The Queen
10 Capitulo VIII
Notas iniciais
Os noivos foram saudados com alegria e piadas quando se encontram com os vassalos e familiares durante o almoço.
–Que bom que decidiu dar um descanso para a moça Vossa Majestade. — disse Grande Jon Umber enquanto os noivos sentavam. Robb exibiu um sorriso campeão e Elaena corou até a raiz do cabelo.
– Creio meu caro Grande Jon, que tenha sido a rainha a me dar um descanso. — brincou arrancando risadas de todos os lordes no salão, enquanto sua esposa ficava ainda mais escarlate.
–Robb, você está deixando sua esposa envergonhada. — lady Catelyn o repreendeu.
–Desculpe minha querida se fui impróprio e a deixei envergonhada — o rei se virou para a esposa com um sorriso gentil, e beijou lhe a mão em forma de desculpa — foi apenas uma piada.
–Eu vejo — concordou a loira. -, aparentemente me casei com um homem improprio, que se diverte a me ver corada. — recordou de todas as vezes que ele havia sido indecente e improprio na noite anterior e ela enrubescia como a jovem inexperiente que era. Robb perece ter tido a mesma recordação, pois riu do que a esposa falou.
–Por que você fica ainda mais linda corada. -confessou o rei em um sussurro.
Elaena sorriu em agradecimento e apreciação ao elogio. Pouco depois Robb já estava envolto em uma conversa sobre a guerra com Robin Flint e Dacey Mormont. A rainha podia ver pelas palavras do marido o quanto o mesmo desejava voltar à guerra, ao centro da ação.
Robb, no dia que receberá Sansa dos Lannister havia prometido a irmã mais nova que, não importasse quanto tempo passasse, ela teria a cabeça de Joffrey em um espigão, era questão de honra para o Stark cumprir com o que prometera a sua irmã caçula. O atual problema do rei caso quisesse retornar a guerra seriam novamente os Frey, o velho Walder Frey não havia se agradado quando soube que Robb havia aceitado se casar com outra jovem, para o velho senhor o rei deveria novamente se casar com uma de suas filhas.
– O melhor no momento seria uma aliança com Renly Baratheon.- decretou Dacey Mormont. — Stannis não aceitaria ter o reino dividido, e uma aliança com os Lannister está fora de questão. Renly não liga para o Norte, ele o entregaria de bom grado, se isto lhe garantisse nossos exércitos, ele tem Jardim de Cima e as Terras da Tempestade, se Vossa Majestade se unir a ele, ele também teria o apoio do Norte e das Terras Fluviais.
–Nosso grande problema seria Walder Frey. — sussurrou o jovem rei aos seus companheiros de batalha_ Não é possível ir ao sul sem a passagem das Gêmeas, e ele está enfurecido, pois não aceitei sua proposta para que me casasse com outra de suas filhas.
–Talvez se prometer um de seus irmãos... — sugeriu Pequeno Jon Umber.
–Não seria o bastante. — disse Robb. — Walder Frey é ambicioso demais para aceitar casar seus filhos com Sansa ou Bran. E não pretendo obrigar nenhum de meus irmãos a um casamento como o meu primeiro.
Elaena que até o momento apenas observava a conversa do marido e seus companheiros se intrometeu.
–Se me permite... — ela os interrompeu, o rosto de Robb se virou para a jovem esposa tal como a atenção de seus companheiros. — O senhor tem um tio se não me engano, irmão de lady Catelyn, — ao que o marido assentiu incentivando-a a prosseguir ela continuou. — seu tio é lorde da Casa Tully, e senhor protetor das Terras Fluviais desde a morte do senhor seu avô. O que poderia satisfazer mais um velho lorde das Terras dos Rios do que casar uma de suas filhas com seu suserano, e saber que um dia seus netos herdaram tal poder, além é claro de ter um laço com o rei do Norte?
Lady Mormont a encarou por breves segundos antes de se voltar para o rei com um leve sorriso.
–Você se casou com uma rainha estrategista Stark. — comentou em tom de congratulações.
–Acham que pode dar certo? — perguntou aos seus lordes, mas com os olhos fixos na esposa, um sorriso orgulhoso se entendia por seu rosto bonito.
–A meu ver, é nossa melhor saída. — concordou Petrek Mallister.
–Pedirei a minha mãe que escreva á tio Edmure. — concluiu o rei.
Robb apenas a deixou sozinha no meio da tarde, quando se recolheu para o gabinete em uma reunião privada com os lordes. Elaena, como ainda não conhecia Winterfell por inteiro, aproveitou para explorar o castelo em companhia de suas damas. Elas se divertiam correndo pelos extensos corredores, até mesmo os criados que as viam pareciam se divertir. Não era o comportamento condizente com nobres damas e uma rainha, mas elas eram acima de tudo jovens moças, que a não muito tempo haviam deixado a infância.
–Acho que devo começar a providenciar pretendentes para vocês. — comentou a rainha se jogando sobre um sofá de madeira mogno forrado com veludo cinza escuro. — Minhas damas de companhia devem se casar com grandes homens e é meu dever garantir isso.
–Quero um homem bonito. — afirmou Lagertha sentando-se aos pés de sua senhora e brincando com a barra bordada do vestido. -Um nobre, que seja tão bonito quanto o Jovem Lobo. – brincou encarando fixamente a rainha, a mesma sorriu e deu um tapa ligeiro na mão da outra, que riu e voltou a mexer no bordado.
– Eu quero meu Rickard. – choramingou Morgause
Rickard, um rapaz bonito com quem a moça tinha um longo namorico, era o segundo filho de lorde Ignacius Versutty, um homem muito rico que era dono de fazendas de seda no norte de Agallea. Mas como um segundo filho, não tinha grandes posses ou fortunas, não tinha um titulo, que era o que o pai de Morgause procurava, sendo a filha mais velha de uma rica família comerciante, era necessário que se casasse com um homem de alguma grande família, um herdeiro, pois se ela fizesse um bom casamento poderia subir o status de sua própria família, e arranjar bons casamentos para suas cinco irmãs caçulas.
–Sor Rickard está em Westeros conosco. — comentou a rainha. — Se Caesar falar com o senhor meu marido e o mesmo concordar com a ideia de meu irmão, então talvez seja possível fazer com que Sor Rickard permaneça em Westeros. — disse, para a felicidade de Morgause.
–Que ideia?- questionou Johanna.
–Bem, no Norte quase não á comercio, a ideia do meu irmão é trazer o comercio, começando com algumas das famílias de Agallea, — começou a explicar a rainha. – Segundos e terceiros filhos trazendo os negócios de seus pais para Westeros.
–E com a guerra que devasta o Sul... – Johanna logo entendeu a ideia de Caesar, mas ainda não tinha sabia o porquê do interesse do mais notório dos filhos de Rodrik Lyazar em uma terra tão distante da sua própria. – As pessoas seriam atraídas pelo comercio.
Elaena sempre achou que Caesar seria no futuro um melhor rei para Agallea do que Uther jamais seria. Uther é carismático, conquistava a empatia das pessoas a primeira vista, e seu ódio com a convivência, fraco como general, e definitivamente seria controlado pelo pequeno conselho, o primogênito dos Lyazar era fraco, manipulável e fanfarrão. Caesar era diferente, conquistava a confiança e o amor de todos aos poucos, tinha a lealdade daqueles que o cercavam, e era temido pelos que ouviam seu nome, um politico capaz e general experiente, porém fadado ao posto de terceiro filho.
–O que as moças fazem aqui?- A voz conhecida fez com que as cinco jovens voltassem-se para a porta.
Caesar estava postado, encostado no batente de forma despretensiosa, inteiramente vestido de negro, os cachos escuros e longos caindo sobre o rosto marcado por um sorriso divertido.
–Descansando de nosso passeio pelo castelo irmão. – respondeu a rainha com um sorriso infantil no rosto, se aproximando do mais velho e o abraçando de lado.
–Já visitaram o jardim?- questionou.
–Ainda não, Alteza. – disse Branwyn, que esteve quieta até aquele momento.
–Bem, permitam-me acompanha-las então. – sem deixar tempo para que qualquer uma das moças sequer respondesse ele ofereceu o braço para a irmã. – Irmã.
Elaena aceitou o braço do mais velho, os dois começaram a caminhar pelo corredor enquanto as damas vinham logo atrás. O silencio de Caesar parecia esclarecedor para Elaena, ele tinha algo para dizer a ela, no entanto, o que quer que fosse, não poderia ser dito na frente das moças.
O jardim de vidro de Winterfell era grande, aquecido pela terma, e encantador de uma forma surpreendente, havia arvores frutíferas e pés de verduras, tudo muito bem organizado. Uma área era reservada apenas para o cultivo de flores, ali realmente parecia um jardim, com suas pequenas fontes e bancos de pedra, arbustos floridos e belas roseiras. A rainha viu que no centro, ao redor da maior fonte, onde os bancos de pedra estavam postos de forma circular, erguiam-se de forma majestosa lindas roseiras de rosa de inverno.
Elaena pode ver, pelo canto dos olhos que suas damas já haviam se dispersado entre os arbustos floridos, era possível ouvir os risos alegres e os baixos cochichos das moças.
–Acho que agora já pode falar o que queria. – afirmou a loira sentando em um dos bancos ao redor da fonte e chamando o irmão com a mão.
Caesar sentou ao lado da mais nova, e segurou com delicadeza a pequena mão de alabastro, virando a palma rosada para cima e traçando as linhas da mão da irmã com o dedo.
– Nosso caro Godrik tem pretensão de ir embora de Westeros ainda nesta tarde. – comentou com fingida tristeza.
A rainha permaneceu calada por alguns segundos. Sabia que apesar de conviverem pacificamente, Godrik e Caesar não se gostavam muito, eram raros os momentos que agiam como irmãos, os dois viviam competindo desde pequenos, as tolas competições sobre quem tinha o melhor cavalo e quem era o preferido da irmã caçula, com a idade passou a ser sobre quem tinha as melhores propriedades, o melhor exercito, e as mais belas mulheres. Mas de certa forma nunca deixou de ser sobre quem era o preferido de Elaena, que para o desgosto de Godrik havia declarado em alto e bom som que Caesar era seu irmão preferido.
– Que dia terrível para se perder um irmão. – comentou indiferente. – Como o Sol ainda ousa brilhar? – brincou, vendo um sorriso divertido surgir no rosto do mais velho. Elaena nunca realmente entendeu o porquê, mas sempre que demonstrava indiferença por seu irmão fanfarrão, seu irmão mais velho se alegrava.
– Creio que Westeros não tenha sido do total agrado de nosso irmão. –disse Caesar de forma enigmática, e explicando em seguida ao ver o olhar curioso da caçula. – Digamos que noite passada, Godrik para nos...para livra-la de um incomodo tenha ido para cama com uma certa mulher, e que até o jantar talvez toda Winterfell já saiba do que ocorreu.
– Lady Talisa? –questionou a rainha boquiaberta perante a revelação do irmão, ela riu levemente em alegria quando o mesmo concordou.
– Godrik a fez tomar uma doze cavalar e bem concentrada de chá da lua.
Elaena permaneceu calada em sua alegria contida, mais regozijava por dentro sabendo que não teria que se preocupar com um possível bastardo.
– Então nosso irmão irá embora? –mudou de assunto.
– Há esta hora já deve estar partindo. –afirmou Caesar. – Você conhece nosso irmão. Godrik gosta de grandes entradas, não de despedidas. –explicou. –Ele lhe envia votos de felicidade.
Apesar de nunca ter sido grande devota por Godrik, saber que o mesmo ia embora lhe causava algo no estomago, um sentimento como se a qualquer momento seus irmãos pudessem deixa-la.
– Me prometa irmão, — a rainha pediu suplicante, segurando a mão do mais velho entre as suas – prometa-me que não me deixará, que estará sempre aqui comigo, você e Henrik.
– Por que disso meu amor?
– Não me sinto segura, a menos que eu saiba que vocês estão por perto. – a forma doce com que ela falava ao mesmo tempo em que brincava com os dedos do irmão, o tocava em seu coração, ao mesmo tempo em que enchia sua alma de alegria. – Prometa-me.
– Eu prometo, nunca vou deixa-la, — Caesar beijou os dedos da irmã. – enquanto eu estiver aqui, e acredito que Henrik também, nenhum mal lhe afligirá. – prometeu.
Caesar andava altivamente pelo corredor do castelo, sendo seguido de perto por seus mais leais generais, era interessante vê-los andando junto, na capital em Agallea, aquele grupo de homens inteiramente vestidos em negro causava alvoroço e medo; o filho sombrio do rei e sua companhia de bastardos era um grupo intrigante. Eles eram liderados pelo príncipe, muitos dos que o seguiam eram filhos de segundos ou terceiros casamentos, alguns, bastardos legitimados, todos párias da sociedade, bastardos aos olhos da nobreza. Muitos haviam sido renomados encrenqueiros e perturbadores da ordem antes do príncipe recruta-los para sua pequena companhia; eles trabalhavam nas sombras, sem chamar atenção, cuidavam rapidamente dos pequenos problemas que afligiam a coroa, com o tempo ganharam renome e respeito, juntamente com ouro e propriedades, eram senhores de seus próprios palacetes sem dependeram de seus pais, lideravam seus próprios pequenos exércitos, mas independente a tudo, eles seguiam lealmente o seu príncipe, na vitória e na morte.
O príncipe entrou na sala de reuniões, seus homens o seguindo pouco atrás, Robb se encontrava em reunião com seus lordes, todos pareciam de certo surpresos com a chegada do príncipe.
– Desculpe-me a intromissão, m’lordes, — pediu o príncipe com o leve sorriso no rosto antes de se voltar para o rei – Majestade, o dote prometido por meu pai acaba de desembarcar em Porto Branco, dez mil soldados, vinte navios de guerra, a parcela final do ouro que foi prometido, mas por um problema durante a viagem apenas cinco mil exilados, um dos navios se perdeu no mar.
A sala ficou momentaneamente em silencio, antes que o rei limpasse a garganta, endireitando a postura.
– Alguma previsão de quando eles chagam à Winterfell?
– Por ser um grupo muito grande, diria que talvez em um mês, talvez menos. – afirmou o príncipe.
Rei e príncipe se encararam durante alguns segundos antes que Caesar prosseguisse.
– Vim também pedir autorização para trazer os exércitos de Henrik e meus a Westeros, uma medida de precaução para quando Vossa Majestade e seus homens forem a guerra, para que minha irmã e aqueles que permanecerem na fortaleza, estejam em segurança.
– Quantos homens? – questionou Robb, a ideia de deixar soldados em Winterfell para a proteção das mulheres, civis e crianças, o aliviava, ao menos não precisaria se preocupar com a segurança deles quando partisse para guerra.
– Oito mil soldados respondendo aos meus generais, três mil respondendo diretamente as minhas ordens, e a guarda pessoal de Henrik, mil homens. – a resposta do príncipe chamou a atenção de todos, e vendo tantos pares de olhos voltados para si explicou – A segurança da minha irmã é nossa prioridade.
– Quanto tempo até chegarem? – questionou Dacey Mormont.
– Esse é o único problema, enviarei um corvo imediatamente, mas até se organizarem, embarcarem e enfim chegarem, vai ter se passado quatro talvez cinco meses, mas até lá temos a guarda pessoal de minha irmã para guardar o castelo.
O rei assentiu, parou pensativo durante um momento antes de se voltar para seus próprios lordes.
– No momento aguardamos a resposta de meu tio quando ao seu casamento com a filha de lorde Frey, mas se preparem para a guerra m’lordes, pois em quatro luas voltaremos à guerra, vamos vingar aqueles que os Lannisters nos tiraram, e tirar o bastardo Joffrey do Trono de Ferro.
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