The Queen - Interativa
4 Capítulo IV: The Masked and The Hunter
Notas iniciais
The Masked
– Por favor, dois pães com queijo para viagem.
Pollyanna Petit suspirou ao olhar o pudim com calda de morango no balcão da padaria e ficou tentada a pedir um pedaço, mas não podia desperdiçar o dinheiro de sua família desse modo. Só havia ganhado permissão de sua mãe para comprar dois pães com queijo para ela e para sua irmã por causa de que sua patroa havia servido sopa de brócolis no almoço naquele dia, algo do qual ela era extremamente alérgica. E sua irmã merecia esse pão, já que começara a trabalhar na fazenda da família Bertrand e cuidava de animais no sol quente o dia todo, muito para o protesto de Pollyanna.
– Po-polly! – A garota ouviu uma voz doce gaguejar e se virou, sorrindo discretamente ao ver sua única amiga.
Mary Woodwork saltitava alegremente em sua direção, mas não sem antes tropeçar em seu próprio vestido longo que caia em seus calcanhares. Felizmente, a garota de cachos loiros (fazendo contraste com os cachos castanhos da Petit) conseguira se apoiar em uma das mesas antes de cair no chão. Pollyanna sorriu, ela mal via Mary pela fato da garota trabalhar no castelo e as vezes sentia-se um pouco sozinha, já que a menina era a única a se relacionar com morena por ser da Casta Sete e Mary da Casta Seis.
– Mary. O que faz aqui? – Seu rosto já havia voltado a sua expressão estóica quando Mary alcançara o balcão com um sorriso doce.
– Eu estou comprando um doce pro meu a-amigo. – A menina corou um pouco e Pollyanna se conteve para manter sua onipresente postura gélida e não apertar as bochechas coradas da Woodwork. Ela era tão fofa. – Cla-claro que ele pode Comar algo assim no palácio, mas ele prefere os daqui. Eu não pu-pude dizer não, ele está bem nervoso com ho-hoje...
– Você gosta dele, Mary? – Questionou enquanto pegava os pães quentinhos que haviam acabado de sair do forno com o queijo derretido.
A menina havia lhe dado uma expressão tão confusa que Pollyanna se desconcentrara, tropeçando no nada e caindo para frente com os pães, que saíram da sacola e se espelharam no chão. Mary assimilou a situação mais rapidamente, jogando-se no chão com os pães enquanto Pollyanna olhava tudo com uma expressão surpresa.
– Desculpe, Polly, e-eu sou tão de-desastrada... – Mary lhe deu um sorriso desajeitado e piscou rapidamente, fazendo menção com a cabeça para cima.
Só naquele momento a Petit havia percebido que todos na padaria os observavam; lançando olhares desaprovadores para Mary e simpáticos para Pollyanna. A mesma sentiu seu rosto queimar, o escorrendo por trás de uma cortina de cabelos cacheados. Ela tinha sido desajeitada e Mary havia levado a culpa. De novo. Não sabia como agradecer a amiga todas as vezes que ela fazia isso.
– Está tudo bem, Mary. – Sua voz ainda estava controlada, mas seu rosto queimava e não e se desafiou a levantar a cabeça. – Eu posso comprar mais. – Não, na verdade não podia, mas não queria fazer Mary ter que fazer mais coisas.
– Não, eu i-insisto, Po-polly. – A menina se levantou, escorregando em um pão, mas se apoiando no balcão. – Hum, eu gostaria de do-dois pães i-italianos e dois pães três que-queijos co-com queijo suíço, to-tomate, alface e mo-molho de maionese, ok? Também, quatro pedaços daquele pudim com calda de morango. Eu também vou querer seis bombas de chocolate suíço com creme francês e sim, a-aquele im-importado, por fa-favor. E ta-também aquela to-torta de amora e as pa-panquecas de chocolate da en-encomenda. Os pães e os pedaços de pudim em uma sacola diferente do resto, tudo bem?
