Notas iniciais
Desculpem a demora...

– Hoje chegou um corvo vindo de Correrio, e um corvo saiu rumo as Gêmeas. — anunciou Henrik para o mais velho, quando ambos se encontraram sozinhos na torre que dividiam. – Sabe o que isso significa?

– Edmure Tully aceitou se casar com a garota Frey. – assumiu Caesar.

Caesar já sabia te tal informação, ouvirá ao acaso uma breve conversa entre o rei e sua mãe, na qual lady Catelyn insistia com o filho que ela deveria estar presente durante o casamento de seu irmão, que ela deveria conhecer aquela que ocuparia o lugar que um dia havia sido de sua mãe.

– O que devemos fazer? – questionou o mais novo.

Já fazia algum tempo que os príncipes Lyazar detinham a informação de que lorde Bolton e lorde Frey haviam mudado de lado e agora serviam aos Lannister secretamente, pois os mesmos lhes haviam prometido os títulos de Protetor do Norte e Protetor das Terras Fluviais respectivamente. Lorde Frey só havia aceitado a união proposta por Robb, pois um casamento seria a desculpa perfeita para que o rei comparecesse, afinal, ele não deixaria de ir ao casamento de seu próprio tio. Simultaneamente Ramsay Snow o bastardo de lorde Bolton atacaria Winterfell, matando Rickon e Bran, exterminando a linhagem masculina da família Stark.

– A pergunta correta seria: o que eu já fiz? – Caesar encarou o irmão, Henrik tinha a curiosidade estampada nos olhos. – Ordenei que meus onze mil homens marchassem rumo as Gêmeas, eles viajam pela noite, e o exercito enviado pelo pai cobre seus rastros marchando de dia, eles se esconderam na floresta se preparando para a minha chegada, devo me juntar a eles no dia do casamento de Lorde Tully com a garota Frey.

– Elaena sabe de algo?

– Não tenho pretensão de lhe contar, — disse Caesar. – a menos que ela pergunte. Conhece Elaena tão bem quanto eu, ela sente as coisas. – Henrik entendia a que o irmão se referia.

Foram três meses após seu casamento que Elaena obtivera conhecimento que lady Talisa havia sofrido um aborto, de acordo com Johanna, a volantina passará os três dias que sucederam o casamento de cama com febre e dores abdominais antes de abortar, o que ocorreu devido ao estado mais avançado da gravidez, disse o meistre, após dois meses de gestação os abortos são mais violentos e dolorosos para as mães. Elaena seria uma mentirosa se dissesse que não sentiu pena da mulher, e mais mentirosa ainda se negasse seus ciúmes pela tristeza que presenciou nos olhos do marido.

Tal tristeza só passou um mês depois quando o meistre afirmou que as tonturas e enjoos da rainha eram sintomas de uma gravidez. Robb ficou eufórico, não continha-se em si de alegria com a notícia de que seria pai. Elaena ainda se lembrava do momento. Ela tinha passado mal em meio ao salão, desmaiando nos braços de Henrik, e quando recobrou a consciência estava em uma cadeira rodeada por suas damas de companhia, lady Catelyn e Sansa, Robb mantinha o corpo dela apoiado e seus irmãos estavam pouco mais atrás. O meistre havia questionado suas ladies enquanto a mesma estava desacordada, e sua sentença fora unanime: A rainha esperava uma criança.

Robb sequer se lembrou de que a pouco a rainha houvera tido um desmaio, a ergueu em seus braços e a rodopiou pelo salão. A jovem nada pode fazer senão rir da felicidade do marido.

Mas com a noticia da gestação veio uma preocupação, Robb ainda a procurava durante as noites, dormia ao seu lado todos os dias, mas e quando ela não mais pudesse fazer amor com ele? Ela tinha medo que ele voltasse a procurar por Talisa, pois sabia que se isso ocorresse, e se a violantina voltasse a esperar uma criança nada poderia fazer para que a mesma fosse embora.

Movida por tais pensamentos a jovem rainha solicitou que o irmão mais velho comprasse uma passagem para Volantis e se certificasse que a mulher embarcaria.

