The Queen

19 Sentimentos perdidos e demoníacos


Notas iniciais
Primeiro um graaaaaaaaaaaande agradecimento a querida Lorena Aguiar que me fez muito feliz com a recomendação *-* Amei gata

Haruno Sakura

Eles me algemaram. Pernas e braços e pra completar puxavam-nos por uma espécie de coleira. Bufei irritada quando o loiro emo me puxou com mais força, fazendo-me tropeçar.

_Ta confundindo suas pernas? — Perguntou sarcástico. Respire Sakura, você não precisa se rebaixar ao nível dele e trocar-se com esse escroto. Controle-se.

_Ora, ora. A cachorrinha ta se contendo, não? — Dessa vez foi o idiota de cabelo cinza. A cachorrinha? Meu querido não sou eu que fico recebendo ordens de um qualquer tá?

Respira.

Percebi então que Tenten chegava de fininho do meu lado.

_Que milagre é esse que você não ta revidado? — Sussurrou e percebi que ela realmente estava impressionada.

_Não posso arriscar — falei no mesmo tom — a contrair uma doença que diminua meu QI interagindo com estas coisas.

Ela sorriu.

_Ah tá, né? — Ela continuou do meu lado, encarando as algemas. — E você poderia quebrar isso facilmente não é?

Afirmei com a cabeça e ela bufou.

_Sorte nossa que eles não sabem...

_Quieta! — Rosnou um bicho azul, puxando-a violentamente. Não me pergunte o porquê dessa cor. Percebi no canto do olho que Neji marcava silenciosamente Kisame e jogava-o para a sua pessoal lista negra.

Sorri, e o loiro me puxou com mais força fazendo-me cair. Todos eles riram, os caçadores pareciam em dúvida se riam da desgraça deles que eu faria como vingança (óbvio) ou ficava com pena.

_Levanta sua vadia! — O loiro ordenou, puxando a corrente. Rapidamente enrolei uma parte na longa corrente na minha mão, passando por cima da minha cabeça e travei meu corpo.

Quando o loiro tentou andar, puxei a corrente e ele caiu pra trás. Todos riram. Tipo, todos.

Ele virou-se me encarando.

_Sua vadia!

_Pelo menos não sou uma loira de cabelo oxigenado. — Respondi, cansada de deixar quieto.

_LOIRA?! — Um gritou e logo recomeçou a risada. Deidara levantou-se e puxou-me pelo cabelo.

_Eu sou homem! — Ele gritou na minha cara.

_Mentira! — Brinquei. — Amiga quanto foi essa sua mudança de sexo? Tenho umas que estão pensando em fazer...

Outros risos e um grunhido. Quando este tentou me bater, um deles segurou seu braço.

_Você não vai bater nela, quando esta não tem como se defender. — Sua voz soou mais como um aviso do que simples proteção. Encarei a pessoa que falou e arrependi-me rapidamente de tê-lo feito, ficando no exato segundo vermelha. — Dê-me a corrente dela.

O loiro grunhiu mas entregou. Eu fiquei ainda sentada no chão, com minhas mãos para frente e este em pé do meu lado, suspirando.

_Você na muda. — Reclamou, mas parecia meio aliviado.

Nada respondi. Ele agachou-se e encarou os meus olhos.

_Não irá falar comigo?

Encarei aqueles olhos castanhos e profundos. Os cabelos vermelhos e bagunçados.

_Não tenho nada a falar Sasori. — Respondi, ele riu levantando-se.

_Você sempre tem. Quer levantar-se, ou terei que leva-la no colo? — E então seus olhos caíram sobre mim, maliciosamente.

Grunhi, levantando-me de mau jeito.

_Que pena... — murmurou. — vamos. — Então puxou-me, mas com sutileza.

Ex-namorado vampiro, com poder sobre você, não é muito legal. Principalmente quando de fato vocês não tinham terminado, mas os fatos simplesmente obrigaram. Fatos como ser vendida para outro homem.

