ele usava um uniforme idêntico ao do ruivo: calça social negra e blusa negra de mangas longas de botões e gola alta.

Ao seu lado estava Mary Woodwork, o sonho de Sebastian. Ela tinha curtos cabelos loiros e olhos castanhos, sua pele de tonalidade clara. Usava um uniforme igual ao de Emily, mas com um cachecol rosa claro pois o inverno estava chegando. Ela tentava resolver algo de matemático, algo que tinha certeza de tia Marlee havia ensinado para ela, mas falhava horrivelmente na atividade. Pareceu ser a única que percebera que Alphonse a observava e olhou para ele, o dando um sorriso desajeitado.

O Schreave virou o rosto. Não gostava de Mary. Ela era alegre, sorridente e desajeitada; não era do tipo de pessoa que gosta. Mal aturava seu “melhor amigo” Sebastian, que tinha apenas um pouco mais de senso. Emily apenas não falava muito. Mas não entendia pessoas como Mary, elas eram simplesmente tão tolas. E um príncipe não tinha tempo para tolices. E Alphonse era um bom príncipe.

E seria um bom rei.

...

Com esses dias relaxados, onde nada acontece
Sento na mesma cadeira dia após dia
Como se prestes a ir embora

"Então o que você acha?"
Como se tentasse novamente,
O livro didático com inúmeras palavras disse algo

...

O inverno chegou e nada mudara muito. A sala de aula sempre estava em silêncio, a não ser que Sebastian tomasse uma iniciativa para conversar com Mary (sempre gaguejando e corando, algo que a mesma fazia com todos) ou com Emily. O rapaz tentava falar com ele, mas Alphonse o ignorava completamente. Ou pelo menos tentava, não tinha tempo para ouvir o mesmo falar sobre seu colho chamado Fluffey ou costura. Os dias eram sempre os mesmos, nada parecia mudar.

Ele estava entediado, achava a idéia da mãe algo realmente idiota. Não queria se socializar com ninguém que não fosse importante e preferia estar estudando sozinho em seu quarto. Mas, de qualquer modo, até estudar parecia ser idiota. Absorvia tudo o que lia da primeira vez que lia o livro, nunca parecia ter dificuldade. Tudo parecia tão simples, tão predicável. Ele odiava esses dias monótonos e relaxados.

...

Se está perguntando sobre minha nota
Está boa, eu acho
No pedaço de papel está uma pontuação perfeita

...

Sua nota de geopolítica havia sido maravilhosa, 100 por cento como sempre. Havia sido extremamente fácil, na verdade demais. Era ok, tudo o que podia falar sobre isso. Nada espetacular porque não havia mesmo. Sempre tirava isso, nada diferente. Ouviu Sebastian falar que tirava 87 por cento e Emily respondera calmamente com “90 por cento”. As deles eram mais baixa, mas não podiam realmente competir com ele. Se lembrava do que sua mãe havia lhe chamado.

“Um gênio”.

...

Sentava na cadeira ao meu lado
Você, aquela com a nota baixa

...

Ele espiou para o lado, onde estava Mary. Ela segurava seu papel com suas duas mãos, lendo e relendo as respostas e marcas desesperadamente. Alphonse conseguiu pegar um “59 por cento” no canto da página dele. Sinceramente, estava surpreso por não esperar por isso. Ela era Mary Woodwork, a garota mais tonta e tola que ele conhecera. Não se sairia bem em uma prova tão “complicada” (para pessoas normais) como a de geopolítica.

...

Eu não ligo para o que acontece fora da janela
Porque as respostas estão na minha frente, sei o que vai acontecer

"Mas, se for assim, é tão chato"
Você disse, alegre como sempre

...

Alphonse observou o céu do lado de fora da janela. Já sabia o que iria acontecer naquele dia, afinal, eles sempre eram a mesma coisa. Tudo parecia ser sempre tão obvio quando ele estava relacionado. Era entediante, ser um gênio. Não sabia como podia dizer isso para seus pais, também. Eles sempre foram tão orgulhosos dele, por ser um gênio. Afinal, o ruivo assumira, era a única parte de sua personalidade que era boa.