O atendente assentiu vibrando de alegria, sabendo que o pedido de Mary sairia ridiculamente caro. Os pães que ela pedira para Pollyanna sairiam cinco vezes o preço cada pão, assim como doces eram caros em qualquer padaria. E bombas de chocolate com creme importado? Torta de amora, algo que só crescia em Hondurágua? Panquecas de chocolate? Há quanto tempo Mary e seu amigo estavam economizando para comprar esses doces?
– Es-espero que os pães e os pudins compensem os que deixei cair. – Mary sorrira e Pollyanna sabia que a mesma percebera que não fora ela que derrubara tudo. Então, por que não dizia nada? – A-ah, eu es-esqueci! Tem cinco pessoas na su-sua ca-casa! Eu de-deveri ter pe-pedido mais!
– Não, Mary. – Agora, já levantando a cabeça, Pollyanna voltara com seu rosto estóico e voz fria. – Já foi o bastante. Sinto muito você ter que gastar suas economias e as de seu amigo comigo também.
– A-ah, não! Ele ganha bem, não precisou economizar! – Sempre que falava desse amigo, Mary ficava com um sorriso suave em seu rosto. – E-ele está muito nervoso com hoje, sabe, vão fa-falar quais são as Se-selecionadas, le-lembra?
Como poderia esquecer? Sua mãe não falava sobre nada além da Seleção por semanas, desde que fizera Pollyanna se inscrever. A menina passou semanas querendo esquecer-se desse fato, não porque não queria se selecionada, oh, como queria. Sua família precisava desse dinheiro. Seus irmãos precisavam e, se fosse selecionada, pegaria o dinheiro que ganhasse durante seu tempo no palácio e sairia de casa com seus irmãos. Para sempre.
– Por que ele está nervoso com a Seleção? – Pollyanna perguntou. Era estranho, de qualquer um dos amigos de Mary estaria preocupado com o anuncio das Selecionadas.
– A-ah, e-ele é um guarda e quer sa-saber quem e-ele va-vai pro-proteger durando al-alguns me-meses. – A Woodwork gaguejou, seu rosto ficando ainda mais carmim. – O Al...fred. O A-alfred é mu-muito de-dedicado.
– Entendo... – A mente da Petit estava tão concentrada na Seleção que não percebera o jeito que sua amiga falara. Felizmente para Polly, os sanduíches e doces chegaram e as duas partiram seus caminhos.
...
Sua mãe havia ficado aliviada por não ter que cozinhar.
– Você deveria pedir para Rosemary lhe apresentar esse amigo dela. – Sua mãe, Dália, falou enquanto cortava os pães em pedaços menores, para todos provarem um pouco.
– Sim, mamãe. – Pollyanna respondeu, engolindo a vontade de dizer que Mary odiava ser chamada de “Rosemary”, seu nome inteiro. E que não se importava em conhecer esse tal de “Alfred”, já que Mary parecia gostar dele.
– Sua amiga foi muito generosa, espero que ela não peça para que a paguemos de volta. – Mary não é assim, Pollyanna pensou, enquanto ajudava Dália a levar os pratos para a sala, onde veriam The Report.
– Se ela precisar,devolveremos. – A voz de seu irmão afirmou ao seu lado, seus cabelos escuros e lisos e olhos da mesma cor o fazendo parecer idêntico ao pai dos dois.
– Não diga algo tão idiota, Dean. – Sua mãe reprimiu com voz dura, mas Dean continuou com sua expressão determinada. Ele era determinado. Tão diferente de Pollyanna...
Os três sentaram-se no sofá velho. Marilyn, a mais nova da família, saltitou em sua direção e sentou-se no colo de sua irmã mais velha. Seu pai sentara-se em uma poltrona, enquanto pegava um pedaço do sanduíche de pão italiano. The Report começou, todos comendo um pedaço dos sanduíches. Pollyanna não conseguia prestar atenção no começo e, mesmo quando começaram a falar as Selecionadas, sua mente ainda estava em outro lugar.
– Luna Rosseau, Casta Seis.
Eu quero poder viver só com os meus irmãos...
– Valquíria Belinda Blanco, Casta Cinco.
Eu vou poder ser escritora! Eu vou ser da Casta Três! Eu vou...
– Pollyanna Érika Petit, Casta Sete.
Vou poder ser quem eu quero. Sem máscaras.