Não que eu soubesse que Sasori é um vampiro. Espera, ele é um vampiro? Então tudo que ele me falava era mentira?

_Não. — Ele respondeu minha pergunta silenciosa. — Nunca menti para você.

_Mas você é um vampiro! — Exclamei.

_Não, sou um lobisomem. — Em nenhum momento ele me encarou.

Fiquei calada. Isso explicava muita coisa.

_Você poderia me explicar algumas coisinhas... — Murmurei e ele sorriu de canto, mostrando uma presa afiada, porém pequena. Uma presa canina. Minha gente, eu namorava um cachorro! Que foda.

_Pergunte.

_É sobre a natureza vampírica. — Comecei, meio incerta se deveria falar isso com ele. — Não entendo muito bem...

_Não entende o quê, exatamente?

Suspirei.

_É que conheço alguns vampiros meio-a-meio, entende? — Ele confirmou, ainda olhando pra frente. — E eles tem sentimentos... ou pelo menos enganam bem. — Falei, lembrando-me de Sasuke. — Tem como isso ocorrer?

_Vampiros não são dominantes. É como um gene. Ele ganha do humano, mas perde, nesta escala, para feiticeiro e caçador. Ou seja, o gene dessas duas espécies superam o vampirismo no termo de posse.

_Pera... Hã?

Ele suspirou.

_Se você for um caçador mordido por um vampiro ou fada ou lobisomem, todas estas três espécies derivam de um único gene, ele sofrerá a mutação. Tornará-se um destes, mas continuará a ter uma parte do que já foi um dia. Por exemplo, um caçador foi mordido por um vampiro, ele vai virar um vampiro, com sua natureza cruel e tudo mais, mas sua natureza caçadora vai impedi-lo de destruir todo o equilíbrio ou deixar de amar alguém que amou antes de tornar-se o que é. — Quando ele notou meu olhar perdido sorriu. — Você conheceu Hinata e Naruto, não?

Sorri com a lembrança.

_Claro!

_Então. Mesmo tendo se transformado em uma fada e ser perdidamente apaixonada por Naruto, Hinata nunca o mataria, mesmo que seja por amor .O mesmo ocorre com Naruto, mesmo tendo sua natureza modificada para um animal, ainda nutri seu sentimento quando humano. Seus modos. Isso faz com que ainda seja apaixonado pela mesma garota, no caso Hinata.

_Ah... Agora entendi. — Sorri e ele me encarou sério. Por um momento vi algo em seu olhar que não soube classificar, mas foi rápido. Logo ele desceu para o chão e voltou a encarar a frente.

_Vocês aí atrás! — Brigou um com cabelos espetados e laranjas e com piercing. — Andem logo e percebi que eu e Sasori tínhamos nos afastado dos outros.

_Todos aqui já foram caçadores ou feiticeiros...? — Murmurei meio confusa. Ele suspirou, encarando o céu.

_Ninguém é perfeito. Konan é a única somente vampira. Ela era uma humana, que fora transformada por alguém. Yahiko, aquele de cabelo laranja que brigou conosco, era seu marido e caçador. Não suportou ter de matá-la e ela o mordeu, transformando-o em fada. Deidara, o loiro que você achava ser mulher, era um feiticeiro dominador do fogo. Fora mordido em batalha.

Arregalei os olhos.

_É um homem mesmo?? — Interroguei. Gente ele é a cara de uma mulher.

Sasori sorriu.

_Sim, ele é.

Então fez um momento de silêncio. Então o olhei.

_E você? Você já foi...

_Sim. Há muito tempo... Fui apaixonado por uma mulher e tive um filho. Este foi o problema. Nasceu morto e ela morreu no parto. Fui pego nessa armadilha amorosa, Deus tirou meus poderes de caçador no exato momento que fui mordido. — Ele suspirou pesadamente. — Durante séculos, perdi tudo e fui uma criatura leviana e odiosa.

Engoli seco.

_Sinto muito.

Ele sorriu, fraco.

_Não há problema.

Então estranhei.

_Meu Deus, quantos anos você tem?

Ele sorriu galante.

_110, no auge dos meus 23.

Eu sorri. Não acredito que eu estava sorrindo, mesmo sendo capturada. Então o sorriso brilhante deixou os lábios de Sasori, e um tom sombrio mostrou-se sua voz.

_Chegamos. — Avisou e eu encarei aquele lugar tenebroso novamente. As dunas de areia congeladas só piorava o ar, que era carregado e mucoso, uma coisa que não tinha percebido quando era humana.

Era denso e escuro, como uma neblina branca no inverno de Antártida. Percebi nesse instante que o sol nunca deve ter aparecido neste céu. Uma terra com total escuridão.

_Aconselho — começou Sasori, novamente — a não encarar as criaturas mais horripilantes que ver.

Estranhei.

_Por que não?

_Porque não são daqui. — Respondeu, e eu tive que olhar ao redor para ver se os outros ouviram também. Neji e Lee assentiram, os outros pareciam congelados pelo medo ou pelos ventos cortantes que machucavam.

_Como vou notar a diferença entre um desses e os com a forma original ativada.

_Acredite, você irá notar. — Ele respondeu, tenso. Esfreguei meus braços.

_Como o lugar é tão frio apesar de ter um vulcão no centro?

Ele engoliu em seco.

_Não é um vulcão qualquer. É a entrada. A entrada para um lugar que não há saída.

O vulcão é a porta para o inferno. Complementou Morte, reaparecendo na minha mente.

Nossa, já sentia sua falta. Demorou. Ela parecia fraca.

Tem algo errado, Sakura. O Paraíso está... neutro.

Estranhei. Como assim?

Quero dizer que ele está se apagando e nem mesmo Deus sabe como ou o porquê. Ele está ficando fraco, a maldade no seu mundo o consome aos poucos, diminuindo sua energia. E há algo errado com os anjos. Os que vem a Terra, não voltam.

O que quer dizer com isso?

Suspeito que alguém os esteja capturando. Precisamos encontrar a chave o mais rápido possível. Antes que seja tarde.

E então ela sumiu novamente. Pensei em Kakashi, uma criatura tão bela, mas com marcas profundas provocadas pela maldade. E agora, ele não é o único que sofria. Seus irmão sumiam. Droga! Drácula vai se arrepender amargamente do que esta fazendo! Só ele tem poder para isto! Só ele é capaz!

_Sakura — Falou Sasori, com os olhos dourados — pare de morder seu lábio.

Percebi tarde que meu sangue escorria. Todas as criaturas me encaravam, entre elas, umas tão horripilantes que era tenebrosas. Tão cruéis que notava-se a diferença entre elas e as criaturas do Submundo.

Tinham olhares negros, como abismo, com a pupila violeta, dando uma ênfase na profundidade. Eram ocos. Não havia nada neles.

Não possuíam lábios e o aspecto nada tinha. Era criaturas deformada, porém com forma. O vento mostrava-se como suas feições. Nada faziam, ou falavam, ou sequer mostrava algo a mais, porém a sensação medonha de ter aqueles olhos sobre você era tão horripilante quanto a sensação de se afogar num oceano, ou ser morta queimada numa fogueira, ou ser capaz de enxergar sua própria morte.

Nada havia, mas numa mistura de horror, tudo existia. Um vento, um ar sequer, notava-se um leve e minúsculo movimento, como se fosse a própria noite. Uma sombra do que seriam capazes de fazer.

Não há nada a temer... Sussurrou uma voz na minha mente, quebrada e oca, como um som de uma ventania numa cidade fantasma. Rouca e cruel.

O Inferno não é nada do que imaginou... Outra sussurrou, mas esta mais parecia metal chocando-se contra metal, num chiado ensurdecedor.

O seus pesadelos não são ruins... Só fazem lembrar a você que sempre haverá um fim... novamente a voz oca tomou minha mente, preenchendo-me de dor e raiva, agonia e ódio.

Sua alma pertence a nós, antes mesmo do seu nascimento Haruno... Sibilou a outra, e eu senti uma fraca neblina tocar meu rosto, deformando-o na frieza.

Senti a vida esvair-se de mim sem minha permissão.

Não tema seu destino... criatura infame...

Você sempre soube que não era capaz de salvar a ninguém...

_Sakura! — Ouvi um grito distante. Dois senhores, sentados no chão da casa em chamas. — Proteja-a! Não faça nada contra ela! Eu lhe suplico! — Então percebi quem era.

Minha mãe. Agarrada ao meu pai. Sua pele derretia e os olhos murchavam.

_Nada posso prometer. — Respondeu outra voz, conhecida. Era a de Sasuke.

Apareci na cena. Quase pude sentir o calor me invadir, tomar posse do meu corpo. E eu o encarei. A pose dura e inflexível, Sasuke saboreava a cena da morte dos meus pais com uma alegria macabra estampada no seu rosto.

Encarei-os novamente. Eles gritavam feroz, com medo e dor. Suas carnes apodreciam e derretiam-se uma sobre a outra, tornando-os uma única criatura. Sasuke sorriu uma última vez e então saiu, deixando a casa queimar.

Eu quis gritar, pedir, implorar para que ele parasse aquilo. Quis tomar as chamas para mim, domina-las. Quis diminuir a dor deles. Fazer algo. Mas minha voz não saia, minha língua parecia costurada a mim. Senti meu corpo quente, como se fizesse parte daquela carnificina. Sendo possuído pelas chamas.

Eu tive medo. O mesmo medo deles, o mesmo terror. Implorava mentalmente para que parasse com aquilo. Com aquela dor.

Então os olhei novamente. E vi.

O sangue no chão, os corpos já desfeitos e gosmentos, as cortinas em chamas e as fotos dilaceradas. E eles ainda viviam, tentavam resistir, mesmo com maior parte do corpo transformada em gosma.

Então vi as lágrimas evaporarem dos seus olhos.

_Eu te amo, filha... — Sussurrou em meio a dor, meu pai, antes da morte.

Arregalei os olhos.

Acordei, gritando, urrando. Sentindo minhas lágrimas caírem e evaporarem. Meu corpo pegando fogo, um fogo insuportável que não conseguia parar. Todos me encaravam e nada faziam. Senti novamente meu desespero.

_AJUDEM-ME! — Gritei, mais as palavras pareciam morrem em minha garganta. — AJUDEM-ME! EU IMPLORO!

Ninguém nada fazia, enquanto o fogo destruía-me por dentro. Então senti uma dor insuportável no meu estômago, fazendo-me cair e fechar os olhos para a escuridão.

_SAKURA! — Ouvi um grito, arregalei os olhos e olhei ao redor. Eu estava dentro de uma prisão, junto com Tenten e Temari que era quase tomadas pelo fogo.

Pisquei, atordoada, fazendo as chamas cessarem.

Elas me encaram, horrorizadas. Eu olhei meu corpo, a procura de um ferimento.

_Por que vocês não apagaram? — Senti as lágrimas caírem. — Por que vocês não apagaram o fogo que tomava conta de mim! — Gritei e eles me olhavam chocados, enfim Neji, na cela da frente com Lee, Shikamaru e Kiba, se pronunciou.

_Sakura, você nunca pegou fogo. Você apagou no exato momento que mordeu o lábio.

_O quê?! Mas eu senti as chamas... Senti!

_Nada disto aconteceu. -Continuou Temari. — Você assustou a todos, na verdade.

_Por quê? — Perguntei, nervosa.

_Você ficou com os olhos totalmente negros e opacos, sussurrando...

_O mundo é nosso. — Terminou Lee, medonho.

Notas finais
;D Comentem?? ^^ Achei que o capítulo passado teve poucos.., :// Comentem, ta? E recomendem 66'