– É tão obvio... – Ele murmurou, ainda encarando o céu. Surpreendeu-se quando ouviu uma resposta.

– Mas se for assim é chato. – Mary murmurou, com um sorriso gentil em seu rosto e corando. Levantou sua mão, a colocando no ombro do príncipe. – Mas porque é tão obvio, Alphonse?

– Não toque. – Respondeu, estapeando a mão dela para sair de seu ombro.

...

Esse coração que quer desaparecer mais do que tudo
Hoje, ele ainda não se sente confortável na Terra

"Você é um tolo de coração frio"
Digo a mim mesmo quando meu despertador me traz á realidade

...

O período de aulas havia acabado. Alphonse fora o primeiro a sair, não queria ter que dar qualquer explicação para Sebastian sobre o porquê de ter tratado Woodwork mal, ou um olhar gélido de Emily sobre a situação. Woodwork e Emily não eram amigas, mas simpatizavam uma com a outra e com certeza a Heightmay não estava feliz com a situação. Era triste, de certo modo, saber que seus colegas estavam do lado de Mary. O Schreave se sentia sozinho, como sempre esteve.

Queria desaparecer.

Apenas se sentia confortável quando tomava conta de Illéa, mas não podia fazer isso em tempo integral. Um dia teria que se casar e ter filhos. Até mesmo com sete anos sabia que não seria um bom pai ou sequer um bom marido. As vezes queria apenas dormir para sempre, já que no sono não havia nada. Não tinha sonhos ou pesadelos. Era apenas escuridão. Mas, infelizmente, seu despertador o acordava para a realidade todos os dias.

– Você é tão frio... – Murmurou para si mesmo, cruzando seus braços cobertos pela manga dos casacos.

...

Não servirá para nada me mostrar uma resposta milagrosa
Porque tudo ficará óbvio novamente
"Se eu morresse neste momento
Alguém me substituiria"
Mesmo murmurando, algo assim é tolice

...

Não importa o quando pesquisasse uma resposta para o que sentia, nenhuma ajudava. Depressão, era o que mais via. Complexo de superioridade, ele viu em outro livro de psicologia. Essas eram respostas obvias, mas não a que ele queria. Nada disso iria o ajudar com o vazio em seu peito ou com a frieza que não parava de esbanjar, mesmo que não quisesse. Sempre continuaria sendo um péssimo filho, um amigo inexistente para Sebastian e um rei bom o bastante para Illéa. Mas nunca seria uma coisa boa para as pessoas que se importavam com ele de verdade.

– Se eu morresse agora, seria substituído. – Murmurou, sentindo algo quente envolvendo seu pescoço e sendo puxado para trás.

– Isso é to-tolice. – Ouviu uma voz familiar falar, percebendo que um cachecol rosa claro estava jogado em seu pescoço. Sentiu braços pequenos o envolverem por trás e um corpo quente se encostar ao seu.

– Wo-woodwork, me solte. – A criança falou, sentindo seu rosto queimar.

– Ficar so-sozinho co-como você está é mu-muito triste, Al. – O Schreave parou de se remexer, chocado com o que ela estava falando, tanto que nem reclamou de ser chamado de “Al”. – Mas você sempre será insubstituível. – Colocou sua cabeça nas costas do menino. – Sempre.

Ela realmente estava certa, era tolice.

...

Alphonse sorriu, lembrava muito bem sobre como Mary era quando eram crianças. Ela sempre fora uma pessoa muito positiva em relação a ele, mesmo quando o mesmo parecia um caso perdido. Encostou-se em sua cadeira. Estava em sua sala de aula antiga, em seu lugar antigo. Quando era pequeno, a cadeira sempre parecera imensa; mas fora crescendo e vira que ela parecia cada vez mais normal. O rapaz saiu de seus pensamentos quando ouviu a porta abrir.

– O-oi, A-Al... – Ele ouviu a voz de Mary falar e sorriu, corando com as memórias da noite passada e do beijo voltaram a sua mente.