The Hunter
– Qual delas você acha que é verídica?
O inspetor, John Tyller, não tinha mais idade para isso. Ou melhor, ele tinha vinte e sete anos, mas apenas os mais empolgados e novos no trabalho teriam paciência para isso. Os investigadores o olhavam com seus orbes esperançosos e ele não sabia o que fazer com os papéis coloridos que diziam coisas tão contraditórias.
“O assassino chegou na casa dela as duas e meia” Dizia um papel vermelho.
“O assassino saiu da casa dela as duas e dez” Dizia o papel azul.
“O assassino tinha um carro elétrico” Dizia o papel verde.
“O assassino andava de bicicleta” Dizia o papel laranja.
– Eu odeio esse emprego. – Um deles, Anderson, murmurou. – Eu odeio essa informante.
– Não é culpa dela se você é um idiota, Anderson. – A melhor investigadora que tinham, Rosalina, afirmou, pegando os papéis em suas mão. – O papel vermelho diz que ele chegou lá duas e meia, então quer dizer que ele estava escondido na casa dela desde a tarde. O papel azul diz que ele saiu duas e dez da manhã, por isso ele teve tanto tempo para arrumar tudo. Ele tinha um carro elétrico, mas saiu da casa dela com a bicicleta da vitima. Um dos nossos suspeitos, Tashville, tem uma bicicleta inexplicavelmente nova, mesmo tendo um carro elétrico. Vão investigar ele, agora.
Todos levaram um tempo para compreender Rosalina, até alguns investigadores saíram para organizar uma mandato de procura na casa de James Tashville. Tyller se levantou de sua cadeira, preparado para parabenizar Rosalina, que tomava uma caneca de chocolate quente. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela levantou sua mão direita.
– Eu não fui impressionante. O culpado é um idiota, mas os informantes são também. – Rosalina Everlynne falou, o encarando. – The Hunter é a única informante que presta.
– Como sabe que ela é uma menina
– É um pouco obvio.
...
Atrás de uma tela pálida, mostrando a sala, uma figura pálida sorriu. Seu rosto era pálido, ainda mais iluminado pela tela. Seus olhos extremamente azuis e cabelos negros lisos faziam contraste com a pele. A mulher claramente vestia um longo vestido azul escuro com mangas longas, seus lábios rosados curvados em um sorriso.
– É bom saber que pelo menos uma investigadora é decente, Senhorita Everlynne. – A mulher sorriu, olhando a ficha completa de Rosalina. – Não que esteja muito surpresa.
– Quando você está surpresa, Artemis? – Uma voz de trás dela questionou e ela apenas virou sua cadeira de rodinhas.
– Ah, Butler, você me assustou. – Artemis disse, mas seu rosto ainda mostrava seu sorriso calmo e olhos confiantes.
– Eu sei que não o fiz, Little Dorothy. – Butler retrucou, satisfeito ao ver a careta no rosto da mesma ao ouvir o apelido. – Mestre Artemis está convocando sua presença para o jantar.
– É uma das coisas que nunca vou entender. – A garota murmurou, levantando graciosamente de sua cadeira. – Você chama meu pai de mestre, mesmo depois de ele não ser mais seu chefe.
– Uma das coisas de que me orgulho é surpreender a grande Artemis Fowl A Terceira.
...
A sala de jantar era grande, não tanto quanto a sala de jantar de sua casa na Irlanda; mas era grande. Suas paredes eram claras, iluminadas por um grande candelabro de cristal e com uma grande mesa de carvalho no meio da sala, grande demais para as cinco pessoas que comeriam nela; mas Artemis não se importava. Na verdade, sentia-se mais confortável assim.
Na cabeceira, seu pai, Artemis Fowl O Segundo a encarava. Eles eram quase idênticos, tirando o sexo de ambos, é claro. Artemis II tinha cabelos negros como os da filha e olhos azuis tão brilhantes quanto os delas, mas aparentemente ainda mais profundos. Sua pele era extremamente pálida, ainda mais do que a de Artemis III e seus ternos negros da Armani não ajudavam a disfarçar a palidez.