Foi em um dia que o rei havia saído para caçar que Elaena solicitou a presença de lady Talisa na sala de reunião do rei.

A rainha estava sentada altivamente na cadeira do rei, trajada em um vestido cinza de veludo, uma casaca de pele branca, que havia sido um presente de Robb, presa pouco acima do estomago com uma corrente de ouro evidenciando a pequena protuberância que já era possível de ver, a coroa aureolar de diamantes lhe dava um ar ainda mais angelical. Ela estava cercada por suas damas de companhia, e seu irmão Caesar tinha o braço apoiado na costa da cadeira.

Talisa entrou escoltada por um dos generais de Caesar, a face morena pareceu perder a cor ao dar de frente com aquela rainha altiva e bela, ela caminhou ao centro da sala, usava um vestido simples e o cabelo preso em uma trança. Pela primeira vez as duas mulheres estavam frente a frente.

– Lady Talisa- a rainha saboreou o nome com desdém – ouvi muitas coisas sobre você pela corte, — apoiou o rosto na mão, avaliando a mulher a sua frente de forma meticulosa — a prostituta abandonada de meu marido, e a mulher que trepou com meu querido irmão Godrik.

– Senhora! – a jovem morena perdeu o folego perante os insultos da loira – Eu...

– Cale-se! – ordenou a rainha, a voz fria e cortante como gelo – Não permiti que falasse. — a ex-amante do rei se encolheu com raiva– Falei com o rei sobre sua estadia na corte, e ambos concordamos que é inadequada. Devido ao seu infortúnio não falamos sobre tal assunto antes.

– Não compreendo...

– O rei e eu concordamos que deve partir das terras do Norte, o mais imediato possível, sua mera presença causa incômodo – a rainha foi clara — e devido a minha nova condição, – Elaena depositou uma das mãos sobre o pequeno volume em sua barriga, o movimento foi seguido com amargura pelos olhos de Talisa — achamos que você deve ir embora.

– Robb concorda com isso? – perguntou com descrença, arqueando levemente uma sobrancelha e cruzando os braços de forma desafiadora sobre o peito.

– E me deu a liberdade de fazer da forma como eu preferisse. – assentiu a rainha com um leve sorriso nos lábios róseos.

– Duvido que ele sequer saiba disso – afirmou com atrevimento, erguendo o queixo para se dirigir a mais nova – Robb jamais permitiria isso, ele me ama – um sorriso vitorioso se estampou nos lábios da morena.

Elaena perdeu a pose por um único segundo perante a ousadia daquela mulher, antes de se levantar e caminhar até ela.

– No entanto é comigo que ele se casou. – a frase foi como um tapa no rosto da mais velha.

– Ele não teve escolha...

– Ele teve todas as escolhas, Robb poderia ter escolhido se casar com você por paixão, mas escolheu se casar comigo, disse em nossa primeira manhã como casados que queria construir um amor comigo, me disse que o que quer que tivesse com você foi passado, apenas desejo. – ela parou a poucos centímetros da morena – Foi comigo que ele se casou, e em meus braços que ele passa todas as noites, é o meu nome que ele sussurra em momentos de paixão, sou eu quem gerará os filhos dele, filhos legítimos que darão continuidade ao nome Stark, e quando o tempo passar você será a mera lembrança de peripécias da juventude, a mulher com quem ele dividiu a tenda durante a guerra. Você será nada. – Elaena via as lagrimas de raiva e humilhação verterem dos olhos de Talisa, mas não conseguia parar com as palavras venenosas. – Você é nada.

A rainha virou-se e se voltou novamente em direção à cadeira, sentando-se e voltando a encarar o antigo caso de seu marido.

– Providenciei um navio que a levara à Volantis, um dos soldados de meu irmão a escoltara até Porto Branco e se certificará que você entre no navio, você deixa Winterfell ainda hoje. – concluiu vitoriosa.

– Acha que fui cruel?- questionou naquela noite quando se encontrou sozinha com o irmão em sua câmara.