– Oi, Ma- O que aconteceu com você? – O Príncipe exclamou, levantando-se rapidamente de sua cadeira.

Mary estava toda enfaixada, em suas mãos e braços. Sua face estava roxa, assim como seu olho direito. Ela se apoiava em uma bengala até começar a mancar em sua direção. Alphonse foi a sua direção, a ajudando a sentar na cadeira que sentava enquanto estudavam. A mesma sorriu para o amigo, encostando a cabeça em sua parede.

– Senhorita Katellyne e Meryweather não gostaram da divisão dos quartos. Elas fizeram isso comigo. – A Woodwork falou tão rápido que Alphonse quase não entendeu o que ela falara;

– Audrey Katellyne e Lillyna Meryweather? – Questionou, não conseguia acreditar que duas Selecionadas, convidadas no castelo, haviam agredido uma empregada, muito menos Mary. Mary Woodwork, que sempre agüentara todos, até ele mesmo. – Como elas ousam?

– Se acalme, Al, você decide o que fazer com elas depois. – Mary disse e o rapaz a olhou estranho. Já sabia o que iria fazer: iria eliminá-las. Mesmo que não fossem sua amiga de infância, bater em uma empregada era inaceitável. – Mas está tudo bem, a Leona me ajudou. Sabe, Leona Carlini, uma Selecionada.

– Ela parece ser uma pessoa ótima. – O ruivo disse, sentia-se agradecido pela Carlini ter ajudado sua, er, amiga.

– É sim, mas você já vai a conhecer. Afinal, está quase na hora do café na manhã e depois você vai falar com as Selecionadas. Pode ir, vou ficar aqui por mais um tempo. Fui dispensada hoje das minhas tarefas pelo Tio Maxon. – Mary falou, remexendo-se desajeitada em sua cadeira.

Não sabia como se despedir do Alphonse. Na noite passada haviam se beijado, mas não estavam namorando. Não sabiam o que sentiam um pelo outro. Além do mais, ele já tinha Selecionadas e teria que casar com uma deles. O Schreave sentia a mesma coisa em relação à amiga.

– Então, sobre o beijo... Desculpa. Quer dizer, eu não me arrependo. Você parecia tão assustado e... Eu te amo, Al. – Mary falou rapidamente, completamente nervosa. – Mas não sei se é do jeito que uma irmã ama um irmão, ou de um jeito que uma amiga ama um amigo e de qualquer outro jeito. Mas, nem se pudéssemos, não estamos prontos para um relacionamento. Eu sinto muito.

– Fico feliz que pensa assim, Mary, eu também acho. – Alphonse sorriu, sentindo-se mais leve por admitir isso. – Eu não acho que estou pronto para um relacionamento com uma das Selecionadas, também.

– Você vai achar alguém que você goste, sei que vai. – A Woodwork falou. Não sentia-se desconfortável em falar sobre esse assunto com seu amigo; na verdade, sentia-se muito feliz por ter conseguido dizer tudo o que pôde para ele. – Eu te amo tanto, Al, espero que você ache pelo menos uma amiga...

– Já tenho algumas promissoras. – Sorriu, levantando de sua cadeira. – Vai ficar um pouco mais mesmo?

– Sim, tchau, Al. Eu te amo.

– Até breve, Mary. – Ele começou a fechar a porta. – Eu também te amo.

...

Mary passou um tempo olhando para fora da janela até que ouviu a porta se abrir lentamente. Sebastian entrou na sala de aula, seus olhos suavizaram quando ele a viu. O rapaz chegou perto dela e sentou no lugar que sentava nos tempos em que era criança. Ele lhe deu um sorriso familiar e ela o retribuiu, sabia que iriam começar um tradição de algo que faziam sempre que só estavam os dois na sala.

– Onde você está? – Sebastian questionou e ela já sabia o que responder.

– Estou aqui do lado da janela.

– O que está fazendo?

– Não estou fazendo nada.

– Venha aqui ao meu lado.

– Eu já estou indo.

Mary começou a se levantar, pegando a bengala que estava escondida da vista de Sebastian. O rapaz imediatamente se alarmou, quase pulando da cadeira, mas ela levantou uma mão enfaixada e caminhou até ele, sentando ao seu lado.