Ao lado direito dele, sua mãe, Holly Fowl lhe lançou um sorriso. Sua mãe era a única pessoa que conseguia a deixar desconfortável na casa. A mulher tinha curtos cabelos vermelho-fogo, pele morena escura e olhos de um castanho avelã calorosos. Ela usava um vestido verde-escuro no qual estava obviamente desconfortável, mas sorria para sua filha de qualquer maneira.
Seu irmão gêmeo era também extremamente parecido com o pai, o que era ainda mais obvio quando sentado ao lado de sua mãe. Seus cabelos negros estavam charmosamente bagunçados (algo que Artemis III sempre achara ridículo), seus olhos azuis eram profundos como os do pai e brilhavam a luz do candelabro. Ele usava uma camisa social cor creme que favorecia sua palidez e calça social preta.
Artemis III sentou-se ao lado esquerdo de seu pai, enquanto Butler sentara ao lado dela. Eles deixaram a outra cabeceira sem mais ninguém sentado nela para poderem ter uma vista da gigante tela de TV que estava sendo abaixada.
– Então, filha, está nervosa com o anuncio das Selecionadas? – Holly questionou a filha com um sorriso.
Artemis se contorceu em sua cadeira, desajeitada. Sua mãe era uma pessoa maravilhosa, a vendo pelas regras da sociedade, e realmente se importava com os filhos e o marido. Ela sabia que tinha sorte por ter uma mãe assim e entendia o motivo de seu pai apreciar a mesma, mas suas personalidades eram tão diferentes. Era complicado conversar com ela.
– Não, mãe, eu estou completamente segura. – Respondeu calmamente, não manifestando a coragem de forçar um sorriso patético à sua mãe.
– Relaxa, mama, Little Dorothy está super animada pra sair do Kansas! – Apollo exclamou alto. Artemis sabia que seu pai não o reprimira pelo fato de que o sorriso de sua mãe estava escorregando de seu rosto e a piada do filho havia a animado novamente.
– Não me chame disso. – Artemis murmurou, apesar de grata ao ver sua mãe sorrindo novamente. Se importava com a mesma, mas sabia que não conseguiria demonstrar isso da forma que ela queria.
– Espero que não esteja nervosa, Artemis. – Seu pai falou, lhe lançando um olhar com seus orbes gélidos. – Nós Fowls nunca ficamos nervosos.
Poder, inteligencia, beleza e sagacidade são características, qualidades, que levam à grandiosidade. Nós somos os De Fol’e; uma combinação perigosa de todas elas. Seu pai sempre dissera para ela, a mesma coisa que estava gravada no emblema da família. Ele vivera essas palavras toda a sua vida e ficaria extremamente decepcionado se ela não o fizesse. Não triste, não raivoso e nem assustado. Decepcionado.
E isso era algo que nunca agüentaria ver no rosto de seu pai.
The Report começara com o rei falando sobre a idéia geral da Seleção, coisas que Artemis já sabia decorado. Depois, o Principe Alphonse fizera um discurso centrado sobre a Seleção, agradando o público ao extremo. Artemis o respeitara muito. Ele parecia determinado e inteligente, um bom rei. E para completar, ainda era bonito. Não era ruim e não se importaria em se casar com ele.
Claro, já tinha planos para quando se tornasse rainha. Iria diminuir a influencia das Castas na vida dos habitantes, farias mais hospitais, planos de saúdes, mais acordos com a Nova Ásia e a Nova Europa. Sabia que não haviam muito concorrentes que poderiam competir com ela. Sim, a Princesa Malaya que viria parecia interessante, mas Artemis também tinha cartas na manga.
Ela tinha um plano.
– Jadelyn Astrid Ward, Casta Cinco. – O apresentador falara, mostrando a foto de uma bela garota de pele escura.
E ela conseguiria realizá-lo. Pois ela era uma Fowl.
– Annabella Evenstar, Casta Três. – A foto de uma garota de cabelos castanhos encaracolados e olhos azuis-acizentados
E os Fowls nunca desistem, porque desistir era para os fracos e ela não era fraca.
– Artemis Dorothy Lyanna Fowl, Casta Três.
Ela era Artemis Fowl.
Fale com o autor