The Queen
22 Parceria
Notas iniciais
Uchiha Sasuke
O beijo era mais salgado. Não doce, como era habitualmente, mas algo sem sentimento. Como se eu beijasse uma pedra. Sua língua não intercalava-se com a minha. E seus olhos ainda nublados. Uma perfeita estátua.
Puxei-a mais para meus braços, exercendo uma certa força no ato. Seus braços já começavam a ter marcas vermelhas dos meus dedos, mas mesmo assim ela nada fazia.
Uma mão minha subiu por sua cabeça, puxando seus cabelos, outra desceu por sua cintura, puxando-a mais para mim, e ela nada fazia.
Separei-me dela por curtos segundos, encarando seus olhos.
_Sakura... — sussurrei — volte, volte para mim... — Voltei a beija-la, e ela lentamente fechou os olhos. Separei-me novamente. — Volte para mim! — Exigi, puxando-a mais para o meu corpo, quase tornando-nos uma única pessoa. — Ela começava a agir, tentando em vão separar-se de mim, mas murmurando palavras dolorosas.
_Lucian...
Apertei mais seu corpo, sentindo-me em desespero. Meus olhos tremiam, marejados.
_Não, — dei rápidos beijos em sua boca, segurando seu rosto com ambas as mãos. — não fale isso! Por favor... — O sentimento de perde-la corroía-me por dentro. — Sakura...!
Então ela abriu seus olhos, rapidamente, encarando-me.
E eles estavam verdes.
Ela me empurrou com violência, encarando-me com fúria. Por um momento, achei que ela tinha voltado ao normal. Que tentaria me matar, ou algo do tipo, mas ela nada me falou.
Seus olhos me fuzilavam, mas ela nada dizia enquanto eles tornavam-se vermelhos novamente.
Eu a encarei, meio confuso, enquanto percebi que ela respirava fundo.
_Desista. — Ela falou convicta. — Eu mudei. Chega, Sasuke! Nunca mais toque em mim novamente. Sou de Lucian, e somente dele.
Eu a encarei e ela fez o mesmo. Suspirou e saiu andando em direção a porta. Não sabia o que fazer, aquela sensação foi... aterrorizante. Mordi o lábio e segurei seu braço, impedindo-a de ir.
Suspirei, exasperado.
_Por favor... não faça isso... mate-me, mas não me deixe sem você... — Murmurei. Ela me encarou, friamente, e puxou o braço.
_Desculpe, Sasuke-sama. — Então saiu do meu aposento.
Suspirei, e desabei na cama, sentindo uma angústia me preencher, algo parecia apertar no meu peito e eu era preenchido por uma necessidade de chorar. Queria quebrar tudo, destruir tudo, gritar, socar.
E foi isso o que eu fiz.
Chutei a cômoda, quebrei a cama com um murro. Dei outro na parede, criando rachaduras. Destruí meu quarto, enquanto lágrimas caíam dos meus olhos, e eu sentia algo percorrer meu corpo.
Joguei-me na cama, esgueirando na parede, descendo lentamente até o chão.
Apoiei nas minhas pernas, tampando meus olhos.
_O que está acontecendo comigo... — Murmurei.
Ouvi passos, levantei-me e fui atrás de alguma roupa. Encontrei um capuz e o vesti. Sai do quarto, encontrando Naruto no corredor, com os olhos dourados.
Ele nada falou, mas não me impediu.
Encarei-o, e passei. Não tinha amigos, não mais. Todos haviam sucumbido ao mal presente. Puxei o pano mais para cima, cobrindo o meu rosto. Andei mais apressado por um corredor, e vi uma cena meio utópica, quase uma mentira de tão irreal.
Gaara deprimido. Relutante e mau-humorado.
Justamente sua personalidade humano, o oposto do vampiro. Fiquei um instante encarando-o, até ele perceber minha presença.
_Ora, — Ele sorriu sem graça. — o que faz aqui, Uchiha?
Examinei suas vestes: um capuz, uma mochila.
_Provavelmente o mesmo que você. — Respondi, e ele me olhou.
_Não temos tanto tempo para a conversa de irmãos que nunca tivemos, não é? — Ele sorriu sarcástico.
Olhei ao redor.
_Não.
Saímos apressados pelo corredor. Eu não sabia o que acontecia comigo, mas o que parecia, ocorria o mesmo no Gaara. Ele pareceu relutante.
_Você... viu Sakura, não foi?
Nada respondi e isso pareceu suficiente para ele.
_Antes de tudo, só queria dizer. — Ele murmurou, então parou.- Pedir, na verdade, pedir desculpas.
Olhei-o de canto, sem diminuir os passos e ele continuou.
_Já sabia sobre Lucian, e nada pude fazer. — Ele falou e fez menção em continuar, mas antes que o fizesse, segurei-o pelo pescoço colocando-o contra a parede.
_É melhor calar a boca, antes que eu te mate. Não me importo com o que você fez ou deixou de fazer. Se estar comigo aqui, é por algum motivo e isso é o que conta.
Ele nada respondeu e deixei isso por isso. Soltei-o e ele confirmou.
_O que vamos fazer, então? — Perguntou.
_Primeiro, pegá-la. Segundo, sair daqui. — Respondi, indo em direção ao outro corredor.
Ele arregalou os olhos.
_Tá louco? Ela tá no quarto dele!
Eu sorri de canto, erguendo a sobrancelha.
_E daí? Está com medo? — Provoquei e ele nada respondeu. — E vamos atrás de outro também. Uzumaki Naruto.
Gaara suspirou.
_Não pode fazer isso... Ele está sobre o domínio total de Lucian.
Ouvir aquele nome me trouxe uma raiva nova e imprudente, quase impulsiva.
_Pois sequestraremos. Eles não precisam saber que virão conosco. — Falei com desleixo.
Ele me encarou.
_Você é muito impulsivo.
Dei de ombros.
_Você vai atrás do Naruto e eu de Sakura.
_Tudo bem.
Ele parou e deu meia volta, eu continuei. Seguindo o corredor, cheguei numa porta ostentada, com desenhos em auto-relevo em dourado, de deuses gregos matando seres humanos com suas lanças.
O que de fato era algo errado.
_Não são os gregos propriamente, — sussurrou uma voz, meio doce, saindo da frecha da porta. — são os Titãs: Guaia, Tártaro e outros. Na verdade, os que estão sendo devorados são seus filhos...
_É realmente irônico que ele desenhe essa imagem na porta, afinal nunca o devoramos, não é Sakura? — Eu a encarei e ela esgueirou-se na parede ao lado, suspirando.
_O que quer? Não fui clara? — Sussurrou, mas percebi que estava com dores. — Não estou em um bom momento... — Ela tentou empurrar a porta para fecha-la, mas coloquei meu pé, impedindo-a. Ela soltou e me encarou.
_Deixe-me entrar... — Sussurrei. — Não lhe farei mal...
Os olhos baixos, encaravam o chão e eu adentrei o local. Notei que ela vestia apenas uma camisola transparente. Os cabelos cacheados róseos desciam em cascata nas costas, num contraste ao manto negro. A pele pálida brilhando na luz lunar que passava pela janela de vidro, presente no quarto.
Entrei no recinto, notei que o chão estava sujo de sangue, com uma trilha medonha. Os olhos vermelhos de Sakura estavam mais escuros, como se estivessem se alimentado a pouco tempo.
_O que... aconteceu? — Perguntei, meio contido. Ela me encarou e deixou a camisola cair.
Seu corpo estava se curando, mas notava-se as mordidas, o sangue escorrendo por suas curvas, marcas roxas nas pernas e entre elas. O rosto, percebo agora, meio inchado, com um grande hematoma na bochecha.
Quando ela se virou, tinha marcas de ganchos em suas costas, com furos profundas, as costas eram marcadas em linhas vermelhas horizontais, marcas de chicotadas.
Ela sorriu sarcástica.
_O nosso filho — um arrepio tomou meu corpo. — tem um gosto exótico para sexo...
_Você realmente...
Ela me encarou e um sorriso magoado surgiu no rosto.
_Eu o amo... — E rapidamente tampei seus lábios. Ela me encarou com os olhos marejados, e uma expressão assustada.
_Por favor... não fale. Não fale algo do qual vai se arrepender depois... — Ela me encarou com os olhos suplicantes.
_Não há um depois, Sasuke... — Ela exalou. — Não há mais nada...
Sorri.
_Ainda há. Há esperança... — passei meu dedo indicador no seu lábio. — e há você.
Ela me encarou, com os olhos luminosos.
_Sasuke... — murmurou e eu não resisti. Tomei seus lábios para mim, o sabor meio indeciso a ser tomado mas ela respondeu. Sua língua intercalando a minha, explorando-me com fervor e raiva. Seus olhos tornavam-se novamente indecisos, e então o brilho voltou com força. Um brilho verde. Eu sorri quando senti seus punhos baterem levemente no meu peito e eu dei rápidos beijos enquanto ela reclamava. — Você é um idiota... eu te odeio... ai, quero te matar, seu desgraçado...
Eu sorri.
_Depois ou antes do beijo? — Perguntei e ela me olhou com dúvida e grunhiu. — Vou interpretar isso como um depois.
Então voltei a beija-la, ela tomou meus cabelos, puxando-os com força. Os lábios forçando nos meus, os olhos fechados, com lágrimas descendo por seu rosto. Infelizmente tive que separa-la de mim, fazendo-a ficar interrogativa.
_Desculpe-me... — Murmurei e puxei a sua cabeça para o lado, rapidamente, quebrando o pescoço.
Ela caiu como uma boneca e eu prontamente segurei seu corpo, colocando-a em cima do meu ombro. Logo atrás, vejo Gaara chegar com o corpo do Naruto nas costas.
_Vamos logo que esse cara não é leve... — Resmungou e quando tentei me teletransportar tive uma surpresa.
_Eu não consigo. — Murmurei e o encarei. — Estou travado!
Ele me encarou boquiaberta.
_Como é? Ah, cara, tu nota agora? — Reclamou e um barulho ensurdecedor tocou no recinto, quase caímos de dor. — E agora?
Eu o encarei.
_Isso vai ser meio desagradável, mas... vou ter que agarrar você. — Encarei-o e ele me fitou.
_Não zoa com a minha cara numa hora dessas... — pediu.
Revirei os olhos. Tirei a Sakura do meu ombro e coloquei no seu, e no mesmo momento, puxei a cintura do ruivo pra perto de mim, encarando os olhos verdes dele, extremamente perto.
Ele trincou os dentes, quase envergonhado.
_Quer tirar a tua mão da minha cintura? — Pediu e eu dei um sorriso irônico.
_Não se preocupe que eu não gosto de homens. — Coloquei meus dois braços ao redor de Gaara, que pareceu pirar. — Quanto mais rápido nos teletransportar, mais cedo tirarei minhas mãos de você.
_Isso é muita sacanagem! — Reclamou e a porta arrebentou, entrando guardas no local no instante que Gaara nos rebocou daqui.
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