– Vamos conversar. – Ele sussurrou para ela, o que a fez sorrir.

– Ok, você primeiro.

– Onde você está agora?

– Estou aqui do seu lado.

– O que você está olhando?

– Estou olhando pra você.

– Aonde você vai?

– Não vou a lugar nenhum. – Ela falou com sinceridade e os olhos do Leger brilharam. – Estarei sempre ao seu lado.

Os dois sorriram um para o outro. Desde que começaram a conversar de verdade com nova anos eles tinham a mesma rotina e começavam todas suas conversas assim.

...

E então
Eu olho pra você
E então
São sempre as mesmas conversas

...

– Tia Marlee me contou o que aconteceu, Mary. – Sebastian falou, pegando sua mão e a acariciando com o dedão. – Eu sinto muito que eu não pude te proteger, Mary.

– Você, a Leona e o Al parecem ter sempre os mesmos pensamentos. – A loira falou, dando uma risadinha. – Eu que deveria ter me defendido. Mas eu acho que não fui forte o bastante... Mas tudo bem! A Leona me achou e me levou pra mamãe, eu estou bem.

– Leona Carlini? Eu a conheci ontem. Parecia mesmo uma garota legal. – Ele sorriu, olhando para seu colo antes de mudar de assunto. – Então, como foi ontem com o Alphonse? Ele parecia bem animado depois que você foi falar com ele.

– Eu o beijei. – Mary falou rapidamente. Talvez por ter passado a manhã com Leona, mas não sentia mais vontade de gaguejar ou sequer de tentar inventar uma mentira. – Eu... Sinto muito, Sebastian.

– Está tudo bem, Mary, você fez com que ele não desmaiasse ou vomitasse na frente do monarca da Nova índia e das Selecionadas. Isso é bom. – O Leger apertou a mão da garota, que corou e lhe deu um sorriso. – Você sabe que nos também não temos nada, né, Mary? Mas tudo bem, eu entendo. Você confusa.

– Desculpe, Sebastian. – Dos três amigos, Sebastian parecia ser o único que estava certo de seus sentimentos. Mary sabia que o amava, mas não sabia se era do jeito que ele a amava. – Eu sou uma péssima amiga, de qualquer forma.

– Se fossemos culpar alguém de ser um mau amigo esse seria o Alphonse. Lembre daquela vez que eu passei horas pedindo pra ele brincar comigo? Aí me levou pra brincar no jardim e me jogou no poço? – Lembrou, mexendo seus ombros como se ainda sentisse algum tipo de dor.

– Ele pediu desculpas! – Mary exclamou, mas também estava rindo e encostou sua cabeça em sua carteira. – Lembra que fui eu que te achei umas duas horas depois?

– Por milagre eu não peguei hipotermia. – Ela continuou rindo e ele observou como ela estava. Seus cabelos caindo em seu rosto que, mesmo que machucado, era o rosto mais lindo que ele já havia visto. Ele se inclinou para sempre e lhe deu um beijo em sua testa. – Eu te amo tanto, Mary.

A garota parou de rir, tocando sua testa. Ela então começou a corar e dar um sorriso bobo, algo que Sebastian reconhecia bem. O via sempre que se arrumava para ir para a sala de aula e se lembrava que veria Mary na sala, sempre perto da janela. Ela lhe deu um beijo na bochecha, afundando sua cabeça em seu pescoço.

– Eu também te amo, Sebastian. – Só não entendia como.

Notas finais
Esse capítulo foi como um esclarecimento sobre a coisa entre Alphonse/Mary/Sebastian. Ele é meio importante pro futuro. Também tivemos a participação da Leona! O capítulo foi loucamente baseado em duas músicas, eu diria quais, mas daria spoilers. Mas, me digam, tem algo que vocês queriam ver na fic? É que ela é interativa e gostaria de saber se tem algo que vocês querem ver, principalmente já que no próximo capítulo o Al conhece as Selecionadas. Se tiverem uma sugestão, podem mandar por MP.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.