– Agiu como deveria ter agido. – afirmou o mais velho abraçando a caçula – Agiu como uma rainha teria agido. Agiu como nossa mãe teria agido.

Elaena se desvencilhou dos braços do irmão. Por mais que Caesar dissesse que ela havia agido da forma correta ela não se sentia de tal forma, sentia-se cruel pela forma com que falou com Talisa Maegyr, não era de sua natureza ser fria ou má. Desde muito jovem era celebrada por todos por ser uma dama gentil, nobre e piedosa, alegre por natureza e compassiva com os infortúnios alheios. Entretanto sua paixão pelo marido, e a insegurança que aquela mulher lhe causava, trouxe a tona naquele momento seu lado vil e mesquinho.

– É uma rainha agora irmãzinha – disse de forma carinhosa, acariciando os ombros delicados da mesma. – haverá momentos em que não deve deixar que seu coração gentil lhe atrapalhe, deverá tomar decisões frias e cruéis, pensar no que é melhor para seu reino, para o seu rei, e para a criança que cresce dentro de você. – as mãos do mais velho desceram para a barriga da irmã. Ele então a virou de frente para si, e ergueu seu queixo para que ele a encarasse nos olhos. – Eu estarei aqui, ao seu lado em qualquer decisão que tomar, independente se for cruel ou gentil.

Ela o abraçou com força, como uma criança abraçando o pai em uma noite de tempestade. Ficaram abraçados por breves momentos antes de Elaena lembrar-se de algo que pretendia perguntar ao irmão. A rainha se afastou do mais velho o bastante para poder olha-lo nos olhos.

– Quero lhe perguntar algo. – pediu, sentindo o irmão lhe escapar dos braços.

Caesar seguiu em direção à mesa próxima a lareira onde uma criada havia disponibilizado vinho e hidromel, o homem pegou uma das taças e buscou pelo catre de vinho, vertendo uma generosa quantia em sua taça.

– Pergunte. – pediu quando se voltou novamente para a irmã.

– Robb contou-me que o exercito prometido por meu pai desembarcou três noites atrás em Porto Branco, e que os homens marcham rumo as Gêmeas, onde o exercito do Norte se unirá a eles, e contou-me também que seu exercito chegará em quatro ciclos da lua ou talvez mais, — a jovem fez uma pausa, encarando fixamente o irmão que se aprumava em uma das poltronas dos aposentos da irmã. – lembro-me que seus exércitos já se movimentavam antes mesmo de partimos, e sei também que ele deveria chegar juntamente ou até mesmo antes que o exercito disponibilizado por papai. Por que disse a Robb o contrario?

– Muito esperta irmãzinha, não é possível esconder nada de você. — assumiu Caesar – Faz tudo parte da estratégia. – ele acenou para que a irmã sentasse a poltrona ao seu lado – Sabe que um dos motivos pelo qual sempre venço é que tenho olhos e ouvidos em todos os lugares, — Elaena sabia que o irmão costumava usar espiões e agentes, Caesar gostava de estar sempre dois passos a frente de seus inimigos – meus olhos e ouvidos desembarcaram em Westeros antes mesmo que você entrasse em uma navio – admitiu – meus olhos enxergam traição naqueles que juram proteger a vida de nosso rei, e meus ouvidos ouvem sussurros de conspiração, não posso acusar ninguém ao rei, pois aqueles que planejam trai-lo lhe são próximos, mas posso impedi-los no momento, é por isso que preciso que ninguém saiba de meu exército. -Elaena ouvia com atenção as palavras de seu irmão.

“meu exercito se move durante as sombras da noite, enquanto o outro exercito se move durante a luz do dia, meu exercito de sombras acampará próximo as Gêmeas aguardando minha chegada, pretendo partir pouco depois de seu marido, Henrik permanecerá aqui com o controle de sua armada e de sua guarda pessoal.”

– Quem é o inimigo? – questionou a rainha com raiva, Caesar a encarou.

– Bolton e Frey se unirão aos Lannister.