The Queen
30 Usurpadora
Notas iniciais
Yamanaka Ino
Sim, talvez eu soubesse. Talvez eu sempre soube.
Que meu destino sempre foi andar na sombra dela. Uchiha Mikoto.
Mesmo sendo amante, mesmo sendo a mulher das noites, mesmo amando loucamente, eles nunca a esqueceram. Não basta a antiga rainha assombrar meu passado, é necessário sua reencarnação atentar meu presente e destruir meu futuro.
Só queria o meu homem. Ser amada como amo. Desejada, aclamada. Ter para quem voltar.
Mas ela nunca deixa!
_Devo dizer que sinto falta de um ativista... — Examinei o pequeno grupo com desgosto. Mesmo depois de tudo, mesmo depois de morta, ela ainda possui pessoas dispostas a morrer por ela. — Onde está Gaara?
Sasuke travou a mandíbula e automaticamente soube a resposta. Meus olhos desceram um pouco. Ah, está morto. Nada mal.
_Lucian realmente é forte. É bom estar do lado vencedor.
_É isso o que diz? — Questionou o garoto lobo, com o ranger dos dentes. — Ele era seu filho! Você tinha um caso com ele! Tinha obrigação de amá-lo!
Eu sorri, debochadamente. Ergui um braço meu, apontando para a estátua de Drácula.
_Eu só tenho uma obrigação. Amar Drácula e Uchiha Sasuke. Gaara nunca fora nada para mim, era uma aberração. Fruto meu quando ainda era humana. Dava-me nojo. Talvez seja por isso que o usava tão bem. Já era um pedaço de lixo no momento em que nasceu. — Falei com desgosto.
_Como ousa?! — Pronunciou Hinata enquanto Sasuke observava-me neutro. O meu belo príncipe negro. Com suas vestes sombrias e seu olhar dominante e superior. Como amava aquele poder. Aquela magnitude. Aquela supremacia.
_Eu sempre tive olhos para você Sasuke — sorri, melancólica. Mesmo sendo-me entregue quando ainda era criança, assim que fora transformado em vampiro, ele nunca havia me aceitado. — desde o início. O filho da feiticeira com meu amado, foi meu único verdadeiro amor. Sempre lhe disse que era superior a Gaara, que ele iria trilha um caminho sozinho. Tu es o puro, nobre. Desde sempre quis um filho teu... — Meus pensamentos tornaram-se crus e nada sutis. Que deselegante da minha parte. — Mas escolhera ela, não a mim. — Meu braço despencou, parando ao meu lado, inerte. — Deixaram-me sozinha com a cria imunda.
Sasuke andou calmamente em minha direção. Passou gentilmente a costa de sua mão em meu rosto, analisando minhas feições.
_Você nunca geraria um filho meu. — Suas palavras foram duras e eu sorri. — Sempre fora a vadia particular do meu pai e me satisfez quando nada tinha a fazer. Isto era algo que só você teve em sua ilusória mente. Doentia e insana. Você nem humana era, e já teve o primeiro filho com Drácula. Desrespeita o próprio, alegando que era impuro. Você sempre foi a usurpadora de nossa família. Querendo agir como minha mãe e minha mulher. Drácula nunca lhe viu como uma, sempre fora Mikoto. E comigo será a mesma história: sempre será Sakura.
Minhas lágrimas caíram como pedras num deserto. Duras e silenciosas, sem o poder de mudar algo. Aquele sabor de perda nos meus lábios e o pensamento de que já sabia deste fim. Do que me aguardava. Desde o momento em que a vi no quarto, no cassino.
Sempre soube que aquele seria meu fim. Meu declínio.
_O único que a amou fora Gaara, e mesmo esse você não o deu respeito. Só o procurava quando era despachada por Lucian, que a propósito sempre nutriu um nojo especial por você. Ninguém a queria aqui. — Falou ríspido — E, novamente tornou-se uma usurpadora porque a deseja não quis ocupar seu lugar.
A desejada. Haruno Sakura. Trinquei os dentes.
_Sempre falaram de mim por minha loucura com Gaara... Por possuí-lo como amante e tê-lo como brinquedo... Mas Sakura fez o mesmo e -
_Não compare-se com ela, sua asquerosa. — Rebelou-se a Hyuuga. — Não tente iguala-la a você. Ela fora abusada pelo próprio filho. Ou seja, ela não o quis em momento algum. Sempre quis protegê-lo e cuida-lo, como um humano ou talvez como uma boa criatura. — Ela parou abruptamente e estreitou o olhar. — Mas vocês não deixaram-na em paz!
Eu a encarei. Os olhos perolados e destemidos. Poderosos. Seu corpo voluptuoso que enfeitiçara o Uzumaki e seu jeito discreto que a fez tornar-se amiga de Sasuke.
_Hyuuga Hinata sempre a odiei por tomar Sasuke de mim... — Murmurei contragosto.
Ela sorriu e olhos rapidamente mudaram do perolado para vermelho.
_O Uchiha ai tem bom gosto, e eu poderia toma-lo de você quantas vezes fosse necessário sua desvirtuosa. — Então sorriu rapidamente.
_Parece que vou ter que matá-los aqui, então. — Olhei-os então rapidamente pensei. -Ou somente ela, afinal ainda posso torna-los meus. — Encarei a Hyuuga.
_Você não vai triscar um dedo — Naruto tomou a frente e Hinata o segurou.
_Não se preocupe — Sorriu ela. — Dela eu cuido. Sasuke e Naruto, por que não vão na frente? Não esqueçam: a besta tem a chave. Agora vão.
Os dois concordaram.
_Infelizmente não posso deixar... — Sussurrei.
_Eu não pedi sua permissão! — Ela gritou e a larva abaixo rompeu-se em uma onda, derramando-se sobre mim e enroscando em minha pele, desmanchando-me como geleia. Gritei de dor enquanto os dois corriam pela passarela e entraram na fenda, que mais parecia um vidro de água, entre os dois universos. Hinata curvou os braços e a larva arremessou-me contra a parede. Senti meus ossos quebrarem e eu cuspir sangue. — Sabe, pra alguém que quer tomar o lugar da rainha você é muito fraca! — Ela sorriu estralando o pescoço e movimentando os braços.
Eu dei um sorriso. Senti minha pele sair do meu corpo e desmanchar-se em lama, os olhos saltarem das órbitas e o músculo romper-se.
_Sou? — Então abri minhas asas destruídas e soltei meu ar. Transformei-me na larva que tomava meu corpo e adentrei-a até chegar a sua origem, sentindo todo o rio que corria por baixo do Palácio das Covas, o nome que se da ao interior da Boca do Inferno . Tornando-me parte dele.
Hinata perdera o controle do elemento, derrubando a onda. Logo não tive barreiras em possuí-lo. Então comecei a engoli-lo, como se houvesse um ducto no fim, o rio escoava para meu interior. Logo sobrou somente eu naquele espaço vazio. Meu corpo em estado morto, com perdas e danos.
_O que é exatamente você?!- Gritou Hinata com um breve olhar de desespero.
Elevei-me até a passarela, sendo reconstruída com meus ossos e músculos queimados e decompostos. Sorri lentamente e ruidosamente.
_Eu sou seu declínio Feiticeira das Selvas. — Minhas asas de abriram e elas não eram mais galhos retorcidos, mas exibiam algo asqueroso que eu odiava: minha pele, costurada em seu esqueleto. Meus músculos eram minha nova pele, e onde não tinha mostrava o meu osso. Uma aberração.
_Urgh! — Ela gemeu, enojada e aproveitei-me do descuido dela e mexi-me rapidamente. Quando ela notou, tentou recuar mas fui mais rápida. Cuspi larva que tornou-se continuidade da minha língua e apertei seu tornozelo arrancando de seu corpo.
Ela urrou de dor e caiu de costas.
Sob choque , arrastei-me sobre o chão até ela como serpente, sobre ela notei esta usar uma armadura de diamante tão reforçada que nem mesmo consegui riscar a casca. Rápida, ela empurrou-me com força e fui jogada ao chão.
Meio desatenta, agonizei no chão o suficiente para ela sobrepor-se a mim e começar a me esganar.
_Desgraçada! — Sibilei. Quando notei que não tinha força para tira-la, explodi-me em vísceras e sangue. Ela gritou de nojo e olhou com espanto para o chão.
_O que?! — Indagou assustada procurando saber o que aconteceu, abrindo uma fresta em sua armadura. A conexão entre seu peito e braço.
Rapidamente retomei meu corpo, transformando meus braços em lâminas de diamante. Mirando no exato ponto, dei o golpe num movimento vertical, ouvindo o estalo quando este caiu do seu corpo.
A armadura rompeu. Ela gritou, bombeou e a mordi com dentes de navalha, rodopiando e a arremessando ao chão. Com seu peito sangrando, sem braço e sem pé, tentou levantar mas por ter esquecido-se do que perdera cambaleou para frente. Transformei-me em larva e derramei-me sobre ela.
Rápida, rolou evitando-me e deu uma pirueta com o braço que sobrou como apoio. De joelhos, ela arfava. O sangue derramando-se mais rápido do que achava. A respiração sobrecarregada e os olhos caídos. Com a mão que restou aparou o buraco que ficara por perder seu braço.
_O que diabos é você afinal? — Requisitou.
Eu sorri transformei-me na minha forma humana. Meu braço completamente ensopado pelo sangue da feiticeira. Elevei-o e o lambi lentamente. Parei e a encarei.
_Eu não sou exatamente a criatura que pensa. — Cochichei. — Do que você mesma me chamou? Ah, sim. De Rainha dos Demônios.
Ela mordeu o lábio e controlou o elemento fogo, cauterizando sua perna e seu braço. Seu peito descia e subia rapidamente com a perda de sangue. Ela controlou a água e a congelou na ferida, evitando a perda de mais sangue. Ainda usando a dominação de diamante, criou um pé e uma mão artificial usando-os como prótese.
_Então é verdade os boatos que dizem sobre você? — Continuou.
Era um estado deplorável o qual ela se encontrava.
Eu sorri.
_O que dizem sobre mim, querida?
Ela tentou manter-se em pé, mas caiu por não estar habituada a prótese.
_Que você é uma Bruxa e é por esse único motivo que Drácula ainda a mantinha por perto. — Ela mordeu o lábio de dor.
Fiquei ereta.
_Talvez sim, mas este não era o único motivo dele me manter.
Ela tremeu, já começava a mudar de cor pela grande perda de sangue.
_Então por que? — Indagou.
_Porque me tornei o receptáculo da outra rainha. Se Sakura é a Criação, eu sou a Destruição. Se ela representa a Eternidade, eu represento o Momento. — Dei uma pausa, então comecei novamente. — Se ela representa Eva, eu represento Lillith, a Usurpadora